Quase Um Anjo
11 Cap. 11 – Surpresas.
“Sara?” a voz de Mallory estava longe.
Fui abrindo os olhos devagar e respirei fundo, meu corpo estava um pouco quente e por cima dele havia um lençol fino de seda.
– Sara? – a voz agora era de Nathan.
O local estava claro, as janelas abertas e Nathan agora estava ao meu lado, sentado na cama junto com Juan e Tina atrás dele.
– Querida, você está bem? – perguntou Tina.
– O que... O que aconteceu? – minha voz saiu rouca e pigarreei.
– Eu te trouxe pra casa, estava dormindo. – ele sussurrou e passou sua mão em meu rosto.
Me ajeitei na cama, sentando e bocejando. Respirei fundo e vi Tina falar algo com Juan, assim ela saiu do quarto, restando apenas Juan e Nathan.
– Na verdade eu encontrei o Nathan a carregando e dei uma carona até aqui. – falou Juan.
– E meus pais? – perguntei.
– Viajaram novamente, Mike foi para a casa da tia Eve. – disse Sam.
Levei uma mão à cabeça e olhei para a janela.
– Bom, qualquer coisa estarei lá no quarto. – disse Juan e logo saiu do local.
– Você está bem? – perguntou Nathan.
Balancei a cabeça afirmando e então o vi se colocar ao meu lado, eu encostei minha cabeça em seu ombro e fiquei assim, fechando os olhos. Ele acariciou minhas costas e suspirou.
– Sinto muito por tudo. – ele sussurrou.
Part. Mallory. –
Agora assumi o controle, Sara parecia cansada e Sam estava calada. Nathan estava na minha frente e me olhava de cima. Eu fui me tirando dos lençóis e então segurando o rosto de Nathan.
– Mallory? – ele falou me olhando. – O que...?
– Shh... – sussurrei e toquei nossos lábios.
“O que está fazendo?” perguntaram Sam e Sara ao mesmo tempo.
Não respondi, apenas me sentei em seu colo e comecei a beijá-lo. Ele estava paralisado e ficou assim por algum tempo, depois cedeu. Seus braços envolveram minha cintura e correspondia ao meu beijo intenso.
Ele foi me deitando na cama e se deitando por cima sem parar de me beijar. Eu o puxava mais pra perto e o envolvia com minhas pernas. Suas mãos agora estavam se movendo através do meu corpo, cada canto.
Nossos lábios colados, o cheiro dele... Era diferente de John, era melhor... mas ainda não o bastante. As mãos dele foram até minha blusa e ouvi o celular tocar. Nós dois paramos num susto. Ele pulou da cama e eu me sentei, pegando o celular e atendendo.
– Sara? – perguntou Luna do outro lado.
– Ahn, oi. – falei olhando Nathan, ele estava parado me fitando.
– Sinto muito pelo que aconteceu... Muito mesmo. Achei que daria certo vocês dois. – ela se lamentava.
– Tudo bem. – murmurei.
– Quer sair? Visitar uns cantos... Aproveitar as férias e viajar, que tal? – ela fez uma voz feliz.
– Hm, pode ser. Meus pais viajaram, dá pra ir sim.
– Ah, então fazemos assim; amanhã eu passo ai na sua casa e conversamos. Tenho que ir, se cuida.
– Tchau. – ela já havia desligado a ligação.
Suspirei e olhei para Nathan. Ele andou devagar até onde eu estava e se colocou ao meu lado novamente, sentando na cama.
– Vamos viajar. – falei.
Era sempre assim, para onde eu fosse Nathan deveria ir também. Nossos pais se conheciam há tempos, coisa que não sabíamos, e se eu quisesse viajar ou sair pra qualquer canto, era com ele. E isso era bom, afinal, era meu melhor amigo.
– Onde? – perguntou ele.
– Não sei, Luna passará aqui hoje. Mais tarde. – murmurei e depois puxei ar – Nathan, eu...
– Tudo bem. Amizade colorida é legal. – ele deu um sorriso torto lindo.
Part. Sara. –
– Que estranho... – sussurrei.
– Mallory está afim de mim, olha. – ele riu.
– E quem disse? Não invente. – ela falou.
Todos nós rimos por um tempinho. Se for para esquecer John, que esquecesse logo. Eu não queria gostar de um garoto que não gostava tanto assim de mim.
A ultima vez deu briga, e nisso me lembrei de Steven. Ele havia se candidatado para a guarda costeira dos Estados Unidos e acabou sendo chamado, pelo menos não teria que ver a cara dele.
Nathan se pôs ao meu lado e então ligou a televisão, ficamos assistindo filme por algumas horas.
– Você não tem casa não? – perguntou Mallory.
– Lory! – gritou Sam.
– Tudo bem, Sam. – disse Nathan. – E sim, tenho. Mas moro com minha tia e ela só vive na rua.
– Ah ta. – falei e ri.
Voltamos a assistir filme, pela primeira vez não era A Fantástica Fábrica de Chocolates nem A Lagoa Azul, era um filme que eu nunca ouvira falar, mas pelo que parecia, Natha gostava. Tina apareceu na porta depois de bater e olhou a televisão, depois para nós.
– Sua amiga, Luna, está ai. – disse ela.
– Ah, sim. Diga que já vou. – sorri e sai da cama.
Fui até o espelho e arrumei meus cabelos, olhei para o closet e entrei. Coloquei um vestido comportado e sai de lá, olhei Nathan, ele me fitava.
– Como...
– Linda. – ele me interrompeu, falou e riu depois.
Comecei a rir e sai do quarto. Desci as escadas e fui direto para a sala de espera, Luna estava lá e quando me viu saiu correndo para me abraçar forte.
– Sara!
– Olá, Luna. Como você está? – perguntei e depois sentamos no sofá.
– Bem e você parece bem também... – ela suspirou. – Enfim, eu estava pensando em viajarmos para Las Vegas, que tal? – ela sorriu.
– Las Vegas? – perguntei arregalando os olhos.
– Sim, vamos eu, você e o Tim. – ela falou com um sorriso enorme.
Tim era o atual namorado dela. Era um completo cavalheiro e a vista, os dois se amavam bastante, todos eram a favor do romance, inclusive eu.
– E eu. – falou Nathan aparecendo na sala e se pondo em pé ao lado do sofá.
– É. – pressionei os lábios e falei balançando a cabeça.
– Ai, Deus! Você é melhor amigo dela, esqueci. – ela fez careta zombando.
– Não é só isso, é que eu só posso ir se ele for. Você sabe dos meus pais. – revirei os olhos.
– Eles não param em casa, disso eu sei. – ela cruzou os braços.
Eu olhei para o Nathan e soltei uma risada arqueando as sobrancelhas, ela me olhou fazendo uma cara emburrada.
– O que?! – perguntou ela ainda me olhando.
– Ele é meu melhor amigo, você é minha melhor amiga, entendeu? – sorri.
Ela ficou com o rosto sem expressão por um tempo mas logo sorriu e deu língua para o Nathan.
“Quero só ver” falou Mallory.
“Vão deixar, o Nate vai, ué” rebateu Sam.
“Quero só ver” repetiu Mallory.
Revirei os olhos e fiquei conversando com Luna e Nathan, depois, juntos, eles foram de taxi para suas casas, eu apenas corri para o meu quarto e levei um susto ao ver quem estava lá.
– Oi, princesa. – falou Stephen.
– Quando chegou? Não o vi. – falei parada na porta.
Ele se aproximou de mim e eu comecei a andar no sentido contrário, saindo de perto da porta e ficando perto da televisão.
– Você estava entretida com seus amigos na sala. – ele falou fechando a porta.
– Deixe-a aberta. – falou Mallory.
– Vai viajar? – perguntou ele ignorando Mallory.
– Ainda tenho que pedir permissão, mas se não precisa... Sim, irei. – falei em tom ríspido.
Ele balançou um pouco a cabeça e eu fiquei o olhando com a testa franzida, estava ainda perto da televisão, dessa vez encostada no pequeno raque.
– Senti sua falta. – ele falou dando três passos completamente longos.
Me encostei no raque, empurrando-o para trás e fazendo-o encostar na parede. Stephen estava na minha frente, suas mãos iam até minha cintura e me colocava sentada no raque.
– O que pensa que está fazendo? – falei o sentindo abrir minhas pernas e se esfregar em mim.
“Que nojo!” gritou Mallory em minha cabeça.
Ele estava excitado, seus olhos estavam grudados em mim e suas mãos percorriam minhas coxas, virilhas...
– Pare! – gritou Mallory.
Part. Mallory –
Gritei com ele e logo afastei suas mãos de mim. Ele estava querendo fazer algo que havia prometido não fazer, mas no fundo eu sabia da mentira. Segurando seus ombros, eu o empurrei com força, fazendo-o cambalear, cair no chão e derrubar uma garrafa seca de cerveja que estava em cima da cama, causando um barulho enorme.
– Sua...
– O que está acontecendo? – Juan entrou no quarto acompanhado de Gina e Tina logo atrás.
Eu os olhei tentando esconder o pavor e a raiva em meus olhos e olhei para Stephen, estreitando os olhos.
– Estávamos conversando, fui sentar na cama e acabei me desequilibrando e caindo. – ele riu baixo e se levantou devagar.
Olhei para Juan e ele para mim, seus olhos perguntavam se foi aquilo mesmo, mas eu nada fiz, apenas vi Stephen se aproximar e beijar minha testa.
– Boa noite, princesa. – ele deu um sorriso amargo e malicioso, depois saiu do quarto.
Gina o olhou com desprezo e o acompanhou, Tina saiu logo atrás, já Juan veio até mim.
– O que houve? – ele perguntou.
– Stephen já explicou. – falei rispidamente e sai de cima do móvel.
– Foi isso mesmo, Mallory? – ele segurou meu braço com delicadeza e eu o soltei.
– Sim, vá dormir. Amanhã iremos sair cedo, vamos buscar Luna e Nathan, depois iremos ao aeroporto, entendeu? – falei indo para a cama.
– Sim, boa noite.
Ele ficou parado, depois caminhou até a porta e saiu, desligando as luzes. Deitei e me cobri.
– Que idiota! Argh! – falou Sam.
– Isso nunca vai parar, não é? – perguntou Sara.
Silêncio, ninguém respondeu.
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