Quasar
23 Quase uma burrada.
Notas iniciais
Três meses depois...
O tempo foi passando e minha barriga não estava mais sequinha como era. Eu estava com três meses e os enjoos começaram a ficar mais frequentes, eu ia trabalhar e saia correndo do nada, Erick e Rebeca já estavam percebendo, então, resolvi fazer algo que eu mesma achei muito precipitada e escondida de Dylan. Sai de casa mais cedo que o normal e por incrível que pareça Dylan não estava em casa. Ele saia cedo e não dizia para onde ia, comecei a desconfiar e tentava descobrir. Como eu estava dizendo resolvi ir numa clínica para fazer algo que eu mesma não queria, a minha consciência estava pesando a cada passo que eu dava na rua, e quando eu menos esperava Dylan aparece na esquina em que eu viro.
— Quasar?
— Oi...
— O que você está fazendo essa hora na rua? Não era pra você estar no jornal?
Eu fiquei sem saber o que responder e mais burra ainda eu estava com um panfleto da clínica na mão, escondi no bolso, mas ele viu.
— Eu vou... pegar alguns depoimentos para a minha coluna da semana. E você o que faz por aqui? Aliás o que você anda fazendo toda manhã?
— Não tente mudar de assunto, eu estou resolvendo problemas do jornal. E esse papel que você escondeu? É para a coluna?
— Sim, é sim...
— Sabe que eu sei quando você está mentindo.
— Tenho que ir...
— Volta aqui — ele segurou meu braço e enfiou a mão no meu bolso da calça retirando o panfleto com o endereço.
Ele ficou olhando o papel e olhou para mim com raiva e decepção. Ele rasgou o panfleto e segurou com mais força meu braço.
— Como é que você tem coragem?
— Você sabia desde o começo o que eu achava sobre isso, não é nenhuma novidade.
— Mas escondido de mim? Eu sou o pai dessa criança e tenho direito de dar a minha opinião, e você não vai tirar o nosso filho.
— Me larga Dylan! — disse eu puxando o braço, mas ele não soltava.
— Vamos para casa.
— Me larga!
Ele me puxou para dentro do carro, não era mais o Astra e sim o seu carro de “luxo”, ele colocou o cinto em mim e trancou as portas.
— O que isso? Está me sequestrando? Vai me fazer de refém?
— Isso é para o seu próprio bem e dessa criança.
— Você sabe que eu não vou mudar de ideia.
Ele ficou calado e dirigiu para casa. Chegando lá, ele abriu a porta do carro e me levou como se fosse uma prisioneira, entrou e trancou a porta.
— Quasar escuta...
— Eu não quero escutar mais nada Dylan, eu já disse o que eu penso e acabou.
— Mas você não vai abortar! — disse ele gritando. — eu vou te vigiar, só sai comigo, ou com alguém de confiança, até nosso filho nascer.
— Você não pode me obrigar...
— Já estou obrigando.
— Eu não sou criança Dylan.
— Não importa vai ser assim e acabou.
— Quem você acha que é?
— O pai do seu filho.
Eu estava sem razão naquela conversa, então entrei no quarto e deitei, fiquei calada, mas minha cabeça estava um turbilhão de coisas ao mesmo tempo. Eu estava me sentindo uma criança de castigo quando faz algo de errado. Dylan estava mais estressado, passava o dia mandando e-mail ou no celular, ligavam e ele tinha que ir mesmo contra sua vontade, agora para onde? Eu não sei.
Esses três meses que passaram desde o dia do acidente, nunca mais tive uma boa relação com Dylan, o filho, as perseguições, tudo isso fazia com que nos afastássemos um do outro. Não conseguíamos mais parar para conversar sem brigar, ele mal estava pisando na empresa e Tim sempre estava comigo.
No outro dia...
Levantei, depois de ter tomado um banho, fui para a cozinha e como de costume tomar o meu suco de laranja da caixa. Dylan já estava na mesa, não deu uma palavra se quer. Sentei tomei o meu suco e levantei, ele olhou e disse:
— Não vai comer mais nada?
— Estou sem fome.
— Não é só você que deve se alimentar.
Para ele não começar com as falas dele, comi duas torradas e outro copo de suco. Levantei para ir escovar os dentes e quando eu ia pegar a bolsa, ele disse:
— Vai comigo.
— Mas o que é isso? Eu não acredito...
— Vai sair comigo, também vou para o jornal.
Sentei no sofá e esperei ele terminar de tomar seu café. Ele passou por mim e disse:
— Agora podemos ir.
Entrei no carro com mau humor e ele não disse nada, deu partida e seguimos para o jornal. Chegando lá, Katherine disse que tinha alguém esperando ele na sala da diretoria, ele me mandou seguir para a redação e perguntou quem era, quando eu ia saindo ela respondeu que era uma mulher, parei e olhei para ele, ele olhou para ela e disse:
— Não acredito. — disse ele seguindo furioso para sua sala.
Segui para a redação desconfiada. Erick me recebeu com muita alegria.
— Gata, bom dia! Olha hoje vai ter uma festinha, não quer com a gente?
— Não vai dar, estou muito cansada.
— Sabe qual foi a última vez que saímos, coração? Nem a santa do arco-íris sabe mais.
Ai não o enjoo, fiquei parada e Erick perguntou:
— Você está bem?
— Sim-m — disse eu virando de costas para ele colocando a mão na barriga.
Tim aparece e olha com preocupação para mim, ele vem em minha direção, me segura nos ombros e pergunta:
— O que está acontecendo?
— Eu não sei chefe supremo, ela virou e ficou assim.
— Eu estou bem. — disse eu levantando e ficando ereta. — Já passou.
Não passou não, vomitei no meio da redação, Erick pulou feito um gato com nojo, Megan, uma menina que trabalhava conosco, levantou e correu para chamar a responsável pelo serviço de limpeza, Tim não ligou para o vomito, ficou segurando-me pelos ombros e retirou um lenço do bolso e limpou minha boca. Dylan chegou, viu-me naquele estado e perguntou:
— O que aconteceu? — vindo na minha direção.
Tim não ligou para a presença dele e continuou a me segurar, Dylan tentou retirar-me dos braços de Tim, mas Tim não deixou. Ele disse:
— Eu vou leva-la para minha sala.
— Eu cuido dela. — disse Dylan.
Tim retirou as mão de Dylan de mim e disse:
— Eu vou leva-la para minha sala. — com tom de voz alterado.
Erick ficou abismado com o tom severo que Tim se dirigiu a Dylan, não só ele como todos os funcionários ali presente. Dylan e Tim sempre foram tão próximos e agora estão se estranhando. Tim me levou para a sala dele e me sentou numa poltrona, a sala estava gelada por conta do ar condicionado.
— Quer que eu desligue?
— Não, está tudo bem.
— Está melhor?
— Estou sim.
— O que foi isso Quasar? Não é de hoje que eu vejo você correndo para ir vomitar.
— Não é nada é só um mal-estar.
— Você sabe que eu te conheço, não é só um mal-estar.
— Eu estou grávida Tim. — disse eu direta e sincera.
Tim ficou paralisado com a notícia, ficou com os grandes olhos verdes fixados nos meus, ele não estava acreditando.
— Você está o quê?
— É isso mesmo que você escutou, eu estou grávida.
Ele não falou mais nada, ficou paralisado, sentou na sua cadeira e olhou para mim, dizendo:
— Grávida? Dylan sabe disso?
— Sabe.
— Quantos meses?
— Três meses.
Ele não estava bem em ter recebido a notícia, mas começou a sorrir, um sorriso forçado.
— Vou ter um sobrinho ou uma sobrinha.
Sorrir forçadamente e diz:
— Espero que vocês sejam muito felizes. — disse ele forçando ainda mais o sorriso.
— Obrigada.
Não era essa a resposta eu queria dar, mas foi isso o que saiu. Me levantei e disse:
— Vou voltar ao meu trabalho, depois conversamos mais.
Levantei e quando abri a porta Tim desfez o sorriso. Fui para a redação e voltei ao meu trabalho como se nada tivesse acontecido. Confesso que fui muito direta e sei que magoei ele. Fiquei pensando no que ele poderia estar sentindo naquele momento.
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