Quase Um Anjo
15 Cap. 15 – Miguel Wolf.
[Uma semana depois]
– Vai se atrasar, fica vendo. – murmurei olhando mais uma vez a hora.
O cheiro do local já não era tão estranho, Luna havia me obrigado a passar por lá todos os dias para ver qual imagem ela gostou mais. No final era só decidiu fazer o rosto de Tim em toda as costas. Somente – ironicamente pensei.
Sim, ela estava fazendo uma tatuagem com o rosto dele, e eu como sendo sua melhor amiga, estava lá para dar apoio moral e deixar o tatuador fazer isso. Ele havia pedido a autorização de um responsável, ela como queria fazer uma surpresa à Tim, falsificou e levou. Ele caiu nessa.
– Vou nada... Ai! – ela falava, sorria e fazia careta de dor.
– Eles marcaram com a gente às 14 horas, já são 13h27’, daqui pra lá é grande o caminho. – falei me encostando na cadeira.
– Relaxe. Ai!
– Relaxa tu, ora. – comecei a rir.
Ela tentou rir, mas parecia doer mais que a vontade de rir.
Ficamos ali por mais alguns minutos até ele “terminar”. Ela se levantou e virou de costas para mim.
– E então, como está? – ela sorriu.
Olhei para o desenho e quase cai na risada. Ela havia levado uma foto 3x4 para o tatuador e o que ele fez? Parecia o emoticon “J”, só que colorido.
– Ah, está bom... – menti.
“Quando o Tim ver...” disse Mallory.
“Ai o problema é dele, né” murmurei rindo baixo.
“E o dinheiro também” falou Sam.
Eu soltei uma risada e depois saímos do local. Pegamos um taxi e fomos rumo a uma rua estranha que eu nem conhecia, mas os meninos estavam nos esperando.
Chegando no local, Tim pagou o taxista e Luna já foi mostrando a “surpresa”.
– O que é...?
– Está lindo, não é? – falei sorrindo e ao mesmo tempo o obrigando.
– É, amor. Lindo! – ele falou e ela já pulou em seus braços.
Comecei a rir e depois ele riu também, olhei Nathan e fui para seu lado.
– E o que é? – perguntei.
– Jantar romântico. – ele falou ironicamente.
Eu ri baixinho e então entrei no restaurante. Como casal estava eu e Nathan, depois entrou Tim e Luna atrás, fomos até três mesas para duas pessoas, uma ao lado da outra e nos sentamos; Nathan na minha frente e Luna ao meu lado, com Tim em sua frente.
– Belo... restaurante. – falei olhando em volta.
– Para, besta. – Nathan apertou minha mão e pegou o cardápio.
Eu ri baixinho e comecei a tirar onda dele.
– Tem o que aqui? Água de poço? Pelo menos é água, né? – olhei para Luna e ela balançou a cabeça afirmando.
– Sara! – Nathan gritou e todos olharam.
Dei um sorriso malicioso e abri o cardápio, escolhendo algo não muito pesado. Tinha uns cremes, umas bebidas e alguns pratos que nunca havia ouvido falar.
O garçom chegou com um bloquinho, Luna falou o que queria e eu falei logo depois.
– O que é “huevos revueltos”? – perguntei, a língua era diferente, espanhol eu acho.
O garçom me explicou que era ovos mexidos e depois saiu, escorri um macarrão.
Comemos, bebemos e nos divertimos no “restaurante”, e um casal sentou ao nosso lado. Tim ficou olhando-os e depois chamou o gerente.
– Por que eles estão ali?
– Talvez porque tenham pagado o local. – o gerente foi curto e grosso.
Eu não prestei atenção direito na conversa. Fiquei olhando o rosto do garoto que se sentou ao lado – na verdade ao lado de Nathan, que estava comendo.
O fitei por minutos e ele às vezes me olhava, acho que me achava louca por estar olhando tanto. A garota ao seu lado parecia ter a idade dele, ele já parecia ser maior de idade. Usava um terno barato e estava tomando um vinho caro. A garota usava um vestido caro, Chanel, e depois de um tempo me olhou.
– Por que olha tanto, garota?
– Nada, desculpe. – falei e olhei para Nathan, ele nem prestava atenção.
Aquele garoto era familiar. Aqueles cabelos negros, aqueles olhos... A pele bronzeada... Mas não conseguia me lembrar.
“O conheço?” perguntei.
“Também tive essa impressão” falou Sam.
“E eu. Ele é... familiar” disse Mallory. "E gatinho" falou e começou a rir.
“Tava na hora, né, Mallory" murmurei e ela continuou rindo.
As duas ficaram falando, mas eu não ouvia mais nada. Eu – além de estar olhando o garoto novamente e não estar ouvindo nada –, estava esperando uma tapa da garota ao lado. Não consegui parar de olhar seu namorado, e ele retribuía o olhar, talvez estivesse me achando ou feia ou bonita, ou querendo saber até que horas eu o olharia.
Luna, Tim e Nathan estavam conversando. O garoto estava comendo com a garota. Olhei-a de relance e vi seus cachos loiros presos num coque. Ela até que era bonita.
– Vou ao banheiro. – falei para Nathan e sai do salão, indo para o banheiro feminino.
“Se aquela garota tivesse uma faca, ela iria te matar ali mesmo, sabia?” disse Mallory.
“Eu sei, mas... Não sei” falei entrando no banheiro e indo para frente do espelho.
– Garoto estranho. – falei me olhando.
Uma garota terminou de secar a mão e saiu do banheiro às pressas. Revirei os olhos e fui retocar a maquiagem, coloquei mais blush e passei mais batom. Lavei as mãos e passei mais perfume, assim sai do banheiro e dei de cara com o garoto.
O cheiro dele era doce e perfeito, eu sorri e ele passou por mim, entrando no banheiro.
“Filha da mãe, está louca?!” gritou Mallory.
Eu apenas ri imaginando a cena e fui para a mesa, o pessoal estava de saída e a garota não estava lá, estranho.
– Estávamos te esperando. Vamos indo. – disse Tim e depois saiu na frente.
– Que foi? – perguntou Nathan.
– Nada, ué. – eu ri baixinho e ele revirou os olhos com um sorriso.
Fui para frente do restaurante com os garotos e fiquei lá. Luna ligou para Henry e os dois saíram andando até a avenida. Eu vi uma cafeteria e a vontade que tive era de tomar um cappuccino caprichado. E é claro, Nathan era a vítima.
Depois de uma briguinha atravessamos a rua e ele entrou na cafeteria, eu fiquei fora, vestindo o casaco.
– Hey, garota! – uma voz familiar chamou.
Me virei para a voz e vi a garota loira do outro lado da rua com o garoto. Fiquei os olhando por um bom tempo, até a garota entregar a ele alguma coisa, e então o garoto atravessou a rua; ele estava com a bolsa de Luna nas mãos.
– Deve ser sua. – ele me entregou e eu peguei.
Ele tinha um sotaque britânico, mas não perguntei nada sobre.
– Ah, é da minha colega, Luna. – falei e sorri, o olhando. – Obrigada.
– De nada. Sou o Miguel Wolf.
– Sara Blackwell.
– Miguel! – a garota o chamou.
– Tchau, Sara. – ele deu um sorriso de canto e saiu correndo até a garota, mas ainda olhando para trás para me ver.
Fiquei parada o olhando andar. O olhei até ele desaparecer ao dobrar a rua, e ouvi Nathan, assim me virei, peguei o copo de cappuccino e comecei a andar.
– Quem era?
– Miguel, ele me devolveu a bolsa que a Luna esqueceu.
– Ah. Miguel, é? – ele riu.
– Hm?
– Por que ele falou o nome só porque entregou uma bolsa?
– E eu sei. – arqueei os ombros e chegamos à avenida, assim entregando a bolsa a Luna que estava desesperada.
Voltamos para casa com o Henry. Tim e Luna na maior pegação dentro da limusine, eu e Nathan sentados, abraçados para ser mais específica.
– O ruim de tudo é que voltamos em uma semana, vão começar as aulas. – disse Nathan.
– Pois é. – afirmei.
Chegamos em casa, tomei um banho e ficamos na sala assistindo um filme. Na verdade eu não prestei muita atenção. Mallory e Sam estavam conversando e eu estava pensando no garoto.
Depois do filme, subi e fui dormir, demorou um pouco, mas consegui.
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