Quando Menos Se Espera, As Coisas Acontecem.
4 Introdução - Bernardo
Meu nome é Bernardo, eu nunca parei para pensar no amor e todas as consequências que ele trazia. Eu tinha o foco! Meu pai sempre quis que eu fosse um militar, um exemplo de força, inteligência, coragem e honra. Eu até concordava com ele e comecei a levar o colégio e as missões a sério, estava nisso desde o inicio e não pretendia abandonar no meio, mas às vezes eu chegava a questionar se era realmente isso que eu queria para minha vida, se era por mim ou pelo meu pai que eu gostaria de seguir essa profissão o resto da vida – eu tinha uma paixão enorme pela música e eu achava que eu era bom nisso, mas tinha o sentimento de culpa por não querer desapontar a pessoa que mais exigia de mim.
Meu pai nunca foi daquele tipo que eu poderia contar como amigo, nossa relação era militarmente profissional e apenas isso, o fato dele ser o dono do colégio influenciava um pouco mais, eu sentia essa pressão e toda a responsabilidade em cima de mim — ele queria que eu fosse seu reflexo e assim era e seria feito.
Ao longo do tempo eu fui colocando vários objetivos em minha vida e não pretendia sair do rumo, mas é como dizem por aí:“Quando menos se espera, as coisas acontecem.”
Eu estava de férias sem nada para fazer, meus dois primos viajando – eu resolvi então procurar algo que julguei inofensivo entrei em uma sala de bate-papo e comecei a conversar com um grupo de pessoas e achei aquilo uma porcaria, até que um status em especial chamou a minha atenção: “Alis volat propriis”. Achei muito curioso e fui até a pessoa perguntar.
Braker digita:Alis volat propriis? O que significa?
Ange_libre digita:Oi para você também.
Braker digita:Desculpa, é que o status me chamou atenção.
Ange_libre digita:Chamou tanto a sua atenção que tirou a sua educação! És sempre curioso assim?
Braker digita:Você é sempre grossa assim?
Ange_libre digita: Só com quem merece! Como você soube que eu não era homem?
Braker digita:Nossa! Mas tem resposta pra tudo, menos para o que eu perguntei. Eu sou observador, o modo como você escreve, eu simplesmente senti que não poderia ser homem.
Ange_libre digita:Nossa.. Sério?
Braker digita:Ahhhhhhh... Na verdade, não! Eu apertei pra ler seu perfil inteiro.
Ange_libre digita:Agora o mundo volta a ter sentido!
Braker digita:Por quê?
Ange_libre digita:Porque homens nunca prestam atenção a nada.
Braker digita:Ei, não diz isso pow... Assim você enfraquece a raça.
Ange_libre digita:Só digo a verdade! E agora vou indo.
Braker digita:Não vai mesmo me dizer o que significa? Fica mais um pouco! Eu gostei de conversar com você.
Ange_libre digita:O senhor dono da curiosidade quer voltar a falar comigo? Que interessante! Um dia quem sabe eu te conto, quando você não perturbar mais.
Braker digita:Um dia? Significa que quer voltar a falar comigo?
Ange_libre digita:Quem sabe... Interprete como quiser.
Braker digita:Vou interpretar como um “sim”! Até amanhã, no mesmo horário.
Ange_libre digita: Talvez.
Ange_libre saiu da conversa
Foi o início de uma cumplicidade que eu nunca havia premeditado, desde então passamos a conversar por horas e horas, durante todos os dias e por todos os meios de comunicação possíveis — o único que não tentamos foi o sinal de fumaça.
Eu a tinha como mais amiga do que os meus próprios amigos e isso chegava a ser absurdo.
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