Quarenta Graus

1 Capítulo 1 - Trinta e Sete Graus


Notas iniciais
Escrevi essa fanfic de bleach há uns 5 anos, e recentemente a encontrei no meu pc, e decidi dar uma caprichada no material, e trazê-la até vocês! Espero que gostem, ela é bem pequena e tranquila de ler ^^
Bom capítulo o

– Quarenta Graus —

Capítulo Um – Trinta e sete Graus


Estava calor, muito calor mesmo. Aquela semana parecia infernal. O centro de pesquisa não soube explicar muito bem porque a Soul Society estava sofrendo essa crise no seu clima perfeitamente elaborado, mas tudo indicava ser culpa dum grande acumulo de almas, que, acabava por desestabilizar o equilíbrio de certos pontos do mundo espiritual. Nada muito sério, era apenas, desagradável. Alguns esquadrões pequenos foram mandados à Rukongai, na tentativa de estabilizar o problema, mas até agora, poucos resultados haviam sido obtidos, e, como o trabalho precisava seguir normalmente, muitos shinigamis ficaram confinados aos seus pelotões, cuidando dos procedimentos diários. Ou seja: trabalho de ‘escritório’.

Nesse meio tempo, o corpo de Renji continuava quente, mesmo após ter tomado sete copos de refresco. O ruivo abanava-se com um leque improvisado, enquanto Byakuya, tranquilamente, terminava de assinar uma pilha de documentos.

–Precisa de ajuda, Taichou? — perguntou Renji enquanto terminava de colocar uma nova remessa de documentos sobre sua mesa.

–Não, está tudo bem. — respondeu.

–Mas ainda têm muita coisa para assinar. Eu posso cuidar da metade disso.

–Já disse que está tudo bem, Renji. Volte as suas tarefas.

Frustrado, o ruivo tatuado retornou para seu canto da sala, onde organizava alguns registros dentro de caixas – preferia ter ido à missão com o grupo de shinigamis à Rukongai.

Enquanto tomava outro copo de refresco, vira que Byakuya permanecia com a mesma expressão séria, assinando os documentos, molhando a pena no tinteiro, e tornando a passar a tinta fresca no papel.

“Como ele consegue se concentrar nesse calor?”
Pensava Renji “Será que não está passando mal com todas aquelas roupas? Eu mal me agüento com o uniforme de shinigami, e ele ainda usa aquele cachecol, e o sobretudo branco...”

– Taichou, o senhor não quer um refresco? – perguntou a ele depois de tanto pensar.


– Não, obrigado.


– Mas está muito quente, precisa beber alguma coisa para se hidratar.


– Já disse que não preciso, porque continua insistindo?

Renji bufou e voltou aos seus afazeres. Na verdade, aquilo realmente o irritando, era o fato de Byakuya permanecer com seu olhar voltado para a pilha de documentos à sua frente, como se fosse a coisa mais importante do mundo.

Não, não era isso. O que o frustrava, era não poder cruzar seu olhar com o dele. Era ter essas conversas banais, quando o que ele queria, era algo... Além disso... Há quanto tempo tinha notado sua afeição por ele? Um mês, dois? Talvez fosse bem mais que isso. Aquele homem, antes seu rival, agora se tornava o desejo mais profundo se sua alma, um desejo impossível, contudo, que permeava seus pensamentos na maior parte do tempo – e não eram pensamentos inocentes.

Com o rosto vermelho, bateu em sua cabeça com a palma da mão na tentativa de afastar aquelas idéias absurdas. Não era hora para se focar naquilo!

Ah! Mas já era tarde. A qualquer momento, enquanto trabalhava, descansava, ou até mesmo quando dormia, Byakuya invadia seus sonhos, penetrava nas redes mais distintas de sua mente, aparecendo em imagens, sons e cheiros. Era impressão sua, ou tinha ficado mais quente?

Arfando, puxou as mangas de sua roupa prendendo-as ao redor do ombro, mostrando um pouco mais seus braços e tatuagens. Abriu também a parte de cima do kimono, deixando seu peito – suado — aparecer.

Um leve barulho chegou á seus ouvidos, e quando se virou, viu Byakuya pegando o pincel do chão, voltando ao trabalho. Era incomum dele distraí-se assim, no entanto, ignorou esse fato.

Ainda suando em bicas, Renji esticou o braço para pegar outro copo de refresco. Precisa se “esfriar” um pouco. Porém a jarra estava vazia.

– Taichou irei buscar mais pouco de refresco. – disse se levantando.

Sem resposta, como sempre. O moreno apenas lia e assinava os documentos sem lhe dar importância. Dando de ombros, Renji saiu da sala, e nem ao menos foi notado.

Quando a porta se fechou deixando Byakuya sozinho, o moreno descansou o pincel do lado do tinteiro.


“Patético.” Pensou Byakuya com os dedos apertando as têmporas. De certo modo, o corpo tatuado de Renji mexia com ele, mas não sabia exatamente como. Era uma sensação de euforia, ao mesmo tempo resguardada, e o coração, ah! Esse saltava até a garganta, se deixasse. Mas o que causava aquilo nele?

Sim, a imagem daquele dia. Estava tão quente quanto agora, apesar de já ser noite. Como o trabalho havia sido puxado, ambos ficaram até tarde terminando o serviço. Byakuya saiu por um instante da sala, e quando voltou lá estava ele. A blusa aberta, esticada no chão servindo como coberta. Seus cabelos vermelhos um pouco soltos caíam em seu rosto. O suor em seu peito brilhava com a luz das velas, formando sombras pela pele meio amorenada dele.

Aquela visão o deixou pasmo. Sem nenhuma palavra, tudo o que Byakuya pode fazer foi fitá-lo por algum tempo, enquanto se deliciava com seus pensamentos, enquanto imaginava até onde aquelas tatuagens iam...

Naquela noite, saiu da sala o mais rápido que pode, todavia, aquela visão ficou gravada em sua memória. Vendo Renji afrouxar as roupas daquele jeito hoje, lembrou-o desse dia, e o choque havia sido tão grande, que nem percebera a mão vacilando, deixando o pincel cair no chão. Quanta falta de controle; “Patético”. Pensou novamente, reafirmando a palavra em suas reflexões.

Como alguém de um nível tão alto quanto ele podia pensar em coisas assim? Se descobrissem, seria o fim do clã Kuchiki. Seu nome estaria perdido, poderia até mesmo ser executado, ou pior: expulso.

Ah! Contudo, por mais que lutasse aquele vislumbre não lhe saía da mente!

Afastou um pouco seu cachecol para respirar melhor, pois estava ofegante. Passou a mão sobre sua testa, e sentiu-a um pouco molhada.

O calor parecia ter aumentado. Talvez aquele refresco fosse bem-vindo agora. Levantou-se da cadeira apressado, mas tudo o que viu à sua frente foi um grande vazio, e a escuridão tomando conta de seus olhos.

Renji caminhava pelo corredor com uma bandeja, e sobre ela, uma nova jarra de vidro com dois copos. “Espero que dessa vez ele aceite tomar um pouco do refresco!” Pensou no meio do caminho.


Olhou para o céu através de uma janela. A julgar pela posição do sol, deveria ser quase uma da tarde. O mormaço era intenso nesse horário, e o lugar estava quase vazio, já que muitos tinham ido embora por conta da temperatura. Apenas Byakuya havia exigido sua presença, por ser um “dia de trabalho qualquer”. Parecia mais um lugar deserto, ou algo do tipo.

Chegando à porta, ele bateu de leve com uma das mãos:

– Taichou, eu trouxe o refresco.

Após sua fala ouviu um estrondo vindo de dentro da sala. Assustado, abriu a porta de papel com força, e viu Byakuya caído no chão perto da mesa. Jogou a bandeja para o lado, derramando o refresco, e foi ao seu encontro:

– Taichou?! O senhor está bem?! Responda!!


– Re...Renji?...


– Taichou o que houve? Você...

Renji pôs sua mão sobre a testa de Byakuya, meio relutante, e sentiu um imenso calor emanando dela.

– Taichou, o senhor está com muita febre! Deve ter se esforçado demais; e o clima ajudou bastante...


– Eu estou bem... — Byakuya tentava afastar Renji de perto dele, ao mesmo tempo em que queria se levantar, mas foi forçado por seu subordinado a continuar deitado.


– O senhor precisa descansar um pouco.


– Já disse que estou be-

Sua fala foi interrompida quando Renji puxou-o, e colocou-o em seus braços o carregando para o sofá.

– Por favor, Taichou, deixe-me ajudá-lo.

Byakuya não emitiu uma única palavra, nem mesmo mostrou resistência, pois tudo o que pode fazer foi ficar com o rosto atônito ao ouvir estas palavras, e, claro, ao ver o rosto de Renji tão próximo.

Definitivamente, era esse maldito clima o responsável por isso; em outras
circunstâncias, jamais se deixaria levar dessa forma. O calor mexia com suas ações e seu juízo – sim, essa era a melhor explicação.

Já no sofá Byakuya soltou um longo suspiro, e com a mão sobre o rosto, disse:

– Renji pegue um pouco daquele refresco...

Olhando para o lado, ele viu a jarra caída no chão, sem nenhuma gota. Tentando rir, ele voltou-se para Byakuya:

– E... Espere só um minuto! Eu já volto com outra jarra! Ah! E o senhor nem pense em voltar a trabalhar! Precisa descansar agora!

Achou a voz autoritária dele um insulto, porém, não tinha forças o suficiente para revidar.

Renji saiu mais uma vez, deixando Byakuya completamente paralisado. Estava envergonhado, mas ao mesmo tempo sentia uma estranha empolgação dentro dele. Estar sendo tão bem cuidado por Renji, fazê-lo ficar preocupado, eram sensações tumultuosas, e ao mesmo tempo aconchegantes. Sentimentos tão confusos...

Contudo, Renji se preocupava com ele apenas porque era seu capitão, nada mais. O que esperava? Era esse o dever dele. Queria que Renji realmente se preocupasse? Que ficasse ao seu lado segurando sua mão? Jamais, isso jamais aconteceria... Renji nunca faria algo assim por ele, assim como seu orgulho não o permitia se deixar levar por tais emoções. Precisava ser firme.

Quando voltou à sala dessa vez Renji trazia uma pequena bacia cheia de água, junto com o refresco. Mas parou na porta ao ver Byakuya dormindo no sofá. Pela primeira vez o encarava assim tão de perto, tão vulnerável.

Com o maior cuidado, colocou a jarra de suco sobre a mesa, e levou para perto de Byakuya um pequeno banco de madeira, onde se sentou. Antes de tudo, retirou sua blusa, por conta do calor, e para não molhá-la. Depois, mergulhou na bacia um pano, e voltou-se para Byakuya.

Com o rosto extremamente corado, puxou seu cachecol revelando seu pescoço. Abriu mais um pouco a blusa dele, e enquanto retirava as roupas de seu capitão sentia um enorme calor subir por dentro de seu corpo. Começava por suas pernas e estendia-se por todos os seus membros, duma forma incontrolável. Segurava-se o máximo que podia, mas não conseguia deixar de pensar em como seria abraçar aquela pele macia, beijá-la, acariciá-la...

Ofegante, Renji tirou o pano da bacia, torceu-o, e começou a passá-lo no corpo de Byakuya, a fim de esfriá-lo.

Conforme desenhava o pano pelas linhas de seu capitão, sentia cada vez mais sua temperatura se elevar. Até que um de seus dedos encostou, sem querer em sua pele. Ah! Como era macia! Reluzente sobre aquela água, Byakuya parecia cada vez mais tentador.

Não resistindo de curiosidade, e desejo, Renji abaixou-se, beijando de leve seu peito desnudo. Subiu os lábios até o pescoço, e beijou-o passando sua língua sobre seus músculos, sentindo o seu cheiro, desejando-o cada vez mais.

Levantou-se rapidamente quando ouviu um grunhido. Com o rosto corado, seus olhos finalmente se encontraram, mas Renji agora desejava que eles não o tivessem feito.


– O que está fazendo?... Renji?...


Continua


Notas finais
Ui ui ui, as coisas estão esquentando! xD Vamos ver qual será a saída do Renji o