Quando As Folhas Caíam
8 Oito
-Conte-me tudo moçinha! – grita Hanna.
-Eu deveria te enforcar nesse momento – digo eu tomando um gole do meu chá.
Hanna esperou o dia todo por uma oportunidade de ficar sozinha comigo. Não teve sorte de inicio, pois Gustavio permaneceu o resto do dia ao meu lado. Mas no fim da tarde, ele teve que ir resolver uns assuntos e nós ficamos sozinhas no belo salão dourado.
-Conte Alexandra, foi bom?
-QUE TIPO DE PERGUNTA É ESSA? – digo, quase cuspindo meu chá.
-Uma pergunta direta. Agora responda.
-Pedido negado.
-Por favor, eu sempre te contei tudo até hoje.
-Mas você nunca beijou ninguém – volto a tomar meu chá normalmente.
-Pode ser verdade, mas não fui eu que fiquei me agarrando com um belo príncipe no jardim.
Quase cuspo novamente meu chá.
Eu odeio chá. Eu realmente odeio chá.
-Que seja. Você venceu.
Conto tudo a ela, resumindo o máximo que pude.
-NOSSA! Ele fez isso mesmo?
-HANNA!
-Tudo bem, já estou satisfeita. Achei que estaria brava comigo, por causa do lingerie.
-Na verdade eu estou. Mas me ajudou um pouco. Então obrigada. Mas tomarei providências urgentes para que o lingerie vermelho vergonhoso seja queimado até virar cinzas.
-Foi difícil consegui-lo sabia?!
Nós rimos.
~
Depois do jantar, me despedi de Hanna e então, Gustavio e eu voltamos para nossos aposentos.
-Poderia me explicar a historia do lingerie vermelho vergonhoso? – ele pergunta, de forma inocente, quando entramos no quarto.
-COMO SABE DISSO?
Ele ri.
-Ouvi sua conversa com Hanna hoje.
-Só por curiosidade... O que você ouviu?
-Quando você agradeceu a Hanna.
Ainda bem.
-Ah sim.
-Vai mesmo queimá-lo?
-Claro que vou.
-Mas eu gosto dele.
Maria pimentão retorna.
Ele ri e acaricia meu cabelo.
-Não fique tão vermelha assim.
Olho para ele. Ele acaricia meus cabelos. Eu gosto disso. E então vamos novamente para a cama.
~
-Branco.
-Você sabe que não gosto de branco, Hanna.
-Você deveria gostar.
Ela convenceu-me a comprar vestidos, mesmo que não precisasse deles.
-Este sem dúvida ficaria divino na senhorita – diz o vendedor da loja, levantando um belo vestido verde.
-Acho que não – eu digo, sem expressão.
Olho em volta, a procura de algo interessante. Nada. Olho de novo. Avisto um lindo vestido preto na altura do joelho e o pego.
-Gosto deste.
-Então experimente – diz o vendedor.
Eu o visto rapidamente. Fica perfeito em mim.
-Vai querer este? – pergunta Hanna.
-Sim.
-Então vamos logo! Quero comprar algo para comermos.
-Espere Hanna – digo, no momento em que saímos da loja.
-Quer comprar algo?
-Na verdade, quero ir num lugar em especial.
Vestimos nossas capas, guardadas na carruagem e pego mais uma coisa. Meu montante.
-Vai mesmo carregar isso por ai?
-Não acho pesado.
-Eu não me referi a isso.
Andamos silenciosamente até o ferreiro.
-Olá John – eu digo, retirando o capuz da minha capa ao entrar na loja.
-Alteza! Que honra recebê-la aqui. Qual o motivo de sua visita?
Retiro a montante das costas e entrego a ele.
-Pode afiá-la para mim?
-Claro, mas ela está realmente machucada – ele examina a montante — Andou cortando arvores com ela?
Ele dá uma risada alta.
-Como descobriu? – pergunto. Ele me olha surpreso e ri.
-Vamos dar uma olhada.
30 minutos depois, saímos de lá com minha montante afiada e pronta para a batalha.
-Agora está tudo pronto para a guerra – eu digo a Hanna enquanto entravamos na carruagem, rumo ao palácio.
Ele olha-me, infeliz.
-Aconteceu algo, Hanna?
-Estou preocupada com você.
-Não pretendo morrer nesta guerra, portanto, não se preocupe.
Quando chegamos, Gustavio veio me receber. Ele tira meu capuz e me beija.
-Bem vinda de volta.
Sorrio. Olho para Hanna e me assusto com o que vejo. Ela faz uma cara de 'vou usar isso contra você futuramente, prepare-se' e sai. Dou uma risada baixa.
-O que foi?
-Nada, nada.
-Conseguiu afiar sua montante?
-Sim.
-Comprou algo?
-Hanna me forçou a comprar um vestido. Só consegui tirá-la do meu pé quando escolhi um. Nós rimos.
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