Quantas Vezes?
28 Uma conversa nada produtiva
Notas iniciais
- Aonde ele está? Fala pra mim? – Eu disse tentando me levantar.
- Ele ta no quarto do lado, e você vai ficar quietinha aí – Pedro me deitou na cama.
- Não vou – Emburrei.
- Vai, além do mais ele ta fazendo o mesmo que você, ele não quer te ver – Pedro ignorante sempre.
- Cala a boca, e eu sei que isso não é verdade. – Olhei suplicante pra todos.
Depois da nossa conversa o médico me liberou e me deu um par de muletas, depois disso fomos pro quarto do Diego, eu implorei pra isso.
- Di? – Eu coloquei a mão em seu peito.
- Oi Manu – Ele disse rouco – Não devia estar aqui, não queria mais me ver lembra? – Ele virou o rosto.
- Diego para, olha aqui – Eu virei o rosto dele com a mão. Ouvi um breve gemido.
- Hey, ta doendo mais cuidado. – Ele segurou minha mão para tira-lá dali. O toque entre elas foi intenso o que nos fez olhar um pro outro por mais tempo. Gaguejei.
- Bom, enfim vamos embora – Falei pro Pedro.
- Temos que esperar o médico dar alta pro Di, logo logo ele vem.
- Tá – Eu me virei para me sentar em uma poltrona azul no canto da quarto ao lado da janela, enconstei minhas muletas na mesinha ao lado e sentei.
Esperamos um bom tempo ali, acho que uns 30 minutos quando o médico apareceu.
- Bom, o Diego vai ter que ficar aqui por mais uma noite. – O Médico alto magro, loiro, meio velho nos disse.
- Legal, e agora? Alguém vai ter que dormir aqui. Nós temos uma festa pra tocar hoje Diego, aquela que você ia, e não dá pra cancelar. – Pedro me olhou.
- Nem vem – Eu disse me levantando – Eu estou fora de condições, preciso de uma cama não de uma poltrona.
- Isso não é problema – Médico disse sorrindo.
Filho da puta, ele não entendeu que eu não quero dormir aqui? Aliás, que eu não vou dormir aqui?
- Bom, eu peço pra enfermeira trazer mais uma cama e tudo estará resolvido – Eu odeio esse médico.
- Ok, tudo bem, eu fico, já que não tenho outra escolha. – Eu sentei emburrada.
- Não quer ficar Manuella? – Diego perguntou.
- Não, nem um pouco, quero ir pra casa. – Seca quase nada.
- Ok, vá então. Eu fico aqui sozinho, não tem problema, to acostumado. –Ele disse com a voz baixa.
- Deus que drama! Eu fico, nossa. – Eu bufei. — Ok, então mais tarde eu volto com as minhas coisas. – Me virei para sair.
Fomos pra casa, passava da hora do almoço, comi alguma coisa, arrumei minhas coisas, fiquei a tardinha lá sem fazer nada, tomei banho e pedi pro Pedro me levar pro hospital umas oito horas.
- Pedro vamos? Se não eu desisto. – Peguei minha bolsa.
- Vamo, calma ae. – Ele apareceu com as chaves na mão.
Bom no meio do caminho até o hospital eu fiquei pensando em como iria ser essa noite com o Diego. Eu não queria pensar nisso mais era inevitável, quando nós brigamos feio, alguma coisa acontece que nos torna sensíveis, e daí a gente volta, sem explicação nenhuma de nada. Então tudo se acumula sem explicações. Bom, chegamos. Entramos pela salinha do hospital, dei o meu nome, e subi, o quarto dele era o 22. Bati na porta e logo entrei.
- Oi – Eu disse e fui jogando as minhas coisas em um canto.
- Até que enfim, achei que não vinha mais. – Diego tentou se levantar.
- Deitado! Você não pode levantar. – Eu sentei na poltrona.
- A culpa disso aqui é sua, então não me ordene o que fazer. – Ele disse duro.
- Minha culpa você ser um psicopata que se atira com o carro em um poste? Legal saber – Eu sorri sarcástica.
- Ok, eu sou um idiota – Ele se sentiu derrotado.
- Finalmente! Achei que nunca iria admitir – Nós dois rimos.
- Isso não é pra ser engraçado – Ele fez uma pausa seriamente dramática.
- Nunca foi, é a força do hábito. – Eu comecei a arrumar minha cama, ou melhor, MACA.
- Você não vai me perdoar? – Ele insistia.
- Tem algum motivo concreto pra eu fazer isso? – Eu me virei pra ele.
- Você me ama – Ele disse baixo.
- Isso é abstrato, não posso ver nem pegar – Eu sorri irônica e me virei pra onde eu ia dormir.
- Mas pode sentir – Que droga, ele vai insistir nisso?
- Diego, entende uma coisa, eu não sei por que você fez aquilo, sinceramente eu não entendo a gente tava bem, e do nada você fica bêbado, e fica com uma qualquer aí. – Francamente!
- Eu não queria ter ficado com ela, aliás nem sei porque eu fiquei, aliás mocinha, eu não fiquei, só flertamos é diferente, e eu estava bêbado.– Ele cuspiu as palavras.
- Não é desculpa, eu fiquei bêbada várias vezes na sua presença, e não flertei com ninguém se prefere assim, além do mais, flertar é trair. – Eu comecei a me deitar.
- Pijama? – Ele me jogou o que estava na minha bolsa. – Foi a força do hábito como você diz. – Ele riu.
- É? Explica que eu não entendi. – Cruzei os braços, e escorei na maca.
- Eu sou o Diego Cunha Silveira lembra? Vocalista gostoso da banda Cine, que está estourando no momento – nem tanto – vou as baladas, sou o mais baladeiro da banda, só pego as gatas, e vou as melhores festas, de repente a garota mais linda do universo apareceu, bagunçou tudo, e me tirou da rotina, não que isso não seja bom, mas eu não me adaptei fácil, tive uma recaída pelo antigo Diego, e deu no que deu, eu Diego, apenas Diego, to aqui pedindo perdão pelo que o outro Diego fez, eu fiquei estarrecido, e você sabe o resto. – Ele suspirou no fim. – Fim.
- Terminou? – Eu sorri.
- Sim – Ele retribuiu o sorriso.
- Ok, boa noite. – Me virei na cama.
- Não seja tão dura Manuella, você sabe que em outras circunstâncias me perdoaria.
- Em outras, nessa não – Eu ri. – E eu to com muito sono, me deixa.
- Tá então, não tem jeito mesmo. – Ele gritou.
- Quer saber? O que fez o Diego Cunha fazer isso se ele sabia que sua namorada estava lá? – Eu sentei.
- Diego Cunha Silveira não tem namorada. – Ele piscou.
- Cínico! Não podia ser pior.
- A qual é, eu mudei e você acompanhou isso desde o ano novo, aliás eu tenho 4565486 meninas lá fora querendo saber como eu to, a maioria delas, lindas e maravilhosas,algumas até mais do que você, não que eu ache isso, já que eu tenho tudo isso porque eu iria insistir em uma chata, arrogante, e ignorante igual a você? Estaria perdendo meu tempo, mas eu sei que eu não to. Eu te amo, mas que porra.
- Achei que isso fosse uma conversa civilizada. – Tom irônico.
- E é, mas eu não agüento mais, esse seu nhe nhe nhe que você faz toda vez que a gente briga, sabe não é o caso, mas um dia algum idiota ai iria cansar disso que você faz sempre, e você ia se ferrar com vigor. – Ele disse rapidamente.
- Quer saber Diego? Pode ser o Dieguinho de sempre, não vou mais atrapalhar.
- Ótimo. Boa noite. – Ele se virou.
- Idem. — me virei também.
Que abusado, como ele fala assim comigo? Ele tem merda na cabeça? – Para Manuella! Ele ta certo e você sabe disso, hora que você perder, você vai correr atrás, como sempre – Pois é, mas eu não dou o braço a torcer tão fácil, mais um tempinho, quem sabe um dia ou dois pra ele implorar um pouco mais. – Como você é juvenil Manuella! – Eu sei que sou.
- Bom dia pessoas – O médico entrou no quarto.
- Já posso ir? Diego ansioso.
- Pode sim, você e sua namorada estão liberados.
- Hey, eu não sou a namorada dele! – Acordei.
- Ok, desculpa.– Ele sorriu sem graça.
- Vamos Diego, quero ir pra casa logo.
Arrumamos nossas coisas, descemos, e entramos no carro do Pedro que havia deixado lá tarde passada e ido embora com o Dan.
- Você vai ficar aonde? – Diego perguntou segurando firme o volante.
- Que pergunta idiota, vou pra casa do Pedro. – Eu me ajeitei no banco.
- Ah, achei que você ia pra casa do seu namoradinho Navega. – Ele riu.
- Cala a boca, ele nem deu a mínima pro que aconteceu com você, eu não vou ficar com uma pessoa assim.
- A pessoa tem que dar importância pra mim então pra ficar com você? Eu me importo comigo mesmo. – Ele riu de novo.
- Percebi quando você se atirou com o carro no poste. – Sorri.
- Ah não enxe. – Ele ficou sério.
- Você começou com isso.
Chegamos no Pedro, ele desligou o carro e travou as portas.
- Me deixa sair? – Eu tentava abrir a porta.
- É sua última chance, você vai me perdoar e voltar pra mim? – Ele soltou o cinto dele se aproximando sério.
- Não. Agora abre o carro – Eu soltei meu cinto.
- Ok, pode ir, tchau.
Bati a porta, e entrei na casa.
- O Diego já foi? – Pedro apareceu na entrada.
- Já, e foi tarde.
- Como foi lá? – Ele curioso.
- Acha mesmo que eu vou te contar alguma coisa? – Eu ri.
- Devia, conta só um pouco vai.
- Ele pediu perdão, e disse que não era o caso, mas uma hora alguém iria enjoar do meu nhe nhe nhe, e desistir de mim, e blá blá blá, mas meu charme sempre funciona.
- Tá fudida – Ele saiu balançando a cabeça.
- O que? – Eu fui atrás dele.
- Nada, tem show ainda hoje, quer ir? – Ele sentou na mesa da cozinha.
- Quero, aonde é? – Eu escorei na mesa.
- Na Mezzanine, lá em santo André.
- Ok, eu vou.
Bom, eu liguei pra Mari e ela iria comigo, bom ela já ia por causa do Dan, mas enfim, almoçamos, e eu fui pro meu twitter, aonde me bombardeavam sabendo queterminamos e que a culpa era minha. “ @ManuCaropreso Ele fica bêbado e eu sou a infantil? Legal.” Depois disso passei a tarde vendo um filme lá, tomei banho e me arrumei pro show.
- Vamos? Temos que ir pro estúdio pegar a Van.
- Essa Van tinha que ficar aqui – Eu bufei.
Fomos pra lá, encontramos todos, Diego estava indiferente em relação a mim, foi gentil e tal, mas nada de mais, partimos pro show.
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