Quando O Lobo Uivar

3 Capítulo três


Notas iniciais
Agora é que eu enrolo tudo de vez.

Foi com receio que Jeyne Westerling entrou na sala do senhor, seu pai. Gawen Westerling sentava-se concentrado sobre um mapa de Westeros comprado do outro lado do Mar Estreito. Penteava a longa barba castanha com admirável ardor, provavelmente sondando alguma ideia, algum plano para enriquecerem de novo. Como sempre.

– Mandou chamar-me, meu pai? — ela usou a voz mais suave que podia, tentando não assustá-lo.

– Sim, querida. — ele levantou-se, exibindo suas roupas de linho leve, perfeitas para o calor da manhã do Oeste. Estavam em Despenhadeiro, um castelo feito de pedras amareladas no topo de uma das montanhas acidentedas das Terras do Oeste. — Sim, eu chamei.

A menina permaneceu em silêncio, esperando que o pai continuasse a falar. Na juventude de seus dezesseis anos, era bela como qualquer nobre. Tinha cabelos castanhos claros e levemente ondulados, que caíam até sua cintura. O rosto configurava-se em um formato de coração, com olhos arredondados castanhos escuros. Usava um vestido ricamente ornamentado de fios de ouro. Era assim mais para mostrar sua honra e seu poder, nãos eu dinheiro. Havia tempos que os Westerling de Despenhadeiro não tinham dinheiro nenhum.

– Sim? — ela instigou-o a continuar.

– Sor Jaime Lannister a aceitou em casamento. — as palavras do pai a atingiram com um baque. Então era este o seu plano de enriquecimento?

– Jaime Lannister, o Regicida?

– Sugiro que não chame seu futuro marido de apelidos tão simplórios. — ele franziu as sobrancelhas, como sempre repreendendo-a por algo "simplório" ou "indigno de uma bela dama como ela era". Depois que as minas secaram, o pai insistia ao máximo que suas filhas tivessem a melhor educação e floreios para lidar com a corte.

– Mas, como? Como ele me aceitou? Por quê? — ela não entendia. Já havia sido rejeitada por três Lannisters desde os quatorze. E tinha apenas dezesseis anos.

– Algum tipo de espírito possuiu o corpo de Tywin Lannister, e ele se compadeceu de nossa situação. Aceitou casar o filho mais prodigioso com você, como sempre era para ter acontecido. — o modo como que o pai disse "você" magoou seus sentimentos.

– Tenho algum direito para escolha?

- É claro que não. — disse o pai, franzindo os lábios com uma expressão dura e desaprovadora. — Ele pagará por seu casamento, um dote bem maior do que merece, e ajudará nossa família a sair da lama que há muitos anos nos afoga.

– Mamãe já está sabendo disso? — ela tinha a mesma expressão que o pai, mas fitava o horizonte pela janela. Evitava ao máximo olhar nos olhos do homem que a havia "dado".

– Sim. Ela concorda e apoia. Já mandou fazerem seu vestido de casamento. O matrimônio será mês que vem, em Porto Real.

– Já? — ela se exasperou, socando o ar, protestando por sua impotência.

– Já. — o pai se levantou, postando-se a frente da menina. Ele passou a mão por seus cabelos, tirando-os de seus ombros. — Você se casará com Jaime.

– Mas eu não quero.

– Entenda, Jeyne. Você se lembra de nosso lema.

– Honra e dever. — ela recitou mecanicamente.

– Você honrará sua família e cumprirá o seu dever. De uma só vez. Trará nossa riqueza de volta, fará o que sempre soube que faria. Salvará a nossa família.

– Sim, meu pai. — ela respondeu depois de alguns instantes, com fria obstinação nos olhos. Notando seu novo brilho, o pai sorriu.

Notas finais
Gostaram?