Quasar
15 Fugitivos
Notas iniciais
— Dylan, me diz o que está acontecendo!
— Entra no carro agora Quasar!
Entrei sem nenhuma cerimônia. Ele ligou e acelerou, colocou o braço esquerdo no banco do passageiro, olhou para trás e deu uma ré violenta. Eu já estava assustada e com esse mistério que ele estava fazendo, estava piorando os meus pensamentos. Depois de alguns minutos ele fez a seguinte pergunta, que me deixou intrigada:
— Você viu alguém?
Eu paralisei, e percebi que a minha paranoia não era uma simples paranoia, alguém esteve por lá e não era coisa da minha cabeça. Dylan olhou para mim e disse:
— Quasar responde. Você viu alguém.
Como fiquei em silêncio pensando, ele tirou a conclusão:
— Droga! — disse ele batendo no volante e acelerando.
— Ninguém me viu... — eu disse lentamente com os olho fixos na pista.
— Você está falando sério, não é?
— Eu pensava que era algum tipo de paranoia. Eu estava tomando banho e escutei alguém vasculhando a casa, ouvi passos e quando tranquei a porta do banheiro, alguém a forçou e logo depois eu escutei sua voz.
Dylan, parou o carro e colocou a mão na cabeça, eu coloquei minha mão direita nas suas costas e disse:
— O que está acontecendo? Me diz por favor.
Ele olhou para mim, muito preocupado e disse:
— Você tem certeza que ninguém te viu?
— Tenho, eu estava trancada no banheiro.
Dylan seguiu, desta vez com mais calma. Ele disse algo baixinho:
— Eu não me perdoaria se algo de ruim acontecesse com você.
Eu fiquei pensando nessa frase, ele me protege, sabe quem são, e pra ele saber de tudo isso ele deve estar envolvido, mas aquela coisa não quer acreditar nisso, a mesma coisa da paranoia, eu não estava querendo acreditar que alguém esteve lá e esteve. Eu estava com a cabeça encostada na janela do carro, roendo a unha da mão esquerda e a outra mão estava segurando Josh, eu observava o reflexo de Dylan, concentrado na direção, eu estava observando seu aspecto, suas mãos, seus olhos, os seus cabelos, o jeito como ele franzia sua testa com preocupação. Esse homem que conheci num táxi e que me fez abrir os olhos para o amor, é o mesmo homem que me esconde um segredo sobre mim, e que coloca em jogo tudo o que eu sinto por ele. Sinto que, é errado eu tentar mascarar algo que está tão obvio, mas o que eu sinto por ele me obriga a não acreditar nessa hipótese.
Chegamos numa hospedagem depois de uma hora e meia de viagem. Eu já não conhecia mais aquelas estradas, e nunca tinha visto ou ouvido falar naquela hospedagem. Tinha o nome escrita numa placa na grama “Cloe’s Appart”, eram 6 quartos, embaixo tinha a recepção e três quartos, logo no primeiro andar tinha mais três quartos. Peguei minha bolsa e segui Dylan até o nosso número 4, era pequeno, uma cama de casal, uma TV de 24 polegadas na parede em frente a cama, ao lado tinha um criado-mudo com um abajur azul, as paredes eram pintadas de um verde claro, o chão era de madeira laminada escura, tinha do lado direito da cama uma porta de dava para o banheiro, sentei na cama e perguntei:
— Vamos ficar aqui por quanto tempo?
Ele estava mexendo no celular, olhou para mim rapidamente e disse:
— Ainda não sei...
Ele estava estranho e não tinha costume de falar comigo mexendo no celular.
— Quem foi que entrou lá quando você não estava?
Ele parou com o celular nas mãos e olhou para mim.
— Quem foi Dylan? — perguntei novamente. — Eu sei que você sabe.
— Quasar, eu...
— Sem mais eu Dylan, já chega de esconder as coisas de mim, não acha que eu já estou perdida o bastante? — interrompi.
— Quasar, você não entende...
— Não vou entender se você continuar sem me dizer o que está acontecendo.
Ele olhou para os lados, revirou os olhos, colocou a mão na boca, fez um gesto de que iria falar mas hesitou. Entrei no banheiro e fechei a porta com força. Fiquei sentada no vaso sanitário com a cabeça baixa, olhando para as paredes de cerâmica brancas, e dizendo para mim mesma “Isso já chegou longe demais” minha cabeça doía e aquilo não saia da minha cabeça. Levantei e abri a porta, Dylan estava de costas sentado na cama, passei para sair do quarto e ele levantou dizendo:
— Para onde você vai?
— E isso importa? Vou sair. — eu disse sem olha-lo, com a mão na maçaneta da porta.
— Você não pode sair.
— Por quê? Vão me matar? Vão me sequestrar? Deixa, pelo menos isso acaba logo.
Ele andou rápido e segurou meu braço.
— Me solta Dylan.
— Você não vai!
— Quem é você pra me dizer o que eu posso ou não fazer?
— O homem que quer te proteger.
Ele me puxou e me fez sentar na cama, ficou em pé na minha frente, inclinou-se e pegou no meu rosto com as duas mãos. Ainda tentei sair, mas ele não deixou.
— Entende Quasar, eu só quero você, quero você bem, quero você inteira, nem que eu te prenda de corrente, eu não quero te ver sendo machucada, entende o meu lado.
Lágrimas começam a cair dos seus olhos, nunca vi Dylan chorando, ele então me deu um beijo, um beijo forte pressionando suas mãos com mais força no meu rosto. Ele parou e disse:
— Eu não vou deixar nada acontecer com você. — disse ele encostando sua testa na minha com os olhos fechados.
Ele sentou e disse:
— Vamos ficar aqui até amanhã.
— vamos pra onde depois?
— Estou resolvendo ainda. Está com fome?
Balancei a cabeça positivamente, ele disse:
— Fique aqui, por favor!
Ele levantou-se e seguiu para a porta e saiu.
Deitei na cama, Josh deitou-se comigo, ficamos deitados até pegarmos no sono.
Dylan voltou era seis da noite, com comida pronta.
— Você demorou.
— As coisas não são tão perto por aqui.
Estávamos sentados numa mesa redonda não tão grande, que tinha duas cadeiras, nosso jantar era frango, arroz, batatas fritas, e purê de batatas. De repente eu tive uma surpresa, Dylan pegou um pedaço de frango do seu prato e deu a Josh. Olhei para ele e sorrir, dizendo:
— Está aprendendo a gostar de gatos? — disse eu olhando para o prato e cortando um pedaço do frango.
Ele olhou brevemente para mim e disse:
— Eles não são tão ruins assim. — disse soltando um sorriso discreto.
— Vamos voltar pra Londres.
Eu engoli seco a comida e olhei para ele.
— Londres? Minha casa está destruída.
— Não é para sua casa. Vamos voltar a nossa rotina normal.
Eu olhei sem entender para ele.
— Mas como? Vou voltar e fingir que nada aconteceu?
— Sim.
— Dylan, não tem como fingir que nada aconteceu. E as pessoas que estão me procurando?
— Não se preocupe, elas não sabem quem é você.
— Como você pode ter tanta certeza disso?
— Eu tenho. — disse ele olhando para mim, sério.
— Está bem, confio em você.
Terminamos de comer, ele arrumou a mesa e eu segui para a cama. Eram seis e cinquenta da noite, ainda estava claro, só escurecia de costume às nove horas. Ele foi para o banheiro tomar banho e eu liguei a TV para ver o que estava passando. Então batem na porta, paro e olho, abaixo o volume da TV e batem novamente. Levanto devagar e bato duas vezes na porta do banheiro, o barulho do chuveiro para e a voz de Dylan ecoa pelo banheiro.
— O que houve?
— Tem alguém batendo na porta.
Esperei alguns segundos e Dylan abre a porta, com a toalha enrolada em sua cintura, com seus músculos definidos à mostra. Ele olha para mim e olha para a porta ainda ajeitando a toalha. Ele seguiu para a porta e disse:
— Entre no banheiro e feche a porta. — disse ele falando baixinho.
Obedeci e entrei. Depois de um minutos mais ou menos, Dylan bate na porta e diz:
— Pode sair.
— Quem foi? — disse eu abrindo a porta.
— Serviço de quarto.
Olhei para ele desconfiada, ele então disse:
— Agora deixa eu terminar de tomar banho, você não vai querer um homem sujo do seu lado. — disse ele entrando no banheiro e sorrindo.
Sorri juntamente com ele, e ele fecho a porta.
Dylan saiu, vestido com um moletom cinza e uma calça preta folgada, ainda enxugando seus cabelos negros molhados, aqueles olhos azuis fixaram em mim e ele soltou um sorriso. Eu estava sentada na cama, ele inclinou-se e me deu um beijo na testa, e outro na bochecha, eu estava séria, então ele me deu um selinho, e depois outro beijo, agora nas duas bochechas e começou a me cheirar. Soltei um sorriso, dizendo:
— Sai Dylan!
— Agora sim, o seu sorriso apareceu.
— É ele está escondido ultimamente.
Dylan deitou e deitei junto com ele. Um de frente para o outro, ele começou a alisar meus cabelos. Então, perguntei:
— Quando isso vai acabar?
Ele mudou logo sua expressão e disse:
— Logo, eu espero.
Ele virou-se e ficou reto, olhando para o teto, continuei de lado olhando para seu rosto, seu nariz afilado, e seu maxilar definido, Dylan se preocupava comigo, dava para ver em como ele me protegia, mas nada disso tirava o fato dele poder estar envolvido com essa gente. Eu estava quase pegando no sono quando, eu falei baixinho:
— Eu... Te... — e estava cerrando os olhos devagar.
Deu para ver quando ele virou-se para mim e sorriu, inclinou-se no meu ouvido e disse:
— Eu também.
No outro dia, Dylan me acordou bem cedo, dizendo que teríamos que viajar de novo. Nem tomamos café, ele comprou algumas coisas e levou conosco. Foram mais ou menos uma hora e meia de viagem. Estávamos voltando para casa, eu já estava conhecendo o centro, as estradas, as casas enfileiradas, mas não era a minha rua.
Descemos em frente à uma casa, então perguntei:
— Vamos ficar aqui?
— Sim, mas você vai voltar a rotina, trabalhar.
— Eu já falei que não dá.
— Dá sim. Agora eu preciso ir, depois a gente se fala.
Olhei para a casa, respirei fundo, olhei para os lados e entrei.
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