Quanto Tudo Começou A Mudar.
29 Belo abraço.
- Aaron – eu gaguejei me soltando de Dylan – Esse é o Dylan. Dylan, esse é meu namorado, Aaron.
- E ai cara? – Dylan andou em sua direção e lhe ofereceu a mão, mas Aaron só o olhou com cinismo. – Tudo bem, você deve ter feito um almoço delicioso Emma. Vou lá experimentar.
Dylan saiu da garagem em passos lentos enquanto Aaron me encarava.
- Belo abraço – Aaron disse secamente.
- Ele é meu amigo Aaron.
- Nem a mim você abraça assim Emma.
- Não viaja, por favor.
- Eu sei que você está brava, mas me trocar assim por um caipira?
- Primeiro – eu me aproximei – Eu jamais faria isso com você. Segundo, ele não é um caipira. Ele é tão talentoso quanto você e conseguiu um lugar na loja nova do meu pai.
- Então ele tomou meu lugar? Uau, ele gosta mesmo de tudo que é meu.
- Para de ser babaca – eu falei, alto demais.
- É assim que as coisas vão ser Emma? Porque se for, não acho que nós devemos continuar com isso.
- Com isso o que? – minhas mãos tremiam.
- “Com isso o que?” – Aaron disse imitando minha voz – Com essa merda de namoro.
- Merda de namoro? – mordi os lábios enquanto tentava segurar as lágrimas. – Ok, se é o que você quer.
- Não é o que eu quero – ele sussurrou.
- Então porque infernos você sugeriu isso? É o que você fez nesses três dias? Pensou em como acabar com esse namoro Aaron?
- Eu pensei... Em como consertar ele.
- Não dá pra consertar o que não está quebrado.
- Nós estamos quebrados Emma – Aaron se aproximou enquanto eu tentava me afastar – Olha nossas vidas. Você tem uma irmã grávida, tem que acabar a escola e trabalhar enquanto eu vou estudar longe de você, tendo de lidar com um pai gay e um avô cruel.
- Eu sinto muito, mas a vida não é fácil Aaron. Mas você não deixa ninguém te ajudar. Todo mundo tenta segurar sua mão e você simplesmente os empurra para fora. Meu Deus, nós estamos juntos há quase oito meses e você continua mentindo e escondendo e sendo um amor e depois brigando por qualquer coisa. Eu realmente não sei como lidar com isso.
- O que você quer que eu faça? – Aaron estava gritando comigo e eu sabia que logo meu pai viria gritar com ele por mim.
- Eu quero que você vá para casa – eu sussurrei.
- Minha casa é há duas horas daqui Emma. Minha casa é na universidade. É para onde você quer que eu vá?
- Você toma suas decisões daqui em diante Aaron.
- Ok – Aaron disse e saiu pelo portão enquanto eu me sentava na recente cama montada de Dylan e chorava meu mundo pra fora.
***
- Me ajuda a escolher o nome do nosso bebê – Lizzie dizia enquanto brincávamos no balanço do parque – Vai te distrair.
- O que eu fiz de errado Lizzie? – encostei minha cabeça em meus joelhos e comecei a chorar.
Lizzie saiu de seu balanço e me abraçou, enquanto eu molhava seu cabelo e sentia as lágrimas derrapando pelo meu rosto.
- Nada, você não fez nada. Você é maravilhosa, de todas as formas. Você vai ser uma tia maravilhosa, uma jornalista maravilhosa e um dia uma esposa maravilhosa. Não importa de quem.
- Eu gosto de James.
- O que? – ela disse se soltando de mim e me olhando.
- O nome do bebê. Eu gosto de James.
- James Phillipe. Eu gostei, e você?
- Adorável – eu disse e finalmente consegui sorrir.
***
Eu estava deitada no meu quarto tentando ler. Era madrugada já e minha luz continuava acessa. Eu tinha aula na manhã seguinte e não podia faltar de jeito nenhum, já que tinha passado tempo demais sem ir para as aulas. Faltavam dois meses para as aulas acabarem e eu finalmente me formar. Eu tinha enviado minhas admissões para as faculdades, mas ainda não tinha recebido nenhuma resposta. Me deixei tomar do pânico até ouvir algo bater na minha janela. Ignorei até algo bater novamente. Fui olhar e encontrei Aaron jogando pedrinhas.
- Sério? – perguntei o mais baixo que pude.
- Desce aqui – ele disse andando em direção ao meu jardim, no fundo da casa.
Deixei os sapatos no quarto e fui só de meia, fazendo o máximo de silêncio, até chegar à porta dos fundos da minha casa.
Aaron tinha deixado seu carro no fundo da minha casa e estava sentado no banco de trás, com um buque de flores.
- Por que dentro do carro? – eu disse entrando e pegando as flores que ele estava me entregando.
- Não quero que seu pai me veja. – ele disse tímido.
- Meu pai não vai brigar com você.
- Eu sei. Mas ele devia...
- É, talvez – respondi.
- Ok, eu tenho algumas coisas para falar para você. E uma coisa para te entregar. Você está sem sua pulseira?
Só então notei que tinha deixado minha pulseira jogada do lado da minha cama depois de um ataque de fúria.
- Eu tirei para não estragar. Eu fui fazer umas coisas no cabelo da Lizzie. Sabe coisa de mulher, pintar e tal.
- Sempre achei que mulher grávida não podia pintar o cabelo.
- Agora pode – eu disse tentando mudar de assunto – O que você quer me falar?
- Eu te trouxe isso – Aaron tirou a carta que eu tinha deixado para ele quando levei Lizzie para a casa da nossa avó – Você pode ler?
Eu respirei fundo e comecei.
“Aaron.
Nós nos conhecemos a algumas semanas. Você tem sido o cara legal que me leva para sair e eu realmente gosto de beijar você. Mas quando eu soube que eu teria que partir foi... Estranho. Eu senti saudade de você antes mesmo de ir. Meu Deus, você vai me achar louca. Qual meu problema? Nós mal nos conhecemos. E mesmo assim cada dia parece que não é completo se não for com você. Quer dizer, nós compartilhamos do mesmo sorvete favorito. Minha mãe diz que isso é ligação suficiente (mas nós não devíamos ouvir minha mãe, ela é só uma mulher casada e feliz há 27 anos). Eu não sei se você já se sentiu dessa forma, mas é estranho como uma única pessoa pode mudar todo o seu dia. Um toque, um sorriso, um olá e puff!, seu dia está feito. É ridículo na verdade. Ninguém devia ter esse poder sobre ninguém. Mas vou ser sincera (acho que sou boa nisso), você tem esse poder sobre mim. E eu oro todo dia para que eu tenha esse poder sobre você. Então, eu vou passar esse tempo longe e eu podia te pedir um milhão de coisas, mas eu só quero uma: Por favor, não se apaixone por mais ninguém. Porque eu vejo coisas demais no nosso futuro para que não demos uma chance a isso. Então se você puder me esperar, eu juro que agradeceria. Se você quiser esperar a garota que dirige mal, leva amigas alcoolizadas para casa e que invade seu espaço roubando seu sorvete, por favor espere por mim. Espero e eu juro que vai valer a pena. Espero que você esteja disposto para uma aventura (isso soou tão sexual, ignore isso). Enfim, tenha um bom verão. E fuja de mim se quiser. Só não queira.”
Sequei as lágrimas que escorriam e respirei fundo.
- Eu só quero – Aaron também estava um pouco emocionado – Que você goste de mim como gostava nessa época.
- Isso é impossível. Agora, eu gosto muito mais – eu disse segurando sua mão.
Fui em direção a Aaron e o beijei. Ele me puxou para seu colo e tirou minha blusa enquanto beijava meu pescoço.
- Isso é um adeus? – Aaron perguntou enquanto deslizava as mãos pelo meu cabelo.
- Um até logo – eu disse e passamos a noite juntos em seu carro.
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