Quando As Folhas Caíam
9 Nove
No café da manha, uma carta é entregue a mim.
-Foi enviada por quem?
Olho procurando algum tipo de remetente.
-Da minha irmã – respondo.
Abro o belo envelope rosa decorado e leio a carta.
Irmãzinha,
Como estão indo as coisas ai? Eu gostaria de poder conhecer seu marido irmã, por isso estou indo para ai.
Com muito amor,
Ekaterina
-O que diz? – pergunta Gustavio, após dar um gole em seu suco.
-Ela desenhou um pônei colorido e disse que está vindo para cá.
-Eu ficarei honrado em recebê-la – diz ele, calmamente.
Hanna e eu sorrimos.
~
Eu e Gustavio estávamos à espera de minha irmãzinha nas portas do palácio. Ela havia prendido seus lindos cabelos ruivos.
-Alexandra! – diz ela ao ver-me, e logo corre ao me encontro. Eu a abraço forte e lhe dou um beijo na testa.
Quando a solto, ela examina Gustavio com muita atenção, e então ela aponta para ele.
-Gostoso. Você escolheu bem dessa vez irmã.
Maria pimentão: o retorno.
-EKATERINA! – grito.
-Sou bastante sincera. É um prazer conhecê-lo, senhor gostoso. Obrigado por cuidar da minha irmã desajeitada.
Ele ri baixinho e passa a mão nos cabelos ruivos de Ekaterina.
-É um prazer conhecê-la também.
Entramos e Ekaterina observa atentamente todos os detalhes que havia no palácio.
-Ekaterina, quer ir ao jardim? Tem lindos lírios lá.
-Sim, irmã.
-Perdoem-me, mas tenho uns assuntos para resolver.
-Não se preocupe com isso. Nós iremos nos divertir muito, não é Ekaterina?
Ela balança a cabeça, e saímos. Olho para trás e vejo Gustavio a conversar com um serviçal.
O inverno já estava para acabar e o clima estava melhorando. Entretanto, Ekaterina não pareceu se importar.
-Quero voar, irmã.
-Um dia você vai poder.
-Vou?
-Sim, mas... Lembra-se da história que mamãe contava para nós?
-Sim.
-Segundo a lenda, quando morremos, viramos belas conchas no mar.
-Eu sempre quis ser uma conchinha rosa.
-Eu sei – sorrio.
Uma leve brisa fria passa por nós.
-Vamos entrar. Está ficando meio frio aqui.
Estendo a mão para ela e voltamos para nosso palácio.
-Irmã, quando você vai ter um bebê?
-Não tão breve assim. Acho que eu ainda não gostaria de ter um filho.
-Por quê? – ela pergunta, num tom curioso.
-Pois grandes coisas estão para acontecer.
-Parece que vocês duas se divertiram – diz Gustavio.
-Sim. Eu tenho que conversar algo com Hanna então, Ekaterina, pode cuidar do meu marido por uns instantes?
Ela balança a cabeça e eu saio.
~
Depois do jantar, Ekaterina é levada ao seu novo quarto, onde suas coisas já estavam arrumadas. Gustavio e eu voltamos para nossos aposentos como de costume.
-Então senhora Alexandra, por que ainda não está pronta para ter um bebê? – ele pergunta.
-Deixe-me adivinhar. Ekaterina lhe disse isso.
-Sim, mas agora quero saber o motivo.
-Como eu poderia ficar grávida num momento como esse?
-Mas eu não me importaria de ter um filho com você.
E a Maria pimentão está de novo a me atormentar.
-BANHO! – grito e corro para me esconder no banheiro. Ouço a risada dele, ao entrar.
Fale com o autor