09h00min da manhã/Sábado – Casa do Bernardo – Primos chegando de viagem

“Cara, de verdade mesmo... Essa história é absurda, eu não sei o que você vê em um computador.” Diego debochava

“Monitor, teclado, mouse, gabinete e por aí vai...” Respondi debochando mais ainda

Breno caiu na gargalhada, mas Diego continuou provocando:

“Eu to falando sério cara, você passa o dia todo conversando com uma pessoa que você nem conhece, uma pessoa que nem o nome verdadeiro você sabe! Eu to achando esse teu encantamento demais pra quem diz ser só amizade – tudo bem que ela te mandou uma foto, mas você nem sabe se é ela de verdade, eu realmente não entendo o que ela tem demais.”

Tentei controlar a todo instante a minha vontade enorme de voar em cima do Diego e calar a boca dele, mas tentei ser o mais honesto possível e coerente em meus argumentos:

“A Ange não é como essas meninas fúteis que a gente conhece, a conversa não me faz querer dormir, eu realmente presto atenção em tudo o que ela me conta. Eu fiquei encantado ao saber que ela gostaria de ser escritora, que ela decidida, tem rumo e foco. Diga-me qual garota a gente conhece que quer trabalhar e fazer algo da vida? Porque as que eu conheço só querem viver em um shopping sendo bancada pelo papai.”

“Velho, tu tá apaixonado mesmo!” Breno dizia perplexo.

“Cara, eu não to apaixonado! Só que hoje em dia é muito difícil encontrar garotas que a gente consiga trocar mais de duas palavras, eu curto conversar com ela e é apenas isso e eu gostaria de verdade que esse assunto morresse.” Eu respirava fundo para não alterar meu tom de voz.

“A Bruninha é que vai amar saber disso, ela nunca aceitou o fim do relacionamento de vocês e se ela souber que é com um computador que você está conversando dia e noite, noite e dia – ela vai fazer da sua vida um inferno e até dizer pro Tio. Se eu fosse você, disfarçaria melhor essa sua ‘amizade’” Diego dizia apreensivo.

“Cara, senta e relaxa! Eu sei resolver essas coisas. Pode deixar que ninguém vai desconfiar e que não passara de amizade, até porque não tem a menor chance de eu a encontrar.” Eu tentava tranquilizar Diego.

“E amanhã? Como faremos? Esperamos o ônibus ou iremos direto?!” Questionava Breno

“Acho melhor irmos direto, pelo simples fato de que eu já havia dispensado o transporte, quero ter mais tempo pra dormir! É nossa última noite de folga e eu quero aproveitar como se deve.” Respondia Diego

“Acho que o teu juízo ficou na viagem! O papai de uma certa pessoa aqui...” Apontei para mim mesmo e continuei: “... Resolveu abrir uma turma feminina nessa unidade e teremos que fazer demonstrações e quando eu digo papai, me refiro que seja titio de vocês e que vai ficar furioso se não estivermos lá.” Respondi ironicamente.

“É por isso que sua vida é tão chata, o tio nem sabe que chegamos de viagem – podemos perfeitamente ir e dizer que nosso voo atrasou e iremos chegar um pouco mais tarde e que você vai nos buscar.”Diego dizia tranquilamente.

“Eu gostaria que o seu desempenho para mentira quando te convém,fosse o mesmo desempenho nas missões que passam para nós... Mas, para sua sorte eu topo uma última balada, faz tempo que não me divirto na noite, preciso ter contato físico com uma garota urgente”. Eu respondia rapidamente

“Exatamente cara! É isso aí, quando você sentir aquele corpo em seus braços, você irá saber que a melhor forma de relacionamento é essa.” Diego dizia contente

“Eu não irei mais falar dessas comparações.” Respondi tentando não me aborrecer.

“Eiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!” Breno gritou desesperado

“O que foi?” Diego e eu respondemos juntos e no mesmo tom de nervosismo.

“O que tem pra comer nessa droga de casa? Tô com uma fome.” Breno respondia calmamente

“Tu é um otário mesmo, tem pra comer porrada! É tua vez Diego.” Eu dizia com ar de brincadeira.

Diego deu um sorriso maquiavélico, pegou Breno no colo e começou espanca-lo no sofá da minha casa. Sou menino, não resisti! Fui pra cima também, para parar apenas quando um sangrar ou chorar.