Notas iniciais
Mais um capítulo, espero que gostem e deixem seus comentários.

Eu via em seus olhos que ele queria muito mais do que apenas um toque em sua mão. Às vezes eu parava e me perguntava se tinha feito a escolha certa, se Dylan foi essa escolha ou se errei feio no caminho que tinha seguido.

Tim permanecia olhando para mim como se tivesse perdido a melhor coisa de sua vida. Seus olhos, os seus olhos clamavam pelo meu amor, os seus olhos gritavam e eu não queria escutar; eu não queria sentir a culpa de magoar sua alma, eu não queria.

Mas será que se eu tivesse escolhido Tim tudo isso não estaria acontecendo? NÃO! Meu subconsciente gritava, NÃO! Poderia ter tomado rumos e cenas diferentes, poderia ter sido menos doloroso, mas estaria acontecendo do mesmo jeito. Pode ser que eu não estaria grávida aos 24 anos e estaria ainda aproveitando minha vida. Pode ser que eu olharia para Dylan e não sentiria nada. Hipóteses, apenas hipóteses. O amor não segue a linha de realidade e racionalidade, segue as escolhas que o coração manda. Se pudéssemos escolher quem amaríamos seria melhor? E se não sofrêssemos seria amor? O que é amor sem sofrimento? Nada! Apenas um simples nada, que não duraria após a primeira discussão. O amor é ter momento de "É agora ou nunca" é batalha por quem você quer, é errar e reconhecer o erro, é tentar e ver se dá certo, é olhar para a pessoa que você e dizer como eu tenho sorte de ter você, mesmo que a pessoa tenha mil e um defeitos, é dizer eu te amo sem medo de ter errado na escolha.

Tim levanta e senta na cama, segura minha barriga e permanece olhando para mim.

— Eu não te obriguei a ficar comigo desde os tempos da escola, eu não te obriguei a ficar comigo quando eu te reencontrei, eu não fiquei com rancor quando descobrir que você estava com Dylan e que está grávida dele, porque eu amo e quem ama apoia mesmo quando o seu amor é de outra pessoa. Você poderia estar com qualquer homem e eu faria a mesma coisa, porque eu te amo Orth. Eu amo essa criança, eu amo. A cada dia que passa eu não consigo Orth...

Tim levantou bruscamente e começou a falar mais alto e gesticular mais brutamente, dando pequenos giros no quarto.

— Eu amo você Quasar Orth. Eu era um menino tímido que ninguém, Quasar, ninguém queria por perto. Eu chegava em casa depois da escola e dizia para mim mesmo que ninguém me queria, ou que queria minha amizade, e foi quando numa segunda-feira do meio do ano eu vi entrar pela porta da escola, aquela menina de cabelos vermelhos e de olhos que nem o oceano podia contemplar tanta beleza numa pessoa só. Eu falei para mim mesmo "Eu nunca vou ter essa garota" e no outro dia você sentou perto de mim na aula de ciência e desde então, virou a única mulher que podia ter em meus braços. Mas o destino prega peças e a que ele pregou foi a pior de todas, você ama outro! Mas o que eu posso fazer? — Tim começou a chorar — Se eu amo você! Todo dia eu sinto uma faca cortar meu coração e ele regenera e no outro dia é cortado de novo, de novo e essa dor não passa, essa dor não passa.

Minhas lágrimas começaram a cair.

— Tim...

Ele sentou na cama rapidamente e segurou com suas mãos na minha cabeça, chorando.

— Eu te amo, eu te amo, eu te amo

Ele encostou sua testa na minha e abaixou a cabeça, chorando muito. Peguei nas suas mãos e encostei sua cabeça em meu peito. Deitei na cama e com sua cabeça ainda encostada sobre meu seio comecei a alisar seus cabelos, soluçando ele pegou no sono.

De madrugada, não sei a hora, sento na cadeira e olho aquele garoto dormindo. Não consigo deixa-lo neste estado, tudo o que ele disse para mim, tudo o que ele despejou, tudo o que ele não conseguia mais guardar está me corroendo. Todas as suas palavras estão entrando dentro do meu coração e o quebrando devagar. Começo a chorar em silêncio, ele respira com dificuldade, ele me ama, sim, ele me ama. Mas eu não sei se o amo da mesma forma e intensidade, seria o maior crime da minha vida iludir Tim. Por quê? Por que eu não pude ter escolhido amar ele? Por que tem que ser assim, tão difícil? Por que a vida não tem um botão "Reiniciar" para começar tudo de novo? Dylan pode ter me magoado muito, mas eu ainda o amo. Será que se eu pudesse começar tudo de novo, eu seria capaz de evita-lo? Não, porque se não o conhecesse no táxi, conheceria em outro lugar e passaria tudo de novo.

Ao amanhecer, Tim acorda e eu permaneço sentada na cadeira.

— Não dormiu? Você está com o rosto inchado!

Dei um breve sorriso.

— Me perdoe.

— O que você fez de errado?

— Ontem, eu...

— Tim, eu entendo o que você está passando, e eu me magoo muito mesmo em não poder retribuir o que você sente por mim.

— Não se sinta assim, não mandamos no coração e eu aprendi todos esses anos a conviver com minha dor. Já tentei ter outros relacionamentos e confesso que não conseguia sentir por elas o que eu sinto por você. Não pensei que fico com raiva ou rancor por você amar Dylan, mas que fico triste pelo fato dele te magoar. Tudo o que está acontecendo eu não posso e nem tenho o direito de impedir, você ama ele e a vida é assim.

Ele passou a mão nos meus cabelos e disse:

— Eu te amo e sempre estarei com você, queira ele ou não. Nunca vou avança o sinal, nunca irei te desrespeitar, nunca irei fazer nada sem a sua permissão. Se quiser ficar aqui, pode ficar o tempo que você quiser, a casa é sua.

Dei um abraço forte nele e sussurrei em seu ouvido.

— Eu te amo Tim.

Ele retribuiu o abraço mais forte ainda.

Levantei e disse:

— Eu tenho que ir, preciso resolver este problema com Dylan, preciso conversar com ele.

— Está bem. Quer que eu leve você?

— Não se preocupe, descanse mais um pouco.

— Está bem, deixa eu te levar até a porta.

Meu celular vibra, mas não é Dylan, o que é muito estranho, é Erik dizendo se ele pode ir pegar o que prometi a ele. Prometi a Erick uma máscara capilar e esqueci de levar para ele.

" Gatinha, meu creme para o cabelo, que faz anos que você prometeu

Estou indo para casa, me encontra lá!

Okay? "

Peguei um táxi e fui para casa, chegando lá Erick estava me esperando na esquina.

— Coração, como você está?

— Estou bem e você coração?

— Estou querendo ficar com esses cabelos maravilhosos, se você me dá o creme, não é?

Sorri e procurei a chave da porta na bolsa, entrei e parecia que não havia ninguém, eram oito horas e Olivia não estava lá.

— Que estranho, não tem ninguém?

— Nossa, deu até arrepio.

— Sai de trás de mim! Estou grávida esqueceu? Se alguma coisa der um susto eu te jogo na frente.

— Olha, por favor só não tem essa criança na minha frente, porque seria um trauma eterno na minha vida.

— Acho que não tem ninguém. Vem! Seu creme está lá no quarto.

— Nossa que casa em! Eu teria que trabalhar por sessenta anos para comprar uma casa dessas.

Subimos as escadas e dobramos no corredor, a porta do quarto de Dylan estava entreaberta, olhando para Erick abri a porta e virei para entrar no quarto e tive uma péssima surpresa.

— Minha santa do arco-íris! Amiga fecha os olhos.

Entrei devagar.

— Amiga, amiga, amiga, não faz barraco, você está grávida, esqueceu?

Erick ficou com a mão na boca, encostado na porta do lado de fora do quarto. Entrei, parei de frente para cama, onde estava Dylan e aquela loira que Katherine descreveu. Ele levantou com as mãos balançando negativamente e ela estava na cama sorrindo.

— Não é o que você está pensando.

— Frase de todo filme, que nunca é o que parece. Eu posso ser um pouco desligada, mas sei muito bem o que eu estou vendo. Eu realmente sou uma tola em achar que você realmente me ama.

— Você não me disse que estava com alguém. — Disse a loira debochando e sorrindo.

— Quasar, não é isso o que você está pensando, me escuta.

— Quasar? — Disse a loira. — Você está escondendo ela, Dylan? Peter vai adorar em saber disso.

Ele avançou em cima dela e disse:

— Você não ousa em contar.

— Posso saber o que está acontecendo? E dá para você se vestir? Não sei se você viu, mas Erick está aqui.

— Oi? Eu? Não! Pode continuar assim, não estou nem um pouco incomodado.

— ERICK! Me espera lá embaixo.

— Ela está grávida de você? Regrediu em Dylan! Bons tempos quando a gente se divertia e você era mais esperto.

Dylan a pegou pelo braço e disse:

— Sai daqui sua vadia.

Ela saiu pegando suas coisas, dizendo:

— Boa sorte gatinho!

Ela saiu e permaneci calada, ele tentou se aproximar de mim e recuei.

— Quasar!

— Não venha com "Quasar", estou cansada do que você anda fazendo comigo. E também não venha dizer que o que eu vi não é verdade.

— Quasar eu não transei com ela.

— Não?! Serio? E você pelado numa cama com uma loira gostosona foi o quê? Ela é artista plástica e estava te esculpindo? Ou vocês estavam numa festa do pijama e você ficou olhando para cara dela feito um retardado? Acho que não, não é mesmo? Sabe de uma coisa? Que se dane, vou voltar para minha casa, se quiserem me pegar me peguem, e se não quiserem melhor ainda, mas estou cansada das suas burradas Dylan, para mim acaba aqui.

Peguei minhas coisas mais fáceis e desci as escadas. Ele colocou um roupão e desceu atrás de mim.

— Vamos Erick.

— Quasar!

— Rápido Erick. — Disse puxando Erick que estava mexendo num arranjo de flores.

— Calma amor, essa rosinha é tão fofinha.

Sai, fechei a porta no rosto de Dylan e peguei um táxi com Erick.

— Fiquei chocada.

— Sem comentários, por favor Erick! Sem comentários. — Disse olhando para a janela e algumas lágrimas caíram no meu rosto.