Quasar
12 "Eu só quero te proteger"
Notas iniciais
Havia um homem encapuzado. Eu o interroguei:
— Quem é você?
Ao mesmo tempo escutei um barulho muito grande, o homem se jogou por cima de mim e caímos no chão, então, comecei a gritar:
— Socorro!
Quando gritei, o homem tampou minha boca. Me assustei, houve muitos tiros, eram muitos mesmo, deixando a porta do banheiro cheia de buracos.
O homem levantou-se rápido. Quando os tiros sessaram, ele me puxou para uma janela que havia dentro do banheiro e disse:
— Sobe!
— Quem é você?
Ele gritou dizendo:
— SOBE! AGORA!
Assustada, corri em direção à janela, ele fez um apoio e quando eu ia subir, Josh aparece, peguei ele e o homem disse:
— Gato?
— Eu não vou sem ele.
Então subi nas pressas e logo atrás o rapaz veio. Ele disse:
— Venha! — puxando-me forte.
Ele segurou meu pulso e corremos. Antes de sairmos do beco, ouvimos mais barulhos de tiros que vinha do banheiro. O homem me mandou correr mais rápido. Quando saímos do beco, tinha um carro Astra preto. Ele ordenou:
— Entra no carro!
— Não vou entrar num carro com você!
— Preferi morrer?
Fiquei calada e entrei no carro, mas havia pessoas fora de guarda. Viram que estávamos fugindo e entraram em um Ronda City preto e começaram à nos seguir. Eu estava apavorada, além de não saber o que estava acontecendo.
Um homem colocou parte de seu corpo para fora da janela e tentou nos acertar com um tiro. O rapaz que estava no carro comigo, começou a fazer Zig Zag na pista. O homem do carro Ronda atirou novamente, então o homem de capuz me deu uma arma e disse:
— Atira!
— Mas eu não sei atirar.
Ele olhou e gritou:
— ATIRA AGORA!
Peguei a arma, abaixei o vidro e apontei para o pneu. Atirei a primeira e não consegui. Entrei no carro tremendo e logo depois veio um tiro. O homem disse:
— Atira de novo.
— Mas...
— Respira e atira.
Sai novamente, respirei e atirei. Por incrível que pareça acertei o pneu e o carro parou bruscamente. Voltei e levantei o vidro. Muito nervosa, repetir duas vezes surpresa:
— Eu consegui, eu consegui.
Ele acelerou e despistamos o carro.
Em nenhum momento dava pra ver seu rosto, então perguntei:
— Quem é você? E para onde está me levando?
— Sem perguntas!
Não fiz mais perguntas, virei para frente e fiquei alisando Josh. Lembrei do meu colar e disse:
— Meu colar! — Colocando a mão no pescoço.
O homem retirou algo do bolso e disse:
— Este aqui?
Ele me deu o colar, eu olhei para ele e disse:
— Por que você pegou ele?
— Sem mais perguntas.
Voltei a alisar Josh. Quando paramos numa loja de roupas, já estávamos um pouco distante da minha casa. O homem saiu do carro e disse:
— Fique aqui!
Eu estava com vontade de fugir, porém, lembrei que eu não queria morrer, então fiquei dentro do carro.
Passou-se uns 10 minutos e ele voltou com uma sacola, colocou dentro da mala, entrou e voltou a dirigir. Logo depois chegamos à um lugar distante, parecia com a casa de lago de Tim, mas era mais simples.
Ele estacionou. Desci do carro e ele disse:
— Entre!
Entrei e ele me levou até o primeiro andar, onde havia um quarto com uma cama de casal de cor azul claro, uma janela. Havia uma varanda, ao lado da cama tinha mesas, uma com flores e a outra com um despertador, na janela havia uma cortina branca. Ele disse:
— Troque de roupa!
Eu iria falar algo, mas ele me interrompeu dizendo:
— Estarei lá em baixo.
Ele fechou a porta, coloquei Josh na cama de casal, fiquei observando o quarto por alguns instantes. Troquei de roupa, era uma calça jeans, com uma blusa de frio azul. Desci e fiquei procurando o rapaz.
Na sala de estar, lá estava ele sentado olhando para a lareira com a cabeça baixa, pensativo.
Me aproximei devagar com os braços cruzados e disse:
— Vai me dizer agora o que eu estou fazendo aqui? E por que chegaram atirando no meu banheiro?
A pessoa levantou a cabeça e retirou o capuz. Olhei assustada, era Dylan, ele levantou e se aproximou de mim. Confusa, me afastei e disse:
— Não encosta em mim!
— Calma, Quasar! — disse ele tentando se aproximar.
— Por que você? Por que tentaram me matar?
— Calma, Quasar!
— Como eu vou ter calma, sendo que fui roubada e tentada de morte no mesmo dia?
— Olha, você vai ficar aqui por algum tempo até que desistam de procurar você!
— E quem está me procurando? Aqui? E minha vida? Eu tenho uma vida sabia?
Ele andou até a parede e com o braço esquerdo se apoiou, apoiando também o rosto no braço. Parei e fiquei olhando para a lareira, pensativa.
Levantei e fui em direção à escada, quando passei por Dylan ele segurou meu braço e disse:
— Eu só quero te proteger.
Puxei meu braço e segui para o quarto. Deitei na cama e Josh deitou comigo, fiquei o alisando, e pensando no que eu poderia ter feito para que alguém ter motivo para me matar. Minutos depois, Dylan bate na porta.
— Posso entrar?
Fiquei calada, ele entrou, sentou-se na cama e não disse nada.
— Por que você não me diz o que está acontecendo?
Ele olhou para mim e disse:
— Para sua proteção.
Virei para o outro lado da cama e disse:
— As pessoas têm esse gosto de esconder as coisas de mim.
Havia um espelho na minha frente e vi quando Dylan abaixou a cabeça. Ele levantou para se retirar, mas antes parou na porta e disse:
— Um dia você irá entender. — E saiu.
Depois que ele saiu, fiquei ainda por vários minutos olhando para o teto, vendo a luz da lua entrando pela porta de vidro da varanda, por alguns instantes, pensei na possibilidade de Dylan ter entrado na minha vida, não só por coincidência e sim por um objetivo, que eu não estava disposta a imaginar naquele momento. Depois de ter imaginado essa possibilidade, adormeci, por cima dos lençóis de cama. Na madrugada eu estava coberta, imaginei que ele tivesse entrado no quarto. Desci e fui para fora da casa com um casaco, acho que eram três horas da manhã. Estava um friozinho agradável. Sentei na varanda e fiquei olhando o céu estrelado, eu me sentia mais calma quando olhava as estrelas, lembrava da minha mãe. Distraída, nem percebi que tinha alguém atrás de mim, tive um susto era Dylan. Ele chegou por trás e colocou a mão em meu ombro e sentou-se na varanda também, olhei discretamente e continuei a olhar as estrelas.
— Você está bem? — disse ele preocupado.
Balancei a cabeça positivamente. Ele disse:
— Não consegui dormir?
Olhei para ele e disse:
— Você acha que consigo?
— Imaginei que não.
Levantei e ele levantou igual, segurou meu braço, me puxou e disse:
— Eu...
Não deixei ele terminar e disse:
— Estou com sono, até amanhã!
Puxei meu braço e fui para o quarto. Eu gostava de Dylan, mas eu sinto que ele me esconde alguma coisa séria, e quero evitar o máximo ficar perto dele, por enquanto.
Pela manhã, acordei e era nove horas, desci e não havia ninguém. Fui para a cozinha e lá tinha uma bandeja com torradas, ovos mexidos e suco de laranja, havia também um bilhete prezo na bandeja que dizia:
Sai, mas voltarei logo.
Fiz esse café da manhã para você.
Não se preocupe, você está protegida!
Um beijo, Dylan.
— Ah! Eu estou protegida! — Disse eu, jogando o bilhete de lado.
Comi e fiquei andando pela casa, não tinha muito o que fazer lá. Peguei Josh e fomos andar pela casa. No andar de cima entramos numa sala, com papel de parede marrom, cheio de estantes com livros. Coloquei Josh no chão e olhei os livros na estante, comecei a passar a mão pelos livros e achei um que me chamou atenção, se chamava “Persuasão” de Jane Austen, o livro era de 1817 e ele me prendeu com a história de Anne Eliot.
Depois de horas e horas lendo e Josh rasgando alguns papeis que já não prestavam mais, Dylan chega e grita pela casa me chamado.
— Quasar? — fala Dylan ainda longe.
Eu estava tão envolvida que nem percebi, eu pensava que eram ruídos. Então, ouvi seus passos correndo pelo corredor, ele abriu a porta bruscamente e fez uma expressão de alivio ao me ver.
Ele entra no quartinho e pergunta:
— Ainda bem que você está aqui! Está lendo?
— É o que parece, não acha?
— É, você está bem.
Eu fiquei olhando para ele, para ver se ele saia do quarto, ele percebeu o que eu estava tentando passar e saiu. Fiquei por mais algumas horas eu acho, foi quando Dylan bate na porta e diz:
— Se quiser jantar, está na mesa!
Fechei o livro e o coloquei na mesa de computador, abri a porta e Josh saiu rebolando, feliz por ter rasgados alguns papeis.
No jantar, eu jantei no meu quarto, sem falar uma palavra com ele o resto da noite, desci para levar o prato até a cozinha e ele estava dormindo no sofá, estranho porque tinha outro quarto, subi sem fazer nenhum barulho para não acorda-lo.
No outro dia, eu levantei e Josh não estava no quarto. Procurei no corredor, no banheiro e não o encontrei. Desci as escadas e para o meu alivio ele estava deitado por cima do rosto de Dylan, que dormia profundamente no sofá. Fiz um barulho com o pé e ele acordou, levantou e Josh deu um pulo. Ele começou a tossir e balançar a mão no rosto, dizendo:
— Argh! Gato! Pelos! — Ele pegou uma almofada e fez um gesto para jogar.
Então eu gritei:
— Ei?! Nem se atreva a bater nele.
— Ele acha que eu sou o quê? Travesseiro? — disse ele todo grosseiro.
— Você tem um rosto redondinho, acho que ele acha isso mesmo!
Peguei Josh e subi. Ele gritou:
— Não vai tomar café?
— Quando você sair! — Respondi.
Quando ele saiu, tomei café e me tranquei no quartinho, foi assim o dia inteiro.
Ele chegou no finalzinho da tarde depois de te saído bem cedo, e se trancou no quarto, achei aquela atitude estranha, mas fazer o quê?
Ele jantou em silêncio, mal vimos a face um do outro, ele deitou-se no sofá e eu depois de ter lavado os pratos subi para o meu quarto, demorei bastante para dormir, os dias estavam passando rápido e eu não sabia por quanto tempo a mais ficaria aqui. Olhei para o relógio e eram onze da noite, o sono não vinha, Josh dormia profundamente. Fiquei olhando para o teto até pegar no sono.
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