Quasar
19 24 anos em 4 Segundos
Notas iniciais
Eu estava com frio, andando por aquela estrada deserta de volta para casa. A chuva e o vento me faziam tremer, minhas pernas estavam bambas e as lágrimas se misturavam com a chuva. O gosto salgado das lágrimas chegavam na minha boca e aquele era o verdadeiro gosto da decepção. As luzes dos postes uma hora branco outrora azul ofuscavam minha visão, já embaçada por conta da água.
Eu fui culpada por esse sentimento, eu não quis acreditar no óbvio. A chama do amor se fez mais forte e como consequência o sofrimento também. A decepção faz você ter dúvida da sua capacidade, e o amor é o culpado disso. Amar o duvidoso gera o sofrimento, e era isso o que estava acontecendo, eu estava sofrendo. Eu chorava, meu coração estava quebrado, e aquela voz vinha na minha mente “Chore menina, coloque tudo para fora”. Eu soluçava, andava com os braços cruzados e o olhar no chão, a chuva se intensificava, mas eu não estava nem ai, afinal o que era aquela chuva em comparação ao que eu estava sentindo. Eu estava andando pelo encostamento, quase sem rumo. A imagem da mensagem vinha em minha mente para me atormentar, e eu balançava a cabeça em negação, aquilo estava penetrando como um parasita na minha cabeça, a imagem da minha mãe, a história que ela contou, o que eu estava envolvida, o amigo dela morto, a loucura e ambição do meu pai, e tudo isso só acabaria se ele me encontrasse.
Andando por aquela estrada, um feixe de luz se forma por trás de mim, me recusei a olhar para trás, já sabia quem era. Aquele carro de luxo girou na pista e parou na minha frente. Ainda com os braços cruzados desviei o andar e segui, aquele homem robusto, lindo com àqueles olhos azuis agora perturbados, vinha na minha direção. Os faróis do carro incomodava meus olhos, fazendo com que eu os cerrasse devagar. Seus cabelos escorridos por conta da chuva, com seu corpo todo molhado, fazia mostrar seu peitoral através da blusa encharcada. Fechei os olhos e desviei, ele agarrou meu braço esquerdo e me puxou.
— Me solta. — gritei.
— Você vai vir comigo. — disse ele me puxando para perto dele.
— Mas eu não quero, eu estava muito bem sozinha.
— Você tem que me escutar.
— Escuta mais o quê? Eu não quero mais te escuta Dylan, eu não quero mais te ver. — eu disse chorando. — Me deixa em paz, me deixa sozinha, por favor!
Comecei a soluçar e chorar, ele estava perturbado com aquela situação. Ele pegou meu outro braço, me sacodiu.
— Eu te amo, Quasar! Acredita em mim, eu iria te proteger até a última chance que eu tivesse.
— Me larga Dylan, eu não acredito mais em você.
— Eu me apaixonei por você, eu estou me arriscando por você. Porque eu te amo.
— Então me entrega logo, faz com que isso acabe de vez, para de se arriscar.
— Eu não vou te entregar. Eu quero que isso acabe, mas não dessa forma.
O celular dele começou a tocar, olhei e arqueei uma sobrancelha.
— Não vai atender? Deve ser seu chefe procurando saber se você não me encontrou.
Ele pegou o celular e estava escrito:
Katharine Chamando...
— Pode atender a sua querida.
Confesso que o ciúme por ter visto aquele nome falou mais alto. Ele pegou o celular e jogou, o aparelho foi parar numa poça d’agua que tinha se formado na estrada. Ele pegou meus braços novamente.
— Por quanto tempo mais você iria esconder isso de mim? Porque eu sou muito idiota, sei lá um ano?
Ele balançou a cabeça negativamente.
— Eu entendo o que você está passando, eu sei que você está decepcionada comigo. Eu mudei, Quasar, eu era um homem frio, esnobe, egoísta, e você foi a razão para eu ter mudado, foi você que entrou naquele táxi e mudou a minha vida. Foi você que me fez sentir coisas que nenhuma mulher pôde me fazer sentir. Você me faz sentir mais vivo e feliz.
— Não importa o que eu faço você sentir, Dylan. Eu não acredito mais em você. Me larga e deixa eu ir embora. — falei com voz cansada.
— Deixa eu te levar para casa, você vai adoecer com essa chuva.
— O que isso importa?
Ele estava hesitando em me soltar, segurava com mais força os meus braços, a estrada estava com neblina e a chuva um pouco mais fraca. Eu estava cansada, minhas pernas estavam mais bambas, comecei a ter tremores mais fortes e câimbras nos músculos, o frio estava me afetando e isso não era bom. Minha visão começou a embaçar, e meus olhos a revirar de frio. Minha teimosia continuava, era ridículo. Dylan estava preocupado vendo o que estava acontecendo comigo.
— Por favor, Quasar, vem comigo, deixa eu te levar pra casa.
Abri os olhos com mais força, e puxei com mais força ainda meus braços. Eu estava ridícula, parecendo uma criança com birra, mas eu não estava bem.
A força com que puxei meus braços foi tão forte, que o impulso me jogou para trás em direção à estrada. Ouvi um barulho intenso de freios, e o farol de outro carro nos iluminou, tudo aconteceu muito rápido. O impulso que eu recebi como consequência do meu orgulho resultou que, aquele outro farol avançou em cima de mim. Dylan tentou correr, mas já era tarde demais, fui atingida. Fui jogada contra o para-brisa, a dor foi instantânea, minha cabeça estava doendo muito, meus braços e pernas paralisados, minha barriga estava muito dolorida. Cai na estrada olhando para o lado, meu rosto escorria sangue vindo da minha testa, meus olhos estavam fixos no horizonte daquela pista, onde os pingos de chuva molhavam meu rosto paralisado. Ouvi a voz de Dylan de longe, eu não estava me movendo, apenas escutando vozes, parecia que o mundo estava em câmera lenta, todas as minhas lembranças passaram na minha frente, os meus 24 anos em 4 segundos.
Dylan correu para cima de mim, se jogou.
— Quasar, Quasar, Quasar. — disse ele desesperado. — fala comigo meu amor, Quasar.
E eu estava em transe. As imagens passavam rapidamente na minha frente, meu corpo estava imóvel, a sombra projetada por Dylan, era a única coisa que eu podia ver dele. As vozes eram o que estavam perfeitamente bem.
Escutei o barulho da porta do carro se abrir, Dylan levanta e vai falar com o motorista, que disse:
— Me desculpe senh...or.
O motorista estava embriagado. Dylan disse:
— Me dê o seu celular — disse ele desesperado.
— O senhor... quer... o quê?
Escutei um barulho no capo do carro, imaginei que Dylan o imobilizou e pegou o celular. Ele começou a discar e ligou para a polícia e uma ambulância. Eu estava começando a desmaiar, murmurei com a voz falha. Dylan ficou do meu lado, desesperado.
— Calma meu amor! Você vai ficar bem.
Meus olhos estavam fechando e Dylan começou a desesperar-se mais ainda.
— Quasar, não feche os olhos.
O motorista se aproximou e disse:
— Meu Deus moça, me desculpe, não vi a senhora.
Dylan se levantou furioso e o prendeu contra o capuz.
— Por sua culpa, ela está assim.
Eu estava vendo uma luz piscando de longe e um som intenso, era sirenes, meus olhos não estavam mais aguentando e os fechei.
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