Existem momentos na vida de uma pessoa, nos quais ela para e senta, nem que seja no chão, e reflete sobre a vida dela. Quando uma pessoa se sente destroçada, exatamente como uma casa, ao ser atingida por uma rajada de vento muito forte. E ao se sentir assim, a pessoa corre em busca de uma solução, como a morte, que se torna a melhor coisa possível para aqueles que se acham fracos o suficiente para crer que não conseguiriam continuar depois de uma catástrofe natural. Porque, quando o vento selvagem soprar, você quer estar longe, longe apenas para não presenciar a destruição causada por ele. Destruindo tudo aquilo que um dia, foi seu. Mas esse não é um desses dias. Hoje é apenas um dia normal, como um outro qualquer, quando o vento selvagem sopra. Mas dessa vez, ele sopra dentro de mim, porque é assim que me sinto.

Respiro fundo, assim que Anthony termina de contar seus motivos, e percebo que é a hora de salvar Anges, que agora se encontra quase inconsciente, jogada no chão, onde um dia estivera o sofá.

—Então, –chamei sua atenção para mim, rezando a Mérlin para Harry entender que era hora de agir. – foi assim que você resolveu me conquistar? Matando e fazendo sofrer a todos que amo? Uma bela maneira de fazer uma menina se apaixonar por você, uma pena que não funciona.

—Ah, Hermione...Você não entendeu, não é?! Você ter vindo aqui, já te faz minha. Ou você acha que eu vou te deixar sair daqui? Mas é claro que não! –ele riu, fazendo minha mente trabalhar a mil por hora. Reparei tarde demais que a única saída que eu tinha, era por onde havia entrado, e estava certa de que Anthony me seguiria, e isso significava revelar a posição de Harry, perdendo a chance de salvar a garota jogada no chão.

‘’Só você mesmo, né?! Se prender em um lugar assim, com um maníaco obsessivo.’’

‘’Por que você sempre aparece nas horas erradas, hein, consciência?’’

‘’É amor.’’

‘’Idiota.’’

—O que pensa que vai fazer? –recuei um passo, percebendo que ele se aproximava de mim.

—Ah, nada demais. Só pegar o que é meu. –ele disse, se aproximando mais. Recuei mais um passo, mas Anthony passou reto por mim, apontando a varinha para a parede, que explodiu, segundos depois.

A única coisa em que pude pensar foi em Harry.

*** *** *** ****



—Sozinha, não é?!

—Anthony, deixe-o em paz.

—Não se preocupe, lindinha. Ele vai ficar em paz. Junto com os pais dele. –Anthony jogou Harry, que estava imobilizado no chão, me fazendo correr alguns passos. –Não, não. Você fica aí, paradinha. –ele disse apenas, e senti dois braços me segurando, enquanto meu braço era torcido.

—Claro que você faria isso. –disse entredentes, sentindo o perfume de Anges.

—Você acha que as pessoas mudam de um dia para outro, amorzinho?—ela apertou ainda mais suas mãos, aumentando a dor. –Sabe, meu talento para atriz deveria ser mais valorizado.

—Não se preocupe, eu não tinha esperança alguma em você. –disse, tentando não me contorcer muito, ou só reclamar de dor. –Você sempre teve essa cara de vaca. –senti meu corpo ir de encontro com o chão, e pude ouvir Anthony gritar com a irmã, xingando-a por ter me machucado.

Olhei para Harry, que já estava em pé, e percebi que os dois irmãos estavam absortos demais em sua discussão, então aproveitei para correr até ele. Ouvi o baque da mão do Anthony ao encostar no rosto da irmã, deixando-o vermelho, assim que alcancei Harry. Peguei a varinha do bolso, preparando-me para uma luta desnecessária.

Assim que ele percebeu que eu estava ao lado de Harry, pegou, não me pergunte de onde, uma pequena faca, que atirou na nossa direção. Me joguei na frente de Harry, calculando onde exatamente a faca atingiria. Segurei a exclamação de dor, assim que a faca passou raspando em meu braço esquerdo, fazendo-o sangrar.

—Por que fez isso, garota estúpida? -vi a raiva preencher seu olhar, mas mantive o meu firme, fazendo nossos olhos castanhos se encontrarem. Ergui a varinha, apontando para ele, e lancei um feitiço, que deveria tê-lo jogado para longe, se ele não revidasse. A diferença? Ele revidou em Harry.

Nem preciso dizer, mas isso fez com que uma pequena batalha começasse.

Feitiços não-verbais voavam dos quatro cantos da sala, enquanto eu mirava Anthony, que mirava em Harry, que mirava em Anges, que, por sua vez, mirava em mim. Os feches de luz tornavam o ambiente parecido com aquelas baldas trouxa, em que um globo de luz ficava piscando no meio de todos, iluminando o local, mas é claro, com a diferença que as ‘’nossas luzes’’ machucavam.

Isso só parou quando um feitiço, lançado por Anges, passou a centímetros de mim. Tudo aconteceu muito rápido. Com um aceno de varinha, Anthony jogou Harry e Anges no chão, e correu até mim, sua varinha em meu pescoço, torcendo o braço, que ainda sangrava, atrás do meu próprio corpo.

—Você vai ficar bem quietinha, ouviu? –ele sussurrou ao meu ouvido, fazendo com que eu me arrepiasse, sua voz estava mais ameaçadora que nunca. –Eu não tentaria nada se fosse você, Potter. –ele disse, seu tom de voz de volta ao normal.

—Nem pense em machuca-la, seu imbecil. –Harry se levantou, a varinha em mãos, apontada para nós.

—Ou o que? –Anthony debochou, sorrindo, e enfiando ainda mais a varinha contra minha garganta, me fazendo olhar para cima. –Você o fará?

‘’O Dobby faz falta nessas horas, não acha? Além de machucar esse idiota aí, poderia te ajudar a respirar normalmente, não?!’’

‘’Acho que você ainda serve para alguma coisa, consciência.’’

O lustre havia sido a única coisa que não havia sido retirada, mas eu podia ver que ele estava solto do mesmo jeito. Talvez eu pudesse seguir os passos de Dobby, na Mansão Malfoy....

Mas antes que eu pudesse concluir a ideia, Anthony atacou mais uma vez, me usando como escudo ao contra-ataque de Harry, que podia apenas se defender. Corri meu olhar pela sala, em busca de alguma coisa que me ajudasse, e percebi que Anges não gostava do que via, o que me fez entender uma coisa: ela realmente gostava de Harry. Poderia até não estar arrependida como disse que estava, mas ela supria um sentimento real por ele. E isso me tocou, de certa forma, porque eu era a culpada daquilo. Afastei essa ideia da cabeça e me concentrei em Harry, que retribuiu o olhar na mesma hora. Movi meus lábios, formando palavras silenciosas, mas ele negou. Então não me restou outra alternativa.

—Anthony para! Para. Eu aceito, okay? Eu sou sua, e de mais ninguém. Mas com uma única condição: Deixe o Harry em paz. Deixe-o ir. Você não quer que sejamos somente nós dois? Então assim será, mas só se você deixa-lo. Faça isso, Anthony, e eu vou ser sua, sem reclamar.

—Hermione, não...

—Isso não envolve você, Harry. São minhas condições. –senti Anthony me soltar do aperto, baixando sua varinha, enquanto Harry me olhava, incrédulo.

—É só isso que você quer? –ele pergunta.

—Sim, mas preciso ter certeza de que você cumprirá com sua parte. –respondi, olhando para o chão.

—Ótimo, eu vou acompanhá-lo até a saída.

—Não. –interrompi. –Anges pode fazer isso. Não é mesmo? –me virei para a garota, que apenas observava tudo.

—S-sim, é claro.

—Então vá.

—Hermione, não faça isso..

—Você ouviu o que ela disse, Potter. A partir de agora ela é minha. –disse Anthony, sorridente.

—Vai. –me virei para ele, encontrando o verde de seus olhos. –Por favor.

Harry apenas assentiu, virando as costas, mas não sem antes atingir o moreno com um feitiço, fazendo-o voar alguns metros longe, inconsciente.

—O que você fez? –perguntei, abismada.

—Eu não podia deixar você com ele...

—Não se aproxime dela!

—Anges, o que está fazendo? –Harry se virou para ele, que apontava a varinha, trêmula, para nós dois.

—Não posso deixar vocês dois fugirem.

—Por que não? –perguntei.

—Porque não seria bom quando ele os encontrasse. E ele o fará. –ela disse apenas.

—Então venha conosco. Temos provas o suficiente...

—Não posso. Não posso traí-lo, Harry.

—O que? Por que?

—Voto Perpétuo. –eu respondi em seu lugar, fazendo com que ela assentisse.

—Sinto muito. –ela sussurra, murmurando, em seguida, algo que não escuto, somente sinto.

Notas finais
Digam-me o que acharam! Até logo! =3