Quanto Tudo Começou A Mudar.

28 Acho que cheguei em má hora.


Lizzie parecia ainda maior. Corri até ela para lhe dar um abraço quando ela me entregou um envelope.

- Isso é?

- Sim.

Abri o envelope e descobri que eu ia ganhar um sobrinho. Abracei Lizzie com ainda mais força e carreguei minhas malas para dentro de casa. Passamos o dia deitadas no sofá debaixo dos cobertores e eu senti uma paz que não sentia a muito tempo.

***

- Mariana – eu disse enquanto ela sorria na minha porta, usando um vestido azul até os joelhos.

- Emma – ela correu e me abraçou – Meu Deus, eu senti tanto a sua falta.

- Ok – eu disse me desvencilhando dela – Quando foi que voltamos a ser amigas?

- Qualé Emma, já chega disso. Nós duas somos inseparáveis. Melhores amigas. Não nascemos para vivermos separadas.

- Só que não – tentei fechar a porta, mas ela colocou o pé e simplesmente entrou dentro da minha casa.

- Nós podemos conversar no seu quarto, por favor?

Mariana subiu as escadas enquanto eu a seguia de cara feia. Ela entrou no meu quarto e se sentou na cama.

- Sabe – ela disse com um sorriso triste – Todos esses porta-retratos que o Aaron ocupa agora, eram meus.

- Mariana...

- Não, tudo bem. Eu só não pensei que você fosse uma pessoa que trocava melhores amigas por namorado.

- Se você tivesse sido uma boa amiga, eu tenho certeza que continuaria tendo um porta retrato.

- Eu sei, eu sou uma droga. Mas Emma, sua irmã não tinha amigos além de você. Ela queria uma namorado...

- E então você apresentou um universitário? Meu Deus Mariana, por que não alguém da idade dela?

- Porque eu não conheço ninguém da idade dela – ela disse vagamente – Não, quer dizer. Eu sou uma droga. Mariana sucks. Mas eu não posso viver sem você.

- Você vai aprender. Encontre um namorado. Vá para a faculdade e faça novas amigas que usam vestidos curtos como os seus.

- Garotas como eu não vão para a faculdade. Pelo menos não para públicas.

- Então não seja uma garota como você. – Encostei no batente da porta e estendi o braço, fazendo sinal para que ela saísse.

- Não é fácil assim – ela disse se aproximando.

- É só você parar de complicar as coisas.

- Ok – Mariana disse e então simplesmente... encostou seus lábios nos meus.

***

- Ela simplesmente te beijou? – Lizzie disse enquanto se ajeitava nos meus travesseiros.

- Sim. Quer dizer, não foi bem um beijo. Ela só encostou sua boca na minha e então... correu.

- Ok, isso eu não esperava – Lizzie estava rindo – Pelo menos ela não vai ser uma adolescente grávida. Tenho inveja dela.

- Meu Deus, eu estou me sentindo em Glee.

- Sem a parte do talento – Lizzie disse.

- Calada. Preciso pensar.

- Você tem 20 minutos para pensar.

- Por que?

- Porque é o tempo que leva da rodoviária até aqui. Dylan chega hoje. E Aaron também.

- Merda – eu sussurrei pra mim mesma.

***

Estava fazendo o almoço enquanto minha mãe ajudava Lizzie com um trabalho de escola. Meu pai ia chegar em cinco minutos e eu e Aaron não tínhamos conversados nos três dias que passamos um longe do outro. Nem uma mensagem, um sinal de fumaça. Era o maior tempo do mundo para duas pessoas que costumavam conversar até durando a aula de física.

Talvez tenha sido a cebola, mas deixei escorregar uma lágrima. Olhei pela janela esperando o momento em que ele estacionaria a BMW na frente da minha casa e viria pedir desculpas. Ou então ele estava esperando que eu pedisse desculpas. O que não ia acontecer tão cedo.

Coloquei o almoço na mesa e fiquei esperando meu pai chegar. Sua caminhonete estacionou e estávamos todas aguardando Dylan quando ouvi meu celular tocar no andar de cima.

- Eu preciso...

- Tudo bem querida, ele vai ficar aqui por um bom tempo – minha mãe respondeu e eu subi as escadas correndo.

Era Marcos.

- Olá querida.

- Marcos – tentei esconder a decepção.

- Você achou que fosse Aaron, não é?

- Lá no fundo eu sabia que não.

- Bom, talvez eu não seja tão interessante quanto ele, mas eu queria te pedir um favor. Você pode me avisar quando ele falar com você? Estou um pouco preocupado.

- Por quê? – eu perguntei tensa.

- Nada demais. – Marcos soava triste.

- Me conte, por favor.

- Ele apareceu bêbado por aqui ontem. Gritou, esperneou, mas conseguimos acalma-lo e ele acabou passando a noite aqui. Quando eu e Louis acordamos, ele não estava mais aqui.

- O voo era bem cedo. Ele deve ter ido para o aeroporto.

- Provavelmente. Ele ficava gritando que tinha que resolver as coisas com você.

- Entendi. Marcos, eu preciso... Nosso visitante chegou.

- Oh sim – Marcos riu – Me desculpa incomodar. Não se esqueça de me avisar, por favor.

- Pode deixar. Até logo.

Desci as escadas e encontrei minha mãe colocando o almoço nos pratos.

- Cadê o Dylan?

- Foi guardar as coisas. Ele estava ansioso para te ver.

Corri até a garagem e encontrei Dylan. O garoto de cabelos castanhos, olhos grandes e escuros e do sorriso que podia iluminar uma cidade inteira, com sua camisa xadrez, mas dessa vez sem chapéu.

- Dylan – eu gritei e ele correu em minha direção, me abraçando com força e me tirando do chão. Meus braços estavam grudados em seu pescoço e ele tinha cheiro de grama molhada.

- Que saudade – ele disse sem desgrudar da minha cintura.

- Eu também – coloquei minhas mãos em volta do seu pescoço como se aquilo fosse à coisa mais normal do mundo. – Animado para a cidade grande?

- Muito. Você vai me levar para conhecer os lugares?

- Todos – eu disse sorrindo e ele me abraçou novamente.

Ouvi um bater de palmas e uma risada sarcástica.

- Uau – Aaron estava parando ao lado do portão aberto da garagem – Acho que cheguei em má hora, afinal.

Notas finais
To puta com a Emma também, verdade. Mas que o Aaron tem uma parcela de culpa, ah isso tem. Me digam o que estão achando ok? Beijos!