Quando Os Mortos Andam.
9 O morador esquecido.
Notas iniciais
— Será que eles vão demorar muito? Estou começando a ficar com fome. – Sarah fechou a geladeira pela milésima vez.
— Para de abrir essa galadeira! – Chris estava deitado em cima dos braços apoiado na mesa.
— É porque tu já comeu né pirralho. – Sarah revirou os olhos.
— Não briguem! Logo eles voltaram com mais comida... e salvos. – Karen abaixou o tom de voz.
— Mamãe, quero ver o papai. – Chris olhou para Karen.
Sarah fez uma caretinha de pena e olhou para a mãe, a mesma entendeu e negou com a cabeça, aquilo significava que Karen não precisava de ajuda pra conversar com o filho. Sarah olhou pra Lucas e fez um gesto com a cabeça para que ele a seguisse. Ela sabia que a mãe tentaria explicar de novo para Chris a situação com o pai deles, mas agora tinha uma possibilidade a mais e era terrível: ter zumbis metidos nessa história e saber ou não se o pai estava vivo. Lucas seguiu Sarah até fora da casa.
— Chris vai entender, é um moleque esperto. – Lucas parou atrás de Sarah e ela continuou olhando fixamente para frente.
— Não sei se dessa vez mamãe vai conseguir fazê-lo entender, sabe, uma coisa é você ter seus pais divorciados outra é você ter zumbis e um perigo constante no meio dessa história, misturado com uma criança de 8 anos. Chris nem entende o que esta acontecendo. – Sarah respirou fundo o soltou o ar pela boca.
— Exatamente, ele tem 8 anos e não 5 com toda a certeza ele já não é mais uma criancinha e entende bem as coisas, basta explicar.
- Jorge me ajuda! – Luíze havia se afastado no meio daquela confusão. Os zumbis haviam se aproximado rapidamente e Jorge havia tirado o machado da cintura se preparando para o ataque. Luíze estava a uns 3 metros dele cercada por dois monstros daqueles e Jorge não pensou duas vezes e atacou-os.
— Melhor sairmos daqui. – Jorge chutou um zumbi para longe.
— Eu abro o carro e ligo ele, enquanto isso faça seu melhor porque minhas balas acabaram. – Luíze passou perto de um zumbi e foi para o carro.
O machado que Jorge cravou na cabeça de um deles “travou” e não saia mais, ele tentou colocar o pé e puxar, mas nesse momento uma mulher mancando veio grunhindo pelas suas costas. Em um movimento rápido Jorge puxou o machado com força e o golpe acertou a mulher que caiu no chão grunhindo. Jorge achou uma brecha e saiu correndo para o carro, fechou a porta com tudo e Luíze arrancou com a caminhonete.
— Sinceramente acho que está na hora de ensinar você a atirar. – Luíze disse enquanto dirigia em alta velocidade.
— Você acha?! – Jorge ofegante.
— Estou ficando preocupado com eles. – Lucas estava sentado na escada olhando para a cozinha por entre os vãos que sustentavam o corrimão.
— Tenho certeza que estão bem, saíram a menos de uma hora. Provavelmente leva esse tempo para eles arrumarem tudo. – Sarah ajeitou os cabelos em um rabo de cavalo.
— Não se preocupe Lucas, acho que já estão chegando. – Karen atravessou a cozinha e foi para a sala.
— Acho que ela tem razão, olhe! – Sarah estava na janela da cozinha e apontou pra fora. Lucas ouviu um som de um carro freando bruscamente.
Depois de contarem toda a história, Luíze comentou que estava na hora deles terem aulas de tiro, em caso de emergência era isso que salvaria as vidas deles. Estavam com idéias de começar isso logo após o almoço. Luíze e Karen preparam macarrão, molho de tomate enlatado com almôndegas.
Depois do almoço Luíze pegou algumas pistolas no carro e distribuiu para Jorge, Karen, Lucas e para Sarah. As aulas de tiro não estavam adianto muita coisa. Jorge até que estava se saindo bem, Karen mal conseguia manusear a arma. Lucas estava surpreendendo a mãe e Sarah fazia o melhor que conseguia.
— Estou preocupada com Chris, ele não saiu da casa ainda. – Karen comentou largando a arma dentro da bolsa de munição.
— Ele está bem, provavelmente achou alguma coisa pra fazer dentro da casa. Tinha alguns brinquedos naquele quarto que vocês estão dormindo. – Luíze disse.
— Acho melhor ir procurar ele, estou preocupada de verdade. – Karen saiu andando e antes de se afastar totalmente Luíze gritou:
— Karen, melhor levar a arma!
Karen pegou a arma e foi até a casa, ela estava com uma sensação ruim, não ficava assim desde Sarah saiu um dia e foi atropelada. A casa estava silenciosa e Karen procurou em todos os cômodos por Chris.
— Aaah! Socorro!
— Chris!? – Karen saiu da casa e seguiu a voz que gritava.
Chris estava em uma cabana atrás da casa, onde eles não haviam entrado ainda.
— Socorro, mamãe!
Karen pegou a arma e entrou na cabana, a cena que viu a aterrorizou completamente. Tudo estava confuso na cabeça de Karen. A cabana era velha e tinha um cheiro muito ruim, havia alguns materiais de jardinagem e sacos de adubo e sementes. No canto direito da cabana havia alguns rastros de sangue e Chris estava no outro canto encolhido e gritando. Onde estavam os rastros de sangue e algumas coisas bagunçadas havia um homem totalmente machucado, com um corte profundo e aberto no rosto, as mãos estavam castigadas e ensangüentadas. Ele balbuciava alguma coisa. Karen tinha quase certeza que ele não era um zumbi, mas estava à beira da morte. O cabelo estava ensangüentado também, era muito magro e estava tremulo.
— Chris, venha já aqui. – Karen cochichou.
Chris levantou a cabeça e correu pra trás da mãe.
— Mãe, quero ir pra casa agora. – Ele estava chorando e puxando a mãe pela blusa.
— Eu sei querido, mas agora preciso que você corra o mais rápido que puder e fale pra Luíze e Jorge virem para cá, agora! – Assim que Karen falou isso, o menino saiu correndo o mais rápido.
— Moço? – Karen estava relutante, ela estava com medo.
O homem ensangüentado olhou para ela e pediu ajuda e em seguida caiu no chão.
— O que vamos fazer? – Luíze perguntou ainda na porta da cabana.
— Ele deve estar aqui a dias, provavelmente sem comida e... água tem ali olhem! Isso pode garantir que ele não esteja morto, mas pode ter perdido muito sangue. – Karen disse. – Melhor retirarmos ele e levarmos pra dentro da casa.
Algumas horas depois o homem estava na cama do quartinho do andar de baixo da casa, Karen limpou os ferimentos e com um kit que sempre carregava junto fez três pontos acima da sobrancelha.
— Ele está muito fraco, só bebe alguns goles de água temos que esperar e vê o que vai acontecer.
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