Quasar

22 "Todos amam as coisas que você fez"


Notas iniciais
Capítulo da semana, espero que goste. Estou de férias, agora não irei demorar para postar.

— Vem aqui, vou te levar lá pra baixo.
Eu estava podendo andar, mas não descer ou subi escadas. Tim me colocou nos braços e me levou por um caminho diferente.
— Para onde está me levando?
Ele me colocou no chão de frente a uma porta e mandou eu abrir. Quando abri aquela porta sentir ressurgir no meu coração a chama da literatura, voltei a sentir o cheiro do ar puro e ingênuo de novo, meu coração se encheu de alegria. Era uma biblioteca maior que a da casa que eu estava com Dylan, era mais maravilhosa, os cheiros dos livros vinham em minha direção, dizendo: “Seja bem vinda”. Eu abri um sorriso de um lado para o outro. Tim estava segurando a porta e eu fui entrando com a minha muleta. Ele disse:
— Sabia que você iria gostar.
— Eu adorei! Não vou mais sair daqui.
— Não era para eu ter ti trazido — disse ele sorrindo.
— Depois eu venho para cá, vamos conversar mais.
Eu fui com ele até a sala e começamos a relembrar dos tempo que éramos adolescentes. Tim estava comendo doces.
— Cuidado pra não ficar gordo.
— Depois eu malho.
Comecei a sorrir pela forma como ele comia, parecia que ele tinha ficado 3 anos sem comer.
— Vai com calma.
— É porque está muito bom.
— Eu também quero, me dá Tim.
Ele correu com o pacote na mão e começou a sorrir.
— Isso é golpe baixo, se eu pudesse correr pegava esse pacote da sua mão.
— Está bem, está bem. Toma um.
— Um não, quero quatro.
— Para de comer muito.
— Quem está com um pacote de 50 doces é quem? Me dá isso!
— Você que vai ficar gorda comendo dessa forma.
— Gorda é a sua... Nossa que doce bom.
Ele começou a sorrir e disse:
— Gulosa.
A campainha tocou, fiquei parada na sala e ele foi abrir. Era Dylan, e ele não estava nada legal.
— Por que você mentiu dizendo que ela não estava aqui? — disse ele entrando.
— Calma, Dylan, eu só queria passar mais tempo com ela.
— Ela é sua namorada?
— Ei, ei, vai com calma ai. Ela é minha melhor amiga, eu tenho direito de passar o tempo com ela, você é que está sendo um namorado possessivo.
— Vamos Quasar!
— Qual o seu problema Dylan? Por que eu não posso passar o tempo com Tim?
— Você sabe o porquê.
— Então diz Dylan. — disse Tim.
— Não tenho que dá satisfações para você.
— Chega! — disse eu me levantando. — Eu vou com você.
— Mas Quasar... — disse Tim.
— Depois eu passo mais tempo com você, eu prometo.
Segui Dylan até o carro e Tim ficou nos observando pela porta. Entrei no carro e Dylan deu partida.
— Você não tem educação? — disse eu.
— Você quer me dá dicas sobre educação? Como é que você não dá notícias, sabe que é perigoso.
— Ah! Ai você quer me dizer que eu não dei notícias? Você que saiu e não disse para onde ia e nem a hora que voltaria, Tim que foi me buscar no hospital e você está reclamando de notícias? Você pensa que eu esqueci? Que você está envolvido com a tal máfia, grupo de terroristas, sei lá o que isso é, você pensa que eu esqueci? Eu sofri um acidente mas minha memória ainda está bem lucida pra você que não sabe.
— Eu sei que errei em não ter dito, mas eu não posso, o que eu também não posso é ficar sem saber onde você está. Eu disse que era pra você voltar a sua rotina, mas não pra ficar se expondo.
— Então estamos quites.
Cruzei os braços e me ajeitei no banco.
Chegamos em casa e ele veio me ajudar a sair do carro, puxei meu braço e disse que sabia o caminho. Ele pegou minha bolsa e seguimos para dentro, Josh quando me viu pulou nos meus pés, mas eu não conseguia pega-lo, eu estava usando a cinta ortopédica e além dela parecer que está tentando me matar, eu não conseguia me inclinar.
Dylan parecia estar muito preocupado, ele entro no banheiro e não disse nada. Comecei a vasculhar algumas coisas e achei uma foto da minha mãe, com minha tia Margareth e tio Orlando, bateu uma saudade de falar com minha tia, resolvi ligar para ela.
— Tia?
— Quasar? É você mesmo?
— Oi tia, sou eu sim.
Ela começou a sorrir no celular como se nunca tivesse falado comigo.
— Como você está minha pequena?
— Eu estou bem tia e a senhora? Estou com muita saudade.
— Eu estou bem minha filha, estou também com muita saudade de você. Nem parece que faz 4 meses que você saiu daqui.
— É tia o tempo está passando muito rápido. E tio Orlando?
— Ele está bem.
Eu não costumava falar muito com tio Orlando, ele era muito fechado, quase não sorria, mas era uma pessoa honesta e legal nos dias bons.
— Rebeca me disse que você encontrou Tim, é verdade?
Nossa esse tempo todo e eu não contei a ela.
— Sim tia a gente se reencontrou.
— E então, estão namorando?
Eu confesso que fiquei vermelha quando ela disse isso.
— Não tia, somos só amigos.
— Não acredito que vai deixar um rapaz tão bom escapar assim.
Não achei apropriado falar para minha tia que eu estava namorando com um cara que conheci por acaso num táxi, ela ficaria um pouco brava, mesmo eu não sendo mais criança ou adolescente ela ainda é minha tia e eu sei bem como ela é, ela iria ficar falando e eu não quero isso.
Ela ficou falando dos festivais que ela participou, que ela foi para o parque de diversões com tio Orlando e se divertiram muito. Sorri muito com as conversas da minha tia, eu já estava com saudade das nossas risadas e de escutar a voz dela. Queria muito poder chegar para ela e dizer que minha mãe não está morta, ela ficaria muito feliz. Quando minha mãe morreu ela sofreu muito, ela não conseguia olhar para mim e não lembrar da mãe.
— Meu anjo vou desligar, tenho que arrumar as malas, eu e seu tio vamos para Orlando, que engraçado não é? Vamos voltar a ser crianças de novo.
— Está bem tia se divirta muito, beijos.
— Beijos minha flor.
Desliguei e Dylan chegou com as mãos molhadas perto de mim e me abraçou na cintura.
— Sabe que eu ainda estou com raiva de você.
— Me desculpa, eu estou com muito problema.
— E eu sou um desses problemas e essa criança é outro.
Ele me girou e disse:
— Não diga que você e o nosso filho é um problema.
— Sério? Será que não? Eu não sei o que você é nesse grupo, mas se estão te ligando é porque me querem e você não está colaborando com eles. Que futuro você acha que essa criança vai ter? Se me encontrarem vou ser uma mãe morta e você um pai morto.
— A gente vai dá um jeito.
Eu andei um pouco e me afastei dele.
— Eu não estou vendo nenhum jeito Dylan, só vejo as coisas estreitarem e eu tendo que me esconder.
Ele colocou a mão na cintura e a outra na cabeça.
— Eu vou dá um jeito, acredita em mim.
Depois daquele dia vi que minha vida ia mudar muito quando essa criança nascesse, e meu maior medo seria não ser capaz de protege-la. A ideia não entra na minha cabeça, eu não quero condenar essa criança a ser órfã, eu não quero tê-la, não quero que ela sofra o mesmo que eu sofri quando me disseram que minha mãe tinha morrido, é a pior sensação do mundo. Dylan estava muito tenso, mal olhava para mim. Sentei no sofá e chamei ele que estava andando de um lado para o outro.
— Vem aqui!
Ele parou e me olhou torto, desconfiado, mas foi, sentou do meu lado. Encostei minha mão nos seus cabelos e comecei a fazer carinho, ele fechou os olhos como se aproveitando o momento, então, puxei para o meu colo, ele encostou sua cabeça em minhas pernas e deitou no sofá, alisei seus cabelos, ele colocou uma de suas mãos apoiada no meu joelho e ficou observando meus ferimentos.
— Não fique pensando que essa...
— Shiu! — disse eu lentamente. — Vamos esquecer por 10 minutos tudo, esqueça, relaxe.
Comecei a cantar uma música “Where we were Young” de Adele.
“Todos amam as coisas que você faz
Desde a maneira como você fala
Até o jeito como você se move
Todos estão aqui te observando”

Essa música foi a primeira que veio na minha cabeça, foi o que eu pensei. Dylan acabo dormindo no meu colo, e eu acabei dormindo também, os dois no sofá, cansados de tudo.