Quasar

2 A surpresa


Notas iniciais
Mais um, e espero que gostem dessa história e comentem o que acham.

Era o cara do táxi, ele olhou para mim e sorriu, eu olhei com cara feia e disse:

— Nossa, senhor tarado, me achou tão interessante assim pra tá me seguindo? — eu disse (soltando gracinha).

— Se eu fosse um tarado, aproveitaria que você estava bêbada e levaria você à força.

— Eu não estou bêbada... ou estou? Dá pra me soltar? Meu namorado pode ver!

Ele olhou para mim com outra expressão, me soltou na hora e disse:

— Não sabia que você tinha namorado, quem é que gosta de uma pessoa tão rude como você?

— Há! Eu sou rude? Você nem me conhece senhor atraente.

— E nem quero!

— Agora por favor, me dê licença que, preciso ir ao banheiro.

Passei para o banheiro, quando olhei para trás ele estava me observando, eu virei o rosto e entrei no banheiro. Fiquei com as mãos na pia e olhando para o espelho, que estranho, eu fiquei nervosa ao ver ele. Passei uma água no rosto e sai do banheiro. Quando sai, ele não estava mais lá, percebi realmente que eu estava um pouco bêbada e fui em direção ao Tim para dizer que eu já ia embora.

Tim estava sentado olhando o celular, quando cheguei ele sorriu, ele parecia estar se divertindo.

— Oi Tim, eu queria dizer que já vou embora, eu tenho que acordar bem cedo, amanhã vou procurar um emprego, e eu estou um pouco bêbada.

Sorri, peguei meu casaco e minha bolsa, ele segurou minha mão e disse:

— Eu te levo até um táxi.

Eu fiquei sem graça para recusar, olhei para Rebeca e acenei para ela dizendo que eu já estava indo embora, ela acenou de volta e eu fui em direção à saída. Tim chamou um táxi, e ele colocou o casaco em mim, sorri e o táxi chegou, acenei para ele, e ele me deu um beijo na bochecha, sorri e entrei no carro; a noite foi boa, Tim é muito gentil, porém, por incrível que pareça eu não parei de pensar no cara do táxi, foi uma surpresa, uma surpresa que me fez arrepiar quando olhei para ele. E sim, eu tenho esse instinto para ser grossa com as pessoas quando fico nervosa. E sim, Rebeca estava certa, eu estava nervosa por causa de um cara, mas nunca imaginei que seria por um cara que nem sei o nome.

Fui para casa, quando desci do táxi, do outro lado da rua tinha uma caixa, me aproximei e a rua estava deserta. Quando abri a caixa havia um gatinho, era um filhote, ainda; ele era tão pequenino, preto e branco, dos olhos bem azuis, nem pensei duas vezes, peguei a caixa e levei para casa; dei um banho nele e o sequei com o secador de cabelo, peguei o leite que havia na geladeira, e ele tomou tudo. Na caixa, coloquei uns panos e o coloquei lá, e ele dormiu. Tomei um banho, e fui dormir, mas continuei a ver o rosto do cara do táxi. Acordei com uma mera dor de cabeça, o que já era de se esperar para quem estava apenas um pouco bêbada. Quando olhei para o lado, o gatinho estava lá, comecei a alisá-lo e o chamei de Josh. Fui olhar meu celular, e tinha mais de 10 mensagens da minha tia Margareth perguntando se eu já tinha chegado, e pedindo para que eu ligasse pra ela, logo, retornei a ligação:

— Oi tia, vi agora as suas mensagens. Cheguei e estou bem.

— Isso é horas de me ligar Quasar? você já está bem grandinha para saber que deve me avisar que chegou bem de uma viagem dessas.

— Eu estou bem tia, cheguei bem, como está tio Orlando?

— Ele está bem, já saiu para trabalhar.

— Está bem tia, agora vou me arrumar para tentar arrumar um emprego, depois eu ligo. Beijo!

Desliguei o celular, desci para tomar um café mas, acabei só tomando um suco de laranja e comendo um pedaço de torrada. Sai em busca da sobrevivência, fui em várias editoras, pois eu tinha feito faculdade de jornalismo. Entrei numa editora chamada “Editora Clarck”, era um prédio repletos de vidros. Por dentro, havia quadros na recepção, de pintores famosos como: Botticelli, Rembrandt, Da Vinci. Ao meio, havia uma bancada toda branca, com um desenho de uma onda feita de vidro azul claro, e no meio da onda havia o nome da editora. Cheguei perto e perguntei a recepcionista com quem eu podia falar para poder entregar meu currículo e tentar uma vaga na editora. A moça, disse que eu deveria marcar um horário, e que pra minha sorte poderia marcar para às 14:00 da tarde. Como já era 13:30, fiquei na sala de espera lendo uma revista.

Minutos depois, ela diz que eu podia entrar na sala que ficava no terceiro andar, como eu tenho outra paranoia com elevador, fui pelas escadas mesmo. Quando entrei, senti aquele arrepio de novo, fechei a porta e já sabia o que, ou melhor, quem estava atrás de mim, dei um suspiro forte e me virei. Era Tim, eu estranhei porque eu sentir o arrepio, meu subconsciente deveria estar me dizendo que era por ter expectativa de ver o bonitão do táxi novamente mas, enfim, era o Tim e ele abriu um largo sorriso quando me viu passar pela porta. Ele levantou e veio até mim, beijou a minha mão e me convidou para sentar, fiquei surpresa pelo fato de não saber que Tim era dono de uma editora.

Ele falou:

— Então você se formou em jornalismo?! Você não me contou ontem à noite.

Dei um breve sorriso e respondi:

— Acho que a bebida me impediu de falar coisas produtivas ontem.

Sorrimos e ele pediu para ver meu currículo, o bom que eu já tinha trabalhado por 2 anos numa editora em Nova York, então já tinha algum tipo de experiência. Ele olhou e disse que eu podia trabalhar na área de colunas para o jornal. Eu achei bom, pelo menos era um emprego. Como hoje era sexta ele disse que eu podia começar na segunda. Fiquei feliz, me levantei para sair da sala, mas antes Tim segurou meu braço, ficou meio sem graça e disse:

— Quas, antes de você ir, queria perguntar se você queria jantar comigo hoje?

Tim fala de um jeito que não dá para recusar, eu fico sem jeito de dizer não, respondi:

— Está bem, eu vou!

E sorri, ele ficou eufórico e respondeu:

— Vou te buscar às 20:00 então, está bem?

— Está sim, então, eu já vou, até mais!

Fui embora e Rebeca liga pra mim:

— Por que você não me disse que o Tim era dono de uma editora? – eu disse.

— Pensava que ele tinha dito a você ontem à noite, vocês estavam conversando bastante.

— Estou indo pra casa, me encontra lá que a gente conversa.

Desliguei o celular e fui pra casa.