Quasar
11 Se cuide!
Notas iniciais
No outro dia...
Eu acordei com uma terrível dor de cabeça. Olhei ao meu redor e Dylan estava dormindo do outro lado da cama, sem camisa e de cueca boxer branca. Eu fiz uma expressão daquelas de “não acredito no que eu fiz”. Eu simplesmente não lembrava do que havia acontecido.
Sentei na cama e ele acordou, virou-se para o meu lado, puxou-me e disse:
— Acordou?! Bela margarida. Gostou da nossa noite?
Eu olhei para ele, me afastei e disse:
— Não! Acordei pra saber se estou morta. – disse eu, com ironia e completei – Que noite? Ai espera, não me diga que eu... e você...
Ele fixou os olhos em mim e disse:
— Você não lembra de nada? Se quiser a gente tem um segundo tempo pra ficar na memória.
— Para de graça, levanta daí, que agora eu estou em mim e não estou com vontade de dialogar com você, muito menos olhar você nesse estado e muito, muito menos de ter um segundo tempo com a sua pessoa. Agora se fizer o favor, pode ir para sua casa ou melhor para o trabalho. – disse eu, levantando da cama e pegando as coisas para dar a ele.
Dylan pegou suas coisas, começou a sorrir e disse:
— Você fica tão linda mal humorada!
— Sai daqui, Dylan!
Ele foi andando em direção a porta vestindo suas roupas. O empurrei para fora só de calcinha e sutiã e ele ficava sorrindo aquele cafajeste, dizendo:
— Essa roupa íntima cai bem em você!
Peguei um sapato e fiz como se fosse jogar nele, ele correu e fechou a porta. Quando me virei e sorri, ele abriu a porta e disse rápido:
— Te vejo na editora docinho!
Eu virei com a cara fechada e joguei com muita força o sapato, ele fechou a porta sorrindo e finalmente fui me arrumar para ir trabalhar.
Chegando na editora, Dylan não havia chegado. Sentir um alivio. Erick e Debora estavam me esperando. Erick como sempre levantou-se primeiro e disse:
— Olha a carinha dela Debora! Aconteceu alguma coisa muito boa, você está mais viva, deixou aquela cara de morta. E então? Foi bom, não foi? Você não foi grossa, não é coração?
— Erick, vamos trabalhar? Temos muita coisa para fazer.
Erick virou-se para Debora, fez uma expressão, apoio a sua mão no tórax e a outra apoiada no rosto e disse:
— Foi bom!
Sentei em minha mesa, e recebi uma mensagem do meu tio Orlando, coisa rara de se acontecer. Na mensagem dizia:
Quasar, é seu tio Orlando.
Por favor, se cuide!
Achei muito estranho, porém eu tinha muita coisa para resolver na editora, então, depois eu ligaria para ele.
Era tanto papel, que perdi a noção do tempo. Erick levanta e pergunta:
— Coração, vamos almoçar! Quer ir conosco?
— Não Erick, eu tenho muita coisa para resolver, podem ir sem mim.
Erick olhou para mim, inclinou-se e perguntou:
— Você não está chateada comigo? Não é?
— Não, pode ficar tranquilo, é porque tenho muita coisa mesmo.
Erick balanço a cabeça como se tivesse entendido, e foi embora com Debora almoçar.
Fiquei fazendo meu trabalho. Levantei para ir beber água, e uma pessoa que nunca vi na editora esbarrou em mim e derramou um pouco de água sobre minha roupa.
— Me desculpe – disse a pessoa passando com pressa.
— Sem problemas – disse eu, passando a mão na roupa.
Fui em direção ao banheiro. Chegando lá enxuguei as mãos no papel, e olhei para o espelho, reparei que meu colar não estava mais comigo. Coloquei a mão direita em meu pescoço e fiquei olhando para o chão procurando. Então, fui correndo para a recepção e perguntei a Katharine, recepcionista, se um rapaz alto, magro passou por aqui. Ela respondeu que um rapaz com essas características saiu correndo do prédio. Corri, olhei para os lados e lá estava ele atravessando a rua. Corri atrás dele, mas ele era rápido.
Consegui alcançar um pouco de distância e então com minha incrível habilidade de jogar sapatos, retirei meu salto e fui na sorte. Joguei com muita raiva e pegou em sua nuca, ele colocou a mão em seu pescoço e olhou para trás correndo.
Ele tropeçou e caiu, meu colar caiu pouco a frente dele. Então, corri e fui pegar meu colar. Quando me abaixei para pegar, ele puxou meu tornozelo e cai ao seu lado. Ele subiu por cima de mim e apontou uma arma, segurei o colar com a mão fechada, e por grande sorte uma viatura estava passando, os policiais desceram e ele saiu correndo, um policial correu atrás dele e outro veio me ajudar.
—Você está bem moça? – disse ele me ajudando.
Levantei e fiz um sinal de que estava bem. Ele me levou para prestar queixa.
Depois que sair da delegacia. Voltei para editora, um pouco suja mas fui, pois eu tinha que terminar meu trabalho.
Entrei e Katharine disse:
— Meu Deus! O que aconteceu com você?
Andei em direção ao elevador e disse:
— Uma longa história Katharine...
Chegando na sala do jornal, sentei em minha mesa e Erick olhou assustado pra mim e disse:
— Amor! O que foi isso? Correu a maratona e saiu se arrastando no final foi?
— Eu estava bebendo água, um rapaz esbarrou em mim e roubou meu colar, eu sai correndo atrás dele e recuperei. No final ainda quase levei um tiro, mas os policiais que estavam fazendo ronda chegaram na hora.
Erick fez uma expressão de assustado, Debora olhou assustada e perguntou:
— Você está bem? Não é mesmo?
— Estou sim, graças a Deus.
Dylan chegou na hora e parou quando olhou para mim, voltamos todos ao trabalho e ele disse:
— Senhorita Orth, poderia comparecer à minha sala?
Olhei para Erick e revirei os olhos. Fui para sala de Dylan, ele fechou a porta, se aproximou de mim e disse:
— O que aconteceu com você? Docinho.
— Olha, só porque a gente teve aquela noite, não quer dizer que pode ficar me chamando de docinho, entendeu?
Ele sorriu, alisou o meu rosto e disse:
— Está certo... Docinho.
Eu fiz uma expressão de brava, porém ele continuou a falar:
— Eu era pra ter dado à você uma advertência, por ter saído bruscamente do trabalho antes do fim do horário. Mas como você é uma pessoa agradável, essa eu deixo passar.
— Você é muito engraçadinho, ao invés disso, você era para aumentar a segurança desse prédio. Eu fui roubada, quando eu estava bebendo água.
Dylan estava sentado na cadeira, com as mãos cruzadas. Quando eu disse isso, ele mudou rapidamente a sua expressão para pasmo, não foi nem surpreso. Ele olhou fixamente para mim e disse:
— O que roubaram de você?
— Meu colar!
— Conseguiu recuperar? — disse ele sério, nunca vi Dylan tão sério na minha vida.
— Consegui!
— Posso ver?
Mostrei o colar para ele e ele ficou mais pasmo ainda. Levantou-se, foi em direção à porta, abriu e disse:
— Pode voltar ao trabalho!
Achei muito estranho aquela ação dele, mas também não questionei. Porém, antes de sair perguntei uma coisa:
— Aconteceu algo?
Ele não falou nada, apenas fez um gesto para que eu saísse da sala. Quando sai, ele começou a falar com alguém no celular e parecia estar alterado, mas segui para a sala do jornal. Chegando em minha mesa, Debora me traz um café.
— Achei que você iria querer.
— Muito obrigada! — disse eu, pegando o café.
Voltamos ao trabalho. Consegui terminar todos os papeis que haviam me dado, e já havia dado a hora de largar. Erick e Debora antes de saírem, perguntaram se eu não queria que eles me acompanhassem até em casa. Achei melhor não, ele entenderam e foram embora.
Quando me virei, Dylan estava vindo, fui em direção à ele e coloquei a mão em sua frente para ele parar.
— Ei? O que você tem?
— Nada docinho, tenho que ir agora!
Ele saiu, mas estava diferente, havia outra tonalidade em sua voz. Peguei um táxi e fui para casa. Ainda dentro do táxi, mandei uma mensagem para Rebeca, perguntando o porquê ela não mandava mais notícias. Porém, ela não respondeu. Eu estava preocupada à dias Rebeca havia viajado e não mandava nada, nem um SMS. Chegando em casa, liguei para o meu tio e nada dele atender, contudo, liguei para minha tia, ela atendeu:
— Quasar?
— Oi tia, tio Orlando está com a senhora?
— Não, meu bem. Ele está trabalhando como sempre faz.
Achei estranho também ela está falado daquele jeito.
— A senhora está bem? Tia?
— Estou meu bem!
— Está certo.
Desliguei o celular, mas ainda estava achando estranho. Entrei em casa, coloquei minha bolsa em cima da mesa e segui para o banheiro.
Tirei a roupa e entrei na ducha, liguei o chuveiro e comecei a tomar banho. Quando eu olho para trás havia uma sombra projetada além do boxe, peguei a toalha, me enrolei. Quando abri o boxe , tomei um terrível susto...
Fale com o autor