Quando o Rei Retorna
2 O Dia Em Que Emma Soube o Que Estava Acontecendo
Já amanhecia quando Emma saiu de casa, tendo a certeza que ninguém mais havia acordado ou ao menos deixado os quartos. Foi tomar café na Granny´s e enviou uma mensagem para a mãe pedindo que a encontrasse. Mary recebeu o convite enquanto se arrumava para ir para a escola, porém, uma vez que a filha a chamava, ela foi até o restaurante, tal qual foi pedido.
— Emma, bom dia! — Falou animada e feliz.
A filha olhou arrasada, quase sem conseguir responde-la. Parecia que ia chorar a qualquer momento.
— Você precisa dar um jeito – disse com a voz soturna. — Ele a maltratou a noite inteira. Eu e Henry não dormimos com os barulhos. Seu neto está triste e sua madrasta nem parece ela mesma. Sei que ela já fez mal a ele, mas os tempos mudaram e ela mudou. Você precisa interferir.
— Emma, eu não sei do que você está falando — Mary parecia mais do que confusa, chocada e ofendida, tudo ao mesmo tempo. — Meu pai sempre a tratou muito bem, como uma Rainha, sempre fez tudo por ela, a deu tudo. Ele jamais a machucaria, você deve estar enganada. Olha, eu sei que você se importa com Regina, mas eu lembro dela ser feliz com ele, então deixe-os se resolverem sozinhos, especialmente se ela escolheu estar com ele de novo.
Emma bateu na mesa enfurecida com a mãe. Talvez tivesse dormido muito pouco e por isso estivesse sem paciência, mas se tornava agressiva, pois não se tratava de ser trocada pela namorada, mas de algo muito pior:
— Deixe de ser essa princesinha Disney mimada uma vez na vida e preste atenção no que estou falando! Ele está tocando o terror naquela casa e você vai permitir isso porque é seu papai. Eu tenho algo a lhe dizer: Faça algo porque se não o fizer, eu farei. Bom dia para você também.
Ao final, pegou sua jaqueta e saiu com um copo de café na mão, indo em direção a loja de Gold. Não tinha para onde ir naquele momento. Enquanto caminhava, o celular tocou com mais uma mensagem de Henry "Onde você está? Eu ainda não vi minha mãe hoje e já estou saindo para o colégio, estou preocupado, só vejo o meu bisavô andando pela casa". Quando Emma alcançou a porta da loja, Mary corria atrás dela, ao que entraram juntas.
— O que a faz pensar que ele a esteja machucando? – A mãe perguntou chateada.
— É, Swan, o que a faz pensar isso? — Gold falava como se soubesse de algo, saindo do quarto dos fundos da loja.
Emma olhou para os dois irritada e respondeu:
— Deixa eu te explicar uma coisa, ele pode ser o marido dela, mas aqui não é a Floresta Encantada. Isso significa que ele não pode trancar ela no quarto, obrigá-la a dar para ele a noite inteira fazendo barulho com uma criança na casa. Henry passou mal, eu fui avisá-la e ele me proibiu de falar com ela. Este é o seu maravilhoso pai.
— Mas... — Mary ficava sem argumentos, não reconhecia nada da história que lhe contava. — Ele é marido dela, ele nunca a tratou mal. Se ela não gosta de algo, ela pode só falar...
Gold fez um ruído de desdém com essa observação. Emma também deu uma risada nervosa:
— Você REALMENTE não faz idéia... Acho que você de fato vive em um mundo cor de rosa, onde os reis e princesas são bonzinhos e todo o resto é malvado. Meu recado já foi dado.
Nesse momento, a loira recebeu uma nova mensagem vinda de Henry: "Sidney está aqui, ele está falando com meu bisavô na porta de casa". Pouco tempo depois, a continuação: "Minha mãe o expulsou daqui com um feitiço, acho que isso não vai adiantar". Emma suspirou ao ler a mensagem e voltou-se para Gold:
— Preciso conversar com você sobre alguns imóveis que estão disponíveis na cidade.
Esperava que este entendesse e que Snow saísse dali, mas ela não saía. Segurou a filha pelos braços e disse quase desesperada:
— Emma, por favor, acredite em mim, como eu acredito neles.
— Não! – A loira se soltou. — Você está completamente cega! Eu não estou inventando, estou contando o que aconteceu esta noite e você não presta atenção. Vá lá, veja como Regina está, passe uma noite lá, pergunte a seu neto, mas pare de tirar suas próprias conclusões com base no seu passado, quando era uma criança inocente!
Irritada com a forma da filha falar, Snow saiu da loja e fez exatamente o que Emma disse, foi para a casa de Regina. Enquanto isso, deixava a Salvadora e Gold sozinhos.
— Isso vai lhe causar problemas, Miss Swan – ele disse.
— O plano falhou, ela expulsou Sidney de casa — Ignorava o que Gold dizia, repassando o que Henry lhe falara por mensagem. — O que faremos agora? Minha mãe é minha última esperança, mas não acho que ela vá conseguir nada, ela é cega de amores pelo pai asqueroso.
— E o que você quer fazer?
Alguns instantes depois, Sidney chegava correndo, quase sem ar:
— É pior do que eu pensei — ele disse. — Leopold não ia me deixar vê-la, mas eu insisti bastante e consegui que ela viesse até a porta apenas para me expulsar com magia.
Eu repito o que disse antes, se Regina descobrir, ela jamais vai perdoar qualquer um de nós por ter se metido na vida dela, especialmente você, Emma, por ter assassinado o seu avô.
— Você terá que fazer algo mais inteligente — disse Gold.
— E rápido — Sidney concordou. — Eu tive um vislumbre, Regina está com o pulso machucado. Acho que ele está batendo nela.
A Salvadora não escutou mais nada depois disso. O sangue e o ódio subiram à sua cabeça e ela apenas pegava o carro e seguia para a casa de Regina, aquilo já havia passado todos os limites possíveis. Chegou dando fortes pancadas na porta:
— Regina, abra isso daqui!
E então a porta era aberta pela própria Rainha, muito bem vestida com uma comprida calça social e um suéter vermelho, tal qual já era habituada.
— O que está havendo? — Ela perguntou confusa com o barulho.
Emma não deu rodeios. Pegou o braço da mulher e levantou a manga, constatando a marca roxa no pulso da namorada. Suas pupilas mudaram e sua feição se tornou dura no mesmo instante. A Sombria estava ali. Feches de luz começaram a sair de suas mãos e a loira entrou furiosa na casa.
— Onde está este desgraçado?
Mas Regina nem precisou responder. Emma viu que o velho estava com Snow na sala, ao que segurou a namorada pelo antebraço e foi esfregando o seu pulso na cara da mãe:
— Isso é normal? É o que você esperava? — Estava descontrolada.
— Swan, pare! – A Rainha pediu se desvencilhando. — Eu caí e me machuquei, só isso! — Dizia bem irritada, mas não parecia convincente.
— Mentira!
Ela se exaltava cada vez mais, sua força saia do controle e os vidros da casa e enfeites de cristal e porcelana começavam a rachar. Henry descia as escadas e se juntava a todos preocupado:
— Minha mãe está certa — o garoto se manifestava. — Eu ouvi os barulhos, você não caiu mãe, ele a machucou!
Regina estava quase tremendo de raiva. Pegou Emma pelo braço e foi arrastando escadaria acima, aproveitando para levar Henry com a outra mão no caminho e conduzir ambos para o quarto do menino, fechando a porta após entrarem. Isto não poderia ficar assim, estava escapando ao seu controle, tinha que retomar as rédeas da situação.
— Escutem aqui os dois – ela disse bem séria. — Não se metam, eu sei lidar com isso, eu lidei com isso quase dez anos, não preciso de ajuda.
— Não, você não está sabendo lidar e você acha o que? Que seu filho e sua namorada vão ficar de braços cruzados enquanto este desgraçado arruina sua vida? Você acha que não temos amor e respeito por você? — Emma perguntava indignada. — Isso pode custar o que for, Regina, não ficará assim. Eu não vou permitir, você goste ou não.
— Mãe! Mãe! — Henry gritava para que as duas parassem. — Escutem a vocês, estão se destruindo!
— Não tem ninguém se destruindo aqui, Henry.
A Rainha começava a ficar irritada e a magia queria sair por suas mãos, ao que ela abria e fechava os dedos de forma constante. Voltou-se então para Emma com a maior dor no coração, mas decidida. Só havia uma forma neste momento:
— Eu quero você fora da minha casa. Pegue suas coisas e vá embora. Leve o garoto junto.
— Você vai me mandar embora? — Nem Henry esperava. — Essa é minha casa!
— Você ouviu Leopold — Regina disse de forma dura. Assim seria melhor, ele não precisaria ser testemunha. — Você não é filho dele.
Emma estava com muita raiva com tudo que ouvia, mas nada poderia ser pior do que ser mandada embora. As lágrimas começaram a descer pela face sem controle. Tocou no rosto da morena com carinho, o sentimento tão belo que construíram juntas impregnava o ar, mas não era o suficiente.
— Eu não vou sair daqui.
Henry também chorava, com raiva e arrasado:
— Eu não sou filho dele, ainda bem. Mas eu sou seu filho.
— Emma... — Regina segurou as mãos da loira, apertando-as com um pouco mais de força do que seria necessário. — Por favor, eu estou te implorando. Vá, vá e leve Henry com você. Eu não posso ter vocês dois aqui, eu não vou aguentar com vocês dois aqui.
— Sinto muito, Regina. Eu não vou a lugar algum. E Henry também não. Você não precisará aguentar por muito tempo, meu amor.
Deu um beijo suave nos lábios da morena e se afastou, saindo do quarto e descendo as escadas. Se aproximou do avô que encarava Emma com a cara mais lavada possível, ainda como se não entendesse as atitudes da neta.
— Você pode enganar sua filha, mas a mim não. A verdade será exposta em breve, não se engane.
— Eu não sei do que está falando, Emma — Leopold disse rindo.
— Emma, está tudo bem aqui, você ouviu Regina — Mary insistiu nervosa.
Mas Henry seguira a mãe e falava baixo para ela, sem querer que fossem embora:
— Mãe, ele vai acabar matando ela...
— Não se preocupe, filho, eu não vou permitir. Sua mãe ficará bem — a loira falou com firmeza.
Enquanto isso, Mary Margaret ia para a porta acompanhada do pai.
— Emma, estou saindo — ela disse. — Nos falamos mais tarde. Henry, te dou uma carona pra escola.
O garoto pegou a mochila no chão, já deixada pronta próxima a saída, e seguiu com a avó para fora, mas não sem antes lançar um olhar significativo para a mãe. A loira ficou na casa, vendo a mãe e o filho partirem. Foi em silêncio para seu quarto, arrumou uma sacola e saiu também, indo para a loja de penhores e encontrando com Sidney.
— Preciso de um favor seu.
— Depende. Diga.
A Sombria então não disse mais nada, olhando para um Espelho que Gold já havia posicionado, prendendo o jornalista que gritava enfurecido.
— Vá vigiar Regina. Precisamos ter certeza que ela está bem – ela disse.
— Por que você acha que eu obedeceria a você? — Sidney retrucava, preso atrás do vidro. — Eu não sirvo nem mais à Rainha, quanto mais a você, Sombria.
Emma não respondeu, apenas fez um gesto com as mãos, fazendo o homem, ainda que através do espelho, sufocar.
— Você vai fazer e irá agora – o ameaçou.
Imediatamente o Gênio desapareceu, indo para os espelhos da casa de Regina. Arrasada, Emma suspirou. Ainda não sabia exatamente o que fazer.
— E agora, Gold? — Perguntou perdida.
— Se me permite dizer, tire Henry de casa — ele sugeriu. — Não queremos que o garoto veja algo desagradável.
Referia-se, claramente, tanto a algo que Regina pudesse passar, como que Emma pudesse fazer. Independentemente de qualquer coisa, se preocupava com o neto.
— Ok. Farei isso.
Emma não iria ficar na casa da mãe, mas seu filho ficaria sem grandes problemas. Ainda estava pensando aonde ela própria iria ficar, mas já tinha uma ideia. Pegou o celular e enviou uma mensagem para Robin perguntando se havia espaço para mais uma pessoa no acampamento. O homem logo respondeu que sim.
A noite começava a cair e Regina não havia ido trabalhar. Em sua casa, ela estava na cozinha, separando o que fazer para o jantar. Seus olhos vermelhos, estava arrasada, infeliz com os últimos acontecimentos. Foi quando Leopold entrou e a abraçou por trás, fazendo-a virar, ao que a tocava no rosto e a obrigava a olhá-lo com aqueles olhos castanhos e profundos.
— Você me parece infeliz, minha Rainha, o que a deixa tão triste?
— Henry foi passar uns dias com Mary Margaret, sua filha. Emma não vai mais morar aqui — ela respondeu de forma direta. Claro que não era apenas isso, mas preferia que ele acreditasse que era.
— Minha Rainha, eu quero vê-la feliz novamente — ele disse sincero, passando uma mão pelas costas dela, a outra pela face. — Vamos para o centro da cidade, sair dessa casa pode lhe fazer bem.
— Achei que não fosse de sua vontade que eu saísse — Regina não entendia.
— Não é de minha vontade que a minha mulher saia sozinha, nunca foi, isso já deveria saber — ele a fizera prisioneira por muito tempo no castelo da Floresta Encantada, nada mudava. — Mas pode sair para me acompanhar. Vamos, não quero vê-la nessa cozinha, vamos jantar fora — ele a guiava e a levava para fora de casa.
Foram então para a Granny's. Ao passarem da porta, atraíram muitos olhares confusos, chocados. Alguns reconheciam o Rei Leopold, outros entendiam pelo contexto. O casal tomou lugar em uma das mesas e Ruby veio atendê-los, porém, a Vovó tomou a frente:
— Rei Leopold, não esperávamos vê-lo... Vivo — disse.
— Eu imagino, minha cara — ele respondeu humildemente. — Circunstâncias do destino mudaram em minha vida, mas agora estou de volta, com a minha querida esposa.
Fez questão de dizer, segurando a mão da mulher sobre a mesa e sorrindo para ela, ao que a mesma retribuiu ao gesto de forma totalmente dissimulada. Agora era oficial e a notícia voaria pela cidade.
Enquanto isso, Emma passou no acampamento pela tarde, montou sua barraca e arrumou suas coisas. Não foi trabalhar, não tinha vontade de fazer nada. Já era o suficiente ter Zelena por perto, ainda que a feiticeira estivesse muito mais agradável depois de parir. O final da tarde chegara e a Salvadora estava cansada de seus pensamentos. Precisava tomar uma cerveja e espairecer. Pegou sua mochila e saiu em direção em centro. Robin a acompanhava com os olhos e correu para seu lado.
— Vou com você. Tomamos um chopp.
Ela concordou e os dois foram para Granny's, pois agora estava até se dando bem com o ladrão mais uma vez, não que tivessem brigado, pois o homem nunca tomara conhecimento de sua relação com a ex. Foi quando entraram no restaurante que se depararam com os cochichos e a presença de Leopold e Regina no ambiente. Fizeram como se não os notassem e foram sentar no balcão.
— Me segure antes que eu voe no pescoço deste miserável – ela falava enquanto Red já aparecia com dois copos. — Me veja dois shots de tequila também.
Regina viu Emma entrar e tentou disfarçar, porém o Rei também notara.
— Emma, querida — ele disse. — Venha sentar conosco, traga o seu namorado também. Quem é você, meu caro?
A loira ia começar a gritar a qualquer momento, mas Robin agarrou sua mão e a puxou, fingindo realmente ser seu namorado:
— Claro, será um prazer. Eu sou Robin — o rapaz esticou a mão livre e apertou a de Leopold.
Emma olhou para Robin e não sabia qual era o seu plano, mas apenas o seguiu, sentando-se com Regina e o Rei. A Rainha, por sua vez, olhou para os dois sem entender nada, completamente perdida em qual seria o objetivo daqueles dois. Leopold, por sua vez, levava com muita naturalidade.
— Robin, de Robin Hood, estou certo? — Ele não parecia achar muito bom. — E o que um ladrão faz com a minha neta?
— Como já expliquei, vovô, aqui são outros tempos. E Robin não é um ladrão aqui, ele é um administrador de negócios locais e agrônomo.
Emma inventou tudo na hora, sorrindo de forma cínica para o falso namorado e o avô. Qualquer história serviria desde que o confrontasse, nem que fosse um pouquinho.
— Bem, se isso funciona, eu não vou julgar — Leopold falou sorrindo e aceitando, mais compreensivo do que seria esperado.
Neste momento entrava Mary Margaret e David, com o carrinho do bebê Neal.
— Pai, que bom ver vocês todos aqui. E Robin... — Ela olhava pela mesa estando confusa. — Fico tão feliz de saber que vocês estão se dando bem, até com Robin, mesmo depois dele ter tido toda aquela história com Regina.
A Rainha virou o rosto imediatamente, como se desejasse sumir dali. Mais uma vez Snow falava demais e lhe arranjava problemas. Leopold voltou-se muito sério para Robin:
— Você tem "história" com a minha mulher?
— Eles namoraram, mas isso foi há algum tempo atrás — Mary falou com simplicidade, tentando suavizar a situação, como se o pai fosse entender da mesma forma que ela.
Regina pressiovana a têmpora e lembrava porque não dava para contar nada para Mary.
— Sim, eles namoraram — Emma falava logo antes que a situação ficasse pior. — Mas, nós descobrimos o amor e hoje estamos juntos.
E assim lançou um olhar para a mãe ameaçador. Snow nem a reconhecia, mas o gesto a fez ficar quieta com tal assunto.
— Mais um shot, querido? — Emma perguntava e já fazia sinal para Red.
Leopold a observava e foi falando parecendo desgostoso:
— Esta mesa se tornou pequena demais para todos, acho que eu e minha esposa vamos indo.
— Meu Rei — Regina finalmente se manifestou, pousando os dedos sobre o braço dele -, não podemos ficar mais um pouco? Ainda nem jantamos.
Ela fazia aqueles olhos de cachorro que a loira conhecia tão bem, ao que o marido sorriu, tocando-a com carinho no rosto:
— Tudo para ver a senhora feliz, minha Rainha.
Emma se contorceu com aquele homem tocando em sua mulher, mas imaginar o que ele faria mais tarde era ainda pior. Logo as doses de tequila chegavam e a Salvadora virava a sua, bem como Robin.
— Modernos esses tempos — Leopold comentava surpreso. — Não me agrada que minha neta, uma princesa, beba assim, como um... um... um homem!
Emma, que já começava a ficar um pouco tonta, o olhou de forma sinistra, batendo na mesa e pedindo mais.
— Eu vou agir como quiser, e se o senhor não está satisfeito, seria um grande favor ir embora. Mas não daqui, da Granny´s, mas sim de Storybrooke — e a discussão recomeçava, no tom mais desagradável possível.
— Emma! — Mary reclamou e se voltava para o pai. — Desculpe, ela é um pouco diferente tendo sido criada nesse mundo.
Mas Leopold ria, o que deixava Regina mais nervosa.
— Sua filha é espirituosa, Snow. Ela me lembra você, minha doce Rainha — e se voltava para a esposa. — Lembra como cavalgava?
— Regina era a melhor do reino — disse Mary cheia de orgulho só de lembrar.
— Sim, mas cavalgava como um homem, por isso a ordenei que parasse. Cora concordou que era a melhor ideia — disse Leopold.
— Sim – a Rainha recordava muito bem desse momento amargo.
— E pensa que fará o mesmo comigo? Me obrigará a fazer alguma coisa? Você não me conhece — Emma disse se levantando, arrastando a cadeira e chamando a atenção de todos na lanchonete. — Pra mim já basta. Estou indo.
Pegou sua mochila e saiu do ambiente. Sua magia saia pelos seus poros, ia acabar destruindo tudo ao seu redor. Carros começaram a disparar o alarme, vidros quebrando e o vento passava com mais força. Ia ser o começo de uma nova guerra. Robin correu atrás dela antes que pudesse se machucar ou a alguém, pegando-a pelo braço.
— Emma! Você precisa ser forte, precisa aguentar se quer continuar a proteger Regina!
— Eu só quero matá-lo! – Ela gritou enlouquecida, libertando suas emoções. — Eu quero degolá-lo, sufocá-lo, quero que ele morra! Quero arrancar seu coração, tirar seu órgãos, fazê-lo sofrer! — A loira estava descontrolada, seus olhos negros, chorando como uma criança — Eu a amo, Robin! Eu a amo, como nunca amei!
Confessava, finalmente, para o seu rival, agora não tão inimigo assim. Era a pessoa mais próxima no momento e a Sombria acabou desabafando.
— Eu sei, eu sei – ele disse, mas claro que ele não entendia aquela frase com o seu real significado. — Todos nós a amamos e nós vamos protegê-la sim, mas não é essa a forma. Venha, vamos voltar para o acampamento. Em breve teremos notícias de Sidney.
Cansada de não ser compreendida, não podendo mais guardar o segredo para si, Emma se agarrou na roupa de Robin, olhando-o de forma desesperada:
— Você não entendeu! Eu a amo! Como mulher! Ela é minha namorada!
— O que?? — Robin não entendia, ou não conseguia entender. — Você é o outro cara?! Foi por sua causa que ela terminou comigo?
Ele se afastou de Emma, agora ficava irritado com a loira.
— Querido, ela terminou com você, foi porque você escolheu a irmã dela. Você escolheu primeiro terminar com ela para ficar com Marian, depois não acreditou nela quando ela lhe disse que era Zelena e aí ainda esperava que ela quisesse algo com você? – a Salvadora também se irritava pela falta de compreensão. — Sério que você vai se incomodar com isso agora? Temos problemas maiores!
Mas o homem ainda estava atordoado com a situação.
— Fique longe de mim! — Robin a empurrou para longe em um ato não muito digno, mas fruto de sua confusão. E isso agora também atraia atenção de pessoas na lanchonete.
— Não me toque! Que tipo de homem você é? — Emma o empurrava de volta, provocando mais a ira do ladrão. — Você vai ficar longe dela também!
Robin deu um passo a frente em claro desafio, e algumas pessoas na lanchonete começavam a gritar sobre a possibilidade daquilo se tornar uma luta. A confusão aumentava e Regina tinha um bom palpite do que estava acontecendo. Enquanto Mary Margaret corria com David pela rua atrás da filha, deixando o bebê Neal com Ruby, a Rainha tinha outros planos para evitar que a verdade fosse descoberta pelo seu marido.
— Parece que eles precisam de ajuda — Leopold comentou.
— Meu Rei, deixe-os cuidar do problema. Vamos para casa, não há mais nada que possamos fazer por aqui.
— Achei que desejasse jantar fora.
— Mudei de ideia — ela sorria fracamente. — Posso fazer um jantar muito melhor para nós dois.
Leopold sorriu de volta e Regina desapareceu em sua nuvem de fumaça roxa, levando ambos para sua casa, pois nem ao menos passar pela rua queria. Enquanto isso, Mary se aproximava da filha, ao passo que David tentava apartar, ficando entre Emma e Robin. O Xerife gritava:
— Emma, pare! O que está havendo? Não é mais você!
— Não se meta! – Ela falava para o pai com tom ameaçador, empurrando-o para que liberasse o caminho. — Me deixem em paz!
A Salvadora lançou um feitiço com uma nuvem negra, empurrando todos para longe. Ao que a fumaça desapareceu, a loira já tinha sumido. Retornou para o acampamento e retirou suas coisas dali, não queria mais nada com os Merry Men. Só tinha agora uma saída: Voltar a dormir em seu carro até decidir o que faria, em quem poderia confiar.
Enquanto isso, na casa de Regina, ela levava Leopold para o seu quarto. Se havia algo que aprendera a usar desde que assumira como Rainha era sua beleza, uma habilidade que jamais perdera. Isso ajudaria a distrai-lo do que Snow havia contato sobre sua relação com Robin, pois lembrava do marido ser vingativo e ciumento.
— Venha, meu Rei, vou lhe dar o descanso que merece — ela disse conduzindo-o para a cama.
Leopold subiu no móvel posicionando-se entre as pernas da mulher, porém, quando pareceu que a beijaria, agarrou-a pelo pescoço com uma das mãos. Quando ela tentou se soltar, ele segurou-a pelos pulsos com a outra.
— Pensa que eu me esqueci? Robin Hood? Um plebeu comum, um ladrão? Você é uma Rainha! Casada! Me deve honra! — Ele disse com a voz elevada.
Regina tentava gritar, se soltar, mas tudo era em vão, pois o ar faltava e ela ficava sem forças para se defender. Sidney assistia pelo canto do espelho e estava prestes a ir buscar ajuda, quando Leopold a soltou. A Rainha sentou-se na cama, ofegante, cobrindo o pescoço com as mãos, enquanto se afastava da beira ainda assustada, o suficiente para não falar ou reagir.
— Eu deveria ordenar sua morte por isso, pelo Gênio, mas eu sou um Rei benevolente e eu a perdoo pelas suas transgressões — ele disse já mais calmo. Voltando-se para ela, o olhava com raiva animalesca. — Não me olhe assim, querida. Eu já disse, desejo a felicidade do meu povo, especialmente a sua.
Ele se aproximava dela, tocando-a no rosto em uma carícia, ao que ela virou a cabeça para desviar. Imediatamente, ele a acertou com um tapa violento que a fez cair no colchão.
— Não se atreva a me contrariar! Eu sou o seu Rei!
Ao mesmo tempo que gritava, ele arrancava-lhe as vestes e quanto mais ela tentava evitar e fugir, mais ele a machucava. Regina não tinha coragem para usar magia, em outros tempos certamente que teria tomado uma atitude, mas agora, pensar que estaria ferindo Mary Margaret, Emma, quebrando a promessa que fizera a Henry de não ferir ninguém, simplesmente não conseguia. Sangue é mais denso que água e não conseguia fazer mal àquela família, não importava a quem fosse. Mais do que isso, ainda achava que merecia, pois nada poderia ser pior do que a morte que ela armara para o Rei. Então, em total silêncio, ela se submeteu sem derramar uma única lágrima, como já fizera muitas e muitas vezes antes, durante o seu casamento. A dor iria passar, os machucados sarariam com o tempo, e ninguém jamais iria descobrir, pois ela sabia como esconder suas feridas físicas e emocionais como uma verdadeira Rainha.
Do outro lado da cidade, Emma ia para seu carro, irritada com tudo que acontecera nas últimas horas, na verdade, no último dia. Estacionou perto da delegacia, em uma rua mais escura e escondida e recostou no banco, como fizera há alguns anos atrás. Refletia como sua vida havia dado tantas reviravoltas, sua mente parecia girar. Ao menos havia bebido, isto a ajudaria a pegar no sono.
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