Quarenta Graus
2 Capítulo 2 - Trinta e Oito Graus
Notas iniciais
– Quarenta Graus —
Capítulo Dois – Trinta e oito Graus
Renji continuava a fitar seus negros olhos sem saber o que fazer. Sua situação era desconcertante, e pior ainda seria tentar explicar isso... Uma desculpa talvez fosse melhor, mas qual? Sua cabeça estava bolando mil histórias, mas nenhuma que pudesse convencê-lo. Naquele momento não conseguia pensar em mais nada, e assim continuou paralisado.
– Eu fiz uma pergunta, Renji. – disse Byakuya com a voz grossa, tentando levantar-se – O que você estava fazendo?
– Eu... Bem, taichou, eu...
Antes que pudesse completar a frase, Renji, num susto, segurou Byakuya impedindo que ele caísse do sofá por tentar se levantar. E enquanto o segurava viu seu rosto ficar corado, inconformado por sua impotência, sentindo a temperatura de seu corpo aumentar ainda mais.
– Taichou, por favor, fique deitado. Ainda não está muito bem.
– Não me diga o que fazer!- vociferou Byakuya – Quero apenas que diga o que estava acontecendo, e seja rápido!
Byakuya arfava por ter se esforçado demais. E quando o ar entrava em seu peito o estufando, fazia as gotas de água caírem dele, contornando seu corpo, as linhas definidas do capitão, de anos de treinamento. Gotas de suor juntaram-se à elas, e Renji observava a tudo, perdendo cada vez mais a noção da realidade, deixando seus instintos falarem mais alto. Resistir a eles estava tornando-se cada vez mais impossível.
– Renji! – gritou Byakuya tentando retirá-lo de seu transe, mas já era tarde.
Arregalando os olhos, Byakuya foi arremessado de volta para o sofá por Renji.
– O que pensa que está...
Sua boca pegava fogo. Ambos estavam com os corpos quentes, e sentiam isso enquanto se beijavam. Renji tomou a iniciativa, era o que Byakuya pensava, mas ele também não tentou impedi-lo, nem o forçou a parar. Apenas esperou que aquele momento passasse. Mas não foi bem isso que aconteceu.
Renji continuou a beijá-lo, sentindo sua língua tocar a sua, como se estivessem lutando uma com a outra. Explorava cada canto do interior de Byakuya, girando a carne macia da língua, e estalando os lábios de vez em quando. Desceu vagarosamente sua mão sobre o peito do moreno, alisando-o, vendo cada espasmo de prazer que ele emitia. Sua boca logo se juntou aos seus dedos, abusando da debilidade do capitão. Byakuya parecia ser sensível quando tocado em seu pescoço, e Renji, soltando um leve sorriso, beijava-o e lambia-o, provocando Byakuya ainda mais.
– Ren... ji... Pare... – balbuciou, odiando-se por dentro por ser incapaz de pará-lo, ao mesmo tempo em que ansiava por mais.
– Desculpe taichou, mas eu não vou para agora.
Arregalando os olhos Byakuya entrou em um estado de choque, e pela primeira vez seu corpo estava paralisado, não sabia se por medo, ou pelo simples fato de não querer admitir seus sentimentos por Renji.
Seja qual fosse a explicação, Byakuya não tentou nem em um momento impedir Renji e ele por sua vez não esperou nem mais um minuto. Mesmo com os inúmeros pedidos de Byakuya, Renji começou a retirar a fita que prendia a calça de seu uniforme. Assustado Byakuya tentou segurar as mãos de seu subordinado, mas elas foram arremessadas para cima de sua cabeça, e amarradas com apropria fita de sua roupa.
– Taichou, o senhor deve se comportar agora, ou pode acabar piorando.
Irritado com o comentário de Renji e ao mesmo tempo envergonhado, ele começou a se debater no sofá, levando ele mesmo e Renji ao chão. A queda o deixou meio zonzo, fazendo-o ficar à mercê de seu subordinado. Num acesso de fúria, devido a sua debilidade, gritou:
– Já chega! Você não tem o direito de fazer isso comigo! Não vou permitir que você continue Renji!
Balançando a cabeça num sentindo negativo, Renji respondeu:
– Agora já é tarde, taichou, porque eu não vou parar; não posso mais me segurar... Eu não consigo.
Apertando ainda mais a faixa nas mãos de Byakuya, Renji jogou-se sobre seu peito seminu. Seus corpos roçavam um no outro, dando a ambos uma sensação de prazer e excitação. O calor emanando dele esquentava a cútis amorenada de Renji, fazendo o sangue subir-lhe a cabeça, circulando freneticamente por suas veias. Enquanto Renji aproveitava-se dele, Byakuya não conseguia parar de pensar:
“Não posso, não posso! As coisas não podem ser assim! Isso não pode acontecer entre nós! O que minha família dirá?! Se alguém descobrir será o fim do nome da família Kuchiki! E mesmo sabendo disso tudo porque eu não consigo fazê-lo parar?! Porque eu não quero que ele pare?!”
De fato, ele já poderia ter se livrado de seu subordinado há muito tempo. Usando sua velocidade, ou o golpeando, qualquer que fosse sua escolha, tinha condições — apesar da febre — de abandonar aquela sala. No entanto, algo dentro de seu ser o impedia. Seu bom senso escapava a cada investida do ruivo, querendo ter mais dele para si. Sentir o cheiro de Renji tão perto, ter o corpo antes observado encostando-se ao seu... Ah! Como poderia resistir aos avanços dele quando o próprio capitão desejava possuir aquele homem?
Seus pensamentos tornavam-se cada vez mais confusos, e enquanto se perdia neles, não percebeu que Renji já havia retirados suas vestes por completo, ficando apenas coberto pelas calças frouxas, e agora começava a tocá-lo mais intensamente.
Sua face ficara extremamente vermelha, inapto de saber como agir numa situação desse tipo, e assustado, disse:
– Renji?! O que você está fazendo?
– Eu só quero fazê-lo sentir-se bem, taichou.
– Pare! Tire sua mão daí agora mesmo!
– Por quê? O senhor não está gostando?
Mexendo um pouco mais seus dedos, Renji fez Byakuya soltar um forte gemido ao mesmo tempo em que se contorcia no chão de madeira feito uma cobra.
– Viu? Seu corpo parece não mentir quanto ao que o senhor realmente quer taichou.
– Pare de falar como se soubesse algo sobre mim! – vociferou.
– Mas eu sei que... O senhor gosta quando o toco aqui.
Tornando a apertar o membro, já rijo, de Byakuya, este gemeu novamente, debilitado pelo prazer estendendo-se em seu corpo, pela febre aumentando, e o calor subindo dentro daquela sala.
Sem palavras para responder-lhe, Byakuya virou seu rosto com um olhar de raiva, mas acabou por instigar Renji ainda mais, que agora, descia a língua pelo seu corpo.
– O que?! Pare! Pare de...
– Quer mesmo que eu pare taichou? O senhor acha que consegue se aliviar sozinho nesta situação?
Olhando para suas mãos amarradas, Byakuya cerrou os olhos e escondeu seu rosto por entre os braços deixando que Renji terminasse de se deliciar com seu corpo.
– Renji... eu... não agüento mais! – exclamou no meio de um grunhido.
O ruivo sugava a carne de Byakuya, segurando a base de sua ereção com força. Ia com a língua até o topo do membro, abocanhando apenas com os lábios a parte mais fina do capitão. Quando ele tornava a descer, os dentes causavam um arrepio gostoso na pele fina do músculo, fazendo-o tremer em êxtase.
Byakuya se contorceu no chão, enquanto soltava um longo gemido. Arfou, cansado, perdendo a noção do que acontecia à sua volta cada vez mais. Nunca havia sido tão... Rápido antes... Ou melhor: nunca ninguém o fez sentir tanto prazer dessa maneira.
Enquanto organizava as idéias, Renji levantou sua cabeça, enxugando o canto da boca, dizendo à ele:
– Bem taichou, agora que eu já o deixei satisfeito, está na hora do senhor me dar um pouco de prazer também, não é?
– O que quer dizer com isso?! – exclamou temeroso.
Assim que terminou sua frase, Renji puxou a calça de Byakuya, deixando-o agora completamente nu. Pouco a pouco foi descendo sua mão por seu corpo, até que o virou de costas.
– O que?! Não! Pare Renji!
– Eu disse que o senhor iria me satisfazer agora, taichou. É só relaxar um pouco, e isso será prazeroso para o senhor também.
– Não Renji! AH!
Os dedos do ruivo começaram a penetrá-lo devagar, preparando o capitão para receber um volume muito maior do que aquele. Mexia-os, esticando para cima, para baixo, para os lados, deixando-o cada vez mais submisso àquela estranha sensação.
Naquela altura, Renji não podia mais parar, não podia mais voltar atrás. A temperatura alta mexia com sua mente, extasiando seus sentidos, anestesiando as noções de certo e errado. Sofreria as conseqüências de seus atos, sabia disso. Como poderia escapar da ira de seu capitão após tudo isso? Impossível. No entanto, o desejo por aquele homem falava mais alto do que qualquer punição.
Lambendo os lábios, Renji desceu seu corpo sentindo o peito tocar nas costas suadas de Byakuya. Ficou com a boca próximo da orelha do capitão, e mordeu seu lóbulo, ouvindo o gemido que ele soltou quando o fez. O moreno arfava pesadamente, com o rosto corado ardendo.
Ainda movendo seus dedos, Renji afastou-se de Byakuya, mirando aquela cena magnífica diante dele. Seu tão poderoso capitão submisso a ele. Poderia fazer o que quisesse com o moreno... Com essa idéia em mente, aprofundou os dedos dentro de Byakuya, escutando a doce voz dele saindo em forma de grito. Abaixou o rosto ficando próximo ao meio de suas pernas e, esticando a língua, lambeu-o junto de seus dedos.
Quando ficou satisfeito de provar aquele pedaço tentador de Byakuya, Renji ergueu-se removendo seus dedos. Puxando o tecido de sua calça, segurou sua ereção e a pressionou contra a entrada de seu capitão, começando devagar, e, depois, estocando com força.
Byakuya arregalou os olhos, querendo grunhir, querendo berrar! Mas o som ficara entalado devido à surpresa. Respirando com dificuldade, o ar saía de sua goela, esfumaçando sua visão. Lacrimejou um pouco, sentindo as gotas caindo sobre as bochechas em brasa. Pelos céus! Como podia permitir tão facilmente esse tipo de violação?! Como podia permitir que Renji ferisse seu orgulho dessa forma sem se importar?! Que droga de sentimento era esse o compelindo a concordar com as ações dele?!
– Taichou... Isso é... É tão bom dentro do senhor! – Renji gaguejava incrédulo.
– Pare... com... isso! – Byakuya ainda tentava parar Renji, mas nem mesmo ele conseguia se convencer disso.
– N-não posso Taichou...
Seus corpos finalmente unidos rangiam no chão de madeira, enquanto seu suor molhava o piso, marcando-o com seus cheiros. Byakuya tentava cobrir sua boca, mas de nada adiantava, pois o que sentia naquele momento, não podia ser oculto por nada. Renji forçava a cintura de Byakuya para trás ao mesmo tempo em que se impulsionava para frente, numa tentativa de uni-los, se é que era possível juntar-se ainda mais dele.
O moreno sentia os joelhos batendo na madeira, porém a dor daquele volume em seu interior era ainda maior. Renji não tinha piedade alguma, nem ia devagar: entrava e saía rapidamente
– Taichou... Eu já estou quase...
– Ren...ji!
Soltando um grunhido, Renji tencionou mais ainda seu corpo, invadindo por completo o interior de Byakuya, já derrotado no chão, sem forças para se levantar.
Caindo sobre seu lado, o tatuado o abraçou e Renji permaneceu ao lado de Byakuya por mais algum tempo, até que ambos perdessem os sentidos, imersos naquela tarde tão incomum a eles, naquela tarde quente.
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No dia seguinte, tudo parecia ter sido apenas um sonho para Renji, o mais realista que já tivera com Byakuya, pois acordara sozinho naquele chão de madeira, quando a noite já havia caído. “Será que aquilo aconteceu mesmo?” Pensava Renji, com o rosto corado.
Reunindo toda a coragem que tinha, ele parou em frente à porta da sala de seu capitão, e preparou-se para abri-la. Assim que o fez, foi recebido por alguém inesperado.
– Ah! Abarai. Finalmente você chegou. – falou Kira, parecendo consternado.
– Kira?! – disse Renji espantado- O que você está fazendo aqui?Onde está o Kuchiki taichou?
– É exatamente sobre isso que quero falar com você.
– O que houve?
– Hoje mais cedo, o Kuchiki taichou foi falar com o Yamamoto taichou sobre... Bem, sobre você.
– Sobre mim? Como assim? O que ele foi falar com o Yamamoto taichou?!
– Bem... Ele foi pedir ao Yamamoto taichou um requisito de transferência.
– Requisito... De que?
– Em outras palavras, Abarai, se o Yamamoto taichou aprovar o pedido do Kuchiki taichou... A partir de hoje você não será mais o vice-capitão dele.
Com um rosto pálido e sem expressão alguma, Renji apenas ficou parado, olhando nos olhos de Kira, sem ter reação alguma.
Continua
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