Quasar
3 Um jantar à luz de velas.
Notas iniciais
Depois que cheguei em casa, 5 minutos depois Rebeca chega.
— Então, vai me dizer o que está acontecendo?
— Tim me chamou pra jantar.
— E você aceitou não é?
— Você sabe que quando Tim faz aquela cara dele não tem como recusar. Mas eu fiquei surpresa, eu não sabia que Tim era dono de uma editora.
— Como eu disse, eu não contei porque eu pensei que ele tinha contado, mas, enfim, eu te conheço Quasar, tem mais coisa envolvida, você não está tão eufórica com o jantar.
— Ontem, eu peguei um táxi antes de ligar pra você, nesse taxi tinha um cara, sabe, bonito, e ele puxou assunto comigo, mas você sabe que eu fico nervosa e comecei a cortar ele. Eu fiquei pensando nesse cara, sabe? E quando a gente estava ontem na balada, eu fui no banheiro e eu estava “bêbada”.
— Ah sei, só um pouco não é?
Rebeca começou a sorrir e eu também.
— Então, eu esbarrei com esse cara do táxi, e ele sorriu pra mim. Eu senti um arrepio quando ele me tocou. Então fiquei nervosa de novo e disse que Tim era meu namorado, ele fechou logo a expressão do rosto e me soltou.
— Está na cara que ele não gostou, você pegou o número dele pelo menos?
— REBECA! Claro que não! Primeiro, que eu não quis nem papo com ele, segundo que eu nem conheço ele!
— Você se protege demais Quasar, você não deve ser assim, poxa, nem todos os homens são iguais, tem sim aqueles cafajestes, que não valem nada, mas poxa, você tem 24 anos, se brincar você ainda é BV criatura. Olha, esquece esse carinha do táxi, você já espantou ele não tem mais o que fazer. Agora, por favor, não espanta o Tim também, dá uma chance pra ele e pra você. Se você ficar nervosa, segura essa tua língua e abaixa tua guarda. Está certo?
— Está bem.
Rebeca disse que precisava ir embora pois, iria encontrar-se com Pit, seu namorado, e que depois falava comigo pra saber como foi o jantar.
Sentei no meu sofá e Josh no meu colo, fiquei pensando: “será mesmo que eu devo dar uma chance à Tim?” ele é meu amigo de muito tempo, mas eu não queria estragar essa nossa amizade. Eu tenho esse jeito impulsivo de “espantar” as pessoas, e tenho medo que isso aconteça entre a gente. Levantei e fui em direção à uma caixa, que havia em cima da prateleira acima da lareira, nela havia um colar que minha mãe tinha me dado, com o meu nome. Ele era prateado, com o símbolo de um buraco negro no centro do Q. Olhei para o colar e pensei alto.
— Como eu queria que a senhora tivesse aqui mãe!
Às 20:00 Tim chega, eu estava terminando de me arrumar. Desci e abri a porta, ele estava muito bonito, com um moletom vinho, com uma blusa de manga branca por debaixo e uma calça social. Ele fixou aqueles olhos verdes em mim e sorriu. Eu ainda estava arrumando o cabelo e pedi para que ele entrasse, ele sentou no sofá, enquanto eu terminava de me arrumar. A última coisa que coloquei foi o colar que minha mãe me deu, não sei porque, mas eu sentia que faltava ele. Fui em direção à Tim:
— Vamos?
— Você está linda!
Sorri e respondi:
— Você também está.
Tim abriu a porta, se inclinou perto do meu ouvido e disse:
— Você vai gostar para onde eu vou te levar.
Eu fiquei tentando imaginar para onde ele poderia me levar, mas como eu não conhecia a região, eu realmente não fazia ideia. Entramos no carro dele e fomos conversando, e rindo. Depois de um tempo, fomos nos afastando do centro urbano e chegando à uma casa de lago. A casa era linda, simples, com um caminho de pedras e luzes no chão, era de primeiro andar, bem natural, com um jardim bem colorido. Eu sai do carro encantada com o que estava vendo, o céu estava iluminado com as estrelas e a lua mais exuberante ainda, tudo aquilo me fazia lembrar da minha mãe. Tim saiu do carro, pegou na minha mão e me levou até o terraço do primeiro andar da casa, onde lá tinha panos brancos no chão com alguns travesseiros coloridos, dois pratos, duas taças e velas, havia também uma cesta e um balde de gelo com vinho. Eu estava mais encantada ainda, nunca tive um encontro assim à luz de velas e abaixo de um céu estrelado. Sentamos no chão e ele retirou da cesta o que eu mais amava hambúrguer, sério hambúrguer, eu olhei pra ele e dei uma gargalhada:
— Eu não acredito Tim!
E dei um empurrãozinho nele, ele sorriu e ficou com uma expressão feliz.
— Eu sabia que você ia gostar.
Comemos e depois que terminamos ele retirou da cesta outra coisa que eu gostava, espaguete. Aquele encontro não tinha nada de elegante, e eu estava me divertindo muito. Ele colocou vinho na minha taça e na dele. Nossa! Como aquilo estava bom. Comi um pouco e fiz um comentário:
— Comprasse aonde esse espaguete? — disse eu com a boca cheia.
Sorrir um pouco e continuei:
— É porque está muito bom.
— Gostou mesmo? Eu que fiz.
Eu olhei para ele surpresa, e disse:
— Sério?! Está ai outra coisa que eu não sabia de você, que você era cozinheiro. E olhe! De mão cheia.
Ele sorriu sem graça, ficou rosa. E agradeceu:
—Obrigado!
Ele colocou os utensílios dentro da cesta e à colocou de lado. Sentados no chão, eu e ele começamos a conversar, ele levantou, e ao lado da entrada para o terraço havia um som, ele colocou uma música lenta, estendeu a mão e me convidou para dançar, eu levantei muito sem graça e disse:
— Eu não sei dançar... — disse eu envergonhada.
— Não tem problema, eu te ensino. — disse ele estendendo a mão.
Ele colocou a mão em volta da minha cintura, pegou minha mão direita e ficou olhando fixamente para os meus olhos, eu coloquei minha mão esquerda em seu braço e encostei a cabeça em seu peito e fechei os olhos. Ficamos dançando lentamente, senti que ele encostou também sua cabeça na minha. Não sei porque, mas me senti segura, me senti outra pessoa.
Senti que ele desencostou levemente sua cabeça da minha, chegou perto do meu ouvido e disse:
— Está gostando?
Levantei e o olhei, balancei a cabeça positivamente dizendo que sim, que eu estava gostando. Ele olhou para os meus lábios, colocou as mãos no meu rosto e me beijou, eu demorei, eu estava gostando, estava sentindo o famoso friozinho na barriga, mas eu fiquei nervosa e forcei a parada do beijo, segurei suas mãos e olhei pra baixo.
— Não Tim, eu não consigo...
Ele me interrompeu calmamente e disse:
— Por que? Eu gosto de você Quasar, desde quando estudávamos juntos. Eu gosto do seu sorriso, do seu jeito nervoso, das suas ironias.
— Eu não consigo Tim, eu vou estragar tudo.
Sai do terraço, desci as escadas e ele veio atrás de mim.
— Quasar, espera! Não vai assim.
Fui em direção ao carro e pedi para que ele me levasse para casa, ele ficou com uma expressão triste, mas entendeu e me levou. No carro, eu fiquei encostada na janela, olhando o caminho de volta. Desci do carro e fui em direção à porta da minha casa, ele me parou e disse:
— Me desculpa, eu não queria forçar nada.
— Você não forçou nada, eu é que devo desculpas. Eu só não estou habituada a isso, eu não quero estragar nossa amizade.
— Não pense dessa forma, você não estragou e nem vai estragar nada.
Balancei a cabeça e entrei, antes de fechar a porta ele acenou e disse boa noite. Eu entrei, fechei a porta e me encostei nela, sentei no chão e Josh sentou no meu colo, comecei a alisar ele e disse:
— É Josh, estraguei a noite.
Ele olhou pra mim e miou.
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