Qualquer Outro Mundo.

2 Uma "vida" pela outra.


Notas iniciais
Mais um capítulo...

– Entra no quarto agora. – gritou Eleonor para sua filha.

Mariana viu sua mãe fechar a porta e murmurar alguma coisa apontando para a fechadura, que ela não conseguiu entender o que era, ela não conseguia pensar em nada apenas na cena do vampiro tirando a mão do peito de seu pai, e depois seu pai caindo. Mariana se levantou abriu a gaveta do criado mudo, e começou a tirar suas joias apressadamente, e colocou todas dentro da caixinha de musica que havia ganhado de seu pai, depois pegou a pequena caixa e colocou encima da cama e começou a soltar o cabelo para poder tirar o seu diadema e guardá-lo, tirou pela primeira vez no dia o anel que havia ganhado de sua mãe, o qual estava num tom vermelho sangue. Ela estava fazendo isso não porque estava com medo de que roubassem suas joias, e sim porque ela queria se ocupar com algo, para tirar a terrível cena de seu pai morto de sua cabeça, mas ainda assim era difícil, por que ela ouvia a gritaria do andar de baixo, onde há poucos instantes estava acontecendo sua festa de aniversário, agora provavelmente estava repleta de corpos pelo chão, com pessoas agonizando, pedindo a morte por não suportar a dor de ter seu sangue sugado. Mariana agora pegou um retrato de cima de seu criado mudo onde tinha uma foto dela abraçada ao seu pai e sua mãe, felizes sorrindo.

– Pega sua varinha. – gritou com desespero Eleonor, enquanto sacudia sua filha, fazendo Mariana derrubar o retrato dentro da caixa de musica.

Uma batida forte na porta fez Eleonor apontar sua varinha em direção a ela.

– O retrato. – foi a única coisa que Mariana conseguiu falar naquele momento, logo ela enfiou seu braço para tentar achar o retrato dentro da caixinha que com o feitiço de Extensão Indetectável parecia sem fim, ela sacou sua varinha e tentou conjurar por meio do feitiço Accio, o retrato.

– Filha! Filha! – continuava gritando Eleonor, para Mariana que não esboçava nenhuma reação. – Chega! – Ela pegou pelo braço de sua filha, e com um puxão a fez voltar a realidade, além faze-la deixar cair sua varinha dentro da caixinha de musica, logo após isso ela fechou a caixa, e segurou firme em sua filha e Desaparatou.

A floresta estava fria e úmida, Eleonor puxava sua filha pelo braço, e em passos rápidos, quase correndo elas estavam cada vez mais longe do que antes era seu lar, que agora parecia estar em chamas, que mesmo de longe eram visíveis. De repente o silencio da floresta foi quebrado por um grito de terror, vindo de Mariana.

– TREVERS! TREVERS! – A jovem bruxa estava em choque ao ver o menino com quem brincava na infância, todo ensanguentado e muito machucado.

– Shhh. Filha faça silencio, não sabemos quantos são. – disse Eleonor, era evidente que ela estava com medo, mais ela estava com mais medo ainda de que sua filha percebesse isso. – Vamos, não temos o que fazer por ele.

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Rôsier havia finalmente aberto, destruído na verdade, a porta encantada por Eleonor, ele olhou pela janela e não viu nenhum sinal, nem de Eleonor nem de Mariana.

– Elas sumiram. – disse Rôsier a Cornélius. – devem ter aparatado.

– Se elas sumiram daqui deste lugar elas desaparataram, sua anta. – resmungou Dragomir.

– Vamos procura-las, quero a bonequinha para mim. – disse Cornélius antes que discussão entre Dragomir e Rôsier começasse. – Shyo, você fica aqui recolhendo o sangue dos que ainda estão vivos, depois que terminar volte a nosso acampamento, eu e os outros vamos procurar as fugitivas.

Antes que Shyo pudesse argumentar, eles saíram à procura de Mariana e Eleonor.

– Rôsier, Dragomir, vocês vasculhem a floresta, vou olhar o resto do povoado.

Assim os três se separaram, Rôsier e Dragomir foram em direção à floresta e Cornélius em direção ao resto do povoado. Na floresta Dragomir e Rôsier ficaram em uma distância de 500 metros um do outro. Eles estavam se aproximando das duas.

– ALGUMA COISA AI? – Rôsier gritou o mais alto que podia.

– NÃO!

Não muito longe dali Eleonor e Mariana ouviram os gritos, como se os dois vampiros estivessem na sua frente, ambas começaram a correr, e ir mais e mais longe dentro da floresta. Cada vez ficava mais escuro e frio, se é que se podia, elas estavam chegando a uma parte da floresta com galhos e árvores caídas, fazendo com que ficasse difícil se locomover rápido por ali. Ao tentar pular por cima de uma árvore, Eleonor acabou cortando sua perna, não foi um corte muito grande, porem foi profundo.

– A senhora está bem? – perguntou Mariana, com preocupação.

– Sim, foi só um corte. – disse Eleonor olhando a perna ensanguentada. – Ferula – disse apontando sua varinha para o machucado, e bandagens envolveram sua perna na região do corte. – Vamos não podemos parar. – seguiram andando, só que Eleonor agora tinha dificuldade para caminhar rápido. – Está com sua varinha? – perguntou sem parar para olhar para sua filha.

– Não encontro, devo ter perdido enquanto corríamos lá atrás. – disse Mariana com a voz tremula. – O que pretende fazer? Onde estamos indo?

– Expecto Patronum – e uma pantera azul prateado surgiu da ponta da varinha de Eleonor e foi na direção contraria delas, até sumir de vista. – é uma distração, vampiros ouvem muito bem, se tiver mais de um vão ter que se separar.

O Patronum de Eleonor se movia muito rápido, parecia um raio no meio da floresta, logo a pantera azul claro prateada, chegou perto dos dois vampiros, e foi para a esquerda de onde eles estavam, fazendo barulho em folhas e galhos secos quando passava.

– Veja o que foi isso. – disse Rôsier para Dragomir, que agora estavam a uns 20 metros um do outro.

– Deve ter sido algum animal e além do mais você não manda em mim. – disse Dragomir.

– Você viu o jeito que Cornélius olhava aquela garota não viu? Se não pegarmos ela, eu nem quero pensar no que ele fara com agente, no mínimo deixar um mês sem beber sangue. – Dragomir engoliu em seco, e saiu em direção ao Patronum de Eleonor.

Rôsier continuou correndo – em velocidade normal – por mais alguns segundos até pular uma árvore e sentir o cheiro de sangue, parar e olhar um galho pontiagudo ensanguentado, e algumas gotas de sangue nas folhas secas caídas no chão, Rôsier não conseguiu deixar escapar um sorriso no canto da boca, mas que logo sumiu.

– Achei vocês! – Disse Rôsier para si mesmo logo antes de sair correndo com uma velocidade sobre-humana, quebrando galhos e fazendo barulho por tamanho impacto que fazia quando pisava no chão enquanto corria.

Ao ouvir o barulho da aproximação de Rôsier Eleonor sabia o que ia acontecer, ela mirou a varinha para Mariana e sussurrou: “Desilusório”. Mariana não havia ficado invisível, mas estava transparente, camuflada.

– Rápido se esconda atrás de uma árvore. – Assim que Eleonor disse isso Mariana correu para trás de uma Cecoia grande e robusta.

Quase no mesmo instante em que Mariana se escondeu Rôsier se aproximou e ficou com uma distância de 7 metros de Eleonor, ela estava com a varinha apontada para Rôsier.

– Incendio. – e vários jatos de foto atingiram Rôsier, deixando a roupa dele chamuscada e com um lado do rosto queimado.

–Ahh. Como ousa. – disse Rôsier com a mão no lado do rosto que estava queimado, cambaleando em direção à Eleonor.

– Incendio. – novamente Eleonor continuou atacando Rôsier com jatos de fogo. – Diffindo. – logo depois ela lançou outro feitiço que o jogou alguns paços para trás e depois ele caiu de bruços.

Eleonor continuava com a varinha apontada para o, aparentemente, inconsciente Rôsier, ela fez sinal para Mariana ficar onde estava – Mesmo não vendo Mariana, Eleonor sabia onde sua filha estava. – Eleonor levantou a varinha e a girou rapidamente no ar, mas antes que ela pudesse atirar um feitiço ou maldição Rôsier levando e avançou para cima dela com sua velocidade sobre-humana, fazendo Eleonor deixar sua varinha cair. Tudo o que se podia ouvir naquela floresta eram os gritos de dor de Eleonor enquanto o Vampiro sugava seu sangue pelo pescoço, de repente Mariana pega a varinha que estava caída entre as folhas da floresta.

– Petrificus Totalus. –disse Mariana, petrificando Rôsier que ficou na mesma posição em que estava. – Reducto – o vampiro explodiu em milhões de pedacinhos, virando poeira.

O vampiro deu uma mordida profunda no pescoço de Eleonor, havia ficado um buraco, mas Eleonor resistia, ela continuava viva, com forças que nem mesmo ela sabia de onde as tinha tirado, talvez da vontade de manter sua filha viva, no dever em protegê-la do que a ameaçasse.

– Continue andando... na... na mesma direção, vai chegar à um riacho... – disse Eleonor juntando forças para poder falar. – siga a margem do riacho para a esquerda... verá uma... uma cabana, seu padrinho mora nela... peça ajuda.

– NÃO! Eu não vou te deixar aqui, e que história é essa de padrinho? – disse Mariana chorando.

– Mais deles viram... precisa fugir. – Eleonor agora acariciava o rosto de Mariana com uma das mãos, a outra estava sobre o seu ferimento no pescoço. – Vá... por favor. – Eleonor queria passar confiança para Mariana, mas não conseguia, era aparente o que ia aconteceu. – não... Não se esqueça... querida... Eu te amo. – Eleonor fechou os olhos suavemente, para não os abrir mais.

Mariana queria gritar para que o mundo soubesse de sua dor, mas ela não conseguia, ela apenas chorava, um choro silencioso e abafado. Ali abraçada ao corpo de sua mãe, ela ficou por mais alguns segundos, até perceber que distante dela, um homem a observava, era Dragomir. Mariana então ergueu a varinha de sua mãe em direção à Dragomir e lançou a maldição Reducto, Dragomir apenas deus quatro passos para o lado esquerdo, evitando o feitiço que atingiu uma árvore que ficou inclinada para o lado, devido à força do feitiço. Depois disso Dragomir simplesmente virou-se e correu na direção contraria, rapidamente Mariana levantou-se olhou pela ultima vez o rosto de sua mãe, e fugiu.

Enquanto Mariana corria, ela avistou o riacho, e seguiu sua margem, seus pés doíam, e ela sentia como se eles estivessem em carne viva. De repente, um barulho entre as árvores fez Mariana apontar a varinha na direção do som e dizer “Incendio” e uma Acromântula do tamanho de um pneu de trator caio do meio das árvores e fugiu, floresta adentro. Mariana por um momento ficou intrigada por que diabos uma Acromântula estaria tão longe de Bornéu, mas logo esse pensamento saiu de sua mente dando lugar à visão de uma cabana de madeira, e teto de palha, a cabana era pequena em relação a grande mansão dos Espósito. A cabana estava toda fechada, também pudera era quase meia noite, Mariana logo bateu com força na porta, que se abriu com o toque “suave” dela, desesperada por ajuda Mariana entrou correndo, ascendeu na luz na sua varinha, e procurou por alguém que não estava lá – não vivo, pelo menos – ela achou sangue espalhado pelo chão, seguiu o rastro que ia até um pequeno cômodo com uma cama, o rastro de sangue ia até de baixo da cama, Mariana se abaixou, ela não podia ver o que tinha abaixou da cama, por que um lençol estava meio caído entre a cama e o chão, cada vez que ela se abaixava mais ela podia sentir um cheiro putrefato vindo de debaixo da cama, ela agarrou o lençol que cobria e puxou bruscamente, revelando um cadáver, de um Homem gordo e barbudo, haviam moscas nos restos do que antes havia sido seu pescoço, seu rosto estava todo inchado como se houvesse sido espancado, com muita força. Mariana sentia vontade de vomitar, mas mais que tudo vontade de sair daquele lugar horrível, com aquele cadáver, que possivelmente seria de seu padrinho que nunca conheceu e nem teve sequer o direito de falar com ele. Ela levantou-se e quando virou para voltar para a saída ela viu a figura de uma mulher com traços asiáticos a encarando, antes que ela sequer pudesse levantar a varinha para lançar algum feitiço em Shyo, a vampira avançou para cima de Mariana, tirou a varinha de sua mão e deu um tapa em sua cara que a fez cair no chão e cuspir sangue, logo depois Shyo deu um chute na barriga de Mariana deu um grito agudo de dor.

– Olha, olha, olha. O que veio parar em minhas mãos, hora se não é a aniversariante. – Shyo dizia com pequeno sorriso no rosto. – Que feio sair de sua festa antes que eu te desse os parabéns, aproposito feliz aniversário! – Shyo agarrou Mariana pelos cabelos para fitar sua expressão de dor.

– Por favor... Não... Não me machuque. – Mariana falava com dificuldade, ela não conseguia falar e cuspir sangue ao mesmo tempo. – Eu... Eu posso te dar ouro, eu tenho muito... quanto você quer? – disse Mariana tentando agarrar a varinha que estava na mão da vampira sem que a mesma percebesse.

– Sabe, no momento eu não quero ouro.

– O que você quer? Eu posso te dar!

A vampira nada disse, apenas soltou Mariana que caiu no chão novamente, Shyo virou-se de costas para Mariana que continuou atirada ao chão sem forças para se levantar.

– Sabe o que eu quero? – disse Shyo olhando para a lua, através da janela, que brilhava do lado de fora iluminando o riacho que seguia seu curso. – Sua morte! – Shyo novamente deu um chute na barriga de Mariana que apenas podia gemer de dor.

“Estou perdida” “Vou morrer” eram os únicos pensamentos que passavam pela cabeça de Mariana. Ela podia ouvir o barulho de uma de suas costelas quebrando, era insuportável ter quase todas as partes de seu corpo doendo, ouvir o som de seus ossos quebrando, o gosto de seu sangue em sua boca. Enquanto estava caída no chão, Mariana viu o corpo de seu padrinho embaixo da cama e pensou “Será que vou ter o mesmo fim dele? Será que a morte de minha mãe foi em vão?”. Mariana fechou os olhos para esquecer ou ao menos tentar ignorar a dor, ela se lembrava da sua infância, de todas as pessoas que morreram em sua casa, da cena de seu pai morto, de Trevers morto na floresta, dela mantando o maldito vampiro que matou sua mãe, e por fim de sua mãe em seus braços fechando os olhos e morrendo, todas essas lembranças foram quebradas quando Shyo a fez ficar em pé novamente, a dor de ficar em pé era terrível, ela sentia que ia desmaiar logo, logo.

– Eu quero que sua morte seja dolorosa. Só estou batendo fraquinho por que não quero que você perca os melhores momentos, desmaiada. – Shyo estava com um olhar psicótico e de congelar o fogo – Primeiro vou te espancar até a morte, depois eu vou te esquartejar, em pequenos pedacinhos, para que Cornélius não perceba que fui eu que te matei, vou dizer a ele que nós lutamos e que você tentou me lançar um feitiço que, por algum motivo, ricocheteou e você explodiu. BUM – a vampira disse em gargalhadas.

Shyo pegou com a mão que estava livre os dedos de Mariana e os torceu até quebrar, e o grito agudo de Mariana saiu da cabana e ecoou pela floresta, Mariana ainda sentia seus dedos arderem de dor quando Mariana viu pés, pelas fendas de seus olhos inchado, dentro da cabana e que não eram de Shyo, então Shyo a soltou.

– COMO É APANHAR TANTO? – gritou a vampira – M-Mestre! – percebendo a presença de Cornélius.

– Sua maldita, o que pensa que esta fazendo? — Disse Cornélius, enquanto com uma grande velocidade se aproximou de Mariana e empurrou Shyo com grande violência, a vampira foi parar no outro lado do pequeno cômodo, ela caiu em cima de um criado mudo e caiu no chão, onde ficou parada tremendo de medo. – O que essa maldita fez com você? – Disse Cornélius com cara de espanto e raiva ao mesmo tempo, ele se agachou e aproximou a mão do rosto machucado de mariana e com os dedos afastou o cabelo para ver melhor seu rosto.

Mariana podia ver a silhueta de Dragomir parada na porta, imóvel. Ela sentia o toque gélido e áspero da mão de Cornélius a acariciando, ela sentia medo, um medo maior do que o que sentiu enquanto Shyo a espancava.

– Mestre ela me atacou, eu tive que... – Shyo apenas viu o vulto de Cornélius avançando contra ela, e então sentiu vários, fortes e violentos, tapas em sua cara.

– VOCÊ PENSA QUE EU NÃO OUVI VOCÊ TRAMANDO ME ENGANAR? – gritou Cornélius sem parar de esbofetear Shyo que apenas ficou calada. – Eu deixei bem claro que queria ela para mim! – Cornélius estava furioso com Shyo, tanto que nem Shyo nem Dragomir diziam uma palavra, Shyo apenas aguentava seu castigo calada. – E ainda planejou matá-la! Tudo por causa de um ciúme bobo.

Mariana não conseguia ver o que acontecia, apenas ouvia o estalar dos tapas, e pelo estalar parecia que estavam quebrando uma árvore. E os tapas cessaram, Cornélius se aproximou de Mariana novamente a pegou no colo, e colocou-a na cama, tentando ao máximo não lhe causar dor, Mariana então pode ter a visão de Shyo deitada no chão com rosto cheio de cortes e com um olhar vazio.

– Dragomir tire essa maldita daqui. – Disse Cornélius a Dragomir, que imediatamente pegou Shyo e a colocou em seus ombros.

– O que eu faço com ela mestre? – perguntou Dragomir.

– deixe-a em sacrifício, e a largue em qualquer lugar, depois fique na porta esperando minhas ordens.

– SACRIFÍCIO, NÃO, POR FAVOR, NÃO, QUALQUER OUTRA COISA, POR FAVOR, MEST... – antes que Shyo terminasse de falar Dragomir juntou um pedaço de madeira do criado mudo que Shyo quebrou quando foi atirada encima dele, que estava no chão e o cravou na altura do peito da vampira que imediatamente virou uma espécie de múmia, e então Dragomir saiu com ela pendurada em seu ombro esquerdo.

Cornélius estava ajoelhado no chão e debruçado na cama, com o rosto quase que colado com o de Mariana ele estava acariciando seu cabelo, enquanto olhava seus olhos, molhados por lagrimas que caiam, Cornélius se levantou e pegou a varinha de Eleonor que estava jogada no chão.

– Foi com isso que você matou Rôsier? – ele dividia o olhar entre a varinha e Mariana. – pelo que Dragomir me contou você o reduziu a nada. – Ele guardou a varinha em seu casaco, que estava com algumas manchas de sangue. – Acho que você não vai se importar se eu ficar comigo, não queremos que ninguém se machuque, não é mesmo. – disse o vampiro. – Sabe Mariana toda vez que um vampiro mata outro vampiro, ele é obrigado há ficar 10 anos em sacrifício, ou, ele tem a opção de transformar um mortal em vampiro, sabe como é, uma “ vida” pela outra, e essa lei se aplica a um caçador ou alguém que já tenha matado um vampiro. Você matou um vampiro, foi uma grande proeza eu devo admitir, mas você desfalcou o meu grupo, e se formos atacados por uma alcateia de Lobisomens? O que vamos fazer, somos apenas três agora.

Cornélius sentou-se na cama, deitou a cabeça de Mariana em seu colo, e começou a acariciar o cabelo dela suavemente, Mariana olhava para cima e via o rosto de Cornélius à luz da lua, lágrimas escorriam pelo rosto dela, ela já sabia o que iria acontecer. Quando que Mariana ia imaginar que no dia, no tão sonhado dia, de seu aniversário seus pais morreriam, quase toda sua vila morreria, descobriria que tinha um padrinho, e que ele também havia morrido. Definitivamente ela não podia imaginar que sua vida mudaria por completo naquele dia, que um turbilhão de coisas iria acontecer, e que descobriria afinal que o bicho-papão que uma vez sairá de seu armário quando tinha nove anos, não era a coisa mais má que havia na face da terra, e que comparado a Cornélius um bicho-papão era apenas um gatinho raivoso perto de um perto de um Leão com muita fome. Ah como ela queria que tudo aquilo fosse um pesadelo, e que ela daqui algumas horas iria acordar em sua cama quentinha e aconchegante com seu carinhoso pai, e sua mãe super-protetora, com Margarite esperando do lado de fora de seu quarto para servi-la, com Sr. Wendell o jardineiro no jardim cuidando das flores... Mas é claro que não é um pesadelo, é real, a dor de ter suas costela quebradas é real, o medo é real. A única coisa que não é real é a esperança de Mariana de tudo aquilo não passar de um pesadelo.

– Acho que você já sabe o que vai acontecer não sabe? – disse Cornélius olhando para a lua, que banhava com sua luz parte do cômodo. – “uma ‘vida’ pela outra” – Mariana fechou os olhos enquanto ouvia seu coração acelerado e Cornélius se aproximando mais e mais de seu rosto.

Cornélius aproximou-se do rosto de Mariana, beijou sua testa e depois falou no ouvido dela:

– Vai doer um pouquinho!

Cornélius mordeu o pescoço de Mariana, e começou a sugar seu sangue, Mariana sentia como se cem agulhas estivessem cravas em seu pescoço, sugando cada gota de seu sangue, seus gritos de dor já eram automáticos. Cornélius forçava o pescoço de Mariana contra sua boca, o que fazia aumentar mais ainda a dor de Mariana, ela chorava e gritava, por que eram as únicas coisas que ainda tinha força para fazer, depois de algum tempo Cornélius parou, deu uma mordida profunda em seu próprio braço que começou a sangrar imediatamente.

– Beba, você vai se sentir mais forte, beba se quiser viver, criança. – Cornélius colocou o braço na boca de Mariana, que ao sentir o gosto da primeira gota de sangue de vampiro, sentiu uma vontade incontrolável, e agarrou firme o braço do vampiro e começou a sugar seu sangue.

Cornélius parecia sentir prazer enquanto Mariana sugava seu sangue. Ela não conseguia controlar a vontade de beber o sangue vampiro, era mais forte do que ela, ela apenas queria! Por mais que ela tentasse parar seu corpo queria mais, era tão forte a vontade de beber o sangue que por alguns momentos ela se esqueceu de quem, e o que, ela era, esqueceu tudo o que havia acontecido com ela até aquele momento, tudo que existia dentro dela, era aquela sede incontrolável. Cornélius a segurou e afastou seu braço dela, e toda a dor dela voltou, tudo voltou como um sopro, e ela sentiu nojo de si mesma por ter feito o que fez, sugar o sangue de um vampiro assim como ele fez com ela, assim como Rôsier fez com sua mãe, era horrível, sujo, detestável. Então por fim Cornélius segurou a cabeça de Mariana e bruscamente a torceu para esquerda... Mariana estava, por fim, morta.

Cornélius a pegou nos braços e a levou para fora, Dragomir se encontrava cavando um buraco na varanda da cabana, ele arrancou o assoalho e cavou um buraco grande o bastante para duas pessoas, longe dele estava Shyo velha, seca e sem vida, encostada em uma árvore. Dragomir parecia pensativo e triste, ele se afastou quando Cornélius se aproximou com o corpo sem vida de Mariana, ele a colocou com delicadeza na terra úmida da cova e depois deitou-se ao lado dela, a abraçando.

– Dragomir, cubra-nos, por favor. – e Dragomir o fez, cobriu os dois com a terra, a cada pazada os dois iam sumindo, no meio da terra jogada encima deles.

Notas finais
*FERULA: cria bandagens em um ferimento.

*FEITIÇO INDETECTÁVEL DE EXTENSÃO: Nome sugestivo. É usado para criar um espaço maior em algum recipiente ou habitação pequena.

*EXPECTO PATRONUM: Feitiço usado para combater dementadores. O patrono corpóreo assume a forma de um animal cor azul claro prateado, que geralmente tem algo a ver com o passado ou o presente da pessoa. Bruxos experientes podem lançar Patronos, e na maioria da vezes que é praticado sem que o conjurador esteja pensando em algo feliz ou se o conjurador for um bruxo inexperiente, sairá uma fumaça prata da ponta da varinha.

*DESILUSÓRIO: causa um efeito igual ao de um camaleão, mas não deixa invisível.

*INCENDIO: Produz fogo. Pode ser usado como feitiço de duelo.

*DIFFINDO: Inverso do feitiço Reparo, usado para cortar/quebrar coisas.

*PETRIFICUS TOTALUS: Paralisa o alvo deixando na posição em que estava, ou o paralisando, e fazendo a vitima juntar os braços e pernas e cair no chão caso esteja em pé.

*REDUCTO: Desintegra ou destrói objetos sólidos que estiverem no caminho do lançador. Também pode controlar os elementos da natureza: água (somente estado liquido), fogo, terra e ar.

*ACRAMÂNTULAS: Aranhas gigantes que podem chegar até 8 metros, dotadas de fala e inteligência quase humana. Originárias da ilha de Bornéu.

*SACRIFÍCIO: Na minha fic, sacrifício é quando um vampiro é empalado por um estaca de madeira na região da caixa torácica(exceto no coração, se for no coração ele morre mesmo) ele fica em um estado de quase morte, sem vitalidade e como se fosse uma múmia, ou seja sem força para nada. Todo vampiro tem que passar por isso uma vez na "vida" para não ser possuído por Lilith(a deusa vampira). Na primeira vez o vampiro não sente tanta dor, mas nas outras vezes que é forçado a fazer esse ritual, a dor é terrível.

*BICHO-PAPÃO: Normalmente vive confinado dentro de armários, e lugares escuros, ao ser libertado ataca sua vitima na coisa que ela mais teme. Para evitá-lo, basta soltar o feitiço Riddikulus.

*LUMOS: Ascende uma luz na ponta da varinha. Por não exercer nenhum efeito nem no conjurador nem em uma possível vitima lumos e suas variações (lumos máxima, Lumos Solem etc.) é ignorado pelo ministério da magia.
Nota: foi usado por Mariana para poder ver o que tinha na escura cabana de seu padrinho.