Notas iniciais
Adivinha quem está de aniversário hoje? uehuehuh' Olá, pessoas! Espero que gostem, e boa leitura! Nos vemos lá embaixo!

Dor. Angústia. Escuridão. Morte.

Era apenas o que passava pela cabeça de Hermione, se é que ainda era possível pensar.

Seu corpo estava trêmulo, a dor vinha de dentro para fora, e Hermione não via nada, a não ser escuridão. Mas ela não sofria calada; isso era impossível. Sentiu seu corpo se erguer graças a um puxão. Ela sentia a respiração dele em seu pescoço, e sentia a varinha também. A ponta dela, em sua garganta.

—Você vai colaborar, okay? Sem hesitar, relutar ou recrutar. Qualquer coisa do gênero entendeu? Não vai ser bom para nenhum de vocês.

Anthony esperou pela resposta de Hermione, que não conseguia –mesmo que tentasse –mover-se um mísero centímetro, e limitou-se a arfar, tentando aliviar a dor, que a consumia aos poucos.

Viu pelo canto do olho, um feche de luz vermelha passar a centímetros do lugar onde estavam, e sentiu a varinha ser pressionada com ainda mais força em sua garganta. Quis repreender Harry, por ter atacado Anthony no estado em que esse se encontrava, mas em vão. Sua voz não saia, e ela tinha certeza de que se mantinha em pé graças a Anthony, que a segurava selvagemente.

Uma faísca voou novamente em nossa direção, dessa vez mais perto, e isso fez Anthony mudar sua estratégia. Atirou a garota no chão, jogando-a o mais longe que conseguiu, e travou uma pequena luta contra Harry. Mas ela não durou muito.

Os olhos de Anthony estavam vermelhos, a raiva já transparecia, e, a cada feitiço lançado, era um passo que ele se aproximava de Harry, que estava dividido entre atacar e se proteger. Harry podia ser bom –talvez até melhor que Anthony – mas ele competia contra a raiva de Anthony, que se tornava superior a qualquer talento.

No outro lado da sala, Hermione ainda tentava se levantar, com a plena consciência de que havia machucado mais alguma coisa, além do braço. A dor diminuía a cada segundo, embora devagar. Ela quase conseguia manter-se sentada. Quase.

Ouvia Anthony e Harry trocando provocações, mas não conseguia se concentrar no que diziam; não até Anges intervir.

Hermione desistiu de tentar se levantar por alguns segundos, apenas para ver o que acontecia, e não conseguia acreditar no que via.

Os dois meninos estavam caídos no chão, uns cinco metros longe um do outro. Anges segurava sua varinha em meados da distância, como se estivesse pronta para atacar qualquer um dos dois; e Hermione não duvidava que ela o faria, caso fosse necessário.

Harry e Anthony levantaram-se quase ao mesmo tempo, ainda encarando o outro, as varinhas em punho. Anthony foi quem se pronunciou primeiro: uma rajada de faíscas e luzes coloridas saíram da ponta de sua varinha, diretamente ao corpo de Harry, quase o acertando em cheio, se não fosse por Anges. Com um rápido aceno, a garota bloqueou o feitiço do irmão, transformando-o em fogos de artifício, que caíram sobre todo a sala.

—Tem certeza de que quer fazer isso, irmãzinha?

—Não se preocupe, Anthony. Eu sei muito bem no que estou me metendo. –ela encarou o irmão, que apenas sorriu.

—Eu não teria tanta certeza. Sectumsempra.

—Avada Kedavra!

Tudo aconteceu muito rápido.

A última expressão de Anthony, que exibia vitória, ainda podia ser vista em seu rosto, agora sem vida. Eles caíram para trás rapidamente, e ao mesmo tempo: Anges sangrando muito, Anthony morto.



Harry correu até a garota, sendo seguido por Hermione, que parou a alguns metros da dupla. Ela podia ver o sangue empapando a camisa clara de Anges, que sentia a dor se apossar de seu corpo, já mais fraco.

—Por que fez isso?

—Eu acabaria assim, de qualquer forma. –ela disse baixinho, erguendo o rosto para olhá-lo.

—Não, nós encontraríamos um jeito de...

—Não. Eu o traí no momento em que levantei a varinha para derrubá-los, Harry. Iria morrer de qualquer forma, e achei que seria melhor se fosse por algo que valesse a pena. –sua voz diminuía cada vez mais, e a cabeça de Harry trabalhava a mil por hora, pensando no que fazer para salvar a garota em seus braços.

—Eu quero que saiba...

—Não fala. –Harry a interrompeu suavemente.

—Não. Eu preciso. –ela fez uma pausa, respirando fundo, e olhando para ele ainda mais intensamente. –Dizem que quando você ama alguém, você deve deixar essa pessoa ir ao encontro da felicidade dela, sem se importar com a sua. Eu não conseguia entender o porquê disso. Pelo menos, não até ver você e Hermione juntos.

—Shh...

—Não. Por favor. Eu entendo agora, Harry. Eu entendi, embora seja tarde demais. E eu espero que você me perdoe, porque eu estava cega. Eu não quis ver a verdade, e só pensei em mim. Mas a verdade, é que eu descobri que te amo. E espero que você seja muito feliz. De verdade.

—Anges.. –ela passou os dedos finos no rosto do rapaz, que lutava para manter-se firme.

—Só me promete que vocês vão tentar, okay? –Harry assentiu, sem dizer nada. –E não se culpe pela morte dele. Embora isso não seja a coisa mais certa de se falar, ele mereceu. Apenas, tentem okay...

Harry fechou os olhos de Anges com apenas dois dedos, não medindo esforço nenhum para conter algumas lágrimas, assim como Hermione, que via tudo de longe. O silêncio pairou sobre o lugar por um bom tempo, e as palavras realmente não precisavam ser ditas.

Depois do que pareceu uma eternidade, apenas observando o corpo, que agora parecia minúsculo de Anges, Harry caminhou até Hermione e a abraçou. Ela apenas se aconchegou nos braços do moreno, apertando-o contra o corpo.

—Acabou. –Harry murmurou, ainda sem soltá-la.

—Acabou. –respondeu.



**** ***** ***** ****

—Hermione, está tudo bem?

—Sim, Gina. Desculpe, eu estava pensando.

—Tudo bem. E eu posso saber no que estava pensando? Ou em quem? –a ruiva intimidou, olhando-a maliciosa.

—Em ninguém em especial, Gina. –Hermione rolou os olhos.

—Sei, e por acaso, esse alguém tem um par de olhos verdes? –Gina riu, pegando os pratos, na porta ao lado de Hermione.

—Você é ridícula. –a morena apenas ri, arrumando os copos na mesa. –Tem certeza de que somos só nós?

—Sim. Mamãe disse que iria passar o dia com os netos dela, então ela não vem. Suzana e Rony já estão aí, eu e Dino também. Falta só a Luna, eu acho. Ah, e o Harry.

—Ah. Espera, com os netos? –Hermione para, olhando para a ruiva.

—Sim. Jonatthan, Victorie e Teddy.

—Teddy é neto dela?

—Ela disse que é como se ele fosse. –ela encolhe os ombros, fazendo as duas rirem.

Depois que todos chegaram na casa de Hermione, os sete tiveram um ótimo almoço –e tarde –entre amigos. Brincadeiras, piadas sem graça e assuntos sem nexo. Algo que fez bem a todos.

Já era quase noite, e o único que continuava na pequena casa era Harry. Eles tinham alguns assuntos do Ministério para tratar, então aproveitaram para se reunir no mesmo dia.

—Como está?

—Indo. Já fazem algumas semanas, não é?! Acho que teremos que superar algum dia. –Hermione se senta no sofá, abraçando uma almofada. –E você?

—A mesma coisa. Acho que acabei me acostumando com tudo isso...

—Eu sinto muito..

—Tudo bem. –o moreno a interrompeu. –Eu gostaria de te mostrar algo.

—E o que seria? –Hermione perguntou, curiosa.

—Confia em mim?



—Ah, Mérlin! Como fez isso?

—Eu não tinha muito o que fazer em meu tempo livre, então comecei a coleciona-los, embora não tenha lido nenhum.

As quatro paredes do quartinho do último andar do Largo 12 estavam repletas de livros. De todos os tamanhos; grandes e pequenos, finos e grossos, com capas coloridas e em preto e branco. Um paraíso para alguém como Hermione.

—Está perfeito. –comentou encantada.

—Ela ainda é sua, se quiser. –Hermione olhou-o.

—Você está brincando, não é?! Isso tudo é seu, não poderia ficar..

—Poderia sim. A ideia inicial foi sua. Nada mais justo. –ele sorriu, incentivando Hermione, que acabou sorrindo junto com ele.

—Quando prometeu à Anges que tentaríamos, estava falando a verdade? –perguntou Hermione, depois de um tempo.

—Isso depende de você. –ele se aproximou, sem ao menos reparar no ato.

—Isso é um sim?

—Não sei. É?

Como resposta, Hermione apenas o beijou. A sensação dos lábios de Harry, depois de tanto tempo, era algo novo, mas, ao mesmo tempo, bem conhecido. Ele aprofundou o beijo, passando suas mãos pela cintura dela, enquanto Hermione apenas entrelaçava os dedos nos cabelos bagunçados do moreno.

Quem sabe, dessa vez, pudesse mesmo estar tudo bem. Pelo menos, por enquanto.

Notas finais
Bem, pessoal. É isso aí. Eu realmente espero não ter decepcionado vocês, e quero que saibam que cada leitor que acompanhou/está acompanhando/vai acompanhar é muito importante para mim. Agradeço a cada review, a cada recomendação e a cada favorito. Foi muito importante saber que vocês gostaram, e, bem foi minha primeira história! Eu amei escrevê-la, e espero que tenham gostado de lê-la! Um grande beijo, minha gente! E até uma próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!