Quando O Futuro Vem Dos Céus - The Lost Tales
9 First Tale - A Origem de Hisana - Parte II
Notas iniciais
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Bleach ost Diamond dust rebellion #20 Recollection III
No hospital geral de Karakura onde Rukia havia acabado de entrar, seu marido esperava do lado de fora sentando no corredor com olhar vazio para o chão Alguns passos apressados vinham em sua direção, mas nem assim ele ergue o rosto para ver quem era.
— Kurosaki-san!
— Ichigo!
Sado e Inoue chegam até o ruivo que continuava na mesma.
— Kurosaki-san o que aconteceu com a “Kuchiki-san”? Uryuu saiu às pressas de casa apenas dizendo que era uma emergência com ela. Eu liguei para o Sado-san e viemos juntos para caso precisasse de alguma coisa. — Inoue relata, mas parecia muito nervosa.
— Byakuya...
— Como?
— Alguém precisa avisar o Byakuya...
Inoue e Sado se entreolham e ao mesmo tempo o latino também nota outra coisa.
— Inoue pode ligar para o Kuchiki-taichou, eu voltarei para casa e verei se trago alguma roupa para você vestir e algo para beber e comer, você se importa?
Ichigo apenas balança a cabeça.
— Tudo bem, Inoue?
— Sim, eu já estou ligando para Renji e ele avisará Byakuya-san. — ela responde com celular em mãos e se distanciando um pouco esperando alguém atender.
— Obrigado pessoal...
Sado e Inoue não estavam gostando nem um pouco de ver Ichigo daquele jeito, mas algum tempo depois Sado volta com o prometido e o ruivo pouco aproveita o que come, Inoue tentava confortá-lo com palavras, mas tudo parecia em vão. Então algum tempo depois a luz vermelha da emergência apaga e os três ansiosos esperam pelo que sairia por aquelas portas.
Ishida sai removendo seu gorro e máscara e se dirige até seus amigos, Inoue sai correndo primeiro e o abraça.
— Querido! Como “Kuchiki-san está”?
Seu marido nada diz apenas se dirige até o companheiro e ambos fixam o olhar um no outro.
— Fizemos o possível Kurosaki... Mas... Rukia-san perdeu o bebê... Sinto muito.
Ichigo abaixa a cabeça e volta a sentar devastado pela notícia.
— Mas? Mas e a Kuchiki-san?! — Inoue estava com os olhos marejados.
Ishida só faz apontar para trás, indicando que ela ainda estava na UTI.
— Kurosaki, se você quiser vê-la agora eu posso permit...
— Ichigo!
Ishida, Inoue e Sado olham pelo corredor e enxergam Renji correndo e Byakuya andando apressado, ambos usavam roupas casuais e pareciam ter saído às pressas da Soul Society.
— Ichigo! O que aconteceu com a Rukia! Oi! — Renji chega falando tudo.
— Abarai-san. — Ishida olha de relance para ele. — Rukia-san está repousando, ela ainda não está fora de perigo porque perdeu muito sangue, mas o bebê... — o quincy balança a cabeça.
Renji arregala os olhos e a expressão de Byakuya treme. O capitão do 6º Esquadrão olha para Ichigo que parecia perdido.
— Kurosaki Ichigo, você precisa estar com ela.
Ichigo assente se erguendo da cadeira.
— Eu sinto muito Byakuya...
— Você não tem que sentir nada, apenas ter força por Rukia e por você mesmo. — Byakuya toca em seu ombro. — Agora vá.
O ruivo olha para Ishida.
— Me mostre o caminho.
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Ichigo chega até a sala de UTI e as enfermeiras o ajudam a vestir o EPI (equipamento de proteção individual). O ruivo entra vagarosamente no recinto, como se estivesse pisando em um chão de vidro. Quando se aproxima da cama onde estava sua esposa, ele fica horrorizado com a quantidade de tubos que se conectavam à ela.
— Sua esposa sofreu uma hemorragia severa Kurosaki, nós precisamos fazer uma transfusão de emergência, contudo preciso que saiba de outra coisa.
Ichigo não desgrudava os olhos de Rukia, mas ouvia o médico falando.
— Quando entrou na UTI sua esposa apresentou uma frequência ínfima de reiatsu, um pulso fraco e inconstante que desapareceu no instante que a hemorragia cessou.
Ichigo olha surpreso para ele.
— Eu não sei explicar o que houve, porém lembro-me que Kurosaki-san deveria ter perdido todos seus poderes espirituais quando se mudou para a terra, mas não restam dúvidas do que eu senti naquele momento.
— Você acha que isso tem a ver com a perda do nosso bebê?
— Eu ainda não sei. — Ishida toca no ombro do amigo. — Mas por enquanto tudo o que precisa se preocupar é com a saúde de sua mulher.
O ruivo assente.
— Eu vou voltar para onde os outros estão e explicar para eles o que aconteceu, tudo bem?
— Por favor, faça isso... Eu não sei bem como reagir na frente dos nossos amigos.
— Pode deixar. — Ishida sorri e sai da UTI.
Ichigo se aproxima da cama onde sua esposa se encontra e faz carinho em sua testa. Rukia estava inconsciente e a expressão de dor havia desaparecido, sua respiração era fraca, porém constante.
— Sinto muito Rukia... Se eu tivesse chegado um pouco mais cedo... — lamenta segurando em sua mão.
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Bleach OST — Suite Going Home(Cello & Orchestra)
Uma semana depois Rukia recebe alta e volta para casa onde seus amigos e família a recebem com festa. Ela fica feliz com tanta gente se preocupando com sua saúde e com o tempo e carinho que recebia suas forças se renovam e o episódio amargo é esquecido.
Quatro meses depois Ichigo estava trabalhando em casa preenchendo alguns formulários no computador quando Rukia o abraça por trás.
— Advinha quem é? — a voz feminina brinca.
— Kon você ganhou peitos?
Rukia dá um cascudo na cabeça de Ichigo que geme rindo e vira a poltrona ficando de frente para ela.
— Kon é? Você prefere um urso de pelúcia encardido te abraçando do que a própria esposa? Quer saber eu acho que nem vou mais contar a novidade que eu tinha para você. — ela mostra a língua e fazendo bico dá as costas indo embora.
— Peraí, peraí, peraí! — Ichigo segura seu braço. — Eu estava brincando! Vem aqui! — ele puxa Rukia que senta aos tropeços em seu colo. — Então que novidade é essa?
Ela olha desconfiada para o esposo.
— Ah, conta vai...
— Não vou contar, você magoou meus sentimentos ao me comparar com uma mod soul tarada.
— Se você não contar eu vou usar minha técnica especial. — ameaça.
— Eh? — Rukia olha para ele toda desconfiada e fica surpresa quando vê Ichigo fazendo uma expressão de gato inocente e biquinho de bebê. — Ei não vale! — ela desvia o olhar.
Ele a cutuca.
— Não cairei nesta tentação pela milionésima vez! — Rukia cobre os olhos, mas deixa um pequeno espaço entreaberto entre os dedos e suspira derrotada. — Faz idéia do quanto detesto quando faz isso comigo? Eu não entendo por que toda vez que você faz essa cara eu não resisto! — resmunga derrotada. — Tudo bem eu vou contar.
— Eba! — Ichigo risonho levanta os braços vitorioso.
Rukia tira um papel do bolso e entrega nas mãos dele.
— O que é isso?
— Apenas lê bobão.
Ichigo abre o envelope e começa a ler. Sua expressão de repente se torna radiante e ele num salto ergue Rukia no ar e começa a girá-la.
— Eu vou ser pai!? — ele balbucia.
Rukia apenas gargalhava e Ichigo também.
— Tá bom Ichigo para que eu ainda estou tendo enjoos! — ela avisa.
O ruivo a coloca no chão e continua olhando para ela com orbes brilhantes, não se contendo mais ele a pega no colo e sai levando-a para a cama, Rukia protesta por puro capricho, mas sede aos desejos de alegria que os dois estavam sentindo naquele dia.
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Bleach OST — #4. Pray That You Always Understand Me
A porta do hospital geral é arrombada com força quando o homem ensanguentado entra correndo no saguão.
— ALGUÉM ME AJUDE POR FAVOR!
As recepcionistas do hospital se assustam, assim como alguns funcionários e pacientes que esperavam ser atendidos.
Ichigo gritava em pânico chamando por alguém enquanto segurava Rukia que sangrava sem parar com as mãos no ventre chorando e gemendo sentindo uma dor indescritível.
— ISHIDA! — grita ele finalmente.
O médico quincy chega correndo ao ouvir a confusão e sentir a reiatsu nervosa de Ichigo por perto.
— Kurosaki, aqui! — grita para ele enquanto sai arrastando uma maca até ele.
Ichigo corre com Rukia no colo e a coloca com cuidado, Ishida sai correndo ditando ordens para os funcionários na recepção e enfermeiros de plantão, Ichigo corria logo do lado segurando a mão de Rukia.
— Querida eu estou aqui!
Rukia só conseguia chorar.
— Por que isso está acontecendo de novo!? — Ishida protesta frustrado ao ver Rukia na mesma situação de meses atrás, ele passa pela porta da emergência e Ichigo desacelera até ficar para trás.
— O que está acontecendo...? Rukia... — ele morde os lábios.
Horas depois Ichigo e seus amigos estavam novamente na recepção, Ishida se aproxima e dá a mesma notícia decepcionante de antes, desta vez Ichigo chora revoltado e bate o pé, mas senta na cadeira e cobre o rosto com as mãos.
Inoue se aproxima e desta vez Andressa a esposa de Sado estava junto, ela tocava nas costas de Ichigo dizendo-lhe palavras de conforto. O homem ouvia e assentia enxugando as lágrimas.
Byakuya pede licença para Ishida indicar-lhe o caminho onde Rukia estava e ele o acompanha até um quarto separado da UTI. Assim que chega ao lugar ele fica surpreso com o estado da irmã e sereno se aproxima da mesma.
— Rukia...?
Ela vagarosamente abre os olhos.
— Nii... sama.
— Vai ficar tudo bem. — ele diz, mas que sentido queria dar com aquelas palavras era um mistério dada a situação.
A expressão de Rukia treme e ela aperta os olhos deixando escapar algumas lágrimas.
— Eu perdi o meu bebê nii-sama... Perdi de novo... Ichigo e eu estávamos tão felizes... Mas... Mas... Eu estraguei tudo! — soluça por entre a máscara de oxigênio.
Byakuya nunca imaginaria se sentir abalado diante de uma situação daquelas, ver as lágrimas de tristeza de sua irmã mesmo após desejar-lhe toda a felicidade do mundo o fazia sentir-se pequeno e perdido.
— Esta tristeza irá passar Rukia, eu sei que irá, você é uma mulher forte, já passou por muitas coisas e superou todas elas. Ichigo está com você e eu sei que ele fará o possível para ajudá-la.
Rukia estava de olhos fechados, ela apenas assente timidamente e seu irmão entende que não adiantava falar nada, tudo o que ele podia fazer era segurar a sua mão.
Não naquela hora que ela estava tão fragilizada.
— Eu... Vou dizer para Ichigo entrar... — ele sussurra gentilmente tocando em sua mão e se retirando do local.
Byakuya estava preocupado. Era óbvio que tinha algo de errado com Rukia e não era uma condição “humana”, mas o que fazer para alegrar sua irmã? Como tirá-la daquela situação tão depressiva?
Isso Byakuya não sabia como responder.
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Child of Light — 05. Final Breath
Meses se passam novamente e a vida continua em Karakura. Sado e Andressa assim como Inoue e Ishida tinham sua própria família agora e Rukia só podia assistir a vida passar diante de seus olhos sem nada poder fazer.
Ela estava cozinhando o jantar enquanto Ichigo cabisbaixo sentava à mesa sem conseguir falar muita coisa. Sua esposa andava depressiva nos últimos dias e mesmo com todo seu otimismo ele nunca conseguia melhorar o clima da relação.
O ruivo levanta o semblante para observar sua mulher que com olhar distante secava algumas louças ao mesmo tempo em que vigiava as panelas.
— Querida... Por favor, fale comigo... — pede em tom de súplica.
Sua mulher para de se mexer por um instante e baixa os braços fitando o chão, então devolve o prato que segurava de volta ao armário e pendura o pano ao lado indo sentar-se à mesa com ele.
— Meu amor... — Ichigo a chama.
Rukia apoiava sua expressão cansada quando puxa as mãos do marido e começa a fazer carinho sem nada dizer.
— Meu anjo... — ele sussurra. — Você sabe que pode falar comigo, então o que tanto a aflige?
— Eu... Eu apenas tenho sonhos Ichigo... Sonhos que me fazem sentir que um pedaço de mim está ausente.
—...
Rukia olha para ele com expressão melancólica.
— As vezes quando estou fazendo compras e vejo outras mulheres com seus filhos eu me pego imaginando se um dia poderei fazer o mesmo... Ter uma criança que eu possa carregar em meu colo ou levar para passear... — a expressão de Rukia começa a tremer.
A de Ichigo não era muito diferente, mas ele continua calado deixando sua esposa desabafar.
— Mesmo quando estou em casa eu me vejo segurando o nosso bebê, imagino se um dia poderei lhe dar banho, amamenta-lo, contar-lhe histórias ou vê-lo entrar em nosso quarto pedindo para dormir conosco por causa do medo de alguma tempestade...
Rukia leva as costas de sua mão sobre a boca como se tentasse engolir a vontade de chorar, mesmo que suas lágrimas não conseguissem mais ser contidas naquele momento.
Ela levanta seu rosto molhado para o marido e com expressão de sofrimento desabafa:
— Como...? Como é possível... Sentir tanta falta de alguém que ainda nem conheço Ichigo?
A expressão de seu marido desaba e ele se levanta da mesa andando vagarosamente até Rukia e se ajoelha abraçando-a com força e ambos passam a chorar em silêncio compartilhando do mesmo sofrimento.
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Saint Seiya Omega OST — Sorrowful Saints
Rukia estava sentada na cama do apartamento do hospital olhando de forma vazia pela janela, ela tinha acabado de acordar de mais um aborto sofrível. Ichigo entra vagarosamente e sua esposa não vira o rosto para saudá-lo, o ruivo senta-se ao seu lado na cama pegando em sua mão delicada.
— Rukia...
A morena vira o rosto para ele e escora sua cabeça em seu ombro.
— Por que só nós dois não conseguimos Ichigo... Por que só eu não consigo te dar um filho... O que há de errado comigo...? — pergunta olhando para a parede do quarto do hospital.
— Nós podemos tent...
— Já é a quinta vez Ichigo... Quinta vez que isso acontece e eu fico à beira da morte, todo mundo tem suas famílias, Inoue, Sado, mesmo Yoruichi-dono está esperando um bebê e só eu não consigo realizar esse nosso sonho... Admita Ichigo... Há algo de errado comigo...
— Meu amor não há nada de errado com você... É só que... Deve ser um pouco mais difícil para nós...
— Então me explique o que eu tenho que fazer para ficar grávida! Explique-me o que estamos fazendo de errado? Já fiz inúmeros exames, Ishida, Unohana-taichou, ninguém Ichigo, ninguém consegue descobrir por que não consigo te dar um filho mesmo não sendo estéril! — ela grita frustrada e com lágrimas descendo do olho esquerdo.
Ichigo a abraça.
— Já chega Rukia... Você não é a única que não aguenta mais... Eu também não quero que isso se repita novamente... É uma dor diferente, mas eu também sinto o que você sente... — Ichigo vira o rosto para ficar olhando sua esposa. — Talvez seja hora de nós desistirmos de tentar ter um filho.
Rukia entra em choque.
— O-o quê?! Mas eu não quero desistir!
A expressão de Ichigo era triste e sua voz também.
— Rukia, se for para você sofrer desse jeito toda vez e me deixar apavorado e com medo de te perder, então está na hora de tomarmos esta decisão, pelo seu bem e pelo nosso. — Ichigo faz carinho no rosto da esposa que começava a chorar silenciosamente. — Nosso casamento não pode viver em função de um sonho que talvez nunca possa se realizar... Não sei, talvez não era para acontecer conosco...
— Não diga isso, por favor...! Não diga isso Ichigo, eu imploro! Só torna tudo pior para mim! — Rukia cobre o rosto e começa a chorar.
Ichigo a abraça e começa a chorar também.
— Nós vamos ter que superar isso de uma forma ou de outra, mas não importa o quão doloroso seja o caminho eu prometo que sempre vou estar aqui para te apoiar Rukia.
— Ichigo... Ichigo...
A mulher o abraça com mais força e enterra seu rosto no pescoço do marido soluçando.
— Está na hora de desistirmos de aumentar nossa família.
— Eu não desistiria ainda se você Kurosaki-san.
Ichigo e Rukia se assustam com a voz e olham para a janela do hospital ficando surpresos.
— U-Urahara!? — exclamam limpando as lágrimas.
— O que está fazendo aqui!? — Ichigo pergunta ainda surpreso.
— Desculpe Kurosaki-san, eu não tinha intenção de interromper a conversa de vocês, mas como eu precisava urgentemente contar-lhes algo não pude resistir em interferir na conversa e na decisão que é uma ofensa aos meus esforços. — ele sorria.
Rukia e Ichigo se entreolham.
— Do que está falando Urahara? — Rukia pergunta desconfiada.
O cientista abre mais o sorriso.
— Eu posso ajudá-los a ter um bebê.
Ichigo e Rukia ficam mudos.
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John Dreamer — Becoming A Legend
Alguns dias depois Ichigo e Rukia estavam no laboratório de Urahara que os havia convocado para a pequena reunião onde explicaria seu plano para ajudar o casal a finalmente realizar o sonho de aumentar a família.
—E então Urahara-san, como pretende nos ajudar? — Ichigo pergunta.
— Eu tenho visto o que vem acontecendo com vocês e comecei a pesquisar o motivo por trás de todo o conflito que impede Kuchiki-san de gerar uma criança. Posso lhe chamar de Kuchiki-san não posso? — Rukia apenas assente e ele continua. — Enfim foi pensando neste sonho de vocês que encontrei uma solução para seu problema.
— Verdade? — dizem em conjunto.
Urahara assente.
— Mas primeiro é necessário que entenda o motivo de você, em especial não conseguir sustentar uma gravidez. — Urahara abre um monitor e mostra alguns dados e desenhos.
— O que é isto?
— Um diagrama que andei pesquisando. — ele aponta. — Kurosaki-san é um humano muito especial, sua fisionomia tanto física quando espiritual é feito de diferentes linhas genéticas que vão desde Quincy à Hollow, além do mais, sua imensa concentração de reiatsu e poder espiritual não é comparável a de mais ninguém.
— Isso eu já sei. — ele diz.
— Sim, mas o problema é que Kuchiki-san não possui essas mesmas características e seu corpo não é capaz de suportar a mesma carga genética e de reishi que a concepção implanta em seu organismo, em outras palavras: O filho de vocês precisa de uma “sustentação” capaz de manter este poder estável gerado durante a concepção em um nível que seja regular durante todo o período gestacional.
—... Em outras palavras... A culpa é minha por ser um monstro... — Ichigo lamenta.
— Não... A culpa é minha por ser fraca... — Rukia interpreta de sua maneira.
Urahara balança a cabeça.
— A culpa não é de nenhum dos dois. Pessoas especiais geram pessoas especiais e por causa disso, condições especiais são necessárias para garantir que ela venha ao mundo.
O casal olha para Urahara.
— Mas que condição especial...? Como pretende criá-la dentro de mim? — Rukia questiona.
O cientista olha sério.
— Lembra-se do Hougyoku? — ele pergunta.
Ichigo e Rukia assentem.
— O Hougyoku é uma ferramenta capaz de quebrar a barreira entre Hollow e Shinigami, além de não se ater a limites e alcançar resultados inimagináveis usando a vontade de seu portador como o catalisador de suas ações.
— Mas o que isso tem a ver com a Rukia? Ele não havia se fundido ao Aizen? — Ichigo pergunta.
Urahara sorri.
— Nós criamos outro.
— Urahara! — o casal exclama preocupado.
— Você é louco essa arma é perigosa demais já não basta o que apenas uma delas fez e você vai lá e cria outra? E se cair em mãos erradas novamente? — Rukia fica furiosa.
— É por isso que você está aqui Kuchiki-san.
— Eh?
— Só duas pessoas conseguiram se adaptar ao Hougyoku: Você e Aizen. Porém ele se fundiu ao primeiro Hougyoku que o reconheceu como mestre, mas se você conseguir subjugar o novo que criamos eu tenho certeza seu sonho se tornará possível, afinal, você quer ter um filho não é mesmo?
— Mais do que qualquer coisa! — ela responde automaticamente.
— Então essa vontade é tudo que o Hougyoku precisa.
— Mas da última vez que Rukia o teve dentro de si ele fez um belo estrago nela, há riscos do mesmo problema acontecer novamente? — o ruivo pergunta preocupado com a saúde da esposa.
— O novo Hougyoku foi criado exclusivamente para a Kuchiki-san. No primeiro experimento que fizemos anos atrás onde eu o implantei em seu corpo, eu queria que ela se tornasse humana para que o Hougyoku se fundisse à esta condição e nunca mais fosse encontrado, porém Kuchiki-san já é humana, está barreira não existe mais, porém ele fará o contrário.
— Ele vai devolver os meus poderes não vai? — Rukia conclui com ar de dúvida.
Urahara assente.
— Ishida-san me contou sobre o resquício de reiatsu que sentiu em você na primeira vez que sofreu o aborto, a única conclusão lógica que pude chegar é a de que o seu núcleo espiritual está tentando se reconectar ao de Kurosaki-san para preparar o seu corpo para a concepção e como você transferiu seus poderes para ele na primeira ocasião ambos possuem não apenas um núcleo parecido, mas uma linha de reishi semelhante.
— Isso nós já sabíamos, por isso o poder espiritual de Rukia também foi usado como ponta de lança naquele dia que devolveram meus poderes de shinigami na luta contra Ginjou Kuugo, você havia me explicado que a primeira camada daquela espada era revolvida pela energia espiritual dela por ter mais afinidade com a minha e preparar meu corpo para receber a energia dos outros, mas o que isso tem a ver com o Hougyoku?
— Kuchiki-san é ligada ao Hougyoku da mesma forma.
O casal fica surpreso.
Tokyo ESP OST — In the Face of Adversity
— Se implantamos o Hougyoku no corpo de Kuchiki-san mais uma vez e ele reconhecê-la como mestra, então a vontade do Hougyoku se tornará sua vontade assim como sua força... Com isso ele ajudará seu núcleo espiritual a se reconectar ao de Kurosaki-san e os laços de reishi serão atados novamente devolvendo todos os seus poderes de shinigami e equilibrando a energia espiritual dos dois, tornando possível a concepção.
Os olhos de Ichigo e Rukia brilham ao passo que sorriem instintivamente dando as mãos.
— Eu... Eu vou poder me tornar mãe... É verdade mesmo...? — Rukia parecia não acreditar.
Urahara assente.
— Mas se a Soul Society sentir o poder espiritual de Rukia o que poderá acontecer? — Ichigo pergunta.
— Isso já é problema deles que terão que se ver comigo.
O casal olha para o lado e veem Yoruichi entrando. A morena de olhos dourados vestia roupas mais leves, embora grávida sua barriga ainda não aparecia, mas ela estava mais pálida, provavelmente por causa dos enjoos.
— Yoruichi-san?!
— Yoruichi-dono, meus parabéns pela gravidez. — Rukia a cumprimenta.
— Ah, obrigada, mas ultimamente eu não tenho aproveitando a parte dos enjoos muito bem e as dores de cabeça só faltam me matar. — ela responde coçando os olhos.
— Tem certeza que deveria estar de pé? — Urahara pergunta.
Yoruichi faz uma cara zombeteira e tira o chapéu listrado de Urahara aproveitando para bagunçar seus cabelos.
— Estão vendo Ichigo, Rukia? O homem mais relaxado do universo me contou há alguns meses que não importasse quanto tempo levasse ou quanto do seu próprio suor e sangue perdesse ele iria ajudá-los a ter um filho, não é uma gracinha?
— Gah! Yoruichi eu disse para não contar isso para ninguém!!! — ele se levanta aos tropeços da cadeira morrendo de vergonha e tentando pegar seu chapéu de volta.
— Por isso, não se preocupem com detalhes tais quais Gotei 13 ou Central 46 que deles eu sei cuidar direitinho. — Yoruichi sorria ainda brincando com Urahara.
— Obrigada... Yoruichi-dono. — Rukia responde não sabendo se somente aquilo era o suficiente para agradecer pela alegria que estava sentindo naquele instante.
Yoruichi olhava satisfeita para Ichigo e Rukia.
— Então sempre que precisarem de alguma coisa, não se preocupem em pedir do Kisuke, ele dá o jeito dele de resolver e se ele não resolver, eu “obrigo” ele a resolver, além do ma...! — Yoruichi para de se mexer levando a mão à boca. — Ah droga de novo não! — ela enterra o chapéu na cabeça de Urahara e sai correndo do laboratório.
O cientista limpa seu chapéu listrado e põe na cabeça.
— Único momento da minha vida que eu vi a Yoruichi virar uma gata mansa: gravidez, um santo remédio. — comenta.
Ichigo e Rukia seguram a risada.
— Então Kurosaki-san, Kuchiki-san? Vão aceitar a minha proposta?
O casal entrelaça os dedos.
— Com toda certeza Urahara. — Rukia responde.
Uma fagulha de alegria acendia naquele dia e em anos aquela pequena fagulha se tornaria uma grande estrela cujo nome se tornaria sinônimo da esperança.
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Continua...
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