Quando O Lobo Uivar

6 Capítulo seis


Notas iniciais
Muitas coisas para dizer.
1º - Notei que minha fanfic ficou um pouco confusa. Vou tentar mudar isso de agora em diante, prometo.
2º - Alguns esclarecimentos quanto a idades: Robb e Jon têm 16 anos, Eileen tem 15(quase 16), Bran tem 10, Rickon tem 4 e Jeyne tem 17.
Quaisquer outras dúvidas, só me perguntar nos comentários.

A noite já tinha suas garras sobre Winterfell. A lua era o único resquício de luz ali no pátio do castelo, e Robb tinha os olhos fixos nela. Vento Cinzento, ao seu lado, coçava a barriga com a perna traseira, como um cachorro. Isso não o deixava tão assustador quanto deveria ser um lobo gigante, mas ele parecia não se importar.
Rickon ainda corria de um lado para o outro do pátio com Cão Felpudo a persegui-lo. Tinha feito aquilo durante toda a tarde, e parecia que nunca se cansaria, nem parar, da brincadeira.
– Isso é que dá, dormir o dia inteiro. – Eileen, ao seu lado, reclamou. — A noite, todo agitado... Como é que eu vou coloca-lo para dormir?
Eileen já deveria ter ido embora. Já estava tarde. Ela morava a meia hora de Winterfell, e por isso saía antes do pôr-do-sol para evitar os segredos da estrada a noite. Mas não naquele dia.
Uma vez por mês, lorde Eddard convidava um servo, guarda ou oficial diferente para jantar em sua mesa e partilhar de sua comida. Hodor já foi convidado, Sor Rodrik Cassel, a Velha Ama e até mesmo Madame Windstone. Nesse dia, em especial, era a vez de Eileen sentar em sua mesa.
Bran não estava em lugar nenhum para ser encontrado. Devia estar em algum lugar da Floresta Sagrada, ou em uma das mais altas torres, escalando como sempre. Sansa provavelmente ainda tecia, comentando e fofocando com Jeyne Poole sobre a chegada do príncipe e da corte. E Arya...
Bem, ela estava ao lado de Robb. Devia estar tecendo ainda, mas segurava uma suculenta maçã na mão. Quando a mordeu, seu suco escorreu por seu queixo, e ela o limpou com a manga do vestido.
– Quer um pedaço? – perguntou com a boca cheia, oferecendo o fruto ao irmão mais velho.
– Não, obrigado. – ele respondeu. – Arya, como conseguiu isso?
– Roubei de Madame Windstone. – ela nem pestanejou. Então, reagiu ao olhar desaprovador do irmão: — Estou com fome! Ela está preparando um jantar especial para Eileen. Eu não sei o que é, mas não tenho vontade de esperar!
– Bem, não seja por mim. – Eileen disse. Rickon chegou perto dela e puxou sua manga.
– Vamos brincar! – ele disse com seu tom de criança e fala errada.
– Não posso, meu anjo. – ela não ia dizer nada, mas Robb sabia que ela tinha medo dos lobos selvagens. Conhecia-a como a palma da sua mão. – Tome cuidado.
– Por que tem medo deles, Ellie? – Robb não resistiu a perguntar. A garota tinha os olhos atentos em Rickon e no lobo, como se esperasse que a qualquer momento Cão Felpudo atacasse a criança. Respondeu:
– Eu? Não tenho medo deles. – Virou o rosto para Robb, no intuito de encarar seu olhar indagador. Não resistiu. – Só um pouquinho.
O herdeiro de Winterfell riu. Ela deu um soco de leve em seu ombro, rindo também. Depois cruzou os braços sobre o peito. Estava com frio. A pele estava arrepiada. O vestido lilás que usava era fino demais para o gelo crescente da noite. Robb notou isso, e resistiu a tentação de colocar os braços por sobre os ombros da garota. Mas ficou rígido, nem mesmo ousando colocar seu casaco sobre ela.
– Eles são selvagens. Não deviam ser domesticados. Não se deve confiar neles.
– Quer ir lá para dentro? – ele a interrompeu, apontando para o castelo.
– Mas... Rickon ainda está brincando. – ela apontou para o garotinho, que corria de um lado para o outro. Arya, ao seu lado, estava concentrada na maçã. – E Arya...
Então caiu e tropeçou. Começou a chorar alto, e Eileen apressou-se em pegá-lo no colo. O lobo lambeu seus pés, mas ela se assustou e deu um pulo. Robb balançou a mão e afastou Cão Felpudo dos pés da serva. Ele se inclinou para perto da garota, que ninava Rickon.
– Acho melhor irmos para dentro. – Eileen disse, com os olhos violetas fixos em Robb e a mão acariciando os cabelos de Rickon. – Paramos de brincar com o lobo. Pelo menos por hoje.
Ela se virou e começou a andar em direção ao castelo. Robb a seguiu de perto, com Cão Felpudo e Vento Cinzento em seus flancos. Arya notou que eles se distanciavam e parou de mastigar o fruto. Correu para perto do irmão e segurou sua manga.
– Aonde vamos?
– Fazer alguma coisa do lado de dentro. – ele respondeu. – Já está tarde para ficarmos do lado de fora. Daqui a pouco vai ficar frio demais para nós.
– Está bem, então. – ela deu de ombros. Então arregalou os olhos. – Vamos à sala das mulheres! Sansa aprendeu uma nova canção hoje. Tenho certeza que ela vai adorar nos entreter com sua cantoria antes do jantar. Ainda mais para se exibir como um pavão com Jeyne Poole.
– Você não aprendeu também não? – Robb perguntou, e depois riu da careta da irmã.
– É claro que não! Estava muito ocupada tentando aprender harpa com Eileen. E, também, eu não canto. – ela baixou o tom de voz e se inclinou na direção de Robb. – Acho que elas têm um plano para conquistar o príncipe Joffrey.
– Sério? – o garoto riu.
– Eu particularmente acho que, do jeito que Jeyne canta, eles só vão conseguir conquistar o Cão de Caça. – ela soltou uma risada estridente, gostosa, daquele jeito que só Arya consegue. Então disparou correndo na frente de Eileen. Soltou outra risada. – Eu vou chama-las e encontro vocês no Grande Salão! E você terá que tocar, Eileen!
– O quê? – Ellie diminuiu o passo e chegou perto de Robb. – O que ela disse?
– Vamos para o Grande Salão. Arya foi chamar Jeyne Poole, Sansa e Septã Mordane para cantar para nós uma música nova que elas aprenderam hoje.
***
Algum tempo depois, lá estava Sansa e Jeyne. As duas estavam em pé, uma do lado da outra. Sansa tinha as bochechas adoravelmente coradas de animação, enquanto que Jeyne pigarreava incessantemente para aquecer a voz.
Robb e Arya estavam sentados em uma das grandes e longas mesas do salão. Ao lado deles, estava Eileen com Rickon em seu colo. Septã Mordane estava perto das duas cantoras, ajeitando-as com um sorriso no rosto.
Aquele lugar tinha capacidade para mais de cem pessoas, o que era extremamente desnecessário. Ninguém nunca ia até o Norte, e a última vez que o rei aqui estivera era para chamar lorde Eddard para lutar na Rebelião Greyjoy, havia nove anos. Em sua volta, ele trouxera Theon.
Este agora mesmo se aconchegava no banco ao lado de Eileen, com um sorriso bobo no rosto e a encarando sugestivamente. Ela fechou a cara e virou o rosto abruptamente, fazendo com que seus cabelos chicoteassem raivosamente no rosto do herdeiro das Ilhas de Ferro e causando risadas em Robb.
– Mantenha distância, Greyjoy. – Eileen gostava do garoto, mas não permitiria liberdades tão facilmente assim.
– Por favor, Eileen. Nem mesmo estava pensando nisso! Sua mente é muito suja, senhorita. – ele deu um sorriso afetado, colocando a mão no peito e se fingindo de magoado. A serva revirou os olhos e o ignorou elegantemente.
– A canção que aprendemos se chama “Canção de Inverno”. – Sansa declarou alegremente. Jeyne se empertigou com as costas eretas, e Septã Mordane sentou-se em um banco perto do palco improvisado.
– Psiu. – Theon chamou Robb. O garoto se virou no último segundo para o Greyjoy, revirando os olhos.
– O que foi? Sansa vai começar a cantar.
– Esta noite iremos para a vila de novo? – Theon perguntou. – Sabe, eu estou com saudade de minha Kyra... Tenho moedas para o bordel. Já te contei como ela...
– Agora não, Theon. – Robb disse, entredentes. Eileen estava perto, assim como Rickon. Ela ouviria as sujeiras de Greyjoy. E as de Robb também. Ele não queria que ela pensasse mal dele, como se ele fosse igual a Theon. Não era.
– Eileen. – Septã Mordane a chamou. A garota se virou para a mulher idosa, que deu um sorriso persuasivo. – Meus dedos estão doídos de tanto costurar esta tarde. Temo que não conseguirei tocar a harpa muito bem... Você poderia me fazer esse favor? Toque-as para nós, você conhece a música.
– Sim, septã. – Eileen se levantou, deixando Rickon no colo de Robb. Então virou-se para Sansa. — “Canção de Inverno”, você disse?
– Sim. – a garota empertigou-se junto com a amiga, e Eileen sentou-se no banco ao lado do instrumento.
A harpa esteve ali, no extremo canto direito do Grande Salão desde sempre, segundo lorde Eddard. Era um instrumento antiquado, diferente das harpas que os bardos usavam naqueles dias. Grande demais, com cordas e notas a mais, além de ser feita de prata. O material tinha arabescos em alto relevo, imagens salientes mostrando lobos em uma floresta e flores selvagens crescendo perto de um lado cristalino, e uma mulher se banhando em suas águas.
Eileen começou a dedilhar as cordas da harpa, tentando manter o cabelo de corvos pendendo em um único ombro, para não atrapalhá-la a tocar. A melodia suave saiu por entre seus dedos, e Sansa começou a cantar com a voz doce de uma donzela qualquer, afinada:
“Esta é minha canção de inverno para você
A tempestade chega em breve,
Ela vem pelo mar.

Minha voz; um farol na noite.
Minhas palavras serão a sua luz,
para lhe trazer pra mim.

O amor vive?
O amor vive?
O amor.”

Robb não pode deixar de notar que os lábios de Eileen moviam-se junto com a voz de Sansa. Ela cantava baixinho. Então o garoto lembrou-se da música: era aquela que Eileen sempre cantava para Rickon dormir, e que sempre cantara antes para Bran dormir, quando ele era novo e ainda precisava.
Então Jeyne continuou:
“Eles dizem que essas coisa apenas não podem crescer
Abaixo da neve de inverno,
ou foi o que me disseram.

Eles dizem que foram enterrados longe,
apenas como uma distante estrela
Que eu não posso abraçar.

O amor vive?
O amor vive?
O amor vive?”

Sua voz era tão ruim quanto Arya havia dito. Conseguia cantar com propriedade, mas a voz era aguda demais para soar bem aos ouvidos, especialmente em uma música tão suave como aquela.

“Esta é minha canção de inverno.
Dezembro nunca pareceu tão errado,
por que você não esta aonde pertence;
entre meus braços.

Eu continuo acreditando em dias de verão.
As estações sempre mudam
e a vida ira encontrar um jeito.

Eu serei sua Colhedora de luz
e irei envia-la esta noite
para podermos começarmos de novo.
O amor vive?
O amor vive?
O amor vive?

Esta é minha canção de inverno.
Dezembro nunca pareceu tão errado,
por que você não esta aonde pertence;
entre meus braços.

Esta é minha cançao de inverno para você
A tempestade chega em breve,
ela vem pelo mar.

Minha voz; um farol na noite.
Minhas palavras serão a sua luz,
para lhe trazer pra mim.

O amor vive?
O amor vive?
O amor vive?”

Durante a canção, lorde Stark aparece com Vayon Poole em seus flancos, conversando seriamente sobre alguma coisa, e lady Catelyn discute com Madame Windstone sobre os preparativos para a chegada da Corte Real. De um modo ou de outro, todos param por alguns minutos para observar Sansa e Jeyne.
Mas Robb não se importou. Ele só prestava atenção a uma única pessoa: Eileen. Ela era tão linda. Os olhos lilases não saíam das cordas da harpa, e ela tinha um sorriso leve nos lábios. Movia a cabeça e os pés conforme o ritmo, como se dançando as notas da canção. Por algum motivo que Robb não sabia explicar, manteve-se inerte durante toda a canção, observando-a com olhos atentos. Admirando-a.
Ao seu lado, notou movimento. Era Jon, em pé ao lado de Theon. Tinha acabado de aparecer, mas tinha a boca aberta e os olhos fixos em algo a sua frente. Em Eileen.
Robb não pôde deixar de se incomodar ao ver a admiração nos olhos dele. E a resposta nos olhos dela.

Notas finais
Elas cantara uma música na história, mas não sei se isso qualifica a fanfic como Songfic. Alguém sabe se sim? Talvez isso aconteça mais algumas vezes no decorrer da história...
Só mais um detalhe, caso alguém pergunte, a música é "Winter Song", da Ingrid Michaelson com a Sara Bareilles.
E então, o que acharam? Comentários, por favor! *.*