Quarto Andar
1 Harley Davidson
Notas iniciais
Bem, aqui não vou contar uma história normal, nem um drama bobo, ou um romance clichê. Aqui vou contar um pouco da minha vida como Nathaniel Evans, para os mais íntimos Nate.
Não vou falar muito da minha vida, porque ela não é nem de longe a mais sofrida, apesar de ser bastante, por assim dizer. Eu nunca conheci meu pai. Aposto que nem minha mãe se lembra da cara dele... Você acha isso estranho? É, eu também, se bem que já estou mais acostumado.
Minha mãe é... Como explicar? Vou usar um vocabulário um tanto antigo para não pareceu um xingamento. Sim, ela é uma mulher da vida. Engraçado, não? Não é tanto quando seus amigos ficam a chamando de gostosa. Não é por menos, ela me teve com 15 anos... Ah, e pra sua informação, eu tenho 16 agora. Uma ótima idade. Ah, quer saber o por quê? Apesar de eu ter uma cara “fofa”, como todos dizem, ninguém mais quer saber minha idade quando eu vou comprar bebidas. Realmente, é uma bênção.
Bem, eu moro num prédio velho de quatro andares, só eu e minha mãe; se é que eu posso considerar que moro com ela... Bem, eu saio de casa à tarde e de manhã e ela saí de madrugada... E, quando a gente se encontra, a gente quebra o barraco.
Nossas brigas sempre começam pequenas, mas só falta sair tapa. Ela começa a me acusar de todas as desgraças de sua vida, sendo que ela já trabalhava nesse ramo antes de eu nascer. A culpa é dela se não soube se proteger.
Bem, hoje eu cheguei da escola no horário normal. O Mark veio na minha casa para jogarmos um jogo de tiro que ele tinha comprado. Mark é um garoto... Como explicar? Bem, ele é bonito. Bem mais bonito que eu, é claro, apesar de eu ser mais alto. Vamos dizer que ele é a personificação do garoto que toda garota deseja. Olhos azuis, cabelos loiros... O único problema é que ele tem um metro e sessenta e cinco. Eu tenho um metro e setenta e dois e não me acho grande coisa, mas ele é meio frustrado com esse negócio de altura (bem, pelos menos as garotas não vêem problema nenhum nisso. Sério, até para mim, que sou um garoto, ele é lindo).
- Ei, você viu aquela Harley Davidson parada na entrada do seu prédio? – perguntou Mark enquanto subíamos as escadas (é verdade, para que um prédio de quatro andares teria elevador?). Eu moro no terceiro andar.
- Ah, vai saber – eu disse desinteressado – Às vezes a velhinha do 22 resolveu viver a vida – comecei a rir, mas ele me encarou sério.
- Ela já estava aí de manhã? – perguntou. Destranquei a porta da minha casa e nós entramos. Joguei-me no sofá e cocei a cabeça, tentando me lembrar.
- Você sabe que eu não sou muito de observar – reclamei – Mas acho que estava sim.
Ele sentou-se do meu lado, olhando para a tevê e já ligando o Playstation. Minha mãe, pelo jeito, não estava em casa. Seria algum tipo de entrega domiciliar?
Alguém bateu na porta. Olhei entediado para a mesma. Não estava a fim de levantar para abrir, mas acabei tendo de fazer isso. Levantei-me, abri-a e vi a cara do síndico. Cabelos brancos do lado da nuca, e os poucos fios de cabelo cobrindo sua careca. Ridículo.
- Temos um novo morador – ele disse com sua típica voz irritante. Mark olhou para mim e sussurrou algo como “Aí a explicação da moto” e sorriu vitorioso.
- Ah, é? – eu fiz para o síndico – E daí? – arqueei as sobrancelhas e ele me olhou emburrado. Eu já ia fechar a porta na cara dele, mas ele segurou-a.
- Ele vai mudar para o apartamento de cima – ele apontou para o teto – Qualquer reclamação, só falar comigo.
- Que seja – tentei fechar a porta de novo, mas ele segurou com o pé.
- Sua mãe está? – perguntou ele, já espiando para dentro do meu apartamento.
- Se quiser marcar horário com ela, ela tem um celular – revirei os olhos e ele me encarou mais bravo ainda.
- Escute-me, garoto...! – que stress... Será que já iria começar com aqueles discursos enormes sobre comportamento e tal. Não sei por que, mas de todos os clientes da minha mãe, eu só não quero ser filho desse aqui.
- Olha, eu estou sem tempo... – reclamei.
- O novo morador... – ele parou a porta novamente com o pé – O nome dele é Nicolas.
- Nick, saquei – tentando fechar a porta de novo (ou tentando esmagar o pé dele, qualquer um estava bom para mim).
- Me desculpe interromper sua reuniãozinha com o seu amigo, mas são quatro horas da tarde. Por favor, não façam tanto barulho porque os vizinhos podem ficar sabendo...E ter um filho assim pode denegrir a imagem de sua mãe – ele disse, com um sorriso vitorioso.
- Como se já não fosse – suspirei – Olha, eu prometo fazer menos barulho aqui se você fizer menos de noite. Sabe? É minha mãe, eu me sinto um pouco mal...
- Moleque...! – adoro irritá-lo.
- Tchauzinho – fechei a porta quando ele tirou o pé – Velho idiota – suspirei para Mark. Ele riu.
- Que tal jogarmos agora? Eu tenho que estar em casa as oito – ele disse. Sentei-me no sofá e peguei o segundo controle.
Começamos a jogar. Tá, vamos dizer assim, o cara era um profissional. Ele devia ficar jogando aquele jogo umas dez horas por dia. Está explicado porque eu perdi...
Para chegar na casa dele, ele tinha que pegar metrô. O levei até a saída sete horas da noite.
- Então até amanhã, Nate – despediu-se ele.
- Até – esperei ele virar a esquina para subir para o meu apartamento, mas parei quando vi uma figura estranha no Hall de entrada...
Não era estranha, mas era totalmente anormal. Sabe aqueles modelos que você vê em capa de revista para garotas, com a cara totalmente mudada no Photoshop? Esse aqui estava ao vivo, sem nenhum Photoshop, nenhuma maquiagem à vista... Eu fiquei parado, entreabrindo um pouco meus lábios. Só faltava babar. Ele tirava o capacete preto e passava uma de suas mãos nos cabelos ruivos, desalinhando-os um pouco. Eu nunca havia visto um ruivo bonito. Geralmente tinham o rosto todo cheio de sardas, mas ele... Ele não parecia nem ser real. Usava uma jaqueta de couro, luvas pretas, uma blusa branca de botões e uma calça também negra. Nunca achei que uma pessoa pudesse ficar tão chique usando All Star. Sorri feito um bobo, mas logo me controlei.
Ele me olhou por dois segundos, me mostrando seus olhos verdes, me olhando com certa superioridade.
- Nate, certo? – perguntou ele, sorrindo de lado e estendendo sua mão. Ele era um tanto mais alto que eu, seus lábios vermelhos esticando-se naquele sorriso torto eram realmente irresistíveis – Eu sou Nicolas, acabei de me mudar.
- Ah, certo – segurei sua mão, balançando-a e logo soltando-a. Foi a primeira vez que uma pessoa deixou-me sem palavras – T-Tenho que ir – gaguejei. Patético.
- Ei, Nate – ele me chamou, quando eu já estava começando a subir as escadas. Droga – Eu ainda não conheço nada desse prédio. Posso contar com sua ajuda no que eu precisar?
- C-Claro – sorri e voltei a subir correndo as escadas. Não sei se foi impressão minha, mas ouvi um risinho. Devia ser apenas ilusão.
Abri a porta do meu apartamento, deitando-me no sofá.
Droga, ele era... Lindo. Sei lá... Nunca imaginei que pudesse existir alguém mais belo do que o Mark. Meu coração até batia um pouco acelerado. Talvez fosse porque eu tinha corrido quando subi as escadas. Talvez não.
O barulho da porta sendo destrancada me acordou de meus devaneios. Vi minha mãe: cabelos cacheados tingidos de loiro, lábios rosados sem batom, uma roupa um tanto extravagante, cara brava... É, essa era minha mãe.
- Discutiu com o síndico de novo, Nate? – ela perguntou, brava, jogando sua bolsa em cima do sofá e encarando-me de pé.
- Ele que me chamou para brigar – disse, olhando desatentamente para o teto.
- Ele é mais velho, Nate...
- Dá pra ver. Quantos anos ele tem? 70?
- Nate – ela suspirou – Não é isso. Ele é mais velho, você deve respeito a ele.
- Ele falou que eu estava tendo uma... “Reunião especial” com o Mark – eu disse, riscando aspas invisíveis no ar.
- Duvido.
- Você não sabe de nada! – eu revirei os olhos – Não pense que só apenas porque dorme com ele que o conhece...
- Cale a boca, Nate! – ela exclamou – Você nem sabe nada!
- Oras, mãe, eu sei da maioria dos seus casos... – revirei os olhos – Você acha que eu não sei por que minha nota de matemática subiu de 3 para 9?
Ela não falou nada, apenas aproximou-se, engolindo em seco e dando um tapa na minha cara.
- Ingrato – ela murmurou, com a voz chorosa – Não vou ficar nem mais um segundo aqui.
- Vai trabalhar, então – revirei os olhos – Fazer o que você faz de melhor...
- Cale a boca! – ela gritou, um tanto mais alterada dessa vez, me dando mais um tapa.
- Mas você sabe o que é, não é, mãe? – ela me deu outra tapa – Só fica brava porque eu comento – outro tapa, e mais outro... Começou a dá-los freneticamente, mas nem doíam.
Saiu pela porta, batendo-a com força.
Merda... Porque eu não posso simplesmente calar a boca?
Como um fracote, algumas lágrimas começaram a cair pelo meu rosto. Limpava-as com as costas da minha mão, com a manga de minha camisa. Droga, por que eu tinha de ser assim?
Já sei. Tá, não era uma das minhas melhores idéias, mas era útil. Eu sairia e me recuperaria. Independente de como fosse. Sei lá. Eu só quero andar pelas ruas, sozinho, isso não é algo tão estranho. As ruas são até interessantes quando você observa os carros... Sozinho.
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Cahnove: Reviews não matam e fazem bem para a saúde, então deixe um review o/
Cada capítulo será narrado por um deles (ou o Nick ou o Nate), os narrados pelo Nate sou eu quem escreve, os narrador pelo Nick a HannahHell!
Espero que gostem ^^
Fic dedicada ao namorado da Meh_Kiryuu, meu cunhado, e cunhado postiço da HannahHell, porque hoje é aniversário dele! Então, parabéns, cunhado
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