Quando voltarmos para casa

7 As memórias de Zed e o conflito entre o Sol e a Lua


Notas iniciais
Boa leitura ♥

Diana

— O cara da recepção disse que eles se mudaram há alguns dias. – Diana disse, enquanto saía do pequeno prédio.

— Você sabe para onde? – Annie perguntou.

— Ainda não.

— Espera, por que diabos Syndra e Zed estariam morando juntos? – Teemo entrou na conversa.

— Você não sabia? – Vi começou a explicar. – Esses dois são o casal mais estranho que eu já vi.

— Enfim, foco. – Diana interrompeu. — Eu vou procurar por informações, mas antes há mais gente na lista para procurarmos. Outro detalhe: encontrei Lux, Garen, Katarina e Ezreal na mesma cidade. Aparentemente eles não se preocupam em serem discretos. Enviei e-mails e até uma vídeo chamada para tentar convencê-los, pois não temos tempo para viajar até a Flórida.

— Eles responderam? – Annie perguntou.

— Ainda não. Acho que eles não vão acreditar em um e-mail.

Os três começaram a pensar no que fariam para convencer o quarteto a ajudá-los, até que Tristana abriu a porta do carro, enfezada:

— Será que podemos ir logo?

— Esperem. – Diana virou-se para o trio, antes de subir os degraus da entrada da casa. – Eu queria deixar claro que só estou vindo aqui porque realmente não temos muitas opções.

— Não entendi. – Teemo comentou. Vi e Annie fizeram a mesma cara de dúvida.

Tristana, com Gnar no colo, observava confusa de dentro do carro a hesitação de Diana.

Suspirando, a serva da Lua bateu na porta. Esperaram cerca de quarenta segundos.

— Oi, posso ajudar? – Uma mulher de cabelos pretos e olhos cor de mel abriu a porta de madeira branca. A casa emanava um cheiro de chocolate e de biscoitos assados.

— Olá, eu... – Diana começou a falar, mas assim que abriu a boca a mulher arregalou os olhos, reconhecendo-a.

— Quê?! – Ela disse, chocada.

— Perdão? – Diana não entendeu a reação da mulher, muito menos o trio que a acompanhava.

— Não é nada, pode falar.

— Ahri, eu não sei ao certo se você se lembra de mim, mas preciso falar com você. E com a sua amiga. É um assunto importante, relacionado a Runeterra.

Ahri sorriu de forma forçada, pensando o quanto aquilo poderia dar errado.

— Ah, eu me lembro de você sim. De vocês todos, na verdade. – Respondeu. – Por favor, entrem.

Os quatro seguram Ahri, atravessando um pequeno corredor de entrada até chegarem na sala de estar.

A cada passo Diana ficava mais tensa. Annie e Teemo entreolharam-se quando perceberam. Ahri também tinha o pressentimento de que a conversa não seria agradável.

— Sentem – se. — Ahri disse e então virou-se para Diana – Ela saiu para comprar café, mas já deve estar voltando. Vou pegar biscoitos.

— Ela quem? – Vi perguntou.

— Ahri não mora sozinha. – Diana respondeu, tentando evitar a pergunta.

— Eu sei, babaca. Com quem ela mora? – A lutadora de boxe insistiu.

— Vocês vão vê-la daqui a pouco. – A serva da Lua suspirou – Aliás, vocês deveriam ter ficado no....

Quando ia terminar de dizer, foi interrompida por um estalo, vindo da porta de entrada. Passos aproximaram-se da sala de estar, acompanhados por uma voz feminina:

— Ahri, tem uma garota muito estranha com uma criança lá fora. Ela disse que era para eu entrar. O que está...

Ahri, que estava vindo da cozinha, pôde ver a ruiva parando no meio da entrada da sala, estranhando tantos rostos em sua casa. Um deles em especial.

Diana abaixou o rosto para não ter que encarar a ruiva, cujo semblante mudou drasticamente ao reconhecer a serva da Lua. Ahri sentiu o clima tenso e percebeu que precisava amenizar a situação. Ainda com a bandeja de biscoitos em mãos, ela tentou explicar:

— Oi Leona. Então, estes são Vi, Teemo, Annie e....

— O que você quer aqui? – Leona falou friamente, dirigindo-se a Diana. Ahri encolheu ao perceber o tom de voz dela.

Vi, Teemo e Annie encararam Diana, que permaneceu com a cabeça baixa com alguns segundos antes de olhar nos olhos cor mel da ruiva.

— Não é o que você está pensando, juro. Eu só preciso que você e Ahri escutem o que eu tenho a dizer. É importante. – Explicou.

— Por que eu deveria ouvir você? – Leona parecia guardar algum tipo de rancor.

Antes que Diana pudesse responder, Ahri interveio.

— Leona, por favor. Eu acho que é importante. Vamos pelo menos ouvir.

A ruiva pensou por alguns segundos. As possibilidades de que ela fosse se arrepender não saíam de sua mente. Porém cedeu.

Diana explicou tudo nos mínimos detalhes, tentando evitar olhar para Leona. A cada palavra Ahri arregalava mais os olhos, impressionada e espantada ao mesmo tempo.

Quando ela terminou, deu um tempo para que as duas processassem as informações que tinham ouvido.

— Nós precisamos ajudar! E voltar para casa. – Ahri virou-se para Leona.

A ruiva levantou-se do sofá, suspirou e começou:

— Escute Diana, eu não sei como você tem coragem de vir até aqui. Também não sei onde quer chegar com essa história. Mas tenho certeza de uma coisa: isso é tudo uma armação sua, para ganhar alguma coisa que irá te favorecer. Pessoas como você não mudam e eu nunca vou confiar em você de novo. Eu não vou ajudar. Seja lá o que esteja tramando ou não, problema seu.

Diana fechou os olhos com força: ela sabia que aquilo aconteceria. E então, milhares de memorias tomaram conta de sua mente. Leona parecia estar furiosa com o silêncio interminável dela e Diana sentiu que só havia uma maneira de resolver a situação: contando a verdade.

A ruiva cansou de esperar por uma resposta da serva da Lua e começou a caminhar em direção a porta de entrada. Diana percebeu que não podia deixa-la ir. Levantou-se, precisava esclarecer tudo e, mais do que isso, precisava da ajuda de Leona e de Ahri.

— Eu amei você. – Disse, após suspirar, fazendo com que a mulher parasse de andar. – Eu amei você de verdade. E também sofri com isso.

De costas, ela sentiu a mesma dor que Diana ao ser tomada por memórias antigas.

— Acho que é hora de irmos para outro lugar. – Ahri levantou-se, puxando consigo os três que estavam no sofá. Foram para fora da casa, passando por Leona, que ainda estava parada.

Viram Tristana e Gnar no jardim, enquanto Vi veio protestando:

— Porra, agora que as coisas iam ficar mais interessantes!

— O que aconteceu entre elas? – Annie perguntou.

Ahri suspirou e, depois de alguns segundos, começou a explicar:

— Diana e Leona nasceram na tribo dos Solari, ou seja, os servos do Sol. Elas cresceram juntas e eram inseparáveis, até que um dia Diana encontrou pergaminhos antigos, de uma tribo já extinta, a tribo dos Lunari. Os Lunari tinham sido dizimados pelos Solaris, que não admitiam um povo que não louvasse o Sol. Porém Diana passou a estudar os pergaminhos e confessou para Leona que se identificava mais com a Lua do que com o Sol, o que era um crime contra a tribo.

Ahri parou por um instante, olhando o sol das quatro da tarde e a movimentação das pessoas, que entravam nas casas preparando-se para a ceia de Natal.

— Diana passou a frequentar diariamente a caverna onde os pergaminhos estavam. – Continuou. – Treinou e aprendeu muito rápido como dominar a magia vinda da Lua. O treinamento dos Solaris era obrigatório, porém uma pessoa não consegue usar os poderes do Sol e da Lua ao mesmo tempo, então Diana foi descoberta. O grupo de anciões da Tribo Solari determinou que ela receberia pena de morte.

— Pena de morte? Por quê? Isso é injusto! – Annie sentiu pena e indignação.

— Os Solari tinham essa tradição, infelizmente. Qualquer um que recusasse o Sol deveria ser morto.

— As pessoas deveriam poder fazer suas próprias escolhas. Todos nascem com pensamentos diferentes e devem ser respeitados. – A garota ainda discordava.

— Eu sei, é complicado. – Ahri continuou. – Quando os pais de Diana tentaram escondê-la, eles é quem acabaram sendo executados. Ela sentiu-se culpada e conseguiu fugir para longe dali. Devia ter uns 15 anos na época. Voltou alguns anos depois, com 19, bem mais forte e dominando por completo o poder da Lua. Ainda era procurada, portanto manteve contato apenas com Leona, dizendo que queria voltar a servir o Sol. As duas se apaixonaram ao mesmo tempo em que Leona ensinava a ela como voltar a usar os poderes dos Solari. Só que Diana, além de fingir que estava aprendendo, estudava a rotina da vila. Em um dia de lua cheia, ela adentrou os portões da Tribo Solari e matou os cinco anciões, por vingança.

— Mas o que aconteceu com Leona? – Teemo perguntou.

— Diana foi embora e a deixou. Bem, isso foi o que Leona me disse. Depois do assassinato dos anciões, houve uma guerra interna na tribo, entre aqueles que concordavam com as tradições e aqueles que queriam ser mais pacíficos. A tribo se destruiu até que sobrassem apenas algumas pessoas espalhadas pelo Monte Targon.

— De que lado Leona ficou? – Foi a vez de Annie.

— Ela nunca concordou com certas tradições de sua tribo. Sempre foi a favor da vida, não importava qual, portanto, quando a tribo entrou em colapso e culparam os anciões por não terem matado Diana, ela ficou do lado dos pacificadores, tentando ajudar.

Ahri suspirou, sentindo muito por Leona. Teemo, Vi, Annie e até Tristana estavam pensando. A possibilidade de que estivessem sendo enganados por Diana surgiu na cabeça dos quatro.

— Não, você só me usou. – Leona finalmente virou-se para Diana. – Me usou para destruir a tribo.

— Por favor não diga isso. Eu não queria destruir a tribo, queria justiça, pelos meus pais. Meu plano era entrar e matar os anciões, mas conheci você no meio do caminho. Passei muito tempo com você, mais tempo do que eu precisava. Tudo porque eu amei você, como nunca amei ninguém, e não conseguia deixá-la. Pensei mil vezes em desistir e te chamar para ir embora comigo, para começarmos uma vida em um lugar tranquilo. – Algumas lágrimas ameaçaram cair dos olhos de Diana.

— Os anciões não mereciam ter morrido. Mudou alguma coisa?

— Meus pais também não. Você sabe que me arrependo por ter destruído a tribo, mas eu não sabia que isso ia acontecer.

— Eu tentei ajudar seus pais, doeu em mim da mesma forma que doeu em você. Pantheon e eu estávamos organizando para tirar os cinco velhos do poder, de forma pacífica. Eles eram ridículos com suas leis extremistas, porém não mereciam morrer. A morte deles trouxe a guerra, você nem pensou nisso.

— Leona, se houvesse uma forma de voltar atrás, eu voltaria. Agora estou tentando fazer algo que acho certo, por favor tente entender isso. Não quero mais cometer erros. Se eu quisesse, poderia deixar todos para trás e ir sozinha, fazendo algum tipo de acordo com a doente da LeBlanc. Mas eu sei que seria injusto e que não sou a única que quer voltar.

— Como posso confiar em você de novo, Diana? – A voz de Leona saiu fraca, ela tentava segurar o choro.

— Esta é a sua decisão. Mas eu preciso, de verdade, da sua ajuda. LeBlanc tem um tanto considerável de seguidores, e eu não sei se meu “time” terá alguma chance. Escute, sei que não mereço sua confiança de novo, mas não estou pedindo este favor por mim. Eu sei que você quer ir para casa, pense nos outros que querem voltar também. Quando chegarmos lá, pode me julgar e me ignorar pelo resto de sua vida. Mas antes disso, por favor, pense bem. Nunca fui tão sincera em toda a minha vida.

Leona começou a chorar. Ela se xingava mentalmente por não conseguir segurar suas lágrimas.

— Eu esperei por você. Não acreditei em nada do que contaram, na minha cabeça você não era uma assassina. – A ruiva disse, enquanto pegava um colar, que estava escondido debaixo de sua blusa.

O colar continha uma pedra da Lua, amarrada em um cordão preto. Diana o reconheceu imediatamente: ela tinha feito o colar para Leona.

— Naquela noite eu voltei para a sua casa. Te vi dormindo e não consegui te acordar. Me arrependi no momento em que pensei em você. Eu agi por impulso quando matei os anciões. Me desculpe. – Diana disse, quase chorando, enquanto puxava um colar semelhante de debaixo de sua jaqueta.

A diferença era que o colar de Diana possuía uma pedra do sol: uma pedra alaranjada, com vários pontinhos brancos.

Leona surpreendeu-se.

— Você guardou?

— Você guardou o seu. – Diana explicou.

As duas permaneceram em silêncio, segurando seus respectivos colares.

Até que Diana percebeu que precisava ir embora.

— Eu preciso ir agora. Depois que eu terminar de conversar com máximo de pessoas possível, vou para um aeroporto particular, aqui na cidade mesmo. Tenho um amigo que me deve um favor e ele nos levará para a Inglaterra. Isso deve ocorrer em menos de uma semana, então preciso que você pense rápido. Eu ligo para vocês quando estiver indo.

Leona subiu o olhar, encarando-a.

— Tudo bem. – Disse, enquanto enxugava as lágrimas.

Quando as duas saíram, todos estavam sentados na varanda e perceberam que o clima tenso havia acabado. Ahri agradeceu mentalmente por elas terem tido uma discussão pacífica e não destruírem a casa.

— Então – Vi colocou a cabeça no espaço entre os bancos da frente do carro e olhou para a Diana – Quer dizer que você é sapatão, hein? Bem-vinda ao time. Não me leve a mal, mas eu nunca ia imaginar isso. Sabe, você se parece com aquelas mulheres cultas que vão para a igreja todos os dias.

Diana tirou a atenção do trânsito e encarou Vi, pronta para dar uma resposta nada educada. Mas, antes que pudesse abrir a boca, foi interrompida por Annie.

— Para onde vamos agora?

A mulher voltou sua atenção para o volante e suspirou, respondendo a pergunta:

— Vocês têm sido bem prestativos, e hoje é véspera de Natal. Merecem um descanso. Amanhã procuraremos por Zed e Syndra.

Todos suspiraram aliviados. Até Diana sentiu-se assim. Era cansativo passar o dia todo procurando e a discussão com Leona tinha deixado a serva da Lua mais exausta ainda.

Eles foram até um apartamento de Diana, onde passariam a noite. Para Vi e para os mais jovens, aquilo parecia um palácio. Não ficava em um hotel cinco estrelas, mas era o lugar mais requintado que já haviam pisado.

Teemo, Tristana, Annie e Gnar sentaram-se no enorme tapete felpudo da sala e ficaram conversando, enquanto Diana e Vi preparavam uma janta na cozinha. Depois de um tempo, Annie ofereceu-se para ajudar.

Jantaram como uma família. Aparentemente estavam felizes, rindo e conversando sobre todo tipo de assunto. Mas, no fundo, todos estavam indecisos, tensos e com problemas.

Diana não conseguia parar de pensar na conversa com Leona. Annie ainda estava pensando que se arrependeria caso voltasse, ao mesmo tempo em que desconfiava da honestidade da serva da Lua. Teemo, Tristana e Vi também tinham suas desconfianças relacionadas a Diana. Porém todos queriam aproveitar o momento, pensavam que aquele provavelmente seria o jantar mais normal que teriam nesta dimensão.

Depois de comerem até não aguentarem mais, os mais jovens voltaram para a sala, Vi foi sentar-se na sacada e Diana foi para um quarto, com a desculpa de que precisava descansar. Mas sua real intenção era procurar por algo importante. Estava perdendo tempo, não podia mais esperar.

Dirigiu-se até o quarto onde estavam as mochilas dos quatro mais novos e abriu a menor: uma verde com desenhos de dinossauros.

Revirou as coisas de Gnar e não encontrou nada que se parecesse com um sino. Desesperada, começou a pensar onde ele poderia tê-lo guardado. Até que avistou o bumerangue do menino, jogado em cima da cama.

Mexeu em todo objeto e procurou por qualquer sinal de que o sino poderia estar dentro dele, mas não encontrou.

Frustrada, sentou-se na cama. E se Gnar não fosse a criança?

Syndra

Depois do último encontro com Shen, Syndra decidiu se mudar para um novo apartamento junto com Zed.

De acordo com ela, Shen levaria mais tempo para encontra-los. Zed discordava, mas obedeceu.

Naquela noite, Syndra tinha ido dar uma volta na cidade. Todos os anos, na noite do dia 24 de dezembro, ela caminhava pelo Central Park. Gostava de assistir aos corais, ver a rotina das pessoas e as performances de Natal. Tudo a deixava mais feliz.

Depois, voltou ao apartamento. Tropeçou em algumas caixas da mudança e então notou uma luz vindo da sala. Uma luz estranha, que piscava descontroladamente.

Quando chegou na porta da sala, viu Zed tentando arrumar as luzes de natal em uma árvore. A árvore tinha sido decorada por ele mesmo, portanto não estava perfeita. Mas foi o suficiente para que Syndra quase começasse a chorar.

— Ah, oi – o ninja percebeu a presença da mulher. – Eu tentei montar isso, porque sei que significa algo para você, mas é mais difícil do que parece.

Ela não disse nada, apenas aproximou-se devagar. O esforço de Zed para fazer algo que a agradasse significava muito. E então ela começou a se lembrar das outras vezes que ele fizera algo parecido.

— Syndra, eu fiz algo de errado? – Ele perguntou, vendo-a tentar segurar o choro – É que o outro apartamento estava decorado, eu pensei que você ia gostar.

— Não, por favor, não pensei isso! – Ela respondeu rapidamente. – Eu amei, Zed. De verdade. Ninguém nunca fez algo do tipo para mim.

Aliviado, ele suspirou.

— Eu também queria te dar isso. – Disse, enquanto retirava uma caixinha no bolso.

Quando Syndra abriu a caixinha, ficou surpresa ao ver dentro dela um colar, que pertencera a mãe de Zed.

Aquela foi a gota d’agua para ela, que não conseguiu segurar o choro.

Ela tinha gostado, aquilo tudo significava muito. Mas preferia que Zed não tivesse feito. Preferia que ele fosse o ninja assassino e frio que todos descreviam. Talvez assim ela não se apaixonasse por ele.

— Você não pode. – Disse, limpando algumas lágrimas do rosto. – É importante para você, eu não posso aceitar.

— Como você sabe?

— É que... Zed, por favor, eu não posso. Droga, você não colabora. – Ela virou o rosto, numa tentativa de escapar dele.

Os dois ficaram algum tempo em silêncio. Zed a compreendia, e então resolveu explicar:

— Eu me lembro. De tudo.

Syndra virou-se em direção a ele. Seria possível? Ele não esperou ela dizer nada, apenas continuou:

— Naquela noite, na festa, você estava bêbada e me contou algumas coisas. Quando saiu, antes de Shen aparecer, eu forcei tanto minha mente que consegui me lembrar. Veio tudo de uma vez. A Sombra é mais fraca aqui, acho que foi por isso que eu consegui. – Ele suspirou. – Mas o que importa é que eu entendo agora. Sabe, eu lembro do dia em que fui contratado para matar uma mulher e eu comecei a rir, pensando o quanto seria fácil. E eu quase matei você, mas, por algum motivo, você era diferente de todas aquelas que eu já tinha conhecido. Também se parecia comigo: era considerada um monstro por possuir um espírito incontrolável dentro de si. E então eu te ajudei, assim como você me ajudou. Me tornei uma pessoa melhor, e, quando vi, não conseguia mais me imaginar sem você. Eu me apaixonei e consigo recordar tudo o que eu sentia ao estar perto de você. Era uma mistura de sentimentos que até me assustava as vezes. Senti isso todas as vezes que te conheci de novo. E agora eu me recordo de cada uma dessas vezes, e em todas elas você sempre me impressionava.

Syndra ouvia tudo com atenção. Algumas lágrimas rolavam por seu rosto e Zed continuou:

— Eu nunca quis te machucar. Eu errei muitas vezes, me desculpe Syndra. Eu sou capaz de passar essa droga de sombra para o Shen, ou para qualquer outro, só para nunca mais errar com você de novo. É que... – ele fechou os olhos com força, tentando segurar o choro antes de continuar – eu amo você. E não sei se eu estou fazendo isso da forma correta. Talvez eu devesse deixar você seguir sua vida e....

— Não! – Syndra o interrompeu. – Por favor, não. Eu não consigo, Zed. Eu pensei que fosse cansar de você depois de tanto tempo, mas isso nunca aconteceu. Conheci outros homens, mas nenhum deles me fazia tão bem quanto você. E, quando percebi, eu estava apenas tentando te substituir. Então, por favor, não me deixe de novo.

Quando terminou de dizer, ela o beijou. E ele não recusou. Naquele momento, nada mais importava. Talvez Zed a esquecesse novamente no dia seguinte, mas os dois tentavam não pensar nisso: a necessidade de terem um ao outro era maior.

Aquele era um beijo que eles conheciam muito bem e nunca se cansavam.

Estavam desesperados, não conseguiam se separar nem mesmo para tomar fôlego. Syndra deixou a caixinha na mesa da sala, para poder envolver Zed com as duas mãos.

As coisas ficaram mais quentes, e ele afastou-se um pouco, olhando-a nos olhos, como se pedisse permissão para continuar.

Syndra nem pensou, apenas o beijou novamente. Então ele a pegou no colo, levando-a para o quarto.

Notas finais
Para esclarecer, a discussão de Leona e Diana ocorre ao mesmo tempo em que Ahri conta a história do lado de fora da casa. Espero não estar desapontando ninguém ao longo dos capítulos adkajsdkasd.