Quando O Futuro Vem Dos Céus - The Lost Tales
6 Transição - Internal Feelings
Notas iniciais
____________________________________________________
Fairy Tail Main Theme — Piano Version
Enquanto Ichigo e Rukia dialogavam com Ayame em um canto mais reservado do recinto, os demais shinigamis ali presentes conversavam sobre a surpresa que era aquele grande acontecimento, porém, longe de tais olhares atenciosos ao mais novo casal anunciado, algumas pessoas tinham suas próprias opiniões sobre a tão esperada novidade.
________________________________________________
INOUE ORIHIME
________________________________________________
A jovem ruiva olhava ao longe para seus chegados amigos que tinham expressões sérias enquanto conversavam com a décima terceira juíza Ayame. Ela tentava sorrir para o casal e sentir-se feliz com a felicidade daqueles que tanto amava, porém expressar essa alegria não era tão simples assim.
Há quantos anos Inoue vinha nutrindo sentimentos por Ichigo? Há quantos anos ela vinha se reservando, planejando e esperando para confessar o que sentia?
Vendo as palavras firmes de Ichigo enquanto expressava seus sentimentos por Rukia diante de todas aquelas pessoas exigia muita coragem e ele, mais uma vez, encontrou o que precisava por causa dela.
Um arrependimento infernal batia à porta do coração de Inoue e ela segura forte o peito.
“Se fosse Kuchiki-san a primeira a confessar o seu amor eu ainda teria chances... Ainda teria como lutar... Mas... Mas foi o Kurosaki-kun quem falou primeiro, foi ele quem tomou a iniciativa sem medo, e ouvir o que ele sente por Kuchiki-san é... É... Devastador...”.
Era tarde demais.
“Se eu tivesse confessado meus sentimentos antes para ele será que tudo não teria sido diferente?”
A sensação de oportunidade perdida lhe atormentava.
— Por que eu os protegi naquela hora se era eu a pessoa que mais queria vê-los separados? — sussurra para si.
Inoue leva a mão à cabeça.
“Por que Kuchiki-san tem que ser melhor do que eu? O que ela tem de especial que impeça Kurosaki-kun de olhar para mim?”
Ela cerra os olhos com força.
“Por que minha voz nunca o alcança não importa o que eu faça?”
A jovem olha novamente para o casal e eles de mãos dadas assentiam sérios para Ayame que agora discutia com outro juiz sobre algo que parecia importante.
“Eu queria ser feliz... Encontrar um lugar que me permitisse sorrir sem arrependimentos por coisas que já fiz no passado, mas tal lugar não existe... Se for para me apaixonar quinze vezes pela mesma pessoa e essa pessoa se apaixonar quinze vezes por outra, então eu reencarnarei quinze vezes em um inferno...”.
— Inoue-san?
A voz da pessoa assusta a jovem que acorda de seus devaneios, ela estava com seus olhos vermelhos, marcas da tentativa desesperadora de segurar as lágrimas.
— I-Ishida-kun?
— Você está bem? — ele parecia preocupado.
— Oh... Si-sim. — ela sorri com a mão na cabeça tentando parecer sem graça.
Ishida olha para Inoue e para os convidados ao redor.
— Vamos sair daqui, acho que você precisa de ar fresco.
— Mas-mas Ishida-kun, eu já disse que estou bem e tem a Kuchiki-san e o Kurosaki-kun que...
— Eles estão ocupados e se você está bem, então me acompanhe mesmo assim, não custa nada eu tenho certeza, além do mais, está evidente para mim que o ambiente está lhe fazendo mal.
A ruiva fica em silêncio olhando para o rapaz, então assentindo o segue para fora do salão.
________________________________________________
Chrono Crusade — Airashii Azumaria
— Poxa, finalmente não é mesmo Hitsugaya-taichou? — Rangiku cutucava o pequeno capitão.
— O que está insinuando Matsumoto? — ele rebate de braços cruzados e um evidente mau humor.
— Ora! Insinuando nada capitão, todo mundo sabia que o Ichigo gostava da Rukia, eu já estava quase para dar um cascudo nesses meninos! — ela ria sozinha.
Kyoraku e Ukitake conversavam admirados.
— Ora, ora, ora... Já estava se tornando cansativo esperar né Kyoraku? — Juushirou coçava a cabeça como se invejasse a juventude de Ichigo.
— Parece que eu tenho um bom motivo para beber até tarde hoje. — Shunsui sorri ajeitando seu chapéu.
— Nem pensar Kyoraku-taichou, ainda tem uma pilha de papéis esperando sua assinatura no escritório. — Nanao ajeita os óculos e deixa bem clara sua função.
— Nhããã... Nanao-chan deixe o trabalho de lado só por hoje que é dia de comemoração, prometo que amanhã trabalho até quebrar os dedos. — ele junta as mãos fazendo juras.
— Se as suas palavras tivessem valor eu já tinha quebrado todos os duzentos e seis ossos do seu corpo taichou! — ela se irrita. — Se quiser beber termine primeiro suas obrigações e fique à vontade para amanhecer jogado na rua!
— Nanao-chan é tão cruel... — Shunsui faz bico enquanto baixa a cabeça.
— Queria que o meu tenente tivesse um pouco de preocupação comigo assim também... Mas Ashido só quer saber de cortejar as mulheres do esquadrão... — Ukitake chama Shunsui mais perto para assim poder cochichar em seus ouvidos. — Às vezes eu acho que era melhor a Kuchiki ter deixado ele naquele buraco do Hueco Mundo sabe...
— Comentário desnecessário...
Ukitake e Shunsui se arrepiam feito gatos e olham para trás vendo Ashido de braços cruzados.
— Ashido-fukutaichou!? — Nanao o cumprimenta sorridente.
— Nanao-san, você está mais bela a cada dia... — ele retorna o cumprimento como um verdadeiro cavalheiro beijando-lhe a mão e a tenente cora.
Shunsui entorta a boca enquanto sua expressão treme enciumada e ele sussurra de volta para Ukitake:
— Aquele buraco ainda existe?
Juushirou dá de ombros.
________________________________________________
ABARAI RENJI
________________________________________________
O capitão Abarai Renji, amigo de infância de Kuchiki Rukia, estava escorado em uma coluna olhando para os dois amigos recém-anunciados como casal. Ele tentava organizar seus pensamentos da maneira mais cômoda possível, mas ainda ouvia as marteladas das palavras de Ichigo e lembrava sua própria expressão de espanto ao ouvi-las...
Alguns minutos antes, Renji olhava assustado para Ichigo e Rukia enquanto ouvia os murmúrios entre tenentes e capitães ali presentes.
“O que foi que ele disse? Casar? Como assim? Isso é impossível não tem como um humano e uma shinigami... Mas peraí... Os pais de Ichigo também são... Droga só pode ser alguma brincadeira!”
Renji cerrava os dentes e tremia apertando os punhos.
“Eu não posso permitir! Não vou deixar que ele a leve para longe de mim, não depois de tanto tempo separados!”
Renji ouvia os argumentos de Ichigo e por fim sua primeira negação.
“Vai ser impossível, não tem como eles aceitarem a relação de alguém como o Ichigo com uma capitã de alta atividade como Rukia, não tem como...!?”
Renji pisca e vê Rukia renunciando sua vida como shinigami e fica assustado.
“Ela... Ela renunciaria a sua vida como shinigami só para ser... (Feliz) — ele balança a cabeça como se tivesse se corrigindo. — Só para ficar com ele?”.
Por fim ele vê Ichigo e Rukia cabisbaixos como se estivessem desistindo e a expressão de Rukia o faz lembrar-se de uma coisa muito importante: O quanto ele detestava vê-la triste.
“Ah merda, não acredito que eu vou fazer isso”!
Antes que Renji dê o primeiro passo vê Inoue se dirigindo para o meio do salão e ele mesmo se surpreende.
“... Parece que não sou o único... lutando contra si mesmo aqui”.
Renji acorda de seus devaneios a tempo de ver Ishida e Inoue saírem juntos, então volta a olhar para Ichigo e Rukia que sorria para o companheiro com um sorriso de contentamento que ele nunca tinha visto antes.
“Acho que... Por pior que seja para mim... Não vale a pena pisar na felicidade dos outros quando no final eu sei que só quero o bem dela...”.
Renji desiste.
— Provavelmente vou ficar batendo minha cabeça na parede até mais tarde...
Rukia repentinamente olha para Renji que fica surpreso, a pequena capitã sorri de orelha a orelha tão feliz que o tatuado cora desconcertado diante de tanta alegria.
— Ou não... — sussurra para si e assente de volta. — Talvez eu apenas não tenha tido o que foi necessário para tê-la ao meu lado de verdade... Fui covarde uma vez quando não a impedi de ir embora e fui egoísta ao pensar apenas em mim mesmo... Eu mereci estar onde estou... Mereci não ter a felicidade ao meu lado... Tudo o que me resta agora... — Renji faz um sinal sorrindo de volta. — Tudo o que me resta agora... É torcer para que ela seja feliz...
O capitão baixa a cabeça e se retira do salão, a festa já havia acabado para ele.
________________________________________________
Sado estava feliz por Ichigo e Rukia, ele olhava para a foto de Andressa com um sorriso saudoso.
— Pelo que vejo Ichigo não é o único que começou a seguir em frente dando o primeiro passo rumo ao desconhecido, não? — O latino fita os amigos. — Em breve estarei em casa, Andressa.
Sado se dirige até Ichigo e Rukia e anuncia que voltaria para seus aposentos, então se despedindo e parabenizando-os mais uma vez volta para a mansão Kuchiki onde estava hospedado.
Ichigo e Rukia conversavam minutos antes com a juíza Ayame sobre os detalhes de sua anunciada união, porém eram detalhes importantes que dizia respeito não somente a alegria do casal, mas perigos que poderiam rondá-los por serem diferentes.
— Então a senhora acha que o último ataque foi uma distração? — Ichigo questiona.
— Exatamente. — a juíza alega. — Um dos motivos pelo qual Kurotsuchi Mayuri e Urahara Kisuke não acharam nenhuma ligação com qualquer coisa que já tenhamos visto antes. Um teste minuciosamente planejado visando algo maior.
— E por que a senhora está nos contado isso exatamente? — Rukia pergunta.
— Porque vocês dois estão dando um passo perigoso hoje e sabem muito bem disso... E estarem naquele lugar pareceu conveniente demais.
Ichigo e Rukia ficam calados.
— Então a senhora está insinuando que estávamos sendo testados...? — Rukia pergunta novamente.
— Muito pelo contrário minha cara capitã, eu estou insinuando que vocês eram “os testes”.
Ichigo e Rukia olham surpresos um para o outro.
— Como assim? — Ichigo questiona.
— Pensem bem, Kuchiki Rukia a capitã mais atuante nos distritos de Rukongai encontrando pistas suspeitas sobre um inimigo desconhecido em um lugar com o qual já está familiarizada, em outras palavras, os distritos mais pobres da Soul Society, e na outra mão temos Kurosaki Ichigo, cujas intenções vão de encontro ao bem-estar de Kuchiki Rukia. Duas pessoas de renome nos anais da Soul Society em um único lugar, com histórico sem precedentes dando de cara com uma criatura nunca antes vista, mesmo Urahara Kisuke acha que a sua própria participação nesta situação tenha sido providenciada por alguém.
Ichigo fica sério.
— E nem ele tem pistas sobre quem poderia ter feito isso...?
— Aizen e Yhwach estão fora de atividade e uma possibilidade de alguém do passado estar envolvido é remota, por isso todo cuidado é pouco e vocês precisam se prevenir do desconhecido.
— Então a senhora acha que eu e Ichigo estamos sendo vigiados... — Rukia fica pensativa.
— Sim e todo cuidado é pouco. — a juíza respira fundo. — Olhe, eu não estou querendo insinuar nada, porém, como irão casar é de se esperar que constituam família e é por causa deste detalhe que precisaremos tomar medidas importantes para prevenir que o pior aconteça sem estamos preparados.
Assim que a juíza diz isso um homem se aproxima. Outro juiz da central 46.
— Com licença senhora juíza, Kurosaki Ichigo, capitã Kuchiki Rukia. — ele os cumprimenta.
— Este é o juiz Minaguchi, responsável pelas detenções e leis que dizem respeito às intervenções de criminosos.
— E? — Ichigo se manifesta.
— Como já foi dito no momento de sua petição Kurosaki Ichigo, sua união com a capitã Kuchiki Rukia ainda é algo fora de nossas leis e algo que não gostaríamos que acontecesse por razões que não vou mais repetir, mas não poderemos ir contra a diretora geral da bancada de juízes e não arriscaremos a integridade da Soul Society caso você venha a perder a cabeça.
Ichigo se irrita.
— Eu já disse que...!
— MAS! — o juiz faz sinal para Ichigo se conter. — Mesmo sendo contra não quer dizer que não tenhamos conhecimento de medidas preventivas.
— Eh? — Ichigo arqueia a sobrancelha.
O juiz olha para Rukia.
— Há muitos anos a central 46 vem trabalhando com ferramentas administrativas punitivas para casos específicos como estes e usaremos destas ferramentas para garantir não apenas a integridade da Soul Society, mas como a de vocês mesmos.
— Ferramentas? Que tipo de ferramentas? — Rukia pergunta.
— Uma ferramenta que sele os seus poderes Kuchiki Rukia permanentemente.
Ichigo e Rukia olham surpresos.
— Mas se os poderes dela forem selados...!? — Ichigo começava a se impor.
— Ela já iria tomar essa decisão por si mesma, veja esta alternativa como uma troca justa por sua aquisição. — o juiz responde.
— Tsc! — Ichigo cerrava os punhos, mas Rukia toca gentilmente sua mão.
— Eu entendo seu ponto de vista senhor juiz, mas com a permissão garantida pelo senhora juíza Ayame, não consigo ver o motivo por trás de suas intenções. — Rukia argumenta.
— Como eu já expliquei capitã Kuchiki Rukia, existe a suspeita de estarem sendo observados, além disso, existe o fato de Kurosaki Ichigo ser um caso especial e como você bem sabe, tudo que diz respeito a Kurosaki Ichigo levanta o interesse de alguém, e este interesse nunca é uma coisa boa. — a juíza responde de forma afiada e sincera.
Ichigo sua frio, mas não gosta muito da relação dos fatos.
— Mas...? — Rukia pergunta.
— Mas a obviedade de um dia terem filhos agrava esta insinuação perigosa. — a juíza olha para ambos. — Uma criança que venha a nascer de pessoas que possuem a história e o poder de vocês não atrairá olhos menores que ambiciosos e é ai que residirá o perigo.
— Entendo aonde quer chegar... — Ichigo passa a pensar em sua própria situação e a de Aizen, por isso acaba por baixar a cabeça.
— Não duvido que tenha pensando em sua relação com o caso de Sousuke Aizen. — a juíza parecia ter lido os pensamentos de Ichigo. — E levando em consideração que Aizen agia por baixo dos panos o tempo todo sem que nenhum de nós percebesse, eu espero que entendam a que situação tivemos que chegar.
— Mas do que adiantará selar os poderes de Rukia? — Ichigo pergunta.
— As chances de uma criança meramente humana nascer serão maiores e com poderes de níveis normais não atrairá a atenção de presenças indesejadas.
— Como minha irmã Yuzu... — Ichigo fala sozinho.
A juíza Ayame e o juiz Minaguchi parecem concordar.
— Sendo que Kurosaki Ichigo possui um poder que não nos seria correto selar por causa de situações como a que ocorreu recentemente, a opção que nos pareceu mais viável foi a sua capitã Kuchiki.
Rukia sorri.
— Eu entendo perfeitamente senhora, não se preocupe com os pormenores, eu aceito esta condição.
— Mas Rukia... Com seus poderes selados você não vai mais poder voltar para a Soul Society...
— Isso não quer dizer que nossos amigos vão deixar de nos visitar não é? Se você conseguiu sobreviver um tempo sem seus poderes e seu pai anos sem poder ver espíritos, então eu também consigo.
—... Tudo bem... — ele sorri e segura na mão da companheira. — Mais alguma coisa importante para nos dizer senhora juíza?
— Sim. Quando planejarem aumentar a família não se esqueça de nos avisar, assim poderemos monitorá-los.
Ichigo e Rukia engasgam.
— A senhora não vai querer colocar uma câmera no quarto também, vai!? — Ichigo se exalta.
A juíza parece pensativa.
— Até que não seria uma má idéia... Pena que eu não tenho esses fetiches. — ela começa a rir maliciosamente.
Ichigo e Rukia só conseguem ficar calados e envergonhados.
— Essa mulher parece um encosto... — Ichigo sussurra para Rukia que só consegue concordar.
________________________________________________
Ishida e Inoue estavam sentados do lado de fora do salão, a ruiva estava calada olhando para o chão.
— Inoue-san... Eu entendo o que está sentindo, foi por isso que eu quis tirá-la de lá.
A ruiva olha de relance e fica um pouco envergonhada.
— Sa-sabe...?
— Sim... Porque eu sei a sensação de ter uma pessoa que você gosta e não ser correspondido.
Inoue olha surpresa, mas sua expressão definha e ela baixa novamente a cabeça.
—... Sinto muito Ishida-kun...
O rapaz sorri.
— Antes de tudo não quero que pense que estou tentando me aproveitar da situação, eu faço isso apenas porque me importo muito com você Inoue-san.
— Eu sei... E é por isso que eu sinto muito... — ela vira o rosto.
Ele fica calado.
— Ishida-kun... Eu sou grata a você pelo que sente, mas eu não consegui... Eu tentei, mas não consegui...
— Eu entendo que o peso da imagem de Kurosaki é muito grande, mas ele já fez a escolha dele e você?
— Como assim? — a ruiva olha de volta.
— Tanto ele quanto Kuchiki-san tomaram a decisão de seguir em frente, Sado já está seguindo em frente... Eu também estou. — Ishida olha para ela. — Não sei se notou antes, mas Abarai também nutre sentimentos por Kuchiki-san e mesmo sendo amigo de infância e alguém chegado a ela diante do que foi exposto hoje precisou fazer uma escolha.
— Se for assim eu também já fiz minha escolha, eu ajudei Kuchiki-san e Kurosaki-kun naquela hora não foi?
— Você só tentou encontrar uma maneira de amenizar sua culpa por não ter tomado uma decisão mais rápida que a dele.
— O quê?! — Inoue olha surpresa.
—... Perdoe-me, eu não deveria ter falado assim... — Ishida ajeita os óculos. — O que estava tentando dizer é que mesmo que tentasse dizer alguma coisa a seu favor, acha mesmo que Kurosaki mudaria de opinião?
Inoue continuava calada.
— Você sabe melhor do que ninguém o que Kuchiki-san representa para ele e se teve uma coisa que Kurosaki sempre separou muito bem foram os degraus de importância dos seus amigos e ela sempre esteve muitos degraus a frente de todos nós desde o início...
A ruiva fecha os olhos.
— Eu já sabia... Não precisava me lembrar...
— Posso estar parecendo grosseiro Inoue-san... Mas eu não quero vê-la presa a um fantasma que impede a sua vida de continuar. — Ishida fica sério desta vez. — Não precisa ser comigo, na verdade não importa com quem seja, a única coisa que eu desejo é que você seja feliz, você batalhou muito para chegar onde chegou, já está na hora de sua vida seguir em frente.
Inoue olha de volta para o quincy que já estava de pé estendendo sua mão para ela.
— Esta é a resolução de meus sentimentos por você e o que eles significam para mim... Eu me importo com você não apenas porque gosto de você... Eu me importo com você porque eu sei o quanto é especial e mesmo que ninguém mais enxergue isso, que ninguém mais fale o que você merece ouvir, saiba que estes são meus sentimentos e o que eu sempre pensarei sobre você.
Inoue olhava surpresa para Ishida e não consegue evitar ficar desconcertada.
— Ishida-kun...
— Venha, vamos nos despedir de nossos amigos e parabeniza-los, pois eles merecem toda a felicidade do mundo... Afinal, eles lutaram por ela não concorda?
Inoue sorri e estende sua mão.
— Sim.
O quincy sorri de volta e se dirige para o salão com Inoue.
— Ishida-kun?
— Sim?
— Eu... Eu vou tentar... Não posso prometer nada quanto ao que vou sentir, mas eu vou...
— Pare Inoue-san. — Ishida se vira para ela. — Não quero que você se force a me amar como se fosse algo que se controla como um botão, a única coisa que estará fazendo é se machucar e não sendo sincera consigo fará com que se arrependa de suas escolhas mais tarde.
— Não é isso o que eu quis dizer... Eu ia dizer que... — Inoue fica calada para encontrar palavras que não o fizessem interpretá-la de forma errada. — Eu vou organizar meus sentimentos, vou olhar para dentro de mim e tentar encontrar o que há de bom... Fazer as pazes comigo mesma para que eu possa aprender a amar.
Ishida arqueia a sobrancelha, mas Inoue olha fixo em seus olhos.
— Não vou me forçar a amar ninguém, não quero voltar a sentir por outro homem algo que eu sei que não pode ser correspondido, mas que mesmo assim me faça ficar presa como em um sonho sem fim... Eu quero começar do zero... Quero voltar aprender a amar...
Desta vez Ishida parecia surpreso e Inoue olha com ternura para o companheiro.
— Pode demorar meses... Anos... Mas quando eu conseguir... Você... Você poderia me ensinar... Os passos...?
Ishida sorri.
— Inoue-san, quando você conseguir, nós dois teremos que aprender a andar juntos. — o quincy estende sua mão novamente. — Você me ensinará o que sabe e eu te ensinarei o que sei, assim, nós daremos um passo de cada vez sabendo que teremos em quem nos apoiar.
Inoue abaixa a cabeça e fica corada pegando na mão do amigo só conseguindo assentir respondendo.
— Até lá... Eu estarei esperando ansiosamente por você.
—... Sim... — sussurra sem graça.
________________________________________________
URAHARA & YORUICHI
________________________________________________

Rurouni Kenshin — Quiet Life Pf Solo Version
Na Loja de Urahara Yoruichi se joga no tatame sentindo seu corpo se esparramar como uma gelatina. Ela dá um longo suspiro aliviado, após sobreviver à árdua batalha na Soul Society.
— O que você acha que o Isshin vai fazer quando receber essa notícia Kisuke? — ela deita de lado apoiando a cabeça na mão. — Ele provavelmente não irá acreditar não é? — ri.
—...
Yoruichi arqueia a sobrancelha.
— Kisuke?
O homem do chapéu listrado estava calado e de costas para ela enquanto olhava alguns papéis em uma mesa e fingia não estar lhe ouvindo, provavelmente sem disposição alguma para conversar.
— Kisuke? — ela chama novamente, mas a resposta do outro é a mesma: Ignorar.
— KISUKE! — Yoruichi se aproxima dando um cascudo em Urahara que nem grita e cai de lado no chão, ele se levanta e volta a sentar na cadeira onde analisava alguns papéis. — Se você continuar me ignorando eu vou te bater com mais força!
— Cuidado para não acabar quase morta de novo. — ele responde de forma seca.
— Perdão? O que disse? — Yoruichi olha desconfida.
— Você tem audição de felino, tenho certeza que me ouviu. — responde separando um papel e escrevendo alguma coisa.
Yoruichi olha sem entender.
— Eu fiz alguma coisa? — ela estava realmente muito confusa.
Urahara dá uma risada abafada e irônica como resposta.
— Mas... Mas o que está acontecendo aqui!? Se você não falar eu não vou conseguir ler seus pensamentos Kisuke! — Yoruichi grita revoltada.
Urahara bufa e para de escrever, então vira a cadeira ficando de frente para ela.
— Como assim o que aconteceu Yoruichi-san!? Você quase morreu dias atrás por causa do seu egoísmo em não conseguir esperar os outros chegarem para ajudar!
Yoruichi engole seco suando frio ao ver Urahara gritar pela primeira vez com ela.
— Kisu...
— Como se não bastasse ainda teve a decência de “NÃO ME AVISAR”! — Urahara se descabela. — RAHR! Tem idéia da minha indignação em não ter confiado em mim!? Eu falei para esperar! Eu disse que iria conseguir encontrar uma solução, mas você SEMPRE me ignora mesmo sabendo que eu SEMPRE encontro as respostas! Por que SEMPRE faz isso Yoruichi-san?!
— Tem muitos “sempres” ai não acha não...? — ela sussurra ainda chocada.
A cara irritada de Urahara treme e ele volta a sentar, na verdade afundar na cadeira e pega o mesmo papel que estava escrevendo.
— Esquece você também NUNCA me leva a sério, aliás, nem sei mais por que estou irritado. — resmunga sozinho.
Yoruichi fica calada piscando e fazendo biquinho estando ainda surpresa com a explosão emocional do companheiro, ela coça a cabeça ficando sem graça e abre a boca para dizer algo, mas engole vento e fica pensativa outra vez.
— Sinto muito.
Urahara continua calado.
— Olha ai! Eu disse que sinto muito e você nem tá prestando atenção!
— Eu ouvi, mas essa desculpa não foi nem um pouco convincente.
— Kisuke se eu não tivesse interferido naquela hora talvez o ponto de controle inteiro tivesse sido destruído, centenas de pessoas morreriam você estava demorando demais, não ia dar tempo...
— IA SIM! — Urahara grita de onde estava sem virar a cabeça. — Muito mais pessoas já morreram nas guerras anteriores na Soul Society e nem por isso ela sucumbiu, qual seria a diferença agora? Almas perdidas podem ser remanejadas e as partículas espirituais repostas sem falhas! Se você tivesse caído ali quem iria lhe substituir?!
Yoruichi engasga surpresa e fica sem fôlego.
— Kisuke...?
— Você é a princesa do Tenshiheisōban do clã Shihouin, minha única amiga desde a infância, acredite, eu não quero ter uma lembrança amarga como a que quase me presentou dias atrás, então se pudesse fazer o favor de não me assustar daquele jeito novamente, eu agradeceria. — resmunga.
Yoruichi ri sozinha.
—... Não disse que você não dá a mínima para o que eu digo? — Urahara balança a cabeça. — Perdi a cabeça à toa... Aliás, eu nunca tinha perdido a cabeça desse jeito... Grande Idiota eu estou me saind...! — ele engasga.
— Eu prometo não assustá-lo mais... Seu nerd despenteado.
— Eu não sou nerd... Sou apenas um gênio mal compreendido...
— Humhum... Meu melhor amigo...
— Sou seu único amigo... Junto com a Soifon-san é claro...
— Verdade... Mas você também é meu confidente...
— Dos piores segredos...
Yoruichi ri.
— A única pessoa que já viu partes minhas que compreendem “além da nudez”...
— Não que eu me orgulhe disso... Mas é uma visão e tanto. — Urahara balança a cabeça como se analisasse o pensamento.
—... Perdoe-me Kisuke... De verdade... — ela pede fechando os olhos e encostando a testa em seu ombro.
Urahara sorri.
— Quem sou eu para negar alguma coisa à minha princesa? — sussurra sentindo-se feliz e aliviado por estar sentindo o calor de Yoruichi envolvendo-o com seus braços.
— Quem sabe...? Antes talvez não fosse nada... Hoje já não tenho tanta certeza... — ela responde com um sussurro em seu ouvido.
Ele só faz menear a cabeça encostando-se à de Yoruichi e fechando os olhos passam a ouvir a respiração um do outro.
Naquele momento eles percebem o quanto era bom estarem vivos especialmente Yoruichi que não conseguia esconder seu contentamento ao ver a preocupação de Kisuke naquele momento de indignação, o primeiro de sua vida. Junto a este sentimento ela também descobre que mesmo depois de mais de um século juntos ainda existiam coisas sobre eles mesmos que haviam de ser explorados.
Seria uma aventura totalmente diferente, mas a morena estava pronta para desvendar e a curiosidade de Urahara Kisuke não ficaria para trás.
A decisão de Ichigo e Rukia havia despertado sentimentos profundos não apenas neles... Mas em todos os que sentiam a necessidade de serem felizes.
________________________________________________
Continua...
________________________________________________
Fale com o autor