-Conte-me tudo moçinha! – grita Hanna.

-Eu deveria te enforcar nesse momento – digo eu tomando um gole do meu chá.

Hanna esperou o dia todo por uma oportunidade de ficar sozinha comigo. Não teve sorte de inicio, pois Gustavio permaneceu o resto do dia ao meu lado. Mas no fim da tarde, ele teve que ir resolver uns assuntos e nós ficamos sozinhas no belo salão dourado.

-Conte Alexandra, foi bom?

-QUE TIPO DE PERGUNTA É ESSA? – digo, quase cuspindo meu chá.

-Uma pergunta direta. Agora responda.

-Pedido negado.

-Por favor, eu sempre te contei tudo até hoje.

-Mas você nunca beijou ninguém – volto a tomar meu chá normalmente.

-Pode ser verdade, mas não fui eu que fiquei me agarrando com um belo príncipe no jardim.

Quase cuspo novamente meu chá.

Eu odeio chá. Eu realmente odeio chá.

-Que seja. Você venceu.

Conto tudo a ela, resumindo o máximo que pude.

-NOSSA! Ele fez isso mesmo?

-HANNA!

-Tudo bem, já estou satisfeita. Achei que estaria brava comigo, por causa do lingerie.

-Na verdade eu estou. Mas me ajudou um pouco. Então obrigada. Mas tomarei providências urgentes para que o lingerie vermelho vergonhoso seja queimado até virar cinzas.

-Foi difícil consegui-lo sabia?!

Nós rimos.

~

Depois do jantar, me despedi de Hanna e então, Gustavio e eu voltamos para nossos aposentos.

-Poderia me explicar a historia do lingerie vermelho vergonhoso? – ele pergunta, de forma inocente, quando entramos no quarto.

-COMO SABE DISSO?

Ele ri.

-Ouvi sua conversa com Hanna hoje.

-Só por curiosidade... O que você ouviu?

-Quando você agradeceu a Hanna.

Ainda bem.

-Ah sim.

-Vai mesmo queimá-lo?

-Claro que vou.

-Mas eu gosto dele.

Maria pimentão retorna.

Ele ri e acaricia meu cabelo.

-Não fique tão vermelha assim.

Olho para ele. Ele acaricia meus cabelos. Eu gosto disso. E então vamos novamente para a cama.

~

-Branco.

-Você sabe que não gosto de branco, Hanna.

-Você deveria gostar.

Ela convenceu-me a comprar vestidos, mesmo que não precisasse deles.

-Este sem dúvida ficaria divino na senhorita – diz o vendedor da loja, levantando um belo vestido verde.

-Acho que não – eu digo, sem expressão.

Olho em volta, a procura de algo interessante. Nada. Olho de novo. Avisto um lindo vestido preto na altura do joelho e o pego.

-Gosto deste.

-Então experimente – diz o vendedor.

Eu o visto rapidamente. Fica perfeito em mim.

-Vai querer este? – pergunta Hanna.

-Sim.

-Então vamos logo! Quero comprar algo para comermos.

-Espere Hanna – digo, no momento em que saímos da loja.

-Quer comprar algo?

-Na verdade, quero ir num lugar em especial.

Vestimos nossas capas, guardadas na carruagem e pego mais uma coisa. Meu montante.

-Vai mesmo carregar isso por ai?

-Não acho pesado.

-Eu não me referi a isso.

Andamos silenciosamente até o ferreiro.

-Olá John – eu digo, retirando o capuz da minha capa ao entrar na loja.

-Alteza! Que honra recebê-la aqui. Qual o motivo de sua visita?

Retiro a montante das costas e entrego a ele.

-Pode afiá-la para mim?

-Claro, mas ela está realmente machucada – ele examina a montante — Andou cortando arvores com ela?

Ele dá uma risada alta.

-Como descobriu? – pergunto. Ele me olha surpreso e ri.

-Vamos dar uma olhada.

30 minutos depois, saímos de lá com minha montante afiada e pronta para a batalha.

-Agora está tudo pronto para a guerra – eu digo a Hanna enquanto entravamos na carruagem, rumo ao palácio.

Ele olha-me, infeliz.

-Aconteceu algo, Hanna?

-Estou preocupada com você.

-Não pretendo morrer nesta guerra, portanto, não se preocupe.

Quando chegamos, Gustavio veio me receber. Ele tira meu capuz e me beija.

-Bem vinda de volta.

Sorrio. Olho para Hanna e me assusto com o que vejo. Ela faz uma cara de 'vou usar isso contra você futuramente, prepare-se' e sai. Dou uma risada baixa.

-O que foi?

-Nada, nada.

-Conseguiu afiar sua montante?

-Sim.

-Comprou algo?

-Hanna me forçou a comprar um vestido. Só consegui tirá-la do meu pé quando escolhi um. Nós rimos.