Quasar
1 O carinha do táxi
Notas iniciais
Na vida há várias definições de amor: fraterno, de amigos, religioso, porém nunca acreditei nesse amor entre casais. Passei minha adolescência vendo minhas amigas quebrarem a cara com esses namoradinhos ridículos que diziam que as amavam e, na verdade estavam as traindo. Posso está sendo radical, não é? Você deve estar dizendo “nossa que menina desiludida da vida, isso é porque nunca amou ninguém” Sim, nunca amei ninguém. Nunca namorei ninguém. Sim, outra definição é porque nunca fui muito agradável e social. Como algumas pessoas já me disseram eu tenho o coração muito fechado.
Eu sempre via o relacionamento das pessoas, via o que acontecia por trás das cortinas e nunca quis passar por nada do tipo, mas não pense que só tenho essa definição, eu também via as pessoas felizes por terem alguém pra abraçarem, beijarem e sentirem que amavam. Eu me sentia triste as vezes por não ter tido o privilégio de amar alguém. Até que tudo mudou.
Enfim, me chamo Quasar Orth, sim, Quasar. Pode rir, é engraçado eu também acho. Meus tios disseram que minha mãe era obcecada pelo espaço e tudo o que havia nele. Tantas coisas fascinantes que há por lá e ela me deu o nome justamente de um buraco negro.
Especificamente moro sozinha com um gato chamado Josh, minha família somos eu e ele. Minha mãe faleceu quando eu tinha 6 anos, a partir de então morei com meus tios Margareth e Orlando, em Nova York. Quando completei 24 anos resolvi ir embora para Londres.
Londres – 2014
— Rebeca? Sou eu! Rebeca? Droga de sinal.
Desliga o celular.
— Táxi? Ei?
O táxi parou, corri com uma bolsa e uma mala, entrei no táxi, porém, ele não estava vazio. Havia um homem bonito, aparentava ter 26 ou 27 anos, aqueles caras sabe, que pega todas e fica com ninguém, o pegador que seduz com essa barba e olhos azuis, enfim, que não vale nada. “Que coisa feia, eu nem conheço o cara”
Olhei para o taxista pelo retrovisor e ele falou.
— Para onde está indo? Senhorita?
Respondi.
— Para o hotel mais próximo, por favor.
O bonitão olhou para mim e sorriu, eu virei o rosto e fiquei olhando pela janela. Ele era bem trajado, com uma roupa social e uma maleta daquelas de médico. Ele olhou de novo e falou:
— Nova na Inglaterra?
— Sim
— Conhece a localidade?
— Desculpe senhor bonitão...
Ele sorriu e fixou seus grandes olhos azuis em mim, e continuei a falar:
— ...Porém não o conheço e também não estou afim de ter um diálogo com o senhor.
Ele olhou para baixo, revirou o olhos e olhou de lado para mim e disse:
— Você é bem educada não é? É nova na cidade, um cara estranho muito atraente por sinal vem falar com você e você por autodefesa o rejeita achando que ele é algum tipo de tarado.
Eu olhei para ele e soltei uma risada, voltei a olhar a janela e disse:
— E você tem muita confiança nessa sua beleza! É assim que atrai as meninas indefesas? Com seu charme irresistível? Desculpe, mas isso não funciona comigo.
Ele respondeu:
— Ok.
Olhei para o taxista e disse:
— Aqui está bom senhor, eu me viro por aqui.
Desci do táxi e respirei bem fundo. Liguei para Rebeca de novo, desta vez ela atendeu.
— Rebeca, até que fim, quero saber se vou virar desabrigada em plena Londres.
— Calma Flor delicada, onde você está?
— Eu não sei, peguei um táxi mas acabei parando no meio do caminho. Vou mandar a foto e vem me buscar logo!
Mandei a foto para Rebeca e ela mandou uma mensagem dizendo que 10 minutos chegaria aonde eu estava.
20 minutos depois...
— Isso se chama 10 minutos gata?
— Quas, eu vou te dar um rivotril sabia? Cadê a paciência querida? Diz ai, quem foi o cara?
— Cara? Que cara sua louca?
— Você fica assim quando fala com algum cara, e como sempre você deve ter sido bem educada com ele, não é?
— Não... eu sou educada, Ah! Rebeca vamos embora.
Fomos andando até o carro dela, e ela disse:
— Se continuar assim vai morrer sozinha!
— Pretendo ficar assim.
Ela sorriu e balançou a cabeça negativamente. Minutos depois, chegamos na casa que ela disse ter arrumado pra mim, era bonita, não tão grande mas organizada. Entrei e olhei, ela estava mobiliada. Olhei para Rebeca e disse:
— Dá pra viver!
— Sei que gostou. Como eu disse, está acessível pra você. Vou deixar você se arrumar, e às 19:00 eu venho te buscar para te mostrar a cidade.
— Está bem, “guia turístico”.
— Engraçadinha, até mais tarde!
Rebeca foi embora, eu comecei a olhar os móveis, e andar pela casa, olhar as paredes. Retirei um porta retrato de dentro da minha bolsa, era da minha mãe quando eu tinha 5 anos, ela era linda, eu e ela estávamos com blusas do Star Wars para variar. Fiquei observando aquela foto por um bom tempo e quando vi já eram 18:10, me assustei só tinha menos de 50 minutos para tomar um banho e me trocar.
Depois que me arrumei Rebeca já havia chegado e estava me esperando na sala, ela como sempre tentando arrumar namorados pra mim, trouxe um rapaz de olhos verdes, cabelos pretos, alto, forte, de um sorriso bonito, mas eu tinha uma impressão de que já o conhecia. Rebeca se aproximo e disse:
— Nossa, está bonita!
Eu estava de vestido preto e um casaco, cabelo amarrado estilo rabo de cavalo. O rapaz se inclinou para me cumprimentar e Rebeca o apresentou a mim.
— Eu não sei se você lembra dele, mas ele estudou com a gente!
Ele pegou minha mão esquerda, beijou e disse:
— Lembra de mim? Quasar?
Eu fiquei observando, mas a recordação não vinha na memória, eu não esqueceria aqueles olhos verdes. Porém, havia um menino tímido, não muito atraente na época do meu ensino médio, mas nossa ele teria mudado bastante.
— Sou eu Quasar, Tim.
Eu fiz uma expressão de surpresa, nossa o Tim tinha mudado muito.
Conversávamos muito, nós éramos muito próximos até que a família dele se mudou e não tínhamos mais contato. Eu puxei o braço dele antes que soltasse a minha mão, e dei um forte abraço, ele retribuiu o abraço. Então eu disse:
— Nossa Tim, como você mudou, você cresceu!
Todos começamos a sorrir. Ele olhou para mim dos pés à cabeça e disse:
— E você continua pequena e linda como sempre!
Eu olhei para Rebeca e sentir que fiquei vermelha. Logo após da nossa conversa em grupo, fomos para um restaurante que havia próximo. Rebeca levou o namorado dela e eu e Tim ficamos conversando dos velhos tempos.
Pedimos, comemos, conversamos e fomos para uma balada que havia próximo. Dançamos loucamente, Rebeca estava com o namorado e eu estava dançando com Tim, então resolvi ir ao banheiro e o deixei numa mesa. Eu estava um pouco, apenas um POUCO bêbada, eu estava olhando para baixo e coloquei uma mecha de cabelo atrás da orelha quando esbarrei numa pessoa. A pessoa me segurou e pediu desculpas, quando olhei para cima tive uma surpresa.
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