Quasar

13 Um beijo de amor.


Notas iniciais
Mais um capítulo e espero que gostem. Espero a opinião de vocês. kisses

Acordei no segundo dia presa àquela casa, sendo obrigada a olhar para Dylan, e ter que por orgulho evitar a falar com ele. Aquele quarto e a paisagem eram pra me fazer melhor. A paisagem lindíssima, com aquele jardim além da varanda e o sol às 7 horas da manhã, fazia com que meu quarto clareasse e desse um tom alaranjado nas paredes.

O fato de eu estar em uma casa com Dylan com tudo isso, era para me fazer feliz, mas não era isso o que estava acontecendo. Eu acordei de péssimo humor, eu não estava afim de ver ou de falar com Dylan, ele podia ser o cara mais lindo que eu já vi, mas nem isso me fazia falar com ele. Juntou o mau humor com o orgulho.

Eu estava sentindo algo ruim no peito. A dúvida do que era, de quem estava por trás disso e por que Dylan estava envolvido, eram os motivos que estavam me fazendo mal. Por que ele? Por que comigo? O barulho de Josh correndo, mordendo a cortina, rasgando os papeis, tudo isso me irritava. Uma voz na minha cabeça gritava intensamente “Você não tem escolha. Fuja, ele te esconde algo e não deve ser coisa boa, fuja menina” Qual o sentido de fugir? Apesar que eu queria muito, mas fugir pra onde? Pra ser morta? Claro que não, prefiro ficar aqui sem saber de nada, do que sair e alguém me encontrar e eu viajar para o mundo dos mortos precocemente. Levantei da cama, fugindo desses pensamentos e fui tomar banho.

No banho foi a mesma coisa, tudo me irritava, o barulho das gotas caindo, aquelas quatro paredes pequenas faziam-me sufocar, o banheiro lembrava-me da cena dos tiros e ajudava a aumentar minhas dúvidas, eu já estava enlouquecendo com essas perguntas sem respostas e lá vinha a voz de novo “Fuja menina”, Argh e essa voz estava me irritando ainda mais. Depois do banho fui tomar café, Dylan parecia estar me esperando. Sentei na mesa que já estava posta, com panquecas e ao lado tinha um papel escrito:

“Que você tenha um bom dia!”

Olhei para ele e disse:

— Boa ideia para falar comigo, mas não quero falar com você.

— Quasar, você não fala comigo direito desde ontem. Eu já te expliquei, entende por favor.

— Dylan, eu não quero falar sobre isso agora, eu ainda estou confusa, me desculpa. — Comi dois pedaços e levei o prato para o quarto.

No quarto, comi e logo depois o coloquei de lado. Fui até a varanda, voltei, olhei para o espelho e fiquei observando meus cabelos ruivos quebrados, sujos, meus olhos mortos, cheios de olheiras, eu estava feia, sem vida, um zumbi. Deitei na cama e comecei a chorar, eu estava muito dramática. Depois do meu momento recaída, levantei e fui para o meu lugarzinho, a minha mini biblioteca. Eu tinha terminado o livro “Persuasão” e tinha acabado de começar a ler “O Morro Dos Ventos Uivantes” de Emily Brontë. Quando comecei a ler, o título me fez lembrar de uma amiga antiga de colégio, ela sussurrava uma música o tempo todo, era assim: “Ela vem pela montanha, ela vem. Ela vem pela montanha, ela vem.” e era muito estranho e um dia perguntaram o que significava, ela então respondeu “Não sei, a babá dos meus irmãos canta para eles ficarem quietos”, e foi nesse dia que tirei a conclusão que ela tinha problemas.

Eu estava concentrada no livro, foi quando fui interrompida por Dylan. Ele abriu a porta e ficou me olhando, eu olhei fixamente para ele, para ver se ele se tocava que eu estava lendo e que ele estava me atrapalhando.

— O que você quer? — disse eu, grossa.

— Vem aqui! Quero te mostrar uma coisa.

Levantei, deixei o livro e Josh na mini biblioteca e fui com Dylan. Descemos as escada e ele me levou para a parte de trás da casa, onde havia um jardim, flores: rosas, roxas, amarelas. O aroma do lugar a cada passo que eu dava era apaixonante. O vento era outra coisa, o verde das árvores, aquele caminho de pedras, os arbustos e a imagem de Dylan me guiando pelo pulso, me fazia sentir mais calma. Um banquinho branco, com rosas do lado, e um pequeno laguinho dava outro ar para a paisagem, tornando aquilo romântico.

— Gostou? — disse ele, guiando-me para sentar.

— É lindo — disse eu, passando as mãos nas rosas e admirando o lugar. — Como é que eu não tinha percebido esse lugar antes?

Ele pegou em minha mão, eu olhei e perguntei:

— Quer dar um de romântico?

Ele sorriu e disse:

— Como eu disse, há coisas sobre mim que você não sabe.

Ele começou a alisar meus cabelos e se aproximar. Aquela sensação de arrepio tomava conta de todo o meu corpo, sempre que eu ficava perto de Dylan. Suas mãos quando me tocavam, parecia que o mundo parava só para nós dois. O vento soprava em meus cabelos e com ele vinha o cheiro das rosas, o aroma mais perfeito que já senti na minha vida. Dylan passava a mão no meu rosto e depois nos meus cabelos, ele aproximou seu rosto e com seu nariz alisava levemente minha boca, fazendo-me fechar os olhos e aproveitar aquele momento. Todo o meu mau humor foi embora em questão de segundos. Dylan posicionou sua mão em minha nuca e aproximou sua boca da minha. O beijo que ele me deu não foi igual aos outros, foi diferente, o arrepio que eu tinha sentido não era o mesmo, era leve e agora eu sentia aquelas borboletinhas na barriga. Dylan não me pegava mais pela cintura e sim na minha nuca, sua língua entrelaçava na minha apaixonadamente, era um beijo de amor e não de desejo e prazer. Eu senti que ali, Dylan demostrou algo e eu estava gostando, era a mesma coisa que eu imaginava quando via na minha adolescência, as minhas amigas sendo felizes com os seus namorados. Agora, eu entendo o que elas estavam sentindo: amor, apenas amor, e isso era o que as deixava com um grande sorriso no rosto. Esse sentimento as faziam levitar, criar asas imaginarias e voar como crianças em direção à “terra do nunca”.

Foram alguns segundos naquele beijo envolvente. Sua barba baixa, feita só no seu maxilar e por cima da boca, passava levemente pelo meu rosto. Com minha mão, encostei em seu peito, seu coração estava acelerado e sua respiração aguda. Ainda com os olhos fechados, Dylan se aproximou do meu ouvido esquerdo e disse:

— Eu não consigo ficar sem te beijar, sentir teu cheiro, você é a mulher mais arrogante que eu já conheci. Seu nervosismo em forma de defesa, seus cabelos, seu sorriso. Ah Quasar! Seu sorriso, me faz ficar sem chão, eu não quero perder o que há de mais lindo em você, mesmo que eu não o mereça, mas eu seria o homem mais idiota em deixar você escapar dos meus braços.

Eu me afastei um pouco, virei para frente e fiquei olhando o lago, o reflexo das árvores. Aquelas palavras me encheram de alegria e fizeram sumir todas as perturbações que pela manhã havia me pegado. Mas as inseguranças continuavam.

— As minhas dúvidas são como uma enorme faca, que é atravessada no meu peito e vai rasgando lentamente o meu coração. Essas dúvidas, Dylan, se tornam pensamentos desagradáveis que surgem do nada, hipóteses que eu não quero acreditar. Eu gosto de você e é isso o que me faz tentar esquecer essas hipóteses e esses pensamentos, e depois disso, depois do que eu sentir...

— Sentiu o quê?

Olhei para o lado e fixei meus olhos nos seus, continuei:

— Eu sentir o que eu queria sentir na minha vida. Amor.

Dylan não conseguiu conter aquele sorriso gostoso em seu rosto, seus olhos brilharam, ele olhou para os lados balançando a cabeça e soltando seu sorriso. Ele me puxou e disse:

— Vem cá!

Encostei minha cabeça em seu peito e nos mantivemos abraçados por alguns minutos. Sentir um pingo sobre meu rosto e outro no meu braço, olhei para cima e a chuva estava vindo, as nuvens fecharam o clima e o frio tomou conta do lugar. Ele então, levantou-se, a chuva ficou intensa e ele abraçou-me.

— Está chovendo, Dylan! Estou me molhando.

Tentei livrar-me dos seus braços, mas ele me agarrou com mais força.

— Sabe os filmes? Vamos encena-los.

— Eu não quero interpretar uma atriz de Hollywood no momento.

Ele segurou meu pulso, me jogou e me puxou enrolando-me em seus braços, comecei a sorrir, parecendo uma boneca sendo jogada de um lado para o outro.

Os pássaros se protegiam no galho da árvore e se aproximavam um do outro para se esquentar, foi o que aconteceu quando entramos, na lareira, ambos molhados, estávamos sentados no chão com um edredom, abraçados e nos esquentando um com o outro. Dormimos lá mesmo, uma noite maravilhosa comparada as outras.