Notas iniciais
Quero agradecer a Júuh Horan pela recomendação e dar boas vindas aos novos leitores!

Gustavio não se manifestou de início, mas quando percebeu o que eu já havia feito, logo foi o primeiro a protestar.

–Você não deveria se esforçar tanto. – diz ele, enquanto acariciava meu corpo.

Estávamos deitados – pela primeira vez desde que ele acordou – e eu voltara a usar camisolas de seda – que deixei de usar quando resolvi invadir o quarto de Hanna para dormir, substituindo-as por uma camiseta velha e rasgada – mas eu tentava não me mexer muito, afinal o estado de Gustavio ainda não era dos melhores.

–Eu não me importo, você sabe. Além do mais, não vejo outra pessoa aqui preparada para derrotar um exército.

Ele hesita por um instante.

–Então pelo menos, deixe que eu ajude.

–E como pretende fazer isso querido?

Eu o vi corar.

–Algum problema? – pergunto.

–É a primeira vez que me chama assim. – diz ele, ficando ainda mais vermelho.

E então, eu fico vermelha.

–De toda forma, você ainda não está 100% então eu tomarei conta de tudo.

–Você mudou um pouco... –disse ele.

–Mudei para ruim eu presumo.

–Você está mais... Selvagem.

–Isso é bom?

–Pra mim é. Mas acho que você está começando a assustar as tropas.

Nós rimos. Depois de um longo momento de silêncio, ele diz:

–Não permitirei que você vá para o campo de batalha.

Dei um suspiro. Eu realmente iria para o campo de batalha, e não seria Gustavio aquele que a impediria.

~

Gustavio continuou a descansar a meu pedido – embora não ficasse feliz por ter que permanecer na cama –, e eu era a encarregada pelo treinamento.

Todos sabiam que a calamidade logo viria, e estavam se preparando mentalmente para isso. Eu principalmente.

–O que vocês acham dela? – disse um dos soldados.

Eu estava a chegar para nosso treino matinal quando me peguei a ouvir a conversa dos homens. Eu não deveria fazer isso. Mas nada iria me impedir. Mantive-me escondida num lugar onde pudesse ouvir a conversa.

–A imperatriz me dá medo. –admitiu um deles.

–Ela tem um espírito de batalha incrível, além de ser sexy.

Ouvi-os rir.

–Ela não parecia ser do tipo durona quando chegou aqui.

–Mas desde que ela matara aquele homem no jardim minhas expectativas mudaram com relação aos vitoriosos da guerra.

O.k. Basta.

–Que bom que pensam isso. –saio de meu esconderijo, dando uma expressão de espanto em todos. Alguns deles vacilaram, outros pareciam que iam vomitar.

–Vamos rapazes, temos muito que fazer.

Vou andando na frente, mas permito-me uma espiada pelo canto do olho. Alguns deles pareciam confusos com minhas palavras, embora estivessem começando a assimilar que deveriam seguir-me. Acho que o fato de alguns deles me acharem sexy era uma coisa boa. Eu nunca me achara sexy. Eu sempre achei que era apenas desajeitada.