Notas iniciais
Era pra ser uma One-Shot, mas eu me empolguei e ficou bem grande, então creio que serão uns 3 ou 4 capítulos. Tenho idéias para bem mais, mas vai depender de vocês. O nível de criatividade é diretamente proporcional ao número de reviews.
Boa leitura.

Eu estava sentada na minha cama, abraçada com o travesseiro já fazia mais de uma hora. Não agüentava mais a minha situação amorosa medíocre. Naquela noite teríamos festa do pijama na casa da Magá de novo (os pais dela viajaram) e de novo eu ficaria ouvindo o blá blá blá romântico das minhas amigas que tinham uma vida amorosa bem resolvida, ao contrario de mim. Magá e Quim, Cascuda e Cascão, Aninha e Titi, Marina e Franja… Até a Carmem e a Denise pirigueteando como costumavam eram mais bem resolvidas que eu…

Eu nem sabia o que, afinal, eu tinha com o Cebola. Ele ficava naquele chove-não-molha comigo desde que eu me lembrava. Minha mãe me dizia, desde que éramos crianças, que as provocações dele eram apenas paixão que ele não sabia como demonstrar. E pelo visto continuava sem saber, porque ele não tomava uma atitude definitiva, mas sempre que eu pensava em desencanar, ele aparecia de novo, me deixava doida e depois fazia o “amigo fiel”.

Desisti de pensar naquilo, senão eu acabaria não indo à nossa girl’s night e eu não podia perder, porque, apesar de tudo, eu sabia que ia me divertir muito. Fiz minha “mala”. “Mala” não. MALA mesmo. Ah, toda menina sabe como são essas coisas. A gente nunca sabe do que pode sentir falta, então acaba levando tudo. Até porque noite com as amigas é sinônimo de fazer unhas, hidratar a pele e os cabelos, esfoliar, alisar, enrolar, tonificar e outras milhares de coisas. Saí de casa por volta das 16h e cheguei em 10min na casa da Magá.

Quase todas as meninas já estavam lá e antes das 18h o grupo estava completo. Começamos a nos embelezar enquanto escolhíamos sabores de pizza, de sorvete e o filme que veríamos depois do jantar. A Cascuda ligou pra pizzaria e pra locadora e ficamos conversando sobre a escola, as notas, os professores e os trabalhos até a campainha tocar. Jantamos depois que a Denise parou de surtar com o motoqueiro lindo que veio trazer a pizza, tomamos nossos sorvetes e depois fomos assistir ao filme.

O filme era, obviamente, uma comédia romântica. Isso significa que o assunto seguinte era aquele que eu temia. Todas começaram a falar de seus namorados e ficantes e eu quieta. De repente, a Marina se lembrou que eu existia.

— E aí, Mô? A quantas andam você e o Cê?

- Sei lá, Má. Acho que não anda de jeito nenhum. Somos amigos, como sempre.

- Uhum, gatz, sei… Pra mim você tá escondendo o jogo, só não sei porque, já que todo mundo ta careca de saber que vocês dois são um casal – disse a Denise, materializando a conversa que eu NÃO queria ter.

- Nada haver, Dê. A gente já ficou uma ou duas vezes, mas nada de mais.

- Ai, linda, conta com detalhes. – Ela pediu, com os olhos brilhando.

- Que detalhes, garota? Ficou louca? – Silêncio… — Que foi, gente?

- Que dizer que REALMENTE não tem nada entre vocês pra contar? – Perguntou a Carmem, de olhos arregalados.

- Não, gente. É sério… O que aconteceu vocês já sabem. Aquele primeiro beijo que EU roubei… Enfim, vocês sabem de tudo. – Falei, sentindo meu rosto esquentar e sabendo que estava vermelha.

- Puxa, Mô, por essa eu não esperava. – Falou Marina, claramente se sentindo mal por me deixar desconfortável.

- Olha, não se preocupe, eu… — Comecei, mas Denise me cortou.

- Ah, gatz, bem menos nessa auto-piedade, por favor. Ninguém merece lamúrias a essa altura. Não faz essa cara, Marina, você sabe que é verdade. Você nem parece a mulher decidida e cheia de personalidade que você é quando se trata do Cebola. Presta atenção, ou você intima o bofe, joga ele na parede e chama ele de lagartixa ou você nunca vai tirar esse lacrezinho infeliz aí. Você já tem quase 17 e ainda continua toda casta e intocada. Super fora de moda, lindinha. Não deixa esse hímen atingir a maioridade, purfaaa. Além do mais, se ele não se decide, faz a fila andar. Você é linda, inteligente e forte, não precisa dele pra ser feliz.

- Denise… — Foi tudo o que eu consegui dizer, morta de vergonha.

- Mô, a Denise tem razão. – Encarei a Magali meio incrédula. – Já passou da hora de você e o Cebola decidirem qual é a de vocês. Se vocês não têm nada, porque você se nega o direito de conhecer outras pessoas? Tá cheio de meninos doidos por você. Dá uma chance pra você mesma. Quem sabe assim o Cê percebe o que está perdendo e toma uma atitude?

- Eu no seu lugar deixaria a criatura careca pra lá e pegaria o DC. – Interferiu a Carmem enquanto olhava os vidros de esmalte, pensando em trocar a cor pela terceira vez. Todas olhamos pra ela de boca aberta.

-DC? – Disseram Denise e Magá ao mesmo tempo.

- Gente, por favor! Me digam que não se tocaram que o menino Do Contra é apaixonado pela Mônica desde que se mudou pra cá, ou seja, quase há tanto tempo quanto o careca?

- Não, Cacá… Ninguém percebeu. – Falou a Aninha meio perplexa. – Achei que você tinha alguma coisa com ele.

- Bem que eu tentei. Mas ele simplesmente disse que sou linda (o que não é novidade pra ninguém), mas que minha beleza é óbvia. Sinceramente, não sei o que tem de ruim nisso. Claro que é óbvio que eu sou linda. Até no escuro qualquer um perceberia. Hunf, Vermelho ou vinho? Não sei que esmalte passar! – Todas ainda estávamos perplexas demais pra falar. Marina quebrou o silêncio:

-Ai ai ai, amiga! O DC é super gatinho. Todas as meninas são afim dele. E ele, óbvio, é diferente dos outros! Ele não fica com qualquer uma. Aliás, eu não me espantaria se ele fosse BV. Nunca vi ele com ninguém. Devia investir nele!

- OK, meninas, eu aprecio os conselhos e opiniões, a preocupação e tudo mais, mas nesse momento eu gostaria de mudar de assunto.

- Tudo bem, amiga. – Disse Magali. – Meninas, tenho que contar. Finalmente criei coragem! Fiz sexo oral com o Quim.

- AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH! – Todas gritaram. E o assunto, para meu deleite, mudou de rumo. Eu morria de curiosidade sobre essas coisas. Mas eu tinha outras coisas pra pensar naquele momento e acabei me distraindo. Realmente, desde sempre, o único que nunca me provocou, nunca me zoou foi o Do Contra. Ele sempre foi gentil e carinhoso comigo, me elogiando e me dizendo coisas legais, nas horas em que eu mais precisava. Como eu podia ter sido tão besta que não notei? Naquele momento um calor tomou conta do meu coração e eu percebi que talvez o Cebola não estivesse tão sem concorrência como eu pensava.

No dia seguinte, todas as meninas foram embora logo depois do almoço. Menos eu. Eu queria falar a sós com a minha melhor amiga.

- Magá… O que você achou da história do DC, hein?

- Ai, Mô… Eu não achei nada. Você, por outro lado parece estar pensando nisso desde então.

- Transpareci tanto assim?

- Você nunca foi muito boa em guardar seus sentimentos, mas até que não deu muita bandeira não. Mas você é minha melhor amiga desde sempre. Eu te conheço melhor que ninguém. Talvez melhor que você mesma, hehe.

- Fato. Fiquei mesmo pensando nisso. Quase não dormi, com essa história martelando a minha cabeça. Eu realmente nunca tinha me tocado dessa do DC. Tipo, ele sempre foi um fofo e tal, mas nunca tinha pensado nele desse jeito. Nunca tinha pensado desse jeito em ninguém além do Cebola.

- Então a hora é essa. Deixa rolar, uma hora o DC te chama pra sair e você aceita. E vê no que dá. Enquanto isso, não fica esperando por ele também não. Fique aberta pra novas pessoas. O mundo não se resume à nossa turma, Mônica. Eu achei meu par entre nós, mas pode ser que o seu não esteja. Olha em volta.

- Não sei se estou pronta pra isso.

- Então começa com o DC. De repente você nem precisa se preocupar com mais ninguém depois disso. Pensa bem. Você realmente gosta do Cê ou só está acostumada a ter ele como o seu “par”?

- Falando assim, eu não sei… Não é o tipo de coisa que a gente fica sabendo na mesma hora, mas acho que vou acabar chegando lá. Vou dar uma volta. Acho que isso vai me ajudar. Tchau, Magá! Obrigada pelos conselhos. Amo você, amiga.

- Também te amo. Se cuida!

Saí de lá e passei em casa pra deixar minhas coisas, tomei um banho, coloquei um short jeans e uma batinha preta, uma rasteirinha e saí sem rumo, só pra espairecer. Fiquei pensando em tudo o que as meninas tinham me falado, em tudo o que aconteceu nos últimos tempos e nos meninos, no tratamento que cada um me dava. O Cê me tratava muito bem. Como amigo. Mas só me tratava como mulher quando ele queria. Vivia olhando pra meninas como a Carmem. O DC não. Sempre me tratava feito uma princesa. Sempre falava o que eu precisava ouvir. Era doce, e aparentemente não era chegado a ficar com qualquer uma. Se bem que o Cebola olhava, mas eu nunca tinha visto ele ficar realmente com ninguém. Meu Deus, que coisa complicada era a minha vida. Tinha saído de casa no dia anterior sem namorado nenhum e agora estou nesse dilema entre Cebola e Do Contra. Sendo que, na verdade, não tenho certeza que nenhum deles gosta de mim. Nem que eu goste de algum dos dois. Entrei numa sorveteria e pedi um Milk-shake de chocolate. De repente alguém puxou a cadeira em frente à minha e, quando eu olhei, fiquei pensando se era um sinal divino.

-Quem permitiu que uma gata dessas ficasse sozinha na sorveteria? – Olhei nos olhos dele. Era sincero. E muito bonito também, reparei pela primeira vez.

- Oi, DC. Estava meio injuriada e resolvi vir passear pra espairecer.

- E está se sentindo melhor? – Ele parecia preocupado.

- Tá tudo bem, não se preocupe. – Sorri com vontade. Ele merecia meu sorriso. Estar sentada tomando meu Milk-shake favorito junto com um cara tão lindo merecia um sorriso caprichado.

- Agora sim, meu dia começa a valer a pena. – Ele também sorriu – Fiz uma mulher bonita sorrir. Posso te acompanhar? – Sem esperar resposta ele pegou um canudo e enfiou no meu copo, tomando o Milk-shake junto comigo. Uma atitude bem a cara dele. Eu ri e balancei a cabeça, mas não me opus. Ele continuou falando. – Sabe, eu gosto de mulheres como você. Comendo doces sem ficar se preocupando com calorias. Até a Magali começou com essas frescuras agora. Você tem personalidade, come o que dá na telha. Você se dá o prazer de ser feliz.

- É, mas eu estou precisando de um regime… — Falei sem graça.

- Que nada! Você é gost… PERFEITA. Você é perfeita. Quem gosta de osso é cachorro! Você é hamoniosa, Mô. – Achei interessante. Ele nunca chamava ninguém pelo apelido. Soou bem na voz dele. Acabei ficando vermelha. – Também fica ainda mais linda vermelhinha assim.

Óbvio que eu fiquei três vezes mais vermelha. Mas é óbvio que eu também gostei. Muito. Ele realmente era diferente dos outros. Mas isso também era óbvio. Era o Do Contra.

Ficamos ali conversando amenidades e quando percebi, tinha escurecido. Ele levantou e me ofereceu o braço.

- Acompanho a bela dama até a casa. – E sorriu. Achei tão bonitinho! Aceitei o braço dele.

Saímos andando pela rua, de braços dados. De repente, ele entrelaçou seus dedos nos meus. Esse contato me fez arrepiar e estremecer. Comecei a sentir calor. Nunca tinha me sentido assim por ninguém. Nem pelo Cebola. Mas também, ele nunca tinha sido tão cavalheiro comigo, como eu poderia saber o que sentiria?

Andamos mais um pouco de mãos dadas, em silêncio. Não era incômodo. Era o tipo de silêncio confortável para os dois. De repente meus olhos se cruzaram com os dele e sorrimos. Quando dei por mim, estávamos parados na porta da minha casa. Ele segurou minhas duas mãos, ficando de frente para mim, me olhando nos olhos.

- Mônica, eu tenho tanta coisa pra te falar. Nem sei por onde começar.

-Não começa ainda, DC. Vamos segurar esse momento do jeito que está. Vamos curtir essa magia e depois a gente fala, ok? – Não me reconheci naquela frase, mas realmente eu estava experimentando um momento maravilhoso e as palavras iam cortar o barato.

Ele deu um sorriso iluminado, eu nunca tinha visto um sorriso como aquele. Me prendeu, me segurou no mesmo lugar como se fosse a própria gravidade. Porque eu nunca tinha prestado atenção nele antes? Oras, porque eu estava encanada com o Cebola. Isso me fazia esquecer de olhar outras pessoas. AH! Esquece o Cebola! Olha esse mestiço lindo, de olhos escuros.

Ele puxou minhas mãos e acabou fazendo meu corpo colar no dele. Levantou meus braços, levou minhas mãos para sua nuca, onde as uniu, me fazendo compreender que queria que eu as mantivesse lá. Depois, desceu suas mãos pelos meus braços, acariciando-os delicadamente, alcançando meus ombros, minhas costas e, por fim, repousando-as em minha cintura. Tudo isso sem tirar os olhos dos meus, com um sorriso leve nos lábios. Nossos corpos estavam grudados. Estávamos próximos como nunca estive com nenhum garoto. E parecia tão certo. Ele se aproximou devagar, como que pedindo permissão. E eu concedi, não conseguiria parar por ali. Quando ele tocou seus lábios nos meus, foi inexplicável. Aquele deveria ter sido meu primeiro beijo. Senti um calor se espalhar dos meus lábios para o resto do corpo e se acumular, junto com uma umidade crescente, entre minhas pernas. A língua dele pediu passagem, que eu concedi. Ele me puxou pra mais perto, acariciando toda a extensão das minhas costas. Enquanto uma de suas mãos ainda percorria minhas costas, a outra veio pousar no meu pescoço. Quando precisamos de ar, ele separou seus lábios dos meus, ainda segurando meu pescoço e minha cintura. Usou a mão do pescoço para afastar meu cabelo e começou a beijar meu pescoço, dando leves mordidas. Um suspiro escapou dos meus lábios e ele riu baixinho contra minha pele. Começou a falar em meu ouvido.

- Você não tem idéia do quanto eu sonhei com isso. – Ele disse, ofegante.

- E correspondeu aos seus sonhos? – Perguntei, meio tímida.

- Não. Foi infinitamente melhor. Seu cheiro me hipnotiza, sua boca me inebria. Ah, Mônica, porque você me fez esperar tanto? – Eu nunca tinha vivido um momento tão intenso como aquele. Parecíamos namorados que não se viam há anos. Eu sentia uma necessidade crescente de ficar perto dele.

- Então não perca mais tempo. – Ele me encostou no muro, prendeu meu corpo com o dele, segurou meu rosto com as mãos e me beijou. Dessa vez não foi calmo e cheio de carinho. Foi urgente, cheio de paixão, como se alguma coisa fosse nos separar a qualquer minuto. Eu agarrei sua camisa na cintura e o puxei para mais perto de mim. Mas esse perto não parecia suficiente e eu pressionei meu quadril contra o dele, sentindo uma coisa dura me apertar. Eu tinha causado uma ereção nele. Ele realmente me achava sexy nesse ponto. Ficou excitado comigo. Aquilo aumentou o calor e a umidade entre minhas pernas. Aprofundei o beijo e senti Do Contra gemer entre meus lábios e pressionar mais sua ereção em mim. Ele se afastou dos meus lábios para buscar ar, mas sem desfazer o contato com a minha pele. Foi beijando meu rosto até chegar no lóbulo de minha orelha, que ele mordiscou. Eu gemi alto. Ele se afastou um pouco de mim, encostando a testa na minha, de olhos fechados.

-Mônica, eu quero te respeitar. Quero muito. Mas você está tornando isso quase impossível.

- Mas eu não estou fazendo nada!

- Pior ainda! Você faz inconscientemente. Tá me deixando louco. Não quero estragar tudo. Esperei demais por isso. – Ele abriu os olhos – E ainda tenho muito o que falar. Mas não agora. Agora eu vou voltar pra casa, sentindo seu gosto na minha boca e seu cheiro no meu corpo. Amanhã vou passar aqui pra te pegar e a gente vai ao cinema juntos. Como um casal. Não se importe em responder. Eu só aceito uma resposta.

- Sim. – Ele riu. – Acho melhor eu entrar, DC. Não sei qual seria a reação do meu pai se me visse aqui com você.

- Boa noite, gata. Amanhã passo pra te buscar às 15h. Sonha comigo. Porque eu, sem dúvidas, vou sonhar com você. – Me deu um selinho, uma piscada e saiu andando, sem olhar pra trás, me deixando ofegante, encostada no muro de casa.

Quando recuperei o movimento das pernas, suspirei e entrei em casa, tentando não fazer uma cara (muito) culpada. Dei boa noite para os meus pais e fui para o meu quarto. Senti o cheiro dele na minha pele, na minha roupa. Eu simplesmente não conseguia acreditar. Foi tudo tão de repente e, ao mesmo tempo, tão perfeito! Tomei um banho e me deitei, sem conseguir dormir, só pensando nele e no dia seguinte. Eu teria que pedir ajuda pra Magá. Ela faria meu cabelo e me ajudaria a escolher as roupas. Suspirei. Aquele não tinha sido meu primeiro beijo. Mas tinha sido o primeiro beijo DE VERDADE. Caí no sono depois desse pensamento e sonhei com beijos e olhos escuros.

Acordei às 10h da manhã. Perfeito, eu ainda tinha cinco horas pra ficar pronta. Antes de descer para tomar café, mandei uma mensagem pra Magali pedindo pra ela vir urgente pra minha casa porque eu tinha milhares de novidades pra contar. Antes que eu terminasse meu pãozinho e meu suco de laranja, a campainha tocou. Fui atender a porta e lá estava minha amiga, com os olhos brilhando, praticamente pulando de ansiedade pra ouvir o que eu tinha pra falar.

Subimos e ficamos trancadas no meu quarto. Tomei um banho e fui contando a história toda enquanto Magali arrumava meu cabelo. Para o almoço pedimos comida japonesa, pois meus pais estavam trabalhando e eu não queria perder tempo cozinhando. Sentamos no sofá da sala enquanto esperávamos a comida e Magali recomeçou o assunto.

- Recapitulando, então. Depois que você saiu lá de casa, você foi tomar sorvete e encontrou o DC. Ele te trouxe em casa e te beijou. E agora vocês estão namorando?

- Mais ou menos. Quer dizer, não sei… Ele não disse que estávamos namorando. Disse que iríamos ao cinema como um casal. Ah, ele falou várias coisas fofas. Só não falou mais porque eu não deixei. Ou melhor, pedi pra gente viver a magia do momento. Ai, que brega. Falando assim soa muito sem noção, né? Mas acho que era isso mesmo. Eu tava com medo do que ele pudesse dizer. De eu acabar fugindo dele. Porque se o que a Carmem falou é sério, então ele poderia falar uma coisa muito séria, que eu nunca sonhei ouvir. Pelo menos, não dele.

- Você estava com medo que ele dissesse que te ama?

- É… Basicamente.

- Isso não te obriga a dizer q também o ama. Você sabe.

- Sei… Mas eu quero que ele espere até que eu possa dizer que eu também. Porque, depois de ontem, eu tenho certeza que isso é possível. Quer dizer, o beijo com o Cê foi ótimo, mas com ele foi uma outra coisa. Ele se entregou no beijo, sabe. Ele até… Bem… Enfim, deixa pra lá.

- O que?

- Ahn, eu tenho vergonha.

- Ah, não, agora me conta! Teve mão boba?

- Não, claro que não. Eu te disse. Ele parou antes porque disse que queria me respeitar.

- E você queria ser respeitada? – Ela ergueu uma sobrancelha.

-Claro que sim! Quase. Quer dizer, ele poderia me desrespeitar só um pouquinho. Eu acho que não me incomodaria. – Magali riu e eu continuei – Ele ficou… você sabe.

- Mô, você precisa tratar essas coisas como a adulta que você já é. Não tem nada de errado em falar de sexo.

- Fácil pra você falar. Você não é a última virgem da turma.

- Isso não muda nada. As coisas acontecem com todo mundo. Cada um a seu tempo. Chegou a sua vez.

- OK. Ele ficou excitado. Sabe, teve uma… ereção. – Senti o rosto queimar.

- Nossa! Se ele deixou você perceber é porque a coisa estava quente mesmo. Eles geralmente tentam disfarçar.

- Pois é, ele não tentou. E quer saber? Eu gostei! Me senti mulher, bonita, gostosa, desejada. Coisa que o Frouxo do Cebolinha nunca me fez sentir. Muito pelo contrário. Pronto, falei.

- Era disso que estávamos falando pra você lá em casa. Se permitir viver. Não esperar o Cebola. Curtir o que está ao seu alcance e se deixar apaixonar por outra pessoa.

- Eu sei, Magá. Mas é que não é tão simples assim!

- Mas se você se sentiu assim com o DC, pode ser que o Cê não seja realmente a pessoa certa para você.

- É, eu pensei nisso. – A campainha tocou, desviando nossa atenção do assunto para o nosso almoço.

Depois que terminamos de comer, fomos para o meu quarto, onde Magá me ajudou a me maquiar, pentear e escolher uma roupa. Coloquei uma saia vermelha de pregas, uma blusinha branca com estampas pretas, de mangas ¾ e ombros de fora, com um top preto por baixo, um par de botas pretas até os joelhos. Magá prendeu meu cabelo em um rabo de cavalo, com uma mecha de cabelo escondendo o elástico e a franja solta. A maquiagem bem leve, com rímel e um traço fininho de delineador, gloss transparente e um par de brincos pequenos e brilhantes. Eu estava me sentindo muito bonita, na verdade. Mas estava preocupada com o que o DC ia achar. Como que lendo meus pensamentos, Magali disse:

- Ele vai te achar maravilhosa. Você É maravilhosa, independente da roupa que usar.

- Obrigada, amiga, era exatamente o que eu precisava ouvir. – Olhei no relógio. Eram 14h55.

- Aposto que o DC chega exatamente às 15h.

- Será, Magá? Aposto que ele chega – DING DONG – atrasado… DC sempre chega atrasado ou adiantado. Ele não chega na hora porque, bem, é o DC, hehe.

- Vou sair pela cozinha. Deixo a chave embaixo do tapete. Bom encontro, amiga, beijo! Me liga quando chegar e conta TUDO! – E saiu para os fundos da casa.

Abri a porta e dei de cara com o Do Contra usando jeans escuros, camiseta e tênis pretos e o cabelo arrepiado de sempre. Ele estava sorrindo, radiante, e segurando um buquê de rosas… AZUIS?!

Notas finais
Bom, já deu pra notar que a história é teamDC, hehehe.
Aguardo reviews, opiniões, críticas e sugestões.
O capítulo seguinte está quase pronto. Vou aproveitar meus dias finais de férias para escrever.
Beijos!