Quando O Lobo Uivar

11 Capítulo onze


Notas iniciais
Ok, mais um capítulo.

Bran içou o próprio corpo para cima do represeiro, e divertiu-se enquanto via seu lobo gigante lutando para subir na árvore-coração. O animal, ainda sem nome, pulava o mais alto que podia na tentativa de alcançar o dono, mas não obteve sucesso algum. Até que finalmente parou, deitando-se sobre as patas calmamente entre as raízes no chão.
Bran riu mais uma vez, e subiu ainda mais. Habilidosamente, ele caminhou pelos galhos até chegar o mais alto possível. Em cima da árvore coração, se tronco branco e folhas vermelhas cor de fogo, ele conseguia ver todo o castelo. Não se sentia uma pequena criança de dez anos, mas sim um poderoso homem-feito. Bem, quase um homem-feito. Ainda faltavam uns bons quatro ou cinco anos para isso. Mas Eileen dizia que ele era grande para a idade.
O garoto estava no Bosque Sagrado escondendo-se de tudo e de todos. Os visitantes eram esquisitos. Tommen é um garoto doce, mas parecia carente e odiava lobos gigantes. A Princesa Myrcella deixava Bran nervoso com aqueles olhos verdes cor de grama de primavera. Não precisava nem dizer que Joffrey o assustava com o seu Cão de Caça. Além disso, o Príncipe era nojento.
A sorte era que, naquele dia, Joffrey não estava ali. O rei queria um javali para o jantar, e por isso todos os homens partiram para uma caça. Incluindo Joffrey. Como a presença do príncipe foi permitida, a de Robb também foi. Até o engraçado irmãozinho da rainha foi, Tyrion Lannister. Mas não o outro irmão, Sor Jaime da Guarda Real. Eles partiram antes do sol nascer, e apenas alguns ficaram. Alguns como Bran. O garoto não entendia o porquê, já que era quase um homem-feito.
Do alto da árvore, Winterfell borbulhava por baixo de Bran. Não conseguia reconhecer os rostos que via enquanto as pessoas atravessavam o pátio em passos rápidos, eram todos indistintos. Mas podia ver Mikken trabalhando nas forjas, e Joseth cuidando dos cavalos. Viu um grande lobo gigante branco perto das forjas, e ao seu lado a indiscutível figura de Jon, sentado perto do animal.
Mas um som o tirou de seus pensamentos. Era o farfalhar de folhas e saias, sem dúvida. Pensou se Princesa Myrcella o tivesse encontrado. Ou Sansa. Ou Arya. Talvez a mãe! Encolheu-se entre os galhos e ficou muito quieto, fazendo mentalmente uma prece para que nenhum desses o achasse.
— Hmm. – era uma voz de menina, a voz inconfundivelmente melodiosa de Eileen. Bran permaneceu em silêncio, mas inclinou-se um pouco para frente da árvore para vê-la.
Ellie usava um vestido amarelado e nenhuma rosa no cabelo. Os vivos olhos violetas observaram o lobo por um único segundo antes de começarem a perscrutar pela árvore das folhas de fogo. Sem hesitar, ela içou-se também pela árvore acima, um sorriso brincando em seus lábios. Era isso o que Bran gostava nela: tinha um sorriso fácil. Acontecesse o que acontecesse, ela sorria. Nada parecia preocupa-la ou assustá-la.
— Achei você. – Eileen já tinha alcançado o galho no qual Bran estava. O garoto corou um pouco, e apontou para um pedaço da saia da serva que tinha rasgado no tronco.
— Rasgou seu vestido.
— Não dou a mínima para meus vestidos. – ela deu de ombros, mais um sorriso brincando entre seus lábios rosados. – O que está fazendo aqui?
— Escondendo-me. Brincando. Escalando. – ele fez uma pausa, sustentando o olhar violeta da menina. Então baixou o olhar, como se admitindo que ela ganhara o jogo.
— Escondendo-se de quem? – ela perguntou, e quando ele não respondeu, continuou: — Acho que o seu lobo já o encontrou.
— Eu sei. – quando ela manteve-se em silêncio, Bran viu-se obrigado a continuar. – Estou me escondendo de todos.
— Por que de todos? – ela pendeu a cabeça para um lado, o que sempre fazia. Era como se tudo o que importasse no momento era Bran, e nada mais.
— Eles me assustam.
— Assustam? – ela franziu as sobrancelhas.
Bran assentiu com a cabeça, e encolheu-se um pouco mais. Quando não viu o lobo entre as raízes da árvore, inclinou-se para frente. Não conseguiu vê-lo, e inclinou-se um pouco mais. Então encontrou o animal, deitado calmamente sobre as patas do outro lado do Bosque Sagrado.
— Por que não vai fazer algo com Jon? – ela apoiou as costas em um dos galhos. – Ele não pode ficar perto de nenhum dos visitantes.
— Jon está zangado com todos.
— Aposto que ele não está zangado com você.
— Está sim. Já o encontrei perto da forja de Mikken, e ele não quis conversar direito comigo. Está zangado com todos.
— E você sabe por quê?
— Eu não sei por quê! Nenhum de nós está sendo deixado para trás, apenas o Robb... O pai vai para Porto Real, e eu vou com ele. Sansa e Arya também. Jon vai para a Patrulha da Noite, o que é quase tão bom quanto Porto Real. Ele vai se tornar um patrulheiro, então, quem está sendo deixado para trás é mesmo o...
— Como disse? – Ellie o interrompeu. – O Jon... Jon...
— Vai para a Patrulha da Noite. Vai se tornar um Patrulheiro.
— Ele vai... Ele não pode se tornar um patrulheiro. – agora a garota parecia assombrada, fitando Bran com os grandes olhos violetas. – Ele não pode fazer isso.
O garoto ficou em silêncio, tentando imaginar o que teria feito de errado. Até que Ellie se mexeu e desceu da árvore com um pulo gracioso.
— Vamos, Bran. Sua mãe não deixa que você escale. Ela não gostaria se soubesse que eu o deixei... Na verdade, ela ficaria muito brava se isso acontecesse. Agora, vamos.
O garoto também desceu do represeiro, apenas um pouco menos mau-humorado que a ama. Eileen tinha os lábios pressionados enquanto andava em direção ao pátio. Bran a seguiu do melhor jeito que pôde, com o lobo em seu encalço. O pelo do animal roçava em sua perna com uma sensação de calor, e uma ideia começou a se formar na mente de Bran... Sol? Não... Caloroso? Também não... Talvez...
Quando já no pátio, Eileen parou repentinamente, e Bran também parou. Viu apenas quando ela e Jon trocaram um olhar cheio de significado, Fantasma com as orelhas alertas. Um vento gelado soprou, fazendo com que os cabelos da serva chicoteassem raivosamente pelo ar. Ela olhou para Bran e para uma das torres, aquela que sempre estava vazia e que ele adorava escalar.
Com uma voz sombria, ela disse:
— Não quero que escale mais, Bran. Entendeu?
Bran apenas assentiu, mas quando a garota se virou, olhou para as torres e abriu um minúsculo sorriso.
“Pararei de escalar. Amanhã. Esta noite, ainda não.”

***

Eileen sentia as bochechas queimarem, e a raiva queimar ainda mais dentro de si. Com os olhos semicerrados, ela marchou até as forjas, determinada a não fazer um escândalo gigantesco ali mesmo, ainda que essa fosse a sua vontade. Mikken estava concentrado em algo, trabalhando com o olhar fixo no fogo. Mas quando notou a aproximação da garota, sorriu para ela, como sempre fazia.
— Eileen. – ele era um homem grande e forte. Havia gordura e músculos em seu tamanho, mas tão intrincados que não era possível distinguir o que era banha e o que era força. – Em que posso ajudar?
— Sabe onde Jon está, Mikken? – ela perguntou, com a foz fria deixando transparecer quase nada de seu verdadeiro humor.
— Estava aqui agora a pouco. Veio ver uma espada que me pediu fazer já faz uma quinzena. Ainda não está pronta, ele provavelmente voltará mais tarde. O que quer com ele?
— Não é nada. – ela respondeu, obrigando-se a sorrir fracamente. – Você sabia que ele partirá para a Muralha?
-Não. – Mikken voltou sua atenção para o trabalho, e Eileen voltou a sua para o céu cinzento que estendia-se acima de si.
Suas bochechas queimaram ainda mais quando se lembrou de alguns dias antes, nos estábulos. O modo com o qual se beijaram... Deixava-a arrepiada apenas com a lembrança. Jon não poderia deixa-la assim, tão facilmente. Ele jamais faria tal coisa. Certo?
Da última vez que vira Bran, o garoto estava brincando com o lobo gigante no Bosque Sagrado, em cima de uma árvore. Seguindo as ordens de lady Catelyn, proibira-o de escalar. Deixara-o nos estábulos dando um banho no animal. Depois disso, partira para procurar Jon.
Usava um vestido marrom, o mais antigo que tinha. Não usava rosa alguma no cabelo, uma vez que Robb não estava em Winterfell. Ele partiu antes do amanhecer, como tinha dito no dia anterior.
Cruzou os braços sobre o peito. Iria atrás dele no pátio de lutas, onde ficava quando não tinha nada para fazer. Talvez ele estivesse lá, brincando de guerra mais uma vez.
Jon não estava lá, e por isso entrou no prédio principal. Não teria muito mais tempo para procurar se Madame Windstone a encontrasse e mandasse que lavasse outro corredor, ou arrumasse um dos quartos dos hóspedes.
Perambulava distraidamente quando encontrou Theon Greyjoy. O escuro garoto, mais alto que os Starks, abriu um sorriso malicioso quando a viu. Eileen tentou manter distância, mas ele disse:
— Eileen. Não devia estar atrás de Bran, ou lavando alguma coisa?
— Estou atrás de Jon. – ela tentou pensar em algum motivo, mas não conseguiu. Por isso, ateve-se a essa justificativa. – Sabe onde ele está?
— Não está usando uma flor no cabelo hoje. – ele comentou, sem responde-la de fato. – Robb não está aqui hoje para te dar uma, certo?
— Não, acho que ele partiu antes de amanhecer.
— Sim, partiu. Então tem que contentar-se com apenas um de seus admiradores.
— O que quer dizer? — ele se aproximou dela e, na tentativa de se afastar, Ellie viu-se presa contra a parede.
— Quero dizer que você jogou bem. Conquistou os dois, Stark e Snow. – O garoto ainda tinha o sorriso malicioso no rosto, e a vontade de Eileen era arrancá-lo a tapas quando Theon aproximou o rosto e sussurrou em seu ouvido: — Por que não tenta com o Greyjoy agora?
Antes que pudesse fazer qualquer coisa, Theon atacou-a com os lábios. Por alguns aterrorizantes segundos, não havia nada que Eileen pudesse fazer enquanto ele a beijava, segurando-a com uma mão na cintura e a outra no pescoço. A garota enrijeceu o tronco o máximo que pôde, e tentou empurrá-lo, mas ele manteve-se onde estava. Pressionou o peito contra ela e abaixou ainda mais o pescoço para alcança-la. Porém, quando tentou agarrar suas coxas, Eileen mordeu seu lábio com toda a força que pôde.
Theon deu um pulo para trás, surpreso. Arregalou os olhos esverdeados para ela e limpou um pouco de sangue que estava no lábio. Eileen olhou para ele, assustada, pensando que ele fosse bater nela, porém, para sua surpresa, o garoto riu.
— Assim vai me enlouquecer, Eileen. – jogou-se contra ela mais uma vez, juntando seus lábios.
Ellie juntou toda a força que tinha e o empurrou. Theon deu alguns passos para trás e riu. A garota tinha as bochechas vermelhas em fogo e os olhos também quando disse:
— Nunca mais faça isso, Greyjoy! – ele tentou aproximar-se mais uma vez, e ela desviou-se para o lado. Ele apoiou-se contra a parede, fitando-a de soslaio. – Não sou outra de suas putas.
Alisou o vestido e virou-se, ouvindo a respiração pesada dele com atenção. Se ele se movesse, ela desataria a correr. Ouviu as risadas de Theon.
— Ainda vai me enlouquecer, garota. – então ele virou-se e foi embora.
Ellie ainda estava se recompondo quando chegou ao pátio e ouviu um grito. Rápido como um raio, um corpo estatelou-se ao chão em um baque sonoro. Levou um instante, mas a garota conseguiu distinguir que o corpo era Bran. Correu até o seu lado e ajoelhou-se ali, as lágrimas começando a brotar de seus olhos.
— Bran. Bran. – ela o chamou, esperando que acordasse. Mas ele nem se moveu.
Olhou para cima, para ver de onde ele caíra, e viu uma torre delgada estendendo-se até o céu. A torre que ele adorava escalar. Devia ter caído. Ou... Outra coisa.
Gritou por ajuda, mas tudo o que teve foi a aproximação do lobo. Este também começou a uivar. Gritou para uma outra serva que passava ali, Camille, que costumava trançar seus cabelos quando estava de bom humor.
— Chame Meistre Luwin! Lady Catelyn! Sor Rodrik! Qualquer um! – Camille a obedeceu sem pestanejar.
Uma última vez, Eileen olhou para o céu. Em uma espiral decrescente os corvos voavam, pintando o céu cinzento de negro. Era uma imagem bela, ainda que assustadora. Ela esperou que não fosse um mau presságio

***

Catelyn não saberia dizer ao certo onde estava. O que estava fazendo. Tudo o que se lembrava era um grito sufocado, esganiçado, ecoando pelas pedras de Winterfell. Foi assombroso o modo com o qual o grito se misturou aos uivos dos lobos e ao som das asas apressadas de corvos, esperando por milho. Ou talvez tivesse sido apenas a sua imaginação.
No segundo seguinte de ouvir o som, estava correndo em direção ao pátio. Contra as pedras cinzentas e quadradas, um corpo jazia estendido. Ao seu lado, um lobo uivava desconsoladamente. Seus uivos penetraram os ouvidos de Catelyn bem mais do que gostaria, e ela sentiu seus pensamentos derreterem dentro dela.
Aquele corpo era... Bran? Aproximou-se lentamente, toda a rapidez de alguns segundos antes esquecida. Ao lado do lobo estava a ama, Eileen, Catelyn lembrou-se do nome vagamente. A garota de cabelos negros e olhos violetas. Quando chegou perto o suficiente para distinguir os traços delicados e belos de seu filho mais doce, sentiu toda a força de suas pernas esvair-se. Caiu no chão, o joelho batendo com força no chão, mas não importou-se. Não importava-se com mais nada.
As lágrimas vieram ligeiras e discretas, até que Catelyn viu-se aos prantos. A vista embaçou-se e a garganta fechou-se com violência. Virou a cabeça e gritou o mais alto que pôde:
-Ajuda! Ajuda!
Antes que pudesse notar, a outra garota, que também tinha lágrimas nos olhos, levantou-se e correu para algum lugar, provavelmente para chamar Meistre Luwin. A Rainha não encontrava-se em lugar algum. O lobo continuou ali, ao lado de Bran, e Catelyn não conseguia pensar em mais nada.

Notas finais
Gente, eu vou viajar (de novo) essa semana (Carnaval, eu mereço). Adoraria ligar o meu computador no domingo e ser presenteda com vários comentários (adoráveis ou não). Eu sei que talvez a história esteja meio parada, talvez esse capítulo tenha sido meio parado, mas ele é necessário. Outra coisa, desculpe não ter respondido os comentários do cap. passado... Não tive tempo! Obrigada as que comentaram. Estou pensando em usar aquele sistema que as outras escritoras usam, aquele negócio de nº min. de comentários para postar o próximo capítulo, mas estou na dúvida. Provem que não precisam disso! E, por último, comentem demaaais!
Beijos.