Quando voltarmos para casa
8 Uma disputa pela criança
Notas iniciais
Syndra
Syndra acordou com alguns raios de Sol que entravam pelas frestas da janela do quarto. Sonolenta, demorou a perceber que estava sozinha no quarto. Foi um choque, o sono passou
Nos primeiros segundos, ficou desesperada. Mas então, lembrou-se: estava acostumada.
Permaneceu alguns minutos deitada, tentando não pensar no fato de que Zed havia esquecido dela novamente. Depois, levantou-se e foi tomar uma ducha fria. Enquanto a água caía, ela olhava estaticamente para um ponto na parede. Sua expressão era fria, nem chorar ela conseguia.
Depois, parou em frente ao espelho. Na pia, deu de cara com a escova de dentes do ninja. Desviou o olhar, tentando escapar daquela sensação horrível que tomava conta de seu psicológico. “Esqueça isso, Syndra, você sabia que ia acontecer”, ela dizia para si mesma. Mas, mesmo assim, doía.
Trocou-se e saiu do banheiro, pronta para sair e tomar um café da manhã fora de casa. Mas, quando colocou o pé no corredor, sentiu um cheiro delicioso vindo da cozinha.
Virou-se, deu alguns passos e parou. Zed estava lá, arrumando a mesa para o café da manhã.
— Bom dia! – Ele sorriu, enquanto tirava um avental onde estava escrito “Kiss the cook”.
Syndra congelou. Ele não tinha ido embora, ele não tinha se esquecido. O que estava acontecendo?
Ela pensou em mil coisas para dizer e perguntar, mas olhou para a mesa cheia e tudo o que conseguiu soltar foi:
— Você quem fez tudo isso?
— Bem, eu comprei a maioria. Também comprei um kit que vinha com esse avental, e eu gostei da frase dele. Já sou irresistível, imagine com um troço assim! Pareço aqueles cozinheiros sexys. – Zed riu, e, ao ouvi-lo, todos os sentimentos ruins desapareceram da mente de Syndra.
— Você está bem? – depois De alguns segundos, ele aproximou-se dela, falando de forma mais séria. – Parecia triste. Você pensou que eu... que eu tivesse ido embora?
Syndra suspirou, balançado a cabeça rapidamente de um lado para o outro, como se tentasse evitar que este pensamento voltasse.
— Não importa. – Ela respondeu, aproximando-se também– Você está aqui e eu estou bem agora.
Os dois estavam a poucos centímetros de distância, e Zed não conseguiu se conter: puxando-a pela cintura, beijou Syndra de forma terna e carinhosa.
— A propósito – Disse, depois que afastou o rosto do dela. – Feliz natal!
Diana
Zed e Syndra haviam passado o dia fora do apartamento. Por isso, nas duas vezes em que Diana apareceu para conversar com eles, não os encontrou.
Decidiu que voltaria mais tarde, então avisou o resto do grupo enquanto passavam de carro em frente ao Central Park.
Percebeu os olhares dos mais novos, vidrados com a decoração e com as atividades no parque, tudo para a comemoração do Natal naquela tarde. Haviam brinquedos, barraquinhas de comida, pistas de patinação no gelo e até apresentações.
Ela decidiu parar o carro quando viu Gnar: ao perceber os olhos encantados do ruivinho, lembrou-se da vontade enorme que tinha de ter filhos. Planejara, há muito tempo, adotar filhos e passar o resto de sua vida com Leona. O jeito de Gnar (e até os cabelos ruivos parecidos com o de Leona) fizeram Diana pensar que adoraria ter um filho como ele.
Desceram no Park, Diana combinou um ponto de encontro com horário marcado e ofereceu-se para cuidar de Gnar. Annie, Teemo e Tristana demoraram um pouco para decidirem se iam deixar a criança com Diana. Mas cederam.
Vi saiu andando sozinha. Tristana também, só que foi para outro lado, tentando se afastar de Teemo e Annie. Diana permaneceu com Gnar, e, por algum tempo, esqueceu-se do sino ou das preocupações dos últimos meses.
Todos eles passaram horas ali. Se divertiram como nunca tiveram feito antes e até chegaram a duvidar se queriam voltar para casa.
Estava escurecendo quando Teemo e Annie desceram da roda gigante, e a garota avistou Tristana em uma barraquinha, jogando um jogo qualquer com Vi.
— Você já conversou com ela? – Annie virou-se para Teemo, enquanto caminhavam.
— Er... Não. – Ele respondeu, um pouco tenso.
— Por que não?
— Por que eu acho que apenas iria piorar a situação.
— Nós já falamos sobre isso, mas você quem decide.
— Annie, você não está entendendo. – Teemo parou. – Eu teria que mentir para ela, e não consigo.
— Como assim?
Ele hesitou antes de responder. Não sabia se estava fazendo a coisa certa.
— Nunca passou pela sua cabeça que talvez ela esteja certa, pelo menos sobre mim?
Annie começou a pensar. Tristana achava que ela e Teemo sentiam algo um pelo outro. Quando entendeu, arregalou os olhos, não sabia o que responder.
— Tia! – Quando estava prestes a abrir a boca, foi interrompida por Gnar, que veio correndo abraça-la. Atrás dele, Diana vinha caminhado.
— Já escureceu, é hora de irmos. — a serva da Lua disse. – Teemo, encontre Vi e Tristana para mim, acho que elas não voltarão tão cedo.
Teemo apenas balançou a cabeça positivamente, e saiu andando, levando Gnar consigo.
Annie estava olhando para um ponto fixo, pensando no que havia acontecido segundos antes e o que ela deveria fazer em seguida.
— Acho que esta dimensão também muda o nosso psicológico. – Diana afirmou, enquanto olhava fixamente para o mesmo ponto que a garota.
— O quê? – Annie saiu do transe.
— Na Runeterra, parecia que era mais fácil viver sozinha. Aqui, é impossível. Nós nos apegamos às pessoas mais facilmente. Somos guiados pelos sentimentos, e lá, éramos guiados por honra e dever.
— Você ouviu minha conversa com ele?
— Apenas o final. Mas eu já sabia disso, e também sabia sobre Tristana. A questão é que eu nunca vi um yordle com este tipo de olhar antes. Teemo não consegue tirar a atenção de você, parece que ele fica feliz só de te ver. Não sei como você demorou a perceber.
Annie corou. Não sabia o que responder.
— Não se preocupe – Diana continuou. – Também levei um tempinho para perceber o meu problema com Leona.
— Como assim?
— Antes de irmos até a casa dela, eu estive observando-a por um tempo. E sentia algo que nunca senti antes. Fiquei assustada, mas era uma sensação boa.
— Você ainda ama ela, né?
— Sim. – Ela suspirou. – Mas, ao mesmo tempo em que meu sentimento foi ampliado, o ódio dela por mim também foi. Mas, então, o que você vai fazer?
— Eu não sei. Realmente não sei.
— Bem, espero que tudo dê certo. Todos merecem reciprocidade.
Annie ficou em silêncio. Olhou para frente e viu o resto do grupo voltando. Tudo parecia estar confuso, ela não conseguia ter certeza de nada do que estava sentindo. Esperava que a situação ficasse clara logo.
Minutos depois, estavam parados do lado de fora do prédio. Diana havia entrado sozinha, e estava conversando com Zed e Syndra.
— Se você quiser, podemos voltar. – Zed disse, depois que Diana saiu.
— Você sabe o que iria acontecer, certo? – Ela olhou para ele, quase chorando.
— Eu iria... esquecer de você. – As palavras doeram em ambos.
— Você acredita nela?
— Por que ela mentiria?
— Eu não sei. – Syndra suspirou. – De qualquer forma, ainda temos alguns dias para pensar.
Diana estava calada, apenas concentrada no trânsito. A questão é que ela não estava conseguindo o que queria: esperava um grupo maior. Do jeito que estava, não teria a mínima chance contra o grupo de LeBlanc.
O som de seu celular interrompeu seus pensamentos: era Leona. Quando atendeu, Leona disse que ela e Ahri estavam preparadas para irem também. Combinaram um ponto de encontro e, depois, voltariam todos juntos para o aparamento de Diana.
Já no ponto marcado, estavam esperando dentro do carro quando Diana notou algo diferente dos pequenos flocos de neve que caíam: uma aranha, caminhando pelo vidro da janela. Um bichinho bem familiar. Tirando o foco do aracnídeo, viu uma mulher de preto, parada na neve, do outro lado da rua.
A mulher estava sorrindo. Diana estremeceu.
— Precisamos ir. – Gritou, enquanto ligava o carro. – Agora!
O resto do grupo ficou sem entender. Diana desesperou-se ainda mais quando percebeu que o carro não ligava. E Annie foi a primeira a notar aranhas saindo de todas as frestas do veículo, incluindo pelas grades do ar condicionado.
Ao ver o carro sendo tomado por aranhas, entenderam tudo. E, num pulo, todos os seis desceram do carro.
Tristana pegou Gnar no colo, e Diana, seu cajado, antes que as aranhas o destruíssem. Annie pegou as principais mochilas do grupo, com a ajuda de Vi e Teemo.
Afastaram-se alguns metros e puderam ver o carro ser completamente destruído por milhares de aracnídeos.
Estavam aflitos, tentando tomar fôlego quando ouviram uma risada feminina. Olharam para o mesmo ponto, e perderam as esperanças que ainda lhes restavam.
LeBlanc vinha caminhando devagar, vestindo roupas normais. Draven e Darius vinham do lado direito da mulher, e Elise, do lado esquerdo.
Kha’zix vinha um pouco atrás. Estava transformado em um humano, mas mesmo assim ainda era reconhecível: magrelo, andava com as costas curvadas e os pulsos dobrados. Seus olhos eram amarelos e ele andava com a boca semiaberta, deixando cair respingos de saliva por onde passava.
Talon vinha ao lado dele. O tilintar de suas lâminas podia ser ouvido a casa passo que ele dava. Pelo visto, ainda andava muito bem armado.
Um pouco mais afastado, vinha um homem loiro, de cabelos curtos e olhos vermelhos, que ninguém conseguiria reconhecer, não fosse pela bolsa de sangue que ele carregava. Com um canudinho, como se o sangue fosse apenas um suco. Vladimir.
— Olá crianças – LeBlanc ria, enquanto seu grupo cercava o grupo de Diana. – Poxa, achei que isso seria mais divertido. Eu trouxe até algumas pessoas a mais para a brincadeira.
A cada uma de suas palavras, Diana se contorcia de ódio.
— O que você quer? – Respondeu.
— Vocês têm algo que eu preciso. E eu vim pegar.
— Seja específica, docinho. – Vi entrou no meio.
— Sabem do que estou falando. A criança. Entreguem-me, agora.
Diana estremeceu. Todos olharam para Gnar, agora no chão, que estava nervoso e com seu bumerangue na mão.
Tristana foi a primeira a postar-se na frente dele. O resto fez o mesmo.
— Por que? — A yordle perguntou. — Se você quiser o Gnar, vai ter que passar por todos nós.
Vendo a reação do grupo, LeBlanc revirou os olhos.
— Neste caso... Teremos que fazer de outro jeito.
Draven e Darius retiraram suas armas de suas costas. Elise preparou as aranhas, Talon pegou algumas lâminas, Kha’zix ficou ainda mais elétrico com os olhos brilhando, e Vladimir jogou sua bebida fora, pronto para conseguir mais.
Tristana retirou de sua mochila uma bazuca pequena cujo resto do grupo nem sabia da existência. Vi estralou os dedos e o pescoço, preparando-se para socar a cara de um. Teemo pegou seus dardos, Diana olhou para a Lua em busca de apoio e Gnar parecia prestes a explodir de tanto ódio.
Annie sentiu-se deslocada. Todos ali pareciam conseguir lutar, e ela, desde que aprendera a controlar seus poderes, nunca havia tentado usá-los novamente. E, depois de um tempo, eles sumiram. Agora, ela não sabia como ajudar seu grupo.
Draven e Darius foram os primeiros a virem correndo. Vi entrou na frente, acertando o maxilar de Draven, e os três continuaram lutando.
Ao mesmo tempo, Talon surgiu, e Teemo conseguiu acertá-lo e ir atrás dele.
Kha’zix veio por trás, e quase conseguiu pegar Gnar, porém Tristana interferiu, atirando com sua bazuca.
Annie, assustada, pegou Gnar no colo, tentando segurar a vontade dele de entrar no meio da luta.
Vladimir e Elise foram atrás de Diana, só que ela era a que mais conseguia utilizar os poderes da Runeterra ali. Batendo seu cajado no chão, fez com que todos do grupo de LeBlanc sentissem a intensidade dos poderes da Lua.
Annie deu alguns passos para trás, observando as cenas, até que ouviu uma voz atrás de si.
— Olá querida.
Quando se virou, viu LeBlanc. Na verdade, um clone dela (ou a própria), pois, do outro lado da rua, ainda havia uma LeBlanc observando tudo com ódio.
— Eu vou facilitar para você. Seus amigos estão prestes a ser massacrados, como você pode notar. – LeBlanc postou-se ao lado da garota devagar, apontando para as lutas. – Então, como eu gosto de acordos, podemos fazer um. Que tal a criança pelo resto do grupo? Você tem a minha palavra de que ele não será morto depois que o utilizarmos.
Annie olhou para as lutas, iluminadas pelas luzes fracas dos postes, e tremeu ao ver o estado de seus parceiros.
Vi estava cheia de cortes, custando segurar os dois irmãos. Teemo também estava ferido, e Talon parecia brincar com ele. Kha’zix acertava Tristana de perto, sem dar nenhuma chance para que ela atirasse nele. Diana estava quase caindo de cansaço, por tanta magia utilizada, enquanto Vladimir e Elise continuavam sem esforço.
LeBlanc viu o desespero de Annie e sorriu. Pensando que conseguiria a criança, ela baixou seu posto. Sabia que a garota não tinha mais poderes, portanto não precisava se preocupar.
Só que, assim que relaxou, foi surpreendida por um soco bem no meio da face. Era a verdadeira LeBlanc, e a dor fez com que o clone, do outo lado da rua, desaparecesse.
Quando se recuperou, tremendo de raiva, Annie já tinha corrido para o outro lado, carregando Gnar.
— Diana! – Gritou, alertando a serva da Lua para que ela olhasse a situação em volta.
Diana entendeu o desespero de Annie quando observou seu grupo. Precisava fazer algo.
Afastou Vladimir e Elise com uma cajadada só, e teve tempo suficiente para tocar a neve do chão, com os olhos fechados, concentrando sua magia.
A rua onde estavam brilhou, como se a própria Lua estivesse saindo dela. Com o brilho, o time inteiro de LeBlanc foi afetado: todos caíram no chão, sentindo uma dor insuportável.
Diana segurou aquilo por alguns segundos, na esperança de que ganhasse algum tipo de vantagem para seu time. Depois, caiu exausta: tinha esgotado todas as suas forças.
— Já chega dessa palhaçada. – LeBlanc levantou-se do chão, furiosa. – Segurem eles. Darius, hora de dar um jeito nela.
O grupo de LeBlanc encurralou o de Diana, enquanto Darius se aproximava da serva da Lua, ainda caída.
— Eles vão... matar ela! – Vi tentou dizer, exausta.
Teemo, Annie, Tristana e até Gnar tentaram fazer algo, mas estavam cercados, e exaustos demais, enquanto LeBlanc parecia aliviada.
— Você me deu trabalho demais. Agora, adeus querida. – Disse, enquanto Darius levantava seu machado, pronto apara acertar Diana.
— Não! – Os parceiros da serva da Lua gritaram, enquanto tentavam escapar do círculo de pessoas que os seguravam.
Annie empurrou Vladimir, mas ele quase não sentiu efeito. A arrastou para trás, sem perder a oportunidade de sugar um pouco do sangue da garota.
Teemo e Tristana foram para cima de Talon, mas ele cortou os dois no rosto de leve, com um golpe só.
Esgotados, apenas aceitaram a situação.
Quando a lâmina de Darius desceu, Annie fechou os olhos. Diana estava zonza, sentia apenas o frio da neve e ouvia com dificuldade os gritos dos companheiros. A última coisa que viu foi o machado vindo em sua direção.
Então, um estrondo interrompeu a situação. Era o som dois metais se chocando, seguido de um brilho amarelo intenso.
Darius e LeBlanc foram jogados para trás e, quando o brilho diminuiu, Leona estava ajoelhada na frente de Diana, com seu escudo emanando alguns raios de Sol.
Do outro lado, na frente do resto da equipe de LeBlanc, Ahri apareceu. Seus olhos ficaram rosas, e então ela atraiu todos os inimigos para si, como se fossem zumbis.
— Parece que meu charme ainda funciona. – Comentou, orgulhosa. – Agora corram!
Todos correram até Diana, inclusive Ahri. Quando chegaram, Leona estava ajudando-a a se levantar.
Uma sensação de alívio percorreu o corpo de Annie, mas durou pouco tempo.
— Esperem – ela gritou. – Cadê o Gnar?
Tristana gelou. Teemo e Vi percorreram o local com os olhos, e viram a equipe de LeBlanc recuar.
Ouviram uma risada, e, seguindo o som, avistaram LeBlanc bem longe, com a criança desmaiada no colo. Antes que pudessem piscar, ela sumiu.
— Não! – Teemo gritou, enquanto corria atrás da equipe que estava indo embora rápido demais.
— Teemo, espere! – Annie tentou contê-lo, mas ele continuou e levou um golpe de Darius, caindo para trás.
Vi e Diana pareciam exaustas e machucadas demais para fazerem algo. Ahri e Leona esperavam por uma decisão do grupo, enquanto Tristana chorava e Annie ajudava Teemo.
O grupo permaneceu em silêncio, assim como a noite: nem mesmo um inseto fazia barulho.
— Tem certeza de que está tudo bem? – Annie perguntou, segurando uma das mãos de Teemo, que estava sentado no chão.
— Sim. Obrigado. – Ele respondeu, olhando-a com afeto.
De repente, Tristana parou de chorar.
— Você nos deve uma explicação para a merda que acabou de acontecer. – Gritou, com raiva, enquanto aproximava-se de Diana.
A serva da Lua estava sentada no chão, ainda esgotada. Leona postou-se na frente dela imediatamente, para protegê-la de Tristana. Era automático: todas as vezes que Diana era ameaçada, Leona a defendia.
Todos olharam para o trio. Tristana parecia explodir a qualquer minuto, de tanta raiva.
— Como assim, Diana? – Leona perguntou, com medo da resposta.
— Me desculpem. – Suspirando e com dificuldade, a serva da Lua levantou-se. – Eu devia ter sido clara com vocês.
— Espera. Quer dizer que você sabia que esta palhaçada iria acontecer? – Vi aproximou-se.
Ahri, Teemo e Annie ficaram calados, observando tudo. Os olhos de Leona imploravam por uma explicação convencível, afinal ela tinha acabado de decidir que confiaria em Diana novamente.
— Não, eu não sabia que eles viriam. Mas eu omiti um detalhe importante na hora de explicar tudo. É sobre o último sino. Nas paredes da caverna, uma escrita talhada diz que o último sino está com uma criança neutra. Eu pensei que esta criança fosse Gnar, e parece que LeBlanc pensou o mesmo. – Diana explicou.
A expressão de Leona mudou, demonstrando arrependimento. Vi balançou a cabeça negativamente.
— E por que você não nos disse isto antes? Gnar nunca teria sido levado se você tivesse sido honesta! Ou tinha algo a mais? Você pretende voltar sozinha, não é? – Tristana tremeu de ódio, seu rosto estava tão vermelho quanto um tomate.
— Foi por isso que quis cuidar dele hoje, não é? Para conseguir a porra do sino. – Vi completou.
Vendo a expressão de Leona, o ódio de Tristana, as dúvidas de Annie e a pressão de Vi, Diana não aguentou.
— Por que eu achei que estivesse fazendo a coisa certa! – Disse, aumentando o tom de voz pela primeira vez. – Será que vocês poderiam, por favor, se colocarem no meu lugar? Estou sofrendo tanto quanto vocês. Me ofereci para cuidar dele hoje porque uma ter uma criança sempre foi o meu sonho, e quando estive com ele não me preocupei com sinos ou com qualquer outra merda. Eu devia ter contado para vocês sim, mas pensei que vocês não teriam maturidade suficiente para decidir se entregariam o sino ou não. Julguei vocês de forma errada, mas eu não os conhecia, não havia como confiar. Nós devemos levar todos os que quiserem para casa, entendam essa responsabilidade antes de julgar o que fiz. E eu garanto, esta foi a única coisa que escondi.
Ela falou de forma tão rápida e alta que o resto do grupo se calou. Leona pensou, e entendeu a decisão dela, mesmo um pouco desconfiada. Vi também compreendeu, apesar de estar com raiva. Somente Tristana não parecia convencida, e estava prestes a falar algo quando foi interrompida:
— Gnar foi levado por minha culpa. – Annie disse, afastando-se de Teemo. – Não tenho mais meus poderes porque fui ignorante e tentei ser uma humana comum. E hoje, não consegui ajudar vocês por isso. Fechei os olhos porque não quis ver Diana sendo morta por Darius. Fui fraca e, neste mesmo segundo, Elise dopou Gnar com veneno e o tirou de perto de mim. Mas eu entendo a decisão de Diana, apesar disso. Eu não faria o mesmo que ela, mas precisamos tentar compreendê-la.
Annie parou e suspirou. Naquele momento, tomaria a decisão pelo grupo, pois era a única que estava pensando direito, sem se deixar levar por emoções.
— Diana, você precisa jurar que nunca mais omitirá nada de nós. – continuou, olhando para a serva da Lua. – Nós vamos ajuda-la, nem tudo está perdido. Por onde começamos?
Tristana enfureceu-se ao ver Annie tomando uma decisão assim. Vi, Teemo, Ahri e Leona concordaram com Annie, pensando que era a coisa certa a se fazer.
— Não temos mais tempo para ficar aqui. Faremos as malas, se estiverem realmente de acordo, e iremos até o aeroporto particular de um amigo meu. Estaremos na Inglaterra em pouco tempo. Precisamos ser rápidos, LeBlanc não irá esperar por nós caso tenha o sino em mãos.
Logo o grupo todo estava de pé. Olharam para o carro de Diana, e ficaram desapontados quando viram o veículo corroído pelo veneno das aranhas de Elise.
A última esperança foi o Fiat Mobi de Leona.
Com muito custo, couberam dentro do carro pequeno. Annie ainda teve a sorte de encontrar todas as mochilas do grupo espalhadas pela rua.
Então partiram, rumo ao aeroporto. Passariam a noite dentro de um avião, mas estavam dispostos a sacrificar uma noite de sono por Gnar e pelo portal.
Logo estariam em Londres, e esperavam que, a partir deste ponto, nada desse errado.
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