Quando As Folhas Caíam
7 Sete
Depois daquela noite eu tenho estado mais estranha. Meus terríveis pesadelos já não me deixavam mais dormir, e acordo gritando diariamente, acordando Hanna e Gustavio. Por isso, Hanna passou a dormir comigo todas as noites. Isso me deixava mais tranqüila.
Nos meus sonhos eu me via suja de sangue e os corpos de Hanna e Gustavio a minha frente. Assustador. Esse era meu maior medo: ver Hanna e Gustavio mortos por minha causa.
Continuei com meu treinamento diário com Gustavio. Ele não mudou a forma que fala comigo, mas quando lutamos, ele parece meio apreensivo.
-Vamos descansar um pouco – diz ele.
-30 minutos?
-Sim.
Sentamos num banco no jardim.
-Desculpe – eu digo.
-Pelo o que? – sua expressão mostra que ele esta surpreso.
-Eu meio que... Fiz aquilo por impulso.
-Como assim?
-Aquele homem que dançava comigo realmente tentou me matar. E então... Escutei um barulho no jardim e achei que mais deles estavam tentando invadir o palácio.
-Entendo.
Ele beija minha testa.
-Não deixarei que aconteça de novo – diz ele.
-Por favor... Não fique estranho comigo... Tenho pesadelos terríveis todos os dias que não me deixam dormir, onde vejo você e a Hanna serem mortos na minha frente.
Ele me abraça e sinto um sentimento de paz invadir meu corpo.
-Iremos nos casar amanhã, e poderei cuidar de você de forma adequada – ele sussurra.
Olá, meu nome é Maria Pimentão.
Eu o abraço de volta, para esconder meu rosto vermelho. Decidi que sempre quero estar do lado dele.
~
E o dia chegou. Hanna cuidou de tudo. Lindas rosas brancas foram escolhidas e enfeitaram o belo jardim onde aconteceria o casamento. Naquele belo dia de inverno, não nevava e o clima não estava tão ruim. Todos os nobres do reino estariam lá.
Dessa vez, pude escolher meu vestido, que seria aberto na frente acompanhado por uma bela cauda. Tive que prender meu cabelo o que me deixou de mau humor nos minutos anteriores ao casamento.
A cerimônia aconteceu normalmente.
Ninguém querendo me matar hoje.
Gustavio estava realmente lindo e isso desviou a atenção do ocorrido no noivado. E depois da bela cerimônia, onde quase morri de vergonha por ter que beijar meu marido na frente de todos.
Pude ouvir algumas mulheres lá presentes conversando sobre minha incrível proeza de se jogar da janela. Sim, é realmente algo que eu gostaria de esquecer.
Cansativo. Isso é cansativo.
Mas Gustavio ficou o tempo todo ao meu lado. Ou ele estava preocupado comigo ou estava preocupado que eu matasse alguém hoje. Bom, para minha sorte, nenhuma tentativa de me assassinar aconteceu hoje.
~
Depois da longa e cansativa festa, conseguimos escapar de todos. A partir de hoje eu dormiria nos aposentos de Gustavio, o que realmente me deixou muito nervosa. Para minha sorte – ou azar – Hanna havia arrumado todas as minhas roupas para o quarto dele.
Quando entramos no quarto, observei cada detalhe com atenção ficando extremamente fascinada com uma bela sacada. Percebi que ele olhava para os lados por estar angustiado e então, consegui quebrar a áurea pesada no ar dizendo que iria tomar banho.
-Tenho que passar minha vida de novo... – digo para mim mesma, enquanto brincava com a espuma na banheira.
Meu nome é Alexandra Hell. Possuo uma irmã. Princesa herdeira. Tenho 21 anos. Sou casada. Meu marido acha que sou uma assassina.
Saio da banheira e me enxugo. Hanna deve ter separado alguma roupa para mim. Procuro em volta e vejo uma coisa, que eu preferia não ter visto. Olho bem.
-Hanna, você está morta.
Havia um lindo lingerie vermelho numa cadeira. É realmente tudo o que eu quero descrever. Uma palavra única é suficiente para descrevê-lo.
Vergonhoso. Muito vergonhoso.
–Não posso usar isso!
Procuro em volta qualquer outro tipo de roupa. Nada. Eu não poderia voltar a usar meu vestido de casamento. Não posso sair usando isso. Nem posso imaginar a reação de Gustavio ao ver-me usando isso. Nem sei como colocar isso!
Não tenho escolha. Tento vestir aquilo de maneira razoavelmente aceitável. Não deu certo.
Não olhe no espelho. Você não deve ver isso.
Penteio meu cabelo como de costume. Fico esperando mais alguns minutos na porta.
Coragem. Vamos. Tome coragem. Não é tão difícil.
Abro a porta e saio antes que pudesse mudar de ideia. Ele estava em sua escrivaninha lendo, usando óculos – uma surpresa completa para mim – vestindo apenas uma calça. Olho de canto para ele quando percebo que sua atenção estava toda voltada para mim. Ele estava vermelho.
-DESCULPE, VOU VOLTAR! – abro a porta do banheiro e então ele segura minha mão quando eu estava prestes a entrar.
-É que... Você está linda... – ele olha rapidamente para o canto, ainda vermelho. Sorrio, retiro os óculos dele e o beijo.
Não fique nervosa. Não agora.
Ele retribui o beijo, passando a mão em meus cabelos, descendo para meu pescoço. Em seguida, pega o óculos da minha mão, o coloca na escrivaninha rapidamente e me conduz até a cama. Nesse processo, Gustavio começa a despir meu lingerie vergonhoso vermelho enquanto eu explorava seu belo peito nu.
-Não quero te perder... – ele sussurra.
-Você não vai, meu amado.
Ele me deita na cama e foi assim que a melhor noite da minha vida se iniciou.
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