Quando um anjo se apaixona
2 Alan
– Por favor! — implorou ele, com um casaco comprido e preto em suas mãos, empurrando-o para mim. — Aceite isso como meu pedido de desculpas. — Não falei para ele que podia fazer a mancha de café sumir, não que eu me importasse se ele soubesse ou não, porém não queria assustá-lo, pois a cor de sua alma e o jeito que agia me interessavam, e eu não queria que fugisse antes de eu saber o porque do meu interesse.
Estávamos em uma loja de roupas perto do café onde o menino trabalhava e, pelo que ele me disse, só tinham roupas "chiques", que para mim não estavam fora do padrão de normalidade. Passamos horas escolhendo um casaco e a cada cinco minutos eu dizia para o ruivo que não precisava se preocupar em comprar um casaco para mim, porém, ele não mudava de ideia e dizia que me devia. Depois de longas e chatas horas nesta prisão cheia de lã e botões em que estávamos, ele (porque eu estava muito ocupado tentando fazer ele desistir, falhando sempre.) finalmente achou um casaco que cairia bem em mim e me fez vestir esta coisa comprida que ele chamava de "sobre tudo".
Quando eu experimentei, meus braços não conseguiam se articular dentro deste casaco demoníaco, me deixando agonizado e minhas costas desconfortavelmente apertadas. Estava tão tenso neste "sobre tudo" que nem respirar conseguia direito. Sentia raiva deste casaco, pelo motivo dele estar tentando me matar de agonia de não ser livre para me mexer a vontade. Me esforcei para virar em direção onde a atendente que nos seguia estava e perguntei se ela tinha um número maior deste "sobre tudo" , e, em resposta, as maçãs de seu rosto ficaram rosadas e sua boca entre-aberta enquanto visualizava cada pedaço de mim. Finalmente, depois de longos momentos de desespero, a menina respondeu negativamente, afirmando ser um tamanho único. Suspirei e me virei para o rapaz, só para encontrar ele sorrindo e me olhando esperançosamente, esperando ter finalmente achado o casaco certo, não pude negar que sua expressão era encantadora e fofa. Suspirei novamente, bem, eu posso usar um feitiço para deixar ele mais largo... pensei, assim todos ficariam felizes. O menino não pensaria mais que me devia, a atendente ganharia aquele papel verde valioso por ter feito o papel de uma estatua, e eu sairia deste lugar que me dava nos nervos.
Então, entrei na cabine mais próxima e sussurrei as palavras do feitiço, e logo o casaco estava do tamanho ideal para mim: conseguia respirar e mexer meus braços novamente. Assim que sai da cabine, esperava que ninguém notasse a diferença do tamanho, afinal, não foi a cor que troquei, e sim pequenos detalhes para deixá-lo mais largo. Porém, para o meu azar, ao me encontrar com a cara do ruivo, percebi que ele tinha notado algo, e me olhou confuso, abrindo sua boca para falar algo, mas foi logo interrompido pela atendente. — Vai levar este, senhor? — perguntou ela, virando-se para mim.
– Sim... — falei eu num tom sério e profundo. Ainda não estava acostumado com a língua que os humanos falavam, e pude notar que de alguma forma eles entenderam isso também. Ela nos guiou a uma mesa onde havia outra atendente atrás. Essa mesma me perguntou se eu iria sair com o casaco no corpo e eu assenti, preferindo deixar para falar o menos frequente o possível. Enquanto o garoto pagava pelo sobre tudo, vidrei meus olhos na rua, onde mais pessoas passavam e onde mais a chuva caia. Fiquei hipnotizado olhando para todo esse movimento que só sai da hipnose quando ouvi a voz do ruivo gaguejar um barulhento "quê?" e voltei a minha atenção para a mesa.
– ...pode dar um desconto, né?- ouvi ele falar. — Afinal, só faltam 5 libras...
– Me desculpe, senhor, mas se abrirmos um desconto alto assim com você, teríamos que abrir com todos os clientes. — ao me virar vi que a alma do menino começava a ficar acinzentada, e, com medo do que isso significava, me apressei para perguntar o que deu de errado.
– É que... faltam 5 libras para fechar a compra do casaco, mas eu não tenho esse dinheiro... — sua voz foi morrendo aos poucos e a única coisa que consegui fazer foi franzir um pouco as sobrancelhas pensativo, até que decidi tirar magicamente cinco libras do bolso do casaco. A mulher não pareceu notar nada de errado quando eu botei as libras pratas em sua frente, mas de novo, o menino notou, mas desta vez tinha certeza que eu fizera algo fora do padrão ops.... Assim que terminamos a compra, (finalmente) saímos da loja e assim que chegamos numa parte menos movimentada da rua ele parou e me encarou, parecendo assustado, ou pelo menos eu achava.
– Como... Como você fez aquilo? — perguntou ele, e eu recuei um pouco, não sabendo o que responder.
– Aquilo o quê? — perguntei, tentando parecer inocente e sincero.
– Você sabe... aquilo com o dinheiro... — mesmo que por fora meu rosto parecesse ser feito de pedra, estava gritando por dentro. Não sabia exatamente porque estava tão assustado em dizer a verdade para um menino que eu nem sabia o nome... pensando sobre isso, perguntei:
– Afinal, garoto, eu nem sei o seu nome. — mudei rapidamente de assunto não querendo falar sobre aquilo de novo.
– Alan... Alan Manson, e você? — respondeu ele, percebendo que eu não queria falar sobre o outro assunto. Alan, um nome que caía bem com esse menino. Seus cabelos cobre, curtos e bagunçados pareciam aceitar esse nome. Olhando mais de perto, notei que seus olhos me lembravam de Leo, alegres e queridos. Passei alguns minutos o encarando com dor visível em meus olhos até que me lembrei que Alan tinha me feito uma pergunta.
– I-ivan... — respondi, tentando arrancar os meus olhos dos deles, já que a única coisa que enxergava eram os olhos de meu irmão antes de sua execução. Meu coração se apertou, mas mesmo assim acrescentei, apagando os pensamentos — só Ivan.
– Ivan... — falou Alan pensativo. — Russo?
– Não acho que seja. — respondi, não sabendo o que era russo. Teria que me lembrar de pedir para Jeff alguns livros sobre o mundo humano quando voltasse para "casa".
– Eu acho que é sim... você vêm da Rússia? Seu sotaque é diferente de todos que eu já ouvi... — ele perguntou, curioso. Eu gostava dele, mas tantas perguntas que eu não sabia responder estavam me deixando nervoso.
– Talvez... — me fiz passar de misterioso e botei um meio sorriso no rosto; já ele, sorriu alegremente. Voltamos a andar, então, e ele não me deixava tempo pra respirar de tantas perguntas que fazia. Como por exemplo: onde em morava agora, ou quantos anos tinha. Ele só parou de me bombardear de perguntas quando paramos em frente de uma pequena casinha, mesmo assim, parecendo aconchegante.
– Bem... essa é a minha casa. Quer entrar? — perguntou ele gentilmente. Eu recusei o seu convite, entretanto, dizendo que ainda tinha outros assuntos para tratar e fui embora, deixando Alan, o menino da alma estranhamente roxa em frente de sua casa, voltando pra minha própria "casa". "Casa" por que eu sabia que eu não pertencia a nenhum lugar por onde já passei, então usava a palavra casa só como referência ao lugar onde passava uma parte da noite. Quando entrei em "casa" e fechei a porta, tirei o casaco novo e a camiseta que usava por baixo e as coloquei com cuidado na pequena cama ao canto. Me sentia livre outra vez. Me desfiz da magia das asas e logo elas estavam esticadas ao longo da sala. Coitada das minhas asas, terem que ficar esmagadas por um feitiço porque era uma das regras dos anjos, mesmo eu não estando mais ao comando deles, tinha que segui-las. Mas, não mataria se no meio da noite eu saísse e voasse pela não-tanto-movimentada-à-noite cidade. Era isso que eu fazia todos os dias desde que cheguei (uns 3 dias atrás). Mas antes, eu precisava falar com Jeff, então foi o que eu fiz.
Assim que o conjurei, a coruja parecia meio tonta antes de entender onde se encontrava. Quando percebeu que eu esperava quieto em sua frente falou: — Está se dando bem neste mundo, mestre? — perguntou Jeff. Eu ri baixinho antes de responder que as coisas podiam ser melhores. E assim perguntei para ele se ele conseguia me trazer alguns livros sobre o mundo humano, e assentindo a cabeça, a coruja negra abriu um portal.
– Espere. — segurei uma de suas asas antes dele passar pelo portal. — Traga também algo sobre almas humanas... isso é muito curioso.
– O que lhe incomoda, senhor? — perguntou Jeff.
– Nada de mais, só um humano com quem eu me deparei hoje. — falei, coçando a parte de trás de meu pescoço.
– Por favor. Tome cuidado com os humanos, mestre. Eles são criaturas que dão medo naquelas com quem dividem suas terras. Não quero que algo aconteça com o senhor, mestre. — eu sorri pela preocupação da minha coruja e logo depois ela entrou no portal.
Fiquei mais alguns minutos no meu quarto, olhando pela grande janela e me lembrando dos eventos do dia, mas tudo que acontecera antes de Alan pareciam lembranças antigas. Sentia que eu devesse me encontrar mais vezes esse menino. Após um longo tempo olhando pela janela, decidi abri-la e me jogar no ar notando que havia parado de chover. Enquanto caia vinte andares para baixo, abri minhas escuras asas e voei em direção aos campos. A sensação de voar era incomparável. O vento colidindo em meu tórax nu e rosto, o bater de minhas asas enquanto ganhava mais velocidade... tudo era incrível, me sentia livre.
Saí de meu quarto perto da hora da refeição noturna, e quando passei por cima de casas e prédios, famílias estavam sentadas em mesas comendo todos juntos, alegres, felizes. Tentei me concentrar mais uma vez no voo e pensar como ele era bom, mas algo dentro de mim sumia, deixando um vazio em seu lugar. Pousei assim que cheguei nos campos abertos. Era muito raro alguém passar por aqui, então quando me deitei no chão, não me importei em deixar as minhas asas visíveis. Olhei para o céu estrelado, existiam muitas mais estrelas nessas terras do que na cidade, ao até mesmo em Ezret.
Tinha vontade de voar e poder tocar nelas. Estiquei minha mão ao céu, e fechei o punho, querendo pegar todas as estrelas em minha mão. Elas eram tão lindas, tão diferentes umas das outras, mas, mesmo que daqui elas parecessem estar perto, estavam tão distantes, tão sós. Por que algo tão lindo e acolhedor tinha que estar tão longe? Sozinhas neste vasto universo, mas mesmo assim brilhavam. Como?
Fechei os olhos, sentindo a grama roçar em minhas costas. Pensar em uma resposta para as minhas perguntas sempre fora algo impossível, e agora, sem ninguém que possa me ajudar, seriam perguntas eternas. Então, em vez de pensar em algo, eu só abri os olhos e encarei novamente o céu estrelado, mas mesmo com o olhar fixo nas estrelas, não conseguia vê-las. Minha mente não capturava nada, estava olhando elas, mas ao mesmo tempo não via nada.
A noite era fria, e o vento batia em minha barriga me fazendo encolher e tapar-me com minhas asas. Era tão gostoso naquela posição que poderia dormir, mas algo não me deixava. Talvez fosse o vazio em meu peito. Então, em vez de dormir, me levantei e me virei para a cidade logo após as colinas. Ela era tão brilhante quanto o céu, porém, seu brilho ofuscava o das estrelas logo acima ( como já havia percebido olhando da janela de meu quarto), que eu preferia. Procurei pelas luzes da cidade a casa onde tinha visto Alan pela última vez, porém não a achei.
Levantei voo mais uma vez, agora, voltando para a cidade, mais especificamente meu quarto e esperar pelos livros que Jeff me traria. Assim que entrei no quarto novamente, e Jeff ainda não havia chegado, e decidi pegar um dos meus novos livros para lê-lo novamente, já que dormir não era uma opção. O livro escolhido era a história de um anjo que tinha se apaixonado por um demônio e os dois sonhavam com um novo mundo, onde não havia rivalidade entre esses dois povos, isso sendo impossível. Eu sei, é estranho que exista um livro assim. Todos sabemos que anjos e demônios sempre tiveram uma rivalidade, mas isso era novidade. Porém ele conta os dois lados de uma mesma história, e era interessante.
Se você ainda está pensando que eu achei este livro em Ezret, você está enganado, achei ele em um loja no meu primeiro dia na Terra, enquanto tentava entender o meu redor. Ele me chamou atenção assim que eu entrei na loja. Algumas pessoas, mesmo não sabendo da existência de anjos e demônios acabam escrevendo a realidade. Mas uma realidade fictícia, onde um anjo se apaixona por um demônio. Enfim, sentei-me na cama e voltei a lê-lo, esperando o tempo passar. Estava tão concentrado em minha história que nem havia percebido uma hora depois que Jeff voltara com as minhas encomendas.
– Chefe, ei Chefe! Voltei com o que você pediu. — falou ele, virei minha cara para encarar uma nova pilha de livros em cima da cama. Olhei para Jeff e agradeci por ele sempre estar me ajudando, e, em questão de segundos, Jeff desapareceu do quarto, me deixando sozinho com os novos livros.
Uma coisa que nunca gostei de fazer era começar a ler um livro enquanto já estava lendo outro, mas dessa vez a tentação foi tão grande que não resisti e comecei por um livro chamado "Geoatlas", que, aparentemente, era sobre a Terra.
Lendo esse livro descobri que a Terra era dividida em 4 ilhas gigantes e que eu estava metido em uma ilha minúscula perto da ilha maior... Também aprendi que existiam milhares de línguas e que eu só havia aprendido a mais usada ao redor da esfera. A Rússia era o maior "país" (países são as divisões políticas que cada ilha gigante possuía) do mundo, parecia um lugar interessante. Após terminar o livro Geoatlas, comecei um que o título era "História da humanidade", deixando para ler o livro de almas por último. Assim que terminei esse, notei que a humanidade sempre lutava contra si mesma, e que esse mundo é cheio de desigualdade e guerras, essa última parte sendo parecida com Ezret. Depois desse, acabei lendo sobre a cultura de muitos países; mais alguns livros sobre a língua inglesa; um sobre as criaturas que viviam simultaneamente com os humanos, e entendi porque Jeff me dissera que eles temem os humanos e terminei com um de crenças: inútil.
Por último, quando o Sol já batia quase meia hora, peguei para ler o: Estudo das almas humanas. Este sendo o único livro escrito em kríffen (língua dos anjos), obviamente. Estava ansioso para ler ele, mas ao mesmo tempo querendo deixar um suspense. Então pensei em algo para fazer antes de lê-lo. E bem a tempo, minha barriga roncou, deixando um meio sorriso em meu rosto enquanto me levantava da cama para botar uma camisa e esconder as asas. Atravessando o quarto sem pisar em nenhum livro no chão, vesti uma camisa e por cima o casaco novo. Olhei para a bagunça no quarto e dei meia volta, abrindo a porta. Mas ela me parou enquanto abria a porta como um incomodo, lá no fundo de minha consciência. Suspirando, me virei novamente para a bagunça, e fechando a porta, levitei os livros e fiz eles ficarem em umas três pilhas num canto do quarto. Mais feliz, sai do quarto e decidi ir até o café em que ontem me encontrei com Alan.
Quanto mais me aproximava do café mais ansioso eu ficava. E se ele não me quisesse lá? E se ele não tivesse lá? Todos os meus esforços de revê-lo seriam em vão? Essas perguntas me levaram a pensar sobre outras como:
Por que estava tão interessado neste menino?;
Era pela cor da alma? Era por ele ser gentil?;
Não. Tinha algo mais... algo que eu não entendia. Talvez se eu passasse mais tempo com ele eu entendesse....
Abri a porta do café e me dei de cara com ele. Parei assim como ele, só encarando um ao outro. Suas sardas ficando um pouco rosadas e eu tive a vontade de olhar para sua alma, porém alguma coisa em seu rosto me prendia a atenção. Talvez fossem seus olhos verdes enormes fixados nos meus. Ficamos nos encarando até Alan quebrar o silêncio:
– I-Ivan!! Hello!! — falou ele, abrindo um sorriso tímido (que por acaso quase me fez derreter por completo por dentro.) . Ele, entendendo o que eu fazia ali, me levou para uma mesa perto da porta.
Assim que sentei, Alan entrou em uma porta na parte de trás do café, mas logo voltou com uma folha cheia de nomes — que depois descobri que se chamavam cardápios — e me fez escolher um dos nomes. Em seguida voltou para a porta só aparecendo novamente com um prato de comida, botando ele na minha frente e se sentando na cadeira oposta a minha.
– Obrigado — Agradeci, e ele só sorriu em resposta. O prato estava enfeitado com folhas verdes e algumas bolinhas vermelhas, no meio, um pedaço de carne? será que era assim que se chamava carne aqui? De qualquer modo, comecei a comer. Os olhos de Alan sempre pousando em mim ( isso só quando me largavam, o que era raro).
Quando terminei de comer, e disse que estava delicioso ( e realmente estava) ele sorriu de novo, e uma pergunta brotou em minha mente.
– Alan... você trabalha aqui sempre? Não tem que.... estudar? — usei uma palavra nova e estava com medo que tivesse usando ela errada. E assim que ele encolheu os ombros, fiquei com mais medo de ter falado algo errado.
– Minha família não tem dinheiro suficiente para me pagar uma escola... nem pra comprar um livro, na verdade. — Ele riu sem graça. — Por isso eu trabalho, mas as prioridades vão na frente, como comprar remédios e manter um lar. — Me perguntei se ontem comprando o casaco não foi muito pra ele então. Conseguia ver em seus olhos que o que ele realmente queria era estudar. Senti pena dele, e fiquei pensando no que poderia fazer para ajudar ele. Como um estalo, me lembrei de todos os livros no meu quarto sobre este mundo.
– Eu tenho alguns livros de estudo... se você quiser ler ele você é bem-vindo ao meu quarto para ler... — disse, sem jeito.
Os olhos de Alan brilharam quando convidei ele para estudar. Ele assentiu e então combinamos um dia para começarmos a estudar sobre este mundo. Também disse a ele que se algum familiar dele estivesse com alguma doença, eu sabia curá-la. Ele suspeitou de início, mas logo em seguida agradeceu e viria para mim se algo acontecesse.
Depois que eu paguei, disse para ele o meu endereço e me despedi saindo do café indo em direção do meu quarto, onde O livro me esperava. Estava tão curioso que tive vontade de abrir minhas asas e sair voando para chegar mais rápido, porém me contive e fui andando. Não ia deixar que um livro me fizesse ir louco... novamente.
Abri a porta do meu quarto e quando achei o livro no meio das pilhas, joguei ele na cama e logo em seguida tirei meu casaco e minha camisa e desfiz a magia das asas. Livre novamente. Encarei o livro em cima da cama, mas notei que havia mais uma coisa a mais em cima da cama. Era uma carta. Uma carta de Ezret (era fácil ver a diferença: esta carta era feita de folhas de ouro, muito usada em Ezret.). Nela dizia : "Para: Ivan, De : Marco."
Fale com o autor