Quase Um Anjo
14 Cap. 14 – Susto.
Notas iniciais
“Que máximo!” disse Mallory com um sorriso imenso no rosto.
“Pervertida” murmurou Sam.
Fui entrando no Bar com Nathan, seguindo Luna e Tim. No caminho, eu apenas tropeçava em cadeiras, mesas e até pessoas; o lugar estava escuro, mas com uma luz vermelha e outra azul o “iluminando” – o que não ajudava em nada.
Nathan ficava pedindo para que eu tomasse cuidado onde pisava e eu me segurava nele tentando não cair, mas era impossível.
– Cega. – ele brincou e eu dei língua.
Depois de um tempinho, minha vista foi se acostumando com a escuridão e fui vendo os rostos e o caminho que deveria seguir.
Havia palcos e garotas seminuas dançando sobre eles. Mais certo chama-las de stripers. Olhei para Nathan e ele às vezes olhava as garotas girando no palco. Quando sentamos – umas cadeiras pretas e uma mesa redonda –, foi que ele não desviava o olhar das garotas.
– Olha só. Já já fica excitado. – disse Luna e Nathan corou com raiva.
– Pare! – ele gritou.
Todos começaram a rir com o jeito dele e ele me olhou de canto.
“Que loucura. Não esperava isso da Luna” disse Sam.
“Eu sim” falamos eu e Mallory ao mesmo tempo.
– Besta. – falou Nathan em um tom alto o bastante para eu ouvir.
– Besta. – repeti e dei língua, depois rimos.
Chegou um barman perto de nós e Tim murmurou algo pra ele, eu fiquei sentada na cadeira, olhando para as pessoas que passavam e para um casal interessante.
Eles estavam com algum tipo de garrafa em suas mãos, dentro dela havia uma fumaça densa e um pequeno canudo ligando a algo que não consegui ver. A cada vez mudavam.
– Parece o cachimbo da paz. – falei balançando a cabeça.
– O próprio. – murmurou Mallory fazendo careta.
– É narguile. – disse Nathan olhando pra mim.
– Ah ta. – falei ainda olhando o “cachimbo da paz” – E faz mal? – perguntei o olhando.
– Não vai experimentar. – ele negou com a cabeça.
– Mais pronto! Eu disse nada. – falou Mallory por mim.
Nathan começou a rir e então o barman se aproximou colocando várias garrafas em cima da mesa.
– O que é? – perguntei a Tim.
– Suco. – ele respondeu e pegou uma.
“Ah”, falei e logo peguei uma garrafa. Nathan abriu pra mim me mostrando suas habilidades e se achando, claro. Depois me deu a garrafa e eu dei um belo de um gole nela. Ardeu tudo e eu comecei a tossir.
– Que merda é essa?! – gritei pra Tim.
Nathan depois que tomou, olhou Tim espantado e Luna, ela estava tomando o “suco” com gosto.
– Suco, ora. Suco de Los Angeles. – disse Tim.
– Quis dizer cerveja, não é? – perguntou Nathan.
– Que seja, ora. – ele balançou a cabeça tomando outra garrafa da mesa.
“Quem era o Tim...” falou Sam.
“Pois é!” eu disse.
– Certo, eu pego outra bebida pra vocês. – bufou Tim e se levantou.
– Que louco. – murmurou Nathan.
– Hey! – reclamou Luna.
– Mas é. – concordei.
Nathan riu baixinho e voltou sua atenção para outras garotas que acabaram de subir no palco. Olhei para elas e depois voltei meu olhar para Tim, que estava com umas latinhas na mão.
– Pronto. Aqui está. Refrigerante. – falou e nos deu duas garrafinhas.
Nathan abriu a dele, eu abri a minha e tomei um gole, o gosto era melhor, mas era um gosto diferente do refrigerante que eu costumava tomar.
Então fiquei com sede, uma sede que nunca havia sentido antes, peguei mais uma latinha e a tomei toda. Por coincidência, Nathan também havia ficado com sede.
– O que tem aqui? – perguntei.
– Nada. – disse Tim e depois começou a beijar Luna.
Fiquei de costas para o casal e voltei a beber todas as latinhas possíveis. O barman foi trazendo mais latinhas e garrafas, eu apenas bebia de tudo.
[18 horas depois]
Part. Mallory. –
– Aew! Eu te amo, Nathan! – falou uma voz feminina longe.
– Que legal! – gritei e comecei a rir.
– Olha só como é. – Tim disse e começou a rir.
– Sai de cima dela, vai mata-la. – eu ri e tentei tirar Luna debaixo de Tim, mas ela gostava.
– Vem, Mallory! – chamou um garoto que estava no primeiro andar da casa.
– Ta achando o quê? – perguntei tentando subir as escadas.
Havia pessoas no meu caminho, eu caia sobre elas e elas riam, algumas reclamavam.
[21 horas depois]
Part. Sara. –
Com um sorriso nos lábios fui me espreguiçando e me virando para o lado. Como era bom estar em casa e não ter aula. “PLOP!” um barulho me fez acordar para a vida e quando percebi estava no chão.
“O quê...?” pensei comigo mesma enquanto olhava em volta.
Eu não estava na Inglaterra, estava nos Estados Unidos mesmo. Havia caído da cama e estava agora sentada no chão. Várias pessoas dormiam em volta da cama, na porta e um garoto estava na cama, dormindo. O olhei espantada e me levantei.
Estava enrolada num lençol creme e meus cabelos estavam desarrumados. Olhei meu rosto no pequeno espelho e vi minha maquiagem borrada, mas não tanto. Passei as mãos no rosto e me “arrumei”.
Andei devagar pelos corredores da casa, tentando não pisar em nenhuma daquelas pessoas e ouvindo um barulho de música ensurdecedor. Fui descendo as escadas e visualizei Luna e Tim deitados no sofá, dormindo debaixo de colchas e lençóis.
Olhei em volta e fui andando devagar até a cozinha, Nathan estava lá, em pé encostado na bancada, lavando seu rosto e com apenas uma calça.
– Sara? – ele falou alto por conta da música.
– Oi... O que aconteceu?
– E eu sei?! – ele falou aos berros, a música estava muito alta.
“Caralho! Abaixa isso!” gritou Mallory.
“Quero dormir...” murmurou Sam.
– Não acredito que eu... – falei com um suspiro logo depois e olhei para meu estado deplorável.
– Vamos acordar Tim e Luna. – ele passou por mim, segurando minha mão e me levando para a sala.
Desliguei o som e o silêncio pairou, Nathan acordou Tim e o mesmo parecia estar de ressaca.
– O que? – ele perguntou tocando Luna, ela estava enrolada num lençol como eu.
– O que aconteceu aqui? – perguntei.
– Uma festa. – murmurou Tim.
– E que festa, hein! Obrigado, mas tenho que ir agora. Me liga, Mallory! – um garoto apareceu do nada e me deu um beijo na bochecha. Depois saiu da casa.
Percebi que o garoto era o que estava dormindo na cama quando me acordei. Respirei fundo com um olhar triste e me sentei no chão. Algumas pessoas estavam acordando e saindo da casa, antes agradecendo a nós pela “festa”.
Vi que algumas pessoas ali, eram as que estavam no bar naquela noite. Olhei para o relógio na parede e vi a hora.
– Quatro da tarde?! – berrei ao ver a hora. – Quanto tempo fizemos essa “festa”?
– Durou quase dois dias. – Tim sorriu de canto.
Estreitei os olhos de raiva e só vi a hora que minha mão bateu em seu rosto com força, assim quebrando seu nariz e torcendo meu pulso.
– Puta merda, Sara! – gritou Tim levando a mão ao nariz.
– Por que fez isso?! – gritou Luna o ajudando.
Ela o levou para a cozinha e eu já em pé, apenas segurei meu pulso, sentindo uma dor fina nele.
– Droga! – murmurei.
– Está bem? – Nathan segurou meu pulso e me olhou. – Você está bem forte, hein!
– Besta! – falei com raiva e corri escada à cima, indo para o quarto e batendo a porta.
“Que putaria é essa?” perguntou Mallory.
– Você ainda pergunta?! – gritei para ela. – Viu o garoto? Viu como estou? Acha que aconteceu o que?
– Ta insinuando que eu transei com ele? – disse Mallory estreitando os olhos para o espelho.
– Não! Falei de mim. – gritei.
– Eu fiquei no comando, eu me lembro de algumas coisas e sei que ele não tocou em você. Só dei um trato nele.
– Você o que? – falou Sam com espanto.
– Isso ai.
Mallory falava como se não fosse nada, mas além de tudo eu sentei na cama me sentindo aliviada e ainda com dor no pulso. Olhei para a porta assim que ouvi uma batida e vi Nathan ali. Respirei fundo afirmando que ele podia entrar e levei uma mão ao pulso direito.
– Desculpe. Deixa eu ver isso. – falou Nathan.
Ele estava com um curativo e gases na mão. Colocou uma taxa imobilizadora em meu pulso e enrolou com a gase, por cima deixou os curativos; já me sentia bem melhor.
Ele deu um beijo em minha testa e passou os dedos em meu rosto.
– Toma um banho e vamos descer para tomar café. – ele falou e saiu do quarto.
Respirei fundo e fui tomar um banho.
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