Quasar
20 Uma notícia inesperada
Notas iniciais
Abri meus olhos novamente. A dor era muito grande. A minha barriga doía muito. Eu estava imobilizada com um colete cervical, a luz branca me incomodava. Arregalei os olhos e comecei a murmurar, Dylan estava lá, junto com um homem, enfermeiro.
— Onde eu estou? AH! — disse eu resmungando de dor.
— Calma — dizia o enfermeiro, tentando me acalmar.
— Quasar, não se mexe.
Eu comecei a me sentir tonta e disse:
— Eu... vou... desma...
Apaguei completamente, não ouvia ou via mais nada, fiquei num escuro completo.
A escuridão por completa tomou conta do meu ser. Eu estava num quarto escuro sem portas e nenhuma janela, a sensação de medo e de angústia pareciam ser os únicos sentimentos que preenchiam aquele lugar. As paredes me cercavam e eu tentava fugir daquela situação aterrorizante. O sofrimento, a dor, a fraqueza, a solidão eram o que bombardeavam o meu coração. Eu corria de um lado para o outro e nenhuma das minhas ações tinham sucesso, eu já estava fadigada de tentar escapar daquele lugar sombrio. Então, de repente uma porta se abre, era pequena, mas era uma saída e ao abrir a porta um clarão forte entra por ela, foi então que abrir os olhos.
Acordei e não sei por quanto tempo permaneci dormindo. Meu pescoço já estava móvel, eu estava com arranhões nos braços, meu rosto estava dolorido, minhas pernas estavam muito inchadas, mas minhas costelas doíam muito. Eu estava num quarto todo branco, um quarto de hospital. Eu estava conectada à um monitor cardíaco, aparentemente eu estava bem. Eu estava sozinha no quarto e quando sentei na cama, Dylan chega e fica surpreso. Ele vem rapidamente em minha direção com um largo sorriso no rosto falando baixinho.
— Você acordou, você está bem? Como você está se sentindo?
— Eu... acho que estou bem. O que aconteceu comigo?
— Você sofreu um acidente, mas você está bem. — disse com um largo sorriso no rosto.
— Por quanto tempo eu dormir?
— Três dias.
— TRÊS DIAS? — disse eu surpresa.
— Sim, Erick, Debora, Rebeca e Tim vieram te visitar, mas você estava em coma.
— Eu estava em coma? Minha nossa. Ah! Minha cabeça. — disse eu colocando a mão na cabeça.
— Calma, não force muito, você não está recuperada.
— O que você disse a eles?
— Que você foi atropelada, quando estávamos voltando pra casa.
— E foi isso mesmo o que aconteceu?
— Não vamos lembrar disso, o que importa agora é que você está bem.
Dylan estava sorrindo a todo instante, e ainda não era porque eu tinha acordado, ele estava com uma felicidade estranha. Ele estava sorrindo muito, depois a sua felicidade parece que foi embora.
— O que foi?
O médico nos interrompeu entrando no quarto.
— Olá, senhorita... Orth! — disse ele olhando o prontuário. — Como está se sentindo?
— Eu estou bem, mas minha barriga está doendo muito ainda.
— Normal, você teve uma lesão no musculo abdominal, pois uma de suas costelas foi fraturada. Mas você está bem, vai ficar mais um dia em repouso aqui no hospital. E o bebé está bem, foi uma grande sorte você não ter perdido ele.
Eu fiquei paralisada. Como assim um filho? Olhei para Dylan e ele estava de costas para a mesa, com as mãos nela, olhando para baixo. Eu olhei de novo para o médico, que tinha cabelos castanhos, dos olhos da cor de mel.
— O senhor deve estar enganado. Eu não estou grávida, eu não posso ter um filho agora.
— Quasar, veja bem, pense positivo, um filho vai trazer muita felicidade para sua vida. Mas eu não posso dar a minha opinião sobre isso. Quem decide é você e seu marido.
Olhei para Dylan, e ele estava ainda com a cabeça baixa. Marido?
— Ele não é meu marido.
— Eu vou deixar vocês à sois. Depois eu venho ver como você está.
O médico saiu. Dylan levantou a cabeça e olhou para mim. Olhei para ele e disse:
— Um filho! Dylan, um filho. O que vai ser dessa criança? — disse eu colocando as mãos no rosto. — Eu não consigo me esconder, vou esconder uma criança.
— A gente vai conseguir, eu vou conseguir proteger vocês dois.
— Dylan... Meu deus, é uma criança.
— Não vamos revelar a ninguém sobre essa criança. Quando você receber alta, vamos sair de Londres.
— E vamos pra onde Dylan? Eu não quero mais me esconder. Meu deus uma criança. — disse olhando e tocando na minha barriga
Dylan se aproximou de mim, tocou na minha barriga, sorriu e disse:
— É o nosso filho, Quasar.
Ele me deu um beijo no pescoço e sussurrou no meu ouvido:
— É o nosso filho.
Eu não quero um filho, não agora, não com isso tudo acontecendo, eu não quero, eu não posso. Eu fiquei parada e ele perguntou:
— O que foi?
— Dylan, eu não quero.
— Quasar, eu vou fazer o possível e o impossível para proteger você e essa criança.
— Eu não quero, Dylan. Eu não tenho condições de criar uma criança, passando por isso, eu não quero.
Ele colocou as mãos na cabeça e rodou no meio do quarto, parou na minha frente.
— Quasar, uma criança...
— Eu sei Dylan, o que uma criança trás, mas eu não quero. Quando eu melhorar vou numa clínica e ... — respirei em dizer aquela palavra. — Abor...
Ele avançou em cima de mim com os olhos arregalados, pegou meu pulso e apertou um pouco forte:
— Não ouse Quasar, em hipótese alguma pronunciar essa palavra, eu também sou o pai dessa criança.
— Você não é casado comigo. E solta o meu pulso, está me machucando. Eu disse que não quero e acabou.
Ele soltou meu braço.
— Como... — disse ele revoltado com a minha decisão. — Você pode ser tão fria? Você não imagina o quão feliz eu estou.
— Eu não sei o que pode acontecer comigo. — disse eu virando o rosto para o outro lado.
Dylan saiu do quarto e fechou a porta como se fosse arranca-la.
Coloquei as mãos na minha cabeça.
— O que eu faço?!
Depois de algum tempo o médico entra com Rebeca.
— Rebeca! Que bom te ver.
Ela veio na minha direção com um grande sorriso, pegando minha mão esquerda.
— Que bom te ver acordada minha teimosa.
O médico pegou um monitor de pressão arterial sem dizer uma palavra. Rebeca perguntou como eu estava e o médico continuou a não dizer nada. Logo depois que mediu minha pressão, ele disse:
— Sua pressão está ótima Quasar. Apenas descanse e pense bem!
O médico saiu. Nem percebi a indireta bem direta para mim. Rebeca me olhou torto e disse
— Pensar sobre o quê?
— Nada, é sobre o acidente.
— E sobre esse assunto, como foi esse acidente? Você é grossa, mas não capaz de se jogar na frente de um carro.
Eu abaixei a cabeça e disse:
— Eu discuti com Dylan, ele estava me segurando, eu puxei o braço, a força me jogou para a estrada e o carro me atropelou.
Ela olhou para mim e diz:
— Você não muda mesmo. Quasar, você não percebe que esse seu jeito só te machuca?
— Eu queria poder ter controle das minhas ações. — disse eu olhando para cima.
— Por que vocês estavam discutindo?
— Coisas de casal.
Ela permaneceu olhando para mim com os braços cruzados.
— Você vai agir mesmo como uma adolescente?
— São assuntos meu e dele, Rebeca.
— Assuntos esses que quase te matou. Eu sou sua amiga e meu dever é saber o que está acontecendo.
Peguei sua mão, olhei, dei um sorriso e disse:
— Muito obrigada, eu te amo muito por isso, mas não é nada, foi apenas um descuido que eu tive.
Ela não ficou satisfeita com minha resposta, mas concordou.
— E como está seu namorado? Que eu esqueci o nome.
— Robert. Ele viajou para resolver alguns negócios com o pai dele.
— Entendi.
— Vou ter que ir amiga, fico muito feliz por você está bem.
Ela me deu um beijo na testa, pegou a bolsa e foi embora. Fiquei à sós com os meus pensamentos e sobre o fato de ser mãe, essa ideia ainda não me vinha ao desejo.
A minha cirurgia começou a doer muito e chamei a enfermeira. Ela era alta, loira, dos olhos verdes, mas não muito amigável. Ela me deu um remédio e trocou o curativo, foi violenta.
— Ai! Está doendo...
Ela apertava muito forte, parecia que estava fazendo por má vontade. Ela olhou para mim e disse:
— Pronto, agora faça o favor de não se mexer.
Olhei para ela, mas não respondi, às vezes temos que ter autocontrole. Ela saiu e voltei aos meus pensamentos. Dylan fazia um bom tempo que não aparecia no quarto. Estava chato ficar ali, o controle da TV estava longe e eu não podia me levantar. Minutos depois a maçaneta gira devagar, imaginei que fosse Dylan, mas era Tim. Ele entrou, viu que eu estava acordada e sorriu.
— Pensei que ainda estivesse dormindo.
Ele se aproximou de mim com um grande sorriso, beijou minha testa e sentou ao meu lado na cama.
— Estou tão feliz de ver esses grandes olhos azuis novamente.
— E eu estou muito feliz de te ver também.
— Como você está?
— Estou bem melhor. E você como anda? — disse socando seu braço levemente.
— Estou indo bem. — disse ele sorrindo.
Ficamos em silencio por alguns minutos. Ele começou a alisar meu rosto, meus cabelos. Coloquei minha mão por cima da sua que estava praticando a ação, fechei os olhos para sentir aquele carinho, aquela amizade maravilhosa que Tim tinha por mim. Foi quando Dylan abre a porta e entra.
— Quasar por favor... Tim?!
Abri rapidamente meus olhos e Tim se levantou, Dylan parou na porta e disse:
— Pode continuar, não vou atrapalhar vocês — disse abrindo a porta.
— Dylan, eu sei que vocês estão juntos e não precisa ficar assim. Eu gosto de Quasar e ela sabe disso, mas ela fez a escolha dela, você. Somos muito amigos e só isso dela é o que importa.
Dylan estava escutando de costas para nós. Tim se dirigiu para perto dele, olhou para mim e disse:
— Depois a gente se fala melhor.
Tim saiu e Dylan entrou devagar no quarto, sentou numa poltrona com as mãos entrelaçadas, olhando para baixo. Olhei para ele e ele estava ali parado olhando para baixo, imóvel, sem dizer uma palavra. Então, quebrei o silêncio.
— Por que não vai descansar? Tomar um banho?
Ele não respondeu, ficou parado, parecendo uma estátua. Permaneci em silêncio, virei para o outro lado e fechei os olhos para dormir.
— Boa noite. — disse eu.
O meu cumprimento vagou no silêncio e assim permaneceu até eu pegar no sono.
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