Quase Um Anjo
8 Cap. 8 – Confissões.
Part. Sara. –
– Hora de acordar, Sara. – falou Tina enquanto abria a cortina e o sol quente batia em minha pele.
Me espreguicei e fui tirando o lençol de cima de mim, Mallory então o puxou de volta e Tina riu.
– Tem gente que não se decidiu. – ela falou rindo e então olhou para a pequena mesinha de ferro em meu quarto. – Seu café já está pronto. Seu pai disse pra você ter juízo, ele viajou com o Mike e sua mãe como sabe está trabalhando.
– Claro, obrigada, Tina. – murmurei entre bocejo e ela saiu do quarto.
Levantei devagar e andei até a mesa, sentei em uma cadeira ainda com os olhos fechados.
– Que legal todos se foram a casa é só nossa. – disse Mallory.
– Agora podemos ligar para o John e trazer ele aqui. – Sam sorriu.
– E é? Esqueceram da Gina? Ela contará para Stephen e ai...
– Nos fodemos. – Mallory completou, mesmo que eu não fosse falar aquilo.
Mesmo assim balancei a cabeça afirmando e peguei uma torrada, comi e tomei uma xícara de café. Passamos um tempo mínimo lendo umas notícias no jornal e então me levantei.
O meu celular tocou e eu fui atender.
– Alô? – falei com a voz rouca.
– Sara? É o John...
– John? Oi! Tudo bom? – tagarelei.
– Tudo sim, e com você? Queria saber se vai fazer algo hoje à tarde... Queria saber se quer ir ao parque comigo. – ele parecia tímido.
– Estou bem e está marcado! – ri baixinho.
– Então está bem, passo ai depois do almoço. Tchau.
Desliguei o celular e pulei de alegria. Para ser mais precisa, eu, Sam e Mallory pulamos. Tomei uma lufada de ar e fui até o closet, entrando e fechando a porta. Fiquei na frente de um enorme espelho, fitando-o e passando as mãos nos cabelos.
– Então garotas, podem me dizer que história é aquela de Gangster?
– Sabia! – falou Sam.
Revirei os olhos rindo baixinho e me sentei no chão, ainda olhando para o espelho e mexendo no meu cabelo. Mais precisamente, mexia no cabelo das garotas.
– Deixa que eu explico. – começou Mallory. – Ta vendo o tamanho da casa? Seu pai mesmo dizia que quando era pequeno se envolvia com gente perigosa e que isso vai até hoje. Acha que ele trabalha em que? Eu sei que ele é dono das empresas Blackwell, mas acredite, não é só isso.
“Ele tem contato com pessoas de todo o país, ele comanda o Estado, mas o país é outra pessoa. E mesmo sendo assim, acho que talvez ele seja um dos braços dessa pessoa.”
Pressionei os lábios tentando entender e depois tudo ficou mais claro.
– Eu lembro que quando o Steven veio aqui, ele não gostou muito. – falei baixo.
– É, o pai do Steven é militar. – completou ela.
Rangi os dentes ainda pensando e fui me deitando no chão, olhando para o teto e pensando.
– Sara... Por onde andou? – perguntou Sam e Mallory apenas prestou atenção.
– Estava por ai, nas lembranças.
– Lembranças de que? – perguntou Mallory.
– Do passado. De como as coisas eram boas e fáceis. E também falsas. – completei.
– Naquele tempo você não tinha a gente. – disse Sam.
– Que bom que tenho agora... – sorri de leve, mas logo fiquei séria novamente. – Mas como será?
– O que? – perguntou ela.
– Quando formos casar? Às vezes uma gosta de um e outra de outro... Será que vamos ter que contar e nos dividir dia tal e tal? – falei normalmente.
– Tipo aqueles indianos... – disse Mallory.
– É. Porque... pelo jeito, vai ser assim pra sempre, não é? Nós três aqui dentro. E isso é loucura, olha para o espelho.
– O que tem? – perguntaram as duas e olhamos para o espelho.
– Estou falando sozinha, tecnicamente.
E então o silêncio pairou. Ficamos olhando para o espelho e cada uma encontrou o olhar da outra. Suspiramos ao mesmo tempo e então Mallory começou a falar.
– Acho que vai chegar uma hora que a gente vai encontrar alguém certo, e assim vamos nos juntar, talvez. Ou então será assim pra sempre. Confesso que gosto do John, mas não sinto ciúmes de vocês por gostarem dele também.
Balancei a cabeça e então fui me levantando devagar, procurando uma roupa apropriada para sair.
Olhei umas blusinhas e umas calças jeans, peguei um de cada e um tênis. Sai do closet já com a roupa e então fui até a penteadeira.
– Se algum dia isso acontecer, sentirei falta vocês. – falou Sam.
– Eu também... – Mallory concordou.
Respirei fundo e comecei a pentear meus cabelos, colocando meus dedos entre eles e depois passando a escova por cima. Fui o colocando para o lado e deixando minhas costas exposta, pouco tempo depois, Tina entrou no quarto e se pôs atrás de mim.
– Que horas deseja servir o almoço?
– Se sirvam, eu sairei. Vou à casa da Luna estudar. Acho que volto apenas à noite, ou então amanhã de manhã. – falei.
– Ah, está bem. Vou pedir para o Juan se preparar. – ela sorriu graciosa e saiu do quarto.
“Pegou ela” Mallory riu. “Devia fazer isso mais vezes”
– Deixa de coisa, menina. – ri e então peguei uma bolsinha pequena.
Coloquei meu celular, um batom, um blush, rímel e então abri uma gavetinha da cômoda, pegando a carteira e colocando umas notas nela, depois a guardando na bolsinha.
Sai do quarto e fui descendo as escadas, vi Juan que sorriu e depois entrei no carro. Ele fechou a porta.
– Está linda, Sara. – ele sorriu e entrou no carro.
– Obrigada. Pare lá nos portões, alguém me espera.
Ele balançou a cabeça afirmando e então dirigiu até a frente, abri a porta e John entrou no carro com um sorriso enorme.
– Juan, vamos para o parque. – falei e olhei John.
– Só pensei em você. – ele falou e me deu um beijo.
– E nós em você. – falou Mallory.
“Menina!” reclamei.
“Desculpe” ela riu.
– Nós? – ele perguntou.
– Eu. – fiz careta como se tivesse errado a fala.
Ele riu baixinho e então passou seus braços em volta de mim, assim me abraçando enquanto íamos para o parque.
Não passou muito tempo e então chegamos, Juan abriu a porta para nós e saímos.
– Obrigada, Juan. Se precisar de você ligarei, certo? – falei.
– Claro, Sara. – ele sorriu e então entrou no carro.
Olhei John, o mesmo me deu um beijo suave e então fomos para a fila da entrada, assim ficamos lá por certo tempo, até alguém falar.
– Sara! Que saudades. – um garoto estranho me abraçou com um sorriso nos lábios e outro apenas olhou.
– O que? – comecei a rir.
“É seu primo, Phil” murmurou Mallory.
“Ah ta” ainda rindo.
– Como vai, Phil? Desculpe, não o reconheci, está grande! – ri baixinho.
E realmente estava. Ele era quase do tamanho de John, menor pouca coisa. Já o garoto ao seu lado era menor que ele, mas maior que eu.
Phil era meu primo e foi meu melhor amigo quando crianças. Lembro-me de quando íamos para as propriedades dos meus avós e nós ficávamos brincando em um terreno baldio ao lado, era super legal. Ele mudara muito, além de ter crescido.
Agora seus cabelos eram curtos, cacheados e castanhos. Seus olhos eram marrons e tinha pele branca. Agora, suava óculos, mas continuava bonito.
– E você também. Cresceu, hein. – ele riu, mas falou sério. – Ah, esse é o Nathan, meu amigo. – ele puxou o garoto que estava atrás dele.
– Muito prazer, Nathan. – cumprimentei apertando sua mão. – Sou a Sara.
– Sara, sei. Ele me falou sobre você. – ele sorriu.
Era realmente um garoto muito bonito. Tinha cabelos pretos, olhos marrons e pele café-com-leite. Seus cabelos eram lisos e costados em um moicano legal.
– Ah, esse é o John. – apresentei ele para os garotos.
– Oi. – John sorriu e os garotos fizeram o mesmo.
– Então, vamos ficar juntos. – disse Phil.
– Claro, claro. – sorri.
Olhei para John e depois para Nathan, ele tinha seus olhos grudados em mim, eu sorri constrangida e senti o celular tocar.
“Ele é gatinho” falou Sam.
“Gatão” corrigiu Mallory.
Eu ri baixinho e peguei o celular. O nome que aparecia era “Steven M.” apenas transferi a chamada e pouco tempo depois chegou uma mensagem. “Me desculpe, vamos conversar?”
Apaguei a mensagem e guardei o celular. John estava me olhando.
– Steven?
– É. Ele vai parar quando achar uma garota que fique no pé dele. – rimos baixo.
Os portões do parque se abriram e lá fomos nós nos divertir.
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