Quasar
24 Estava tão na cara assim?
Notas iniciais
Me posicionei no meu lugar, Erick levantou e se apoiou na minha mesa:
— Amiga, eu sei reconhecer quando uma mulher tem algo ocupando seu útero.
Digitando falei:
— Algo? E o que você acha que eu tenho no meu útero? Um alíen?
— Um pirralho ou pirralha, sei lá, esses pestinhas que parecem que incorporam algum tipo de espirito estranho, que não param quietos.
Olhei para ele e disse:
— Não conta para ninguém Erick!
— VOCÊ ESTÁ MESMO? Ai nossa desculpa, você está mesmo grávida?
— Fala baixo Erick.
— Minha santa do arco-íris! Quando eu disse para se jogar no bofe não era assim não é coração.
— Aconteceu, Erick.
— Ei gata, sabe que não vai esconder o barrigão por muito tempo né?
— Eu sei disso e é por isso e outros motivos que não quero ter.
— O QUÊ? Olha coração eu apoio os movimentos liberais sabe. Aqui na Inglaterra é de boas, mas não faz isso, sei que são uns pestinhas e que tiram a paciência, mas são fofinhos também.
— Ótimo argumento, me ajudou bastante.
Recebi uma mensagem de Rebeca:
Amiga desculpa, não vou poder jantar com você sábado
Vou viajar, o pai de Robert está doente e vou ficar com ele.
Beijos...
Deixei a mensagem para lá e voltei a falar com Erick.
— Eu não consigo porque Dylan está no meu pé.
Olhei para Erick e ele percebeu:
— Ah não! Pode tirando seu unicórnio da chuva de ouro que eu não vou ser cumplice disso. Isso vai valer meu emprego e eu tenho que ter esse emprego para pagar minha progressiva, esse cabelo perfeito custa caro.
— Está bem, esqueci que olhei para você assim.
Erick inclinou-se próximo a mim, me abraçou bem forte e disse:
— Não se preocupe que eu estarei aqui para ser o titio mais legal que essa criança vai ter.
Eu sentir uma alegria muito grande em ter escutado aquilo, mas mesmo assim a ideia de não querer ter a criança ainda estava fixa na minha cabeça.
— Agora eu vou voltar para o meu trabalho. — Disse ele me dando um beijo na bochecha.
Achei estranho Debora não ter vinho falar comigo, quando olhei para sua mesa ela não estava, então sussurrei para Erick:
— Ei, ei cadê Debora? Ela não veio hoje?
— Está de férias, foi visitar o bofe magia dela.
— Ah entendi.
Voltei para o meu lugar e Dylan entrou na redação, passou por nós e depois saiu. Isso já estava ficando chato, eu tenho vontade, mas não vou fazer, sei que é muito precipitado e não quero arrumar mais problemas para mim.
No final do horário Tim veio até minha mesa e me deu uma caixinha decorada.
— O que é?
— Abre você vai gostar.
Era uma gargantilha de ouro com o nome: "Anne"
— Anne?
— É apenas pressentimento.
Levantei e fui dar um abraço nele.
— Obrigada Tim. — disse o seu ouvido.
Desci e Dylan estava encostado no carro com as mãos no bolso.
— Já ia te chamar.
— Vamos. — Disse eu entrando no carro.
Entramos no carro e ele viu a caixinha.
— O que é isso?
— Um presente.
— Quem deu?
— Tim.
— Hum.
— Ele sabe.
— Sabe o quê?
— Que estou grávida.
— Você...
— Foi sim, eu disse, ele estava fazendo muita pergunta e resolvi falar para ele, não ia esconder isso por muito tempo.
— Só ele sabe?
— Não, Erick também.
— ERICK?
— Ele mesmo.
— Quer divulgar? Coloca no noticiário.
— Sem problemas, trabalho num jornal. — Disse com tom irônica.
Dylan sorriu e eu também. Olhamos um para o outro como antes, aqueles olhos azuis brilhavam para mim, aquele sorriso encantador. Voltei a olhar para frente e ele disse:
— Seus olhos voltaram a brilhar como antes.
Abaixei a cabeça e disse:
— Os seus também. — Disse olhado para ele.
Ele mudou de rota e foi em direção à Stratford.
— Por que vamos para Stratford?
— Vamos na minha casa.
Fazia sete meses que eu estava na Inglaterra e nunca fui na casa de Dylan, até que bateu uma curiosidade. Chegamos numa casa estilo contemporânea, branca, de primeiro andar, a porta da garagem abriu para que pudéssemos entrar, ele saiu primeiro e abriu a porta para mim, sai admirando o lugar, era linda a casa. Subimos uma escadaria de mais ou menos sete degraus. A porta tinha uma tira de vidro na vertical, as luzes estavam ligadas, a sala era lindíssima, o tapete branco, os sofás de cor marrom claro, o piso de madeira laminada. Na cozinha os móveis eram de madeira escura com preto, era belíssima. Fiquei olhando aquela casa e me imaginando como se o Brad Pitt fosse aparecer na minha frente.
— Sua mansão é linda.
Ele sorriu e uma mulher que aparentava ter 47 ou 50 anos apareceu enxugando as mãos num pano de prato.
— Senhor Dylan, quanto tempo o senhor não aparece aqui.
Ele colocou as chaves em cima da instante em baixo da TV que ficava na parede, parecia com a casa de Tim, mas era mais bonita e moderna.
Ele abraçou a mulher e ela se dirigiu a mim.
— E quem é a moça? Tudo bem, minha querida?
— Estou bem, prazer em conhecer a senhora.
— Por favor não me chame de senhora, quero ter a ilusão de ainda ser jovem, me chame de Olivia.
— Prazer Olivia, sou Quasar.
— Qua... O quê?
Eu comecei a sorrir e repetir o nome para ela.
— Quasar, Olivia.
Ela olhou para Dylan e ele estava comendo um pedaço do bolo que provavelmente ela fez. Ele olhou para ela e disse:
— Ela é minha noiva. — Disse ele com a boca cheia.
Eu olhei rápido pra ele, tipo "O quê?", e Olivia também, olhamos ambos surpresas.
— Noiva? — Disse eu e Olivia.
— O senhor não é de namorar, senhor Dylan.
— Olivia! Sem detalhes por favor. Vem Quasar.
Subi com Dylan e entramos no quarto dele, se a sala era bonita o quarto era muito mais.
— Você é bem humilde, não é?
— Faço o possível.
A cama dele era de casal com a cabeceira colchoada junto com a base, ambas pretas. O quarto era todo branco, nele tinha duas portas de vidro que levava para uma varanda, as duas tinham cortinas de tecido leve, brancas, o teto ela bege e tinha colunas na horizontal de um canto a outro no quarto de cores brancas. Na frente da cama tinha um guarda-roupa que cobria a parede e nas portas dele tinha espelhos, o chão era branco e laminado, tinha um tapete fino de cor marrom com listras pretas pouco visíveis, um pouco acima da cabeceira tinha duas luzes presas na parede, nos lados da cama tinha criados-mudos brancos. Entrei e passei a mão nas cortinas, fui até a varanda e voltei, ele estava em pé me olhando, de terno, com as mãos no bolso.
— Não sei porque você vai de terno. Terno não fica bem em você sabia?
— É mesmo?
Ele começou a folgar a gravata.
— E você acha que eu fico bem de quê?
— Não sei... — passei minha mão direita no seu ombro devagar dando a volta em torno dele.
Ele estava em frente ao espelho e parei por trás dele, tirei o terno o deixando com uma camisa social branca. Ele virou-se e segurou na minha cintura, beijou meu pescoço e sussurrou no meu ouvido:
— Quanto tempo eu não te toco? — Ele toca a minha cintura. — Não te beijo? — Ele toca seus lábios nos meus. — Você é minha Quasar, só minha.
Ele passa sua mão na minha nuca e segura meu cabelo, ele fecha os olhos e me beija, eu o empurro levemente e viro o rosto, ele olha com olhos duvidosos.
— O que foi? Estou com bafo?
— Não, se tivesse eu te mandava agora para o banheiro.
— Mandava?
— Era, algum problema?
Ele se aproximou pegou meu cabelo e disse:
— E quem disse que você manda em mim? — Disse ele sorrindo.
— Eu não estou no clima Dylan.
— O que foi?
— Onde tem um banheiro aqui?
— Por quê?
— Diz. — Eu disse andando nas pressas.
Ele apontou para uma porta que tinha no quarto, entrei correndo, fechei a porta e comecei a vomitar. Dylan entrou e me deu uma toalha, levantei e ele ligou a torneira e limpou minha boca, permaneci segurando a pia e ele ficava alisando meu cabelo.
— Isso vai passar. — Disse ele.
— Não me diga que isso vai passar, não me faça querer acreditar que isso é bom. — Disse eu saindo do banheiro.
— Quasar volta aqui.
Sentei na cama e coloquei as mãos na cabeça.
— Por que que tudo isso está acontecendo, por que isso não acaba logo? Por que não me procuraram mais? Você sabe! Me diz Dylan.
— Quasar...
— Me diz!
— Não se estresse, não faça esforço.
— Não me estressar? São pessoas que aparecem e desaparecem, perseguem e depois esquecem. Eu posso sair na rua, mas não sei se vão me achar. Como é que não vou me estressar? E agora uma criança.
Ele me abraçou forte, apenas me abraçou, foi um abraço demorado, mas foi nele que consegui me confortar. Ele retirou os seus sapatos e deitou-me consigo, ficou alisando meus cabelos, até que eu dormisse. Era disso o que eu estava precisando, a gravidez me deixou frágil e carente. Dylan estava ficando cada vez mais romântico e carinhoso, eu via nos olhos dele que ele queria essa criança mais que qualquer pessoa. Peguei sua mão do nada, ele parou e abriu os olhos, peguei sua mão e a coloquei sobre minha barriga, foi aí que ele abriu mais ainda os olhos. Ele começou a alisa e abriu um largo sorriso, então eu disse:
— Isso não significa nada.
— Obrigado.
— Pelo quê?
— Por me deixar sentir.
— Eu vi nos seus olhos que isso era o que você mais queria.
Ele sorriu e disse:
— Estava tão na cara assim?
Sorri de volta e disse:
— É, digamos que sim.
Ele ficou fazendo círculos com a mão sobre minha barriga, até que adormecemos.
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