Quando O Lobo Uivar
5 Capítulo cinco
Jon nem mesmo acreditava que tinha encontrado um sexto filhote de lobo. Sentira-se tão feliz porque parecia que, pela primeira vez, os deuses reconheceram que ele era um Stark. Mandaram um lobo gigante para ele também.
Apesar de o filhote ser albino, com olhos vermelhos, ele era um lobo gigante. Repre-sentava apenas outra característica de Jon: o fato de não pertencer a casa Stark. Mas tinha o sangue, pulsando tão tangível quanto o de Robb, em suas veias. Pelo menos era isso o que sempre dizia a si mesmo quando notava os olhares raivosos de lady Catelyn. Por um segundo, repensou se deveria ficar mesmo com ele. A sua estranheza em re-lação aos outros lobos seria o sinal de que Jon não deveria estar ali. Como a sua simples presença já desonrava o castelo. Nunca se sentia em casa por ali. A não ser, é claro, quando a via. Eileen. A serva sorria para ele toda vez que o encontrava. Eram amigos desde que Jon se considerava gente. Sempre se lembrava de seus olhos violetas, os cabelos negros em cachos de corvos e a pele branca como a neve quando Lady Catelyn o encarava desagrada-velmente. Os lábios, porém, eram sempre vermelhos e carnudos, convidativos e sedutores. Naquele momento, ela não o tinha visto. Estava concentrada, descascando e cortan-do batatas. Usava um vestido lilás-amarelado, imundo e esfarrapado. Era leve, inútil contra o frio, e demarcava sua silhueta esguia. Usava-o por cima de calças de couro e botas cin-zentas. A única gota de feminilidade que usava era uma rosa selvagem roxa que enfeitava o alto da cabeça, enquanto que o cabelo caía em uma trança desarrumada. Bran segurava um lobo cinzento. Este lambia o seu rosto. Jon segurava apenas um, o seu albino. Robb carregava três, e Theon um. Assim que chegou, Robb postou-se a frente de Eileen e mostrou-lhe os três lobos. Ela deu um grito sufocado, deixou a faca cair no chão e se afastou dos lobos. – Pelos deuses antigos! – ela finalmente conseguiu sussurrar. – Isso é... São lobos gi-gantes? – Sim. – Jon disse, sorrindo. Mostrou-lhe o albino. – Este é o meu. São seis. – Um... Um lobo? – Não me diga que tem medo deles. – Bran riu, desvencilhando-se das lambidas. – São tão fofos! – Fofos agora, em seus colos. Quando crescerem, serão do tamanho ou até maiores que cavalos. Poderá cavalgar neles, meu senhorzinho. – ela notou o olhar indagador de Robb. – Já os vi ao norte da Muralha. Ao sul, não pode ser um bom sinal. – Se é isso o que te preocupa, relaxe. — Theon disse, largando o lobo que carregava no chão. – Ainda estão amigáveis. Nunca te machucariam. – Eles precisam de leite. – ela refletiu. Saiu por uma porta lateral. – Eileen! – Madame Windstone, a governanta do castelo, apareceu. Ela ruborizou quando os viu. – Ah, meus senhores. – Olá, madame Windstone. – São... Lobos? – ela perguntou, apontando para os filhotes nos braços de seus senho-res. – Lobos gigantes. – Bran a corrigiu alegremente. – Um para mim, uma para Robb, um para Jon, uma para Sansa, uma para Arya e um para Rickon. – São lindos, meu senhor. Mandarei chamarem as senhoritas. – ela gritou um servo, que saiu apressadamente para chamar Arya e Sansa. Bran não parava de tagarelar. Ele continuou a falar quando Eileen voltou com uma jarra de leite fresco e seis potes menores. – Aqui está. Vá devagar, Bran. – Bran soltou o seu lobo, que lambia o leite ferozmente. Jon pegou um pote de leite também, assim como Robb e Theon. – Onde está Rickon? – perguntou Madame, com um olhar de desprezo sobre Eileen. – Ainda está dormindo, Senhora. Teve pesadelos esta noite. Jon acariciava o pelo do seu. Pensava em um nome para seu lobo. Algo branco, silen-cioso, calmo e de olhos vermelhos... Um coelho? Não, ninguém chama um lobo de Coelho. Seria idiotice. – E você ainda não o acordou? – Meistre Luwin achou melhor deixa-lo descansar. Repentinamente, Rickon apareceu, pulando quando viu o lobo no chão com um pote de leite das bocas. Ele correu para trás de Eileen, com medo do animal. Atrás dele estava Lady Catelyn com um sorriso para os filhos, mas petrificado ao pousar os olhos sobre Jon. – O que é isso? – Lobos gigantes que encontramos no caminho de volta. – Theon explicou. – Bran in-sistiu que os trouxéssemos para o castelo. – Não sei que nome dou ao meu. – Bran disse, olhando tristonho para o animal fa-minto. – Vento Cinzento é o meu. – Robb decidiu, observando o seu lobo. Cinzento. – Acho que combina. – Eileen comentou. Ela colocou Rickon em seu colo, sentando-se no chão gelado. O animal lambia o leite do pote. –Esse é o seu, Rickon. Não tenha medo, vamos. – Não. – o garoto resistiu quando ela pegou sua mão e fez menção de coloca-la sobre o lobo. – Onde está Ned? – Catelyn perguntou. – Ele foi ao Bosque Sagrado. – Jon respondeu, mas a senhora continuou a esperar uma resposta. – Ele foi para lá mesmo. – Robb respondeu então. Quando a senhora saiu pela cozinha em um disparate, Jon baixou a cabeça para ob-servar Eileen com Rickon. Ela tentava convencê-lo com palavras suaves em seu ouvido, para que tocasse no lobo. Jon tinha acabado de sentar-se ao seu lado para ajuda-la quando Arya entrou correndo.
– É verdade o que dizem? – aquela coisinha magricela atravessou a cozinha a passos largos para pegar uma loba de olhos prateados nos pés de Theon. – Filhotes de lobo gigan-te? Para mim? Arya tinha os cabelos negros dos Stark, um rosto longo e solene, além de olhos acin-zentados. O nariz era fino demais, assim como todo o corpo. Usava um vestido de tecido verde e uma fita no cabelo. Sansa entrou logo atrás, mas era completamente diferente. Os cabelos eram ruivos vivos, longos e delicadamente ondulados. Os olhos eram verdes como os da mãe, brilhan-tes. A pele era clara, marcada por altas maçãs do rosto e bochechas coradas. Os lábios ro-sados estavam abertos em um sorriso. – Lobos? — Ela perguntou, pegando outro do colo de Robb. Esta tinha o pelo averme-lhado e olhos verdes brilhantes. Era a versão lobo de Sansa. – Que linda! – Apenas um deles. — Jon corrigiu Arya. Esta o respondeu com uma careta. Sentou-se ao seu lado segurando um lobo. – É felpudo. – Rickon riu quando finalmente tocou em seu lobo. – É um cãozinho fel-pudo. – É, é sim. – Eileen sorriu. Jon pegou-se encarando aquele sorriso. Mas ela fechou a cara rápido demais. – Até que cresça. – Cão Felpudo. É esse o nome dele. – Rickon determinou, brincando com o lobo que tinha nos braços. – Arya, o que é branco, tem olhos vermelhos e é silencioso? – Jon perguntou, com as sobrancelhas franzidas. – Um coelho. – a garota respondeu, com um sorriso. – Eu não posso chamar um lobo de Coelho. – Jon riu. – Iria confundi-lo! Imagine um lobo com crise de identidade! – Eu me lembro que, em minha terra, minha mãe sempre me contava de uma história sobre uma garota que via um fantasma. – Eileen penteou o pelo do lobo de Jon com as mãos. – Ele era branco, silencioso, um homem que se transformava em um lobo gigante. Era o espírito do Norte. Tinha olhos vermelhos, e a levou embora para um reino de calor, onde a terra era fértil e homens sorriam com facilidade. – Fantasma. – Arya repetiu. – É um bom nome pra um lobo. Só não é muito original para algo branco e silencioso. – Fantasma. – Jon repetiu, acariciando o lobo junto com Eileen. Ele sorriu para ela. – É um bom nome. – Eu já sei como a minha loba vai se chamar! – Como? – Theon perguntou, observando os lobos e secretamente desejando um para si. – Sabe aquela rainha de Dorne? Aquela que cruzou o mar Estreito, vinda de Essos? Naya? Nyma? Nala? – Arya estalou os dedos repetidamente, com as sobrancelhas franzidas em uma expressão concentrada. – Nymeria. – Eileen a corrigiu. – Nymeria! Isso, Nymeria. Por um momento, todos ficaram em silêncio, acariciando os lobos, até que lady Ca-telyn apareceu com olhos preocupados, e seguida por lorde Eddard Stark. – Mostraram os lobos para sua mãe? – Ned Stark perguntou, enquanto Jon encarou o chão. – Sim. – Robb respondeu, com um sorriso. – Mas creio que ela tinha coisas mais im-portantes para fazer. – Há um comunicado importante. – Catelyn começou. Eileen levantou-se para se reti-rar, mas Eddard a parou. – É bom ouvir também, Eileen. Não se esqueça que, esta noite, janta conosco. – Esta noite? – Ellie perguntou. – Sim. A menos que tenha algum compromisso. – Não, senhor. Estarei aqui. – ela voltou a ajoelhar-se ao lado de Jon e Rickon. – O rei vem para Winterfell. Deve chegar em uma semana. – Catelyn disse, com a voz grave. – Quero que todos estejam preparados para trata-los com toda a cordialidade e o respeito necessário. E que o castelo esteja limpo e pronto também. – E isso quer dizer, Arya, que não pode mais cavalgar com Robb e Jon durante as tar-des. – Eddard a interrompeu. – Os deuses sabem como esterco fede aqui pelo palácio, em suas roupas sujas. – Pai! – Arya riu com a lembrança. – Foi só uma vez que eu caí no esterco. – Mas foi feio. – Jon e Robb riram também, enquanto Eileen reprimia um sorriso. Mas Catelyn permaneceu séria. – Isso é importante. Eileen, você cuidará de Theon, Robb e do bastardo, para que es-tejam apresentáveis quando a caravana chegar. E quero que, por favor, penteie seus cabe-los. – Sim, senhora. – a serva respondeu.
Notas finais
Obrigada pelos comentários. Estou muito contente que tenham gostado da história! E eu pensando que minha história estava fadada ao fracasso... KKK
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