Quase Um Anjo
12 Cap. 12 – “Amnésia, viajem, poxa!”
Part. Sara. –
O sol estava quente, ardendo em minha pele. Se fosse outra pessoa, com certeza ficaria com agonia por estar tão exposta assim. Meus cabelos cor de bronze estavam caídos sobre meus joelhos – eu estava abaixada, olhando umas flores com lágrimas nos olhos. Estava com um casaco preto, a brisa era fria, mas o sol quente ganhava. Um vestido branco me cobria; um tecido diferente, fino.
Me levantei devagar e olhei em volta. Estava em um campo com flores coloridas e árvores grandes em volta. Depois de um tempo percebi que era o terreno da minha casa, já em divisa com outra casa.
Virei e vi um garoto bronzeado na minha frente. Seus olhos eram negros, seus cabelos do mesmo jeito. E era um pouco grande, na altura de suas bochechas; estavam por trás de suas orelhas e ele era mais alto que eu.
Ele segurou minhas mãos, sua pele quente em contato com a minha fez meu corpo todo sentir um choque suave e meu coração acelerou.
– Você irá me esquecer, irá conhecer alguém melhor. – ele falou com lágrimas escorrendo por seu rosto. – Siga seu caminho, Sara.
E então ele se aproximou, dando-me um beijo na bochecha e se afastando logo depois, assim desaparecendo em meio ao campo.
Meus pés me obrigaram a andar atrás dele, mesmo sabendo que era impossível. Um buraco enorme se abriu em meu peito e agora, lágrimas caíam de meus olhos e pingavam em meu vestido.
– Sara. – chamou uma voz conhecida.
Era a minha voz, só que mais rouca mais ríspida; porém era uma voz triste.
Inclinei o rosto e girei meu corpo devagar, estava tremendo. Olhei a garota na minha frente. Era como se eu me olhasse no espelho, mas os cabelos eram negros, quase azuis na luz do sol.
– Mallory? – falei e ela assentiu.
– Estamos com você. – disse uma outra voz.
Olhei para o outro lado e vi a mesma coisa, a mesma garota com cabelos mais loiros e um rosto mais suave, assim como sua voz.
– Sam? – perguntei e ela balançou a cabeça, afirmando.
– Sempre, Sara. – agora era a voz de Nathan.
Ele chegou perto de mim e passou suas mãos em meu rosto. Fitei os rostos deles e suspirei, assim abaixei a cabeça.
– Sara, acorda. A Luna está lá embaixo e você ainda não está pronta! – falava Nathan me sacudindo pelos ombros e rindo.
– Hm? – perguntei abrindo os olhos.
Respirei fundo e me espreguicei, assim fitei o garoto na minha frente e me sentei na cama.
“Que porra é essa, hein? Nem se pode mais dormir em paz!” falou Mallory bocejando.
– Las Vegas, hoje. – Nathan revirou os olhos.
– Hoje? – me levantei e corri para o closet.
– Sim, perdeu a noção do tempo, é? Hoje é Quarta, a ultima vez que nos vimos foi Domingo, menina. – ele falou em voz alta para que eu ouvisse.
– O que? – apareci na porta e o olhei.
– É, o Juan disse que arrumou tudo e você disse que devíamos adiar a viagem, então fizemos isso. – ele se sentou na cama, cruzando os braços.
“Wow, não lembro disso” disse Sam e corri para o closet, procurando uma roupa para vestir.
– Ah, a Tina já arrumou a suas malas faz tempo, então agora é só ir para o carro, certo? – ele falou e percebi que eu já estava só no quarto.
“A única coisa que me lembro é de ter acordado, ido para a cozinha, tomado café e... Não lembro mais nada” disse Mallory.
“O Stephen tomou café com a gente” eu disse.
“Sim, disso eu lembro” falou Mallory e Sam assentiu.
Depois de colocar uma roupa um pouco mais pesada que o normal – o inverno estava próximo –, corri para a sala, assim tropeçando nas escadas e caindo nas costas de Nathan que estava sentado no ultimo degrau.
– Meu Deus! – gritou Luna e correu até nós para ajudar.
– Ai! – gritou Nathan e riu depois.
– Obrigada por estar ai embaixo. – disse Sam.
– E é? Ingrata. – ele bufou rindo.
– Mas agradecemos, poxa. – reclamei de brincadeira.
Todos riram, eu me levantei e então saímos de casa. Tina estava na porta e Juan estava no carro a poucos metros de nós.
– Ah, espera! – falei e sai correndo para a cozinha.
“O que?” perguntou Mallory.
Não respondi, apenas fui até a geladeira e peguei vários potes de mousse de chocolate, sorri e fui colocando dentro de uma bolsa de isopor que estava em cima da bancada.
– Olha que ainda está aqui. – falou Stephen saindo da escada que dava para o quarto de Gina.
– Já estou de saída. – falei jogando os potes de mousse e indo pegar colheres.
– Hm, tem uns minutinhos?
– Dane-se, Stephen, não conseguirá nada. – falou Mallory.
Senti que ele vinha até mim e segurava meu braço com muita força, apertando-o mais e mais. Tentei me soltar, mas não conseguia e doía muito. Olhei para ele e seus olhos estavam negros de raiva, ele estava quente.
– Me solta! – gritei.
– O que está...? – chegou Nathan – Solte-a! – ele gritou e empurrou Stephen para longe de mim, assim arranhando minha pele com suas unhas.
– Menino estúpido! Só podia ser filho de Joseph Sullivan! – Stephen cuspiu as palavras e puxou Nathan.
– Solte-o, filho da puta. – Mallory ordenou.
Part. Mallory –
– O que?! – Stephen gritou.
Um sorriso irônico apareceu em meu rosto, eu fui para perto dele e passei meus dedos em suas costas, depois o vi soltar Nathan, ele ficou me olhando e eu apenas deixei minha atenção em Stephen.
– Você sabe que eu amo você, não sabe? – sussurrei em seu ouvido e ele gemeu. – Sabe que eu sempre estarei aqui pra você, não sabe? Mas agora tenho que ir, idiota. – falei com um sorriso.
Peguei a bolsa com os potes e sai da cozinha com Nathan me puxando, eu olhei para Stephen e ele estava paralisado na cozinha, olhando para mim com expressão de espanto. Sorrindo, andamos até o carro e Juan saiu perguntando o que havia acontecido.
– Nada, Juan, nada. Aeroporto por favor. – falei com um sorriso nos lábios.
– O que foi aquilo? – perguntou Nathan em voz baixa.
Não respondi, apenas virei um pouco o rosto e fitei a estrada.
– Por que demoraram? – falou Luna e a olhei.
Não havia percebido que estava ali, só depois que vi. Ao seu lado estava Tim, seu namorado. Os dois me olhavam e esperavam uma resposta, eu apenas fitei Nathan.
– Estávamos pegando uns doces. – ele me olhou e apontou para a bolsa de isopor.
– Ah, sim. – Luna disse e já se virou para Tim.
Olhei Nathan e suspirei.
“Credo” disse Sam.
“Tudo tem limite! Ele acha o que?” falou Sara.
“Tudo bem, meninas. Eu tenho um plano” eu disse.
“Amnésia, viajem, poxa! E agora o Stephen” bufou Sara.
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