Quasar
25 O médico
Notas iniciais
Acordei com o barulho de batidas na porta, era Olivia. Dylan estava ainda com sua camisa social branca e sua calça social preta, e eu estava com minhas roupas da noite passada, uma calça jeans e uma blusa de manga longa vermelha. Cocei os olhos, e bocejei em sinal de sono.
— Senhor Dylan? O café está servido.
Dylan gritou para que Olivia o escutasse.
— Obrigado, Olivia!
Olhei para ele e perguntei:
— Vamos ficar aqui por quanto tempo?
Dylan parou do meu lado retirando a camisa social.
— Resolvi que deveríamos morar aqui.
— Não acha que estamos expostos demais?
— Confia em mim, aqui é mais confortável para criarmos nosso filho.
Abaixei a cabeça e ele entendeu a minha ação. Ele foi tomar banho, levantei e fui até o guarda-roupa e abri a porta, a primeira coisa que eu vi foi um retrato de Dylan e uma mulher aparentando ter 50 anos, ela estava nas suas costas e ambos sorrindo, atrás desse porta retrato, tinha mais dois com essa mulher. Parei de mexer quando a voz dele soou atrás de mim.
— É minha mãe.
Ele se aproximou de mim e perguntei:
— E seu pai?
Ele abaixou a cabeça e disse:
— Não era ninguém.
Toquei em seu braço e ele disse:
— Não quero mexer no passado.
— E sua mãe? Onde está?
— Morreu há 3 anos de câncer.
— Seus irmãos?
— Nenhum liga ou manda mensagens, a última vez que tive notícias estavam morando em outro país, fui o único que não quis sair da Inglaterra, fiquei com minha mãe até o último sorriso dela, ela segurou minha mão e sorriu, foi a última ação da vida dela. Vamos esquecer isso, é melhor você descer para comer alguma coisa.
Ele ficou chateado, mudou rapidamente sua expressão. Desci e Olivia estava na cozinha, sentei na mesa e ela quis me servi, mas a interrompi.
— Não precisa, eu faço meu café.
— Estão juntos a quanto tempo? Desculpe me intrometer assim.
— Não tem problema, estamos juntos a cinco meses.
— Fico feliz de o senhor Dylan ter fixado suas raízes.
— Fixado raízes?
— Dylan não era de ter relacionamentos fixos com alguém por um longo tempo. Cuido dele desde que tinha 7 anos, vi ele e seus irmãos crescerem e a senhora Miranda batalhar para dar o bom e do melhor para eles.
— Olivia, e o pai dele?
— O pai de Dylan deixou senhora Noer quando Dylan tinha 9 anos, ele sumiu no mundo, nunca quis saber como estavam a saúde dos meninos ou os procurava para passear. Eu cuidava dos três, Dylan é o do meio, Christopher é o mais velho e Edward o mais novo. Chris e Edward não eram muito próximos à mãe, mas Dylan era diferente, sempre estava com ela, levava ela para o médico, comprava remédios, saia com ela, era o mais presente, até na hora da morte. Chris e Edward se formaram e foram embora e Dylan ficou cuidando dela. Me lembro como se fosse hoje o dia que ela chamou por ele, ele passou o dia todo aos pés da cama, eu estava na porta quando ela pegou a mão dele e sorriu, alisou sua face e disse "Te amo meu filho querido", Dylan chorava e quando ela fechou os olhos ele se desesperou, pegou a mão dela e não quis soltar, eu fui até ele e ele me abraçou, tirei ele do quarto e ele começou a socar a parede da cozinha. Depois disso ele chegava com uma diferente toda semana, só queria saber de farra até uns meses atrás, acho que foi por sua causa que ele parou e até sumiu por um tempo.
Fiquei um pouco corada e ao mesmo tempo emotiva com a situação da mãe dele. Poucos minutos depois Dylan desce e diz:
— Estavam falando de mim?
— Por que não me disse que seu pai tinha sumido?
Ele olhou para Olivia.
— Foi eu que perguntei. — disse eu para livrar Olivia.
— Não há necessidade de saber sobre ele, e esse assunto encerra por aqui.
Olhei para Olivia e ela voltou ao seu trabalho. Dylan, levantou-se e disse:
— Temos que ir.
Levantei e me despedir de Olivia.
Indo em direção ao carro eu pergunto:
— Para onde vamos?
— Ao médico, marquei uma hora para você.
— Médico? Por quê?
— Faz 3 meses do seu acidente, temos que saber como ele está.
— Ele está bem Dylan, eu estou bem.
— Não adianta arrumar desculpas eu vou te levar.
— Será que você não pode me consulta antes de fazer as coisas por mim?
— Se eu perguntasse você não iria querer.
Ele deu um sorriso discreto e deu partida no carro. A clínica ficava em Chelmsford uma cidade próxima à Londres. Dylan estacionou em frente a clínica, sai do carro e ele me acompanhou, entramos e ele disse que eu podia ficar sentada enquanto ele ia na recepção, sentei ao lado de uma mulher que estava com uma recém-nascida nos braços, ela olhou para mim e sorriu.
— Quantos meses? — disse ela.
— Ah, oi, 3 meses.
— Você vai ver como é bom pegar eles nos braços, é uma das melhores sensações.
Balancei a cabeça e forcei o sorriso. Dylan deu uma olhada em mim na recepção e a mulher disse:
— Seu marido?
Eu olhei para ela e sorri, ela disse:
— Já entendi.
— Quantos dias tem sua filha?
— Apenas 1 mês. Quer segurar um pouquinho?
Eu fiquei com medo de segurar a criança, e não tinha jeito para pega-la, a mulher disse como eu tinha que pegar e então tentei. A menina estava dormindo, era tão linda, bem branquinha, dos cabelos negros, as bochechinhas rosadas, as mãozinhas bem pequenininhas. Ela segurou meu dedo indicador esquerdo e não quis largar, olhei para a mulher e sorrir.
— Não é bom?
— Ela é tão linda.
Nem percebi que Dylan tinha sentado do meu lado, ele segurou meu ombro e disse:
— Quem é essa gracinha?
— É filha dessa senhora, desculpe nem perguntei seu nome.
— Me chamo Cristina.
Fiquei surpresa, Dylan olhou para mim e disse:
— O que foi?
— Minha mãe se chamava assim.
Devolvi a criança que dormia profundamente. A recepcionista chamou o seu nome e ela seguiu para a sala.
— Foi muito bom conhecer você.
— Igualmente. — disse eu sorrindo.
— Você leva jeito pra segurar crianças. — disse Dylan.
— Só pra segurar mesmo.
Dylan pegou minha mão e disse:
— Você vai ser uma ótima mãe.
— Não sei.
Uma voz soa dizendo: "Quasar Orth, sala 3"
Levantei e Dylan levantou também.
— Você vai entra também?
— Claro.
Seguimos até a sala e uma médica alta, cabelos castanhos, dos olhos pretos nos recebeu.
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