Gustavio, com a ajuda de Hanna, continuou a tentar convencer-me sobre o treinamento, afirmando que isso faria mal ao bebê, mas eu o ignorei. Eu tinha um objetivo, que incluía vencer a guerra e vingar-me do irmão dele. Uns dias depois, ele começou a treinar comigo e minha tropa. Ele estava totalmente fora de forma, mas tentou ajudar-me onde pôde.

Eu estudava os mapas do território cuidadosamente e já havia bolado táticas e estratégias. Tinha que funcionar. Para minha surpresa, Gustavio não opinou nesta parte, e isso me deixou mais a vontade.

–Já está maior não acha? – disse Hanna, feliz.

–Suas unhas?

Estávamos jantando. Gustavio parecia mais grudento e carinhoso do que nunca.

–Não sua boba. Refiro-me a sua barriga.

–Nem reparei.

–Hanna está certa. – diz Gustavio.

–Acho que sim...

–Alexandra quais as suas intenções? – pergunta Hanna, inocente.

–Sobre?

–A guerra.

–Quero apenas destruir ele.

Gustavio remexeu-se na cadeira, desconfortável. Ele levantou a mão para falar, mas eu o interrompi.

–Gustavio, não tente me impedir. Ele mandou matar você e isso é imperdoável.

~

Estávamos prontos. Gustavio fez questão de me prender no quarto quando meus soldados marchavam para a morte.

–Por favor, Gustavio, deixe-me ir!

–Sem chance. Fique segura aqui. Ele me deixou sozinha.

Mas eu concerteza iria para a guerra. Eu precisava. Olhei em volta procurando alguma saída. A porta estava trancada, mas eu não poderia dizer o mesmo da janela. Olhei bem a altura. Devia ser uns 3 metros.

Peguei minha montante e vesti as roupas que Lucy me dera.

–Você não me deixou escolha...

Eu pulei me jogando num arbusto um pouco á esquerda. Saio com alguns arranhões, mas nenhum machucado. Vou até o armamento, e visto uma armadura sobre a minha roupa. Senti-me desajeitada com ela, mas eu realmente não podia reclamar.

Não pude levar minha montante. Gustavio certamente perceberia. Eu a deixei num canto, onde não poderia ser achada. Andei com cautela pelo jardim, evitando os serviçais. Ao encontrar um pequeno grupo de soldados, me misturei com eles facilmente.

Você não esperava por isso não é querido?

Quando saímos do palácio, recebemos uma espada simples, não muito pesada e bem afiada pelo o que reparei. Eu não tenho experiência com esse tipo de espadas. Isso será um problema. Mas quem não arrisca não petisca.

E você não tem escolha Alexandra.

As tropas marchavam em direção a reino vizinho. Gustavio ia à frente, em seu cavalo, impondo sua espada e levando seu arco e flecha nas costas. Pensar que eu o desobedeci me deixou meio hesitante, pois a única coisa que o deixava confiante era saber que eu estava segura, mas eu ainda queria minha vingança. Era por ele que eu faria tudo aquilo.

~

As tropas continuaram a avançar até que chegamos a um terreno montanhoso. A bela paisagem era composta principalmente por neve, uma neve fria que me fez tremer, e estávamos sempre a subir uma pequena montanha.

Cansativo. Muito cansativo.

E assim permaneceu por algum tempo, quando eu o vi parar. Olhei bem para frente e eu vi. Um exército superior ao nosso em número, porém suas armas pareciam ser fracas.

O irmão de Gustavio era realmente parecido com ele. Tinha os mesmos olhos, mas seus cabelos eram um pouco mais escuros. Ele tinha um olhar frio. Ao nos ver, deu um sorriso maligno e senti uma pontada de fúria.

Você não vai poder sorrir assim quando eu o partir ao meio.

Gustavio desceu de seu cavalo e ele fez o mesmo. Caminharam um pouco, ficando um de frente para o outro.

–Que bom revê-lo irmãozinho.

–Não posso dizer o mesmo.

Eu não podia ouvir direito, e isso me deixou irritada.

–Estou vendo que você não aceitou a minha proposta.

–Aceitá-la jamais passou pela minha cabeça.

–E onde você escondeu seu tesouro?

–Isto não lhe importa.

Ele da uma risada fria.

Cretino, estou bem aqui, e vou matar você.

–Por um momento, acreditei que você a deixaria vir. A cretina tem talento, não acha?

Gustavio, num ato de fúria, retirou sua espada rapidamente, posicionando-a no pescoço dele.

–Você nunca soube brincar irmãozinho.

Eles se encaram por um momento e voltam a se afastar. Olho para Gustavio uma ultima vez, e então, ouço gritos histéricos e determinados. A guerra finalmente havia começado. Os homens dele investiram contra meu exército. Eu via as cabeças voarem, pertencentes aos dois lados.

Medo. Estou com medo.

Hesitei por um momento e então, desembainhei minha espada. Com agilidade eu mutilava os homens sem esforço, fazendo membros voarem, jogando sangue na neve fria de inverno. Entretanto, essa espada não estava do meu lado. Era realmente desconfortável manuseá-la.

Procuro Gustavio e ele na multidão de sangue e homens mortos. Nada. Isso me deixou nervosa. Saio em busca de pistas, decepando homens que vinham na minha direção sem perder o foco. Eu não sei o porquê, mas minha intuição disse que eu deveria entrar na floresta que havia a minha direita. E foi isso que fiz.

Andei com cautela e devagar. Meus olhos procuravam atentamente meu amado e ele. Então, ouvi o batido de espadas. Corri até lá, removendo toda a minha armadura e jogando-a na neve.

–Você melhorou irmãozinho.

Escondo-me atrás de uma árvore e tento ouvir a conversa.

–Estou mais forte que antes.

–Eu não teria tanta certeza.

Arrisco-me a olhar. Os dois estavam a se encarar e logo em seguida, recomeçaram a batalha. Suas espadas se debatiam velozmente sem perder o ritmo.

–Eu realmente fiquei impressionado com o que aquela mulher pode fazer. Dessa vez você escolheu bem. Eu realmente achei por um minuto que iria perder.

Eles param por um momento. A raiva toma conta de mim.

–Eu pretendia vencer esta batalha e então tomá-la para mim. O que acha irmãozinho?

–Eu jamais deixarei que toque nela.

–Não seja sem graça irmãozinho.

Ele da uma risada.

Escuto um barulho. Fico atenta e olho em busca de algo. Pareciam passos, passos desesperados e nervosos. É quando vejo alguém vindo até mim. Não a reconheço de inicio, mas então percebo que é minha fiel amiga Lucy. Ela trazia algo muito pesado em mãos. Algo que logo pude reconhecer. Minha montante. Vou andando até ela, tomando cuidado para não ser descoberta.

–Alteza, eles já sabem que a senhorita fugiu e eu a vi... Então achei melhor trazer-lhe isto. – ela levanta a montante para mim.

–Obrigado Lucy.

Sorrio e a deixo num lugar seguro.

–Fique aqui. Eu voltarei logo. Prometo.

Ela balança a cabeça e eu saio. Ando um pouco, até o lugar onde Gustavio e ele se enfrentavam, rezando para que a luta já tivesse acabado. Dou passos rápidos e silenciosos até chegar ao meu destino. Gustavio e ele ainda se enfrentavam ferozmente, porém, tinham uma aparência cansada.

–É o fim irmãozinho. Eu e você sabemos disso. Você vai morrer aqui.

–Errado. Você vai morrer aqui. –saio de meu esconderijo, e empunho a montante.

–Alexandra eu mandei você ficar no palácio... Segura.

Eu o ignoro. Gustavio estava com um corte profundo na costela, mas não sangrava muito.

–Vamos acabar com isso. O que acha?

Ele ri.

–Sim. Vamos nos divertir.

Eu avanço sobre ele e habilmente batemos nossas espadas, cada vez mais rápido.

–É você realmente Alexandra.

–Não fale meu nome com essa boca suja. Você me dá nojo.

–E tem a língua afiada. Adorei. Você será minha.

Concentrei-me o máximo que pude na batalha. Ele era ágil e preciso o que deixou a batalha mais longa. Eu tinha que ser rápida. Gustavio precisava de um médico. Quando dei uma brecha, ele correu até Gustavio, que estava sangrando mais.

–Fique paradinha, senão eu o matarei.

Ele levantou Gustavio pelos cabelos e posicionou a espada em seu pescoço. Eu não pude manter-me parada. Corri em sua direção, com a montante aposta e quando vi, sua espada havia atravessado minha barriga.

Notas finais
e_e quero muitos reviews ok?