Notas iniciais
E ai esta mais um capítulo.

– Margarite, feche a janela, esses pássaros malditos me acordaram. – disse Mariana com a voz abafada, Mariana tinha certeza de que tudo não havia passado de um terrível pesadelo, e que agora estava tudo bem, mas ao abrir os olhos percebeu que estava coberta por terra, ela levantou imediatamente e saiu gritando, gritos de terror, limpando a terra do seu vestido de baile, seu olhos doíam muito devido à claridade e ela caiu de joelhos no chão, e com as mãos nos olhos sem saber onde estava indo ela saiu andando de joelhos([andando de joelhos?!?!]), e então sentiu seu corpo esquentar e depois começar a arder como se estivesse dentro de uma fornalha, então gritando ela abriu os olhos e voltou para debaixo da pequena varando que a abrigava da luz solar, e logo entrou na pequena cabana onde estava Dragomir, ele apenas olhou nos olhos dela e seguiu esculpindo um pequeno centauro num pedaço de madeira.

– Você precisa esperar alguns dias para se acostumar com o sol, e se tentar fugir daqui, vai acabar morta e com o corpo cheio de bolhas. – disse ele sem tirar os olhos do centauro que se moldava no pedaço de madeira.

Mariana pensou em sair correndo dali, fugir daquele vampiro, mas para que? Ela já era já estava morta, por mais que isso a assustasse.

– Prazer, Vincent Dragomir, mas todos me chamam apenas de Dragomir. – disse Dragomir em um tom amigável.

Mariana se lembrava dele, ele a viu matar Rôsier e depois viu a morte de sua mãe, e então foi embora sem dizer absolutamente nada. Mariana sentou-se em uma cadeira que estava próxima a ela, mas fora da mesa onde Dragomir esculpia o centaurinho de madeira.

– Não se preocupe, não vou te fazer mal algum, apenas estou puxando assunto. – disse gentilmente Dragomir. – Somos irmãos agora.

– NÃO! – respondeu imediatamente Mariana. – eu não sou igual a você, eu jamais mataria para sobreviver. – Dragomir engoliu em seco.

– Hm. Feliz aniversário. – disse ele voltando a olhar o centauro quase acabado.

– Meu aniversário foi ontem.

– A partir de ontem, será todos os dias. Ou você se esqueceu de que parou no tempo?

– Mortos não fazem aniversário! – respondeu com frieza Mariana. – Onde está? O... O outro?

– Cornélius? Ele queria que sua primeira refeição fosse fresca. Creio que esteja com fome?

Mariana se sentiu ofendida com a pergunta de Dragomir, deu as costas para ele e foi em direção a porta, ouviu Dragomir dizer “não vá sair no sol!” então parou e sentou na divisa da porta para a varanda que era mais baixa. Ela realmente sentia fome, muita fome seria capaz de comer uma vaca inteira se pudesse, apenas não queria admitir, ela pôde observar o corpo de Shyo que ainda estava encostado na árvore com uma estaca cravada exatamente no centro de seu peito, ela parecia mais morta do que uma pedra.

Mariana estava se sentindo diferente, podia ouvir uma cachoeira, mas quando olhava em direção ao fim do riacho não a enxergava, podia ouvir claramente os pássaros cantando floresta adentro, mas não os via, podia sentir o cheiro do corpo putrefato do padrinho, misturado com o cheiro de um gamba que possivelmente estava na floresta, o que a fez apertar as narinas com os dedos. Seus sentidos estavam mais fortes, ela se sentia mais forte, sentia-se capaz de fazer qualquer coisa, vencer até mesmo o bruxo mais famoso, o mais poderoso com um único ataque, sentia-se capaz de matar um basilisco com as próprias mãos sem sequer fazer algum esforço, ela levou sua mão até suas costelas que ontem estavam quase todas quebradas, não sentiu nenhuma dor ao apertar suas costelas, levou à mão no rosto, ele estava intacto, com se nada tivesse acontecido ontem quando Shyo a espancou. Ela voltou para dentro, para tentar achar a varinha de sua mãe, quando se lembrou de que Cornélius a estava guardando, novamente sentou-se na cadeira e lá ficou por um tempo sem falar nada, apenas prendendo a respiração – que já não era mais necessária, afinal ela estava morta – para não sentir o cheiro do cadáver que estava embaixo da cama, e vendo e ouvindo o barulho das lascas de madeira se desprendendo da escultura de madeira que já estava quase pronta, e os dois assim ficaram por alguns minutos, em silencio, até que Mariana ouviu passos do lado de fora, levantou-se e andou até a janela, que dava de frente para a floresta, e viu Cornélius saindo da floresta carregando um homem em seu ombro esquerdo. O medo que bateu em Mariana, a fez dar alguns passos para traz, junto a Cornélius vinham às lembranças dos momentos mais aterrorizantes de sua vida, dos últimos momentos de sua vida. Mariana estava parada em pé a alguns centímetros da janela, ela pode ver Cornélius soltar o homem, que estava amarrado em cordas e com uma mordaça, ele aparentava estar muito apavorado, estava vermelho e suando muito, suas roupas estavam rasgadas, ele usava muito vermelho e tinha um cabelo comprido, Mariana concluiu que era um desses ladrões de estrada, se vestia como um cigano. Cornélius andou até ao corpo frágil e sem vida de Shyo, agachou-se próximo a ela, levou a mão até a estaca que estava cravada no centro de seu peito, e retirou-a e um grito agudo ecoou pelo ambiente o que fez Mariana tremer um pouco e arregalar os olhos, aos poucos Shyo foi recuperando os sentidos, ficou quase igual ao que era antes, ainda parecia fraca e desnutrida, Cornélius pegou uma bolsa de couro, de guardar agua parecida com um cantil, porem bem maior, Shyo o pegou, e bebeu o liquido que o grande cantil guardava, logo voltou a sua forma normal, com uma aparência mais saldável, e ela o beijou.

– Desculpe. – disse Shyo soltando o rosto de Cornélius com as mãos.

Cornélius nada disse, apenas levantou e caminhou até o cigano que estava jogado no chão, tentando se soltar da corda e com os gritos de socorro abafados pela mordaça. Cornélius o levantou nos ombros e veio em direção à cabana. Mariana novamente deu alguns passos para traz e não percebeu que Dragomir estava sentado próximo a ela, ela acabou caindo no colo de Dragomir.

– O que está acontecendo aqui Dragomir? – perguntou Cornélius exaltando a voz, enquanto colocava o cigano no chão próximo à porta.

Mariana levantou-se e foi em direção à parede, viu-se apenas o vulto de Mariana, com uma velocidade que nem mesmo ela sabia que tinha.

– Ela tropeçou mestre. – Disse Dragomir com a voz tremula, porem convincente.

– Hum, não importa. Trouxe um presente para você bonequinha. – disse Cornélius se referindo ao cigano que estava desesperadamente tentando se soltar.

– Eu não quero presente algum! – Mariana estava visivelmente com medo. – eu jamais beberei uma gota de sangue desse homem.

– Quer outro? – rebateu Cornélius como se ele estivesse dando uma joia cara para Mariana. – Se você quiser eu posso conseguir um out... – foi cortado por Mariana.

– Já disse. – Mariana estava com muito medo, porem sua voz estava firme e transparecia confiança. – leve-o daqui!

Em um piscar de olhos Cornélius atravessou a pequena sala e chegou perto de Mariana segurou seu rosto suavemente para dar-lhe um beijo, porem Mariana virou o rosto. Se o coração de Mariana ainda estivesse batendo ele teria parado com o susto que ela levou. Cornélius a soltou e afastou-se dela.

– Tem certeza? – disse Cornélius sem obter nenhuma resposta de Mariana. – O sangue dele deve estar quentinho, perfeito para ser bebido, ele esta com medo, percebe? Isso faz com que o sangue dele fique ainda mais quente. – Cornélius se aproximou do cigano, o fez ficar de joelhos ao lado dele. Mariana pôde ver Shyo encostada na porta, com um olhar frio, misturado com raiva e inveja – Tenho certeza que você não vai resistir quando...

Cornélius parou de falar, e tirou de seu casaco algo que parecia um punhal, com a lamina fina e afiada e um cabo pontiagudo de madeira, ele levantou o cigano – que a essa altura já estava em prantos – e colocou o punhal na garganta do homem.

– NÃO! – gritou Mariana, enquanto usava sua velocidade para tentar parar Cornélius que estava prestes a cortar a garganta do cigano. Cornélius se afastou de Mariana que estava parada segurando o cigano em pé.

De repente Mariana se sentiu invadida por uma fome descomunal, ela tirou o homem de seus braços e pode ver que o sangue que jorrava da garganta do cigano, ela se sentiu atraída a provar o sangue.

Mariana agora estava segurando o homem e bebendo seu sangue com fúria, ela parecia um animal, ela se sentia um animal. Naquele momento o que ela mais desejava era que aquilo tudo, aquela sensação nunca, jamais acabasse, e assim Mariana ficou por alguns minutos até saciar sua fome. Mariana parou, olhou seu vestido, completamente sujo de sangue, suas mãos sujas de sangue e aquele homem... Ela se sentiu frustrada por que jurou para si mesma, depois de beber o sangue de Cornélius, que jamais iria colocar mais uma gota de sangue na boca, mas acima de tudo se sentia devastada por ter tirado uma vida.

– Foi tão bom para você quanto foi para mim assistir? – perguntou Cornélius com um sorriso de orelha a orelha.

Mariana olhou para ele aterrorizada, e saiu pela porta empurrando Shyo que estava em seu caminho, apenas ouvindo os avisos de Dragomir.

– Não vá para o sol, você ainda não tem capacidade de controlar a ação dele sol no seu corp... – Dragomir logo se calou e ficou boquiaberto.

Mariana passou pela varanda, direto ao sol, ela apenas sentiu um calor muito grande, porem nenhuma queimadura em seu corpo, ela subiu um grande pinheiro e ficou sentada em um de seus galhos.

– Como que ela?... O sol deveria estar fritando ela – disse Shyo sem saber o que pensar.

– Ainda bem que ela é do nosso grupo. – disse Dragomir – não gostaria de ter ela como inimiga.

– Bom isso não importa agora. – cortou Cornélius – Dragomir você cuidou muito bem dela! Pode ficar com o sangue do cigano, ela bebeu muito pouco. Shyo tire o cadáver desse lenhador daqui, está me deixando zonzo esse mau cheiro.

– Mestre, mais eu... – relutou Shyo.

– Obedeça – ordenou Cornélius.

Mariana estava inconformada com sigo mesma, não conseguia entender como perdeu o controle daquela maneira, ela queria chorar, mas não conseguia, era cruel sentir uma dor emocional tão intensa e não conseguir chorar. Mariana ficou ali até anoitecer, e as horas viraram dias e os dias iam se arrastando lentamente até virarem semanas. Todos os dias Cornélius mandava Dragomir oferecer um pouco de sangue a Mariana, ele levava para ela e ficava fazendo companhia para ela por algum tempo. Alguns dias depois, o estoque de sangue estava acabando os grandes cantis estava ficando cada vez mais secos. Dragomir era o único com quem Mariana conversava não se sentia à-vontade para falar sobre coisas que a incomodavam, sobre a sua família, coisas do tipo, apenas trocavam algumas palavras, mas para Mariana isso bastava para que ela não enlouquecesse, ela apenas não tinha mais tanto medo dele. Mariana tinha ganhado uma barraca, de Cornélius, para ela ficar durante a noite, porem ela apenas ficava naquele galho da árvore. Cornélius havia aparentemente perdoado Shyo, ela passava grande parte da noite na cabana de Cornélius junto a ele, enquanto Mariana e Dragomir ficavam ao relento durante horas e horas. – Mariana, porque queria, afinal havia ganhado uma barraca. – Eles não precisavam dormir se não quisessem, vampiros podem ter seu organismo funcionando normalmente se quiserem, e se estiver bebendo sangue com frequência, podem comer comida normal, beber bebidas e dormir, basta apenas manterem a “dieta correta”. Cornélius começou a ficar preocupado com a pouca quantia de sangue que ainda tinham então decidiu sair com Shyo para conseguir mais.

– Dragomir cuide dela, eu e Shyo traremos mais sangue. – disse Cornélius para Dragomir enquanto observava Mariana tomando sol encima de “seu” galho na árvore. {[já avia se passado um bom tempo, ela quase nem sentia a ação do sol sobre ela]} – vocês dois cuidem do acampamento, pode demorar alguns dias, eu deixei sangue o suficiente para vocês dois.

Mariana ouviu tudo da árvore, pensou em fugir, mas de que adiantaria, segundo Dragomir, um vampiro tem certa conexão com sua cria, Mariana já estava há alguns dias morta, mas para ela não fazia diferença afinal não tinha mais nada, nem sua mãe nem seu pai, nem sua vida perfeita, onde a única coisa que tinha que se preocupar era qual a roupa usar no outro dia, não tinha para onde fugir, ou onde se esconder. Assim que Mariana perdeu Shyo e Cornélius de vista ela desceu da árvore e entrou na cabana as pressas, começou a revirar tudo, abrir gavetas, olhar dentro de armários, em qualquer parte.

– Ele a levou com ele! – Disse Dragomir parado na porta olhando Mariana revirar tudo. – Não adianta procurar, ele não seria tolo de deixar sua varinha aqui!

Mariana nada disse apenas parou de procurar algo que nunca acharia, ela sentou-se na cadeira e se debruçou sobre a mesa e abaixou a cabeça entre os braços, ela tentava chorar, mas não conseguia.

– E além do mais, é melhor nem confronta-lo, Cornélius é poderoso, um vampiro muito forte. – disse Dragomir aproximando-se de Mariana e sentando ao seu lado. – Mariana isso não é uma brincadeira, não uma coisa magica e fantasiosa, isso é mundo real. Você não está mais no seu mundo perfeito, alias seu mundo perfeito nunca existiu e... – foi interrompido por uma explosão de raiva de Mariana.

– E VOCÊ ACHA QUE EU NÃO SEI? – gritou Mariana. – Eu vi meu pai ser morto por aquele monstro, vi minha casa pegando fogo, pessoas morrendo no meu aniversário, minha mãe morreu nos meus braços por causa de um maldito monstro igual, igual...

– Igual a mim, e a você! – Mariana se calou. – e você também não pode passar a “vida” inteira se lamentando.

– Eu não sou igual à Rôsier, ou à Cornélius, e você também não é! – disse ela um pouco mais calma.

— Obrigado, mas, eu já fiz coisas terríveis no meu passado, não sou tão diferente deles assim! – disse Dragomir.

Mariana se sentou em uma cadeira e se debruçou sobre a mesa. E pensativa ela perguntou:

– Vincent, Por que... Porque me deixou ir?

– Do que você está falando? – perguntou Dragomir confuso.

– Na noite, na noite do meu aniversário, você estava lá na floresta, eu te ataquei e você desviou com facilidade – disse Mariana. – Porem você disse a Cornélius que eu quase o matei, não era verdade, e... Eu corri por mais ou menos 30 minutos, e acho que vampiros seriam mais rápidos do que eu, vocês demoraram bem mais para chegar aqui na cabana do meu padrinho. Porque você demorou tanto para avisar Cornélius de que tinha me visto?

Dragomir estava olhando fixamente para Mariana, mas ele se levantou, sem dizer nada e foi para fora. Mariana ficou ainda mais confusa, ela não sabia o que pensar achava que Dragomir, Vincent como ela o chama, era uma boa pessoa, porem depois de ouvir de sua própria boca “eu já fiz coisas terríveis no meu passado, não sou tão diferente deles assim.”, não sabia mais o que pensar a respeito dele, mesmo assim ela queria acreditar que ele era bom, ela continuou ali debruçada na mesa, como uma estátua, por algumas horas, até que decidiu ir ver se estava tudo bem com Dragomir. Ele estava recostado em uma árvore, e novamente, esculpindo algo que parecia ser um Testrálio. Do nada se ouve um estalar forte como se estivessem chovendo pedras com vinte quilos, Mariana olhou para a cabana e ela estava pegando fogo, quando ela olhou novamente para Dragomir ele estava em pé na sua frente, vários bruxos aparataram bem na frente deles formando um circulo a sua volta. O Ministério da Magia provavelmente havia mandado Aurors para investigar o que havia acontecido com o vilarejo de Strigoi, provavelmente o Sr. Obreak havia comunicado do acontecido, afinal ele Desaparatou antes que Shyo o matasse, agora eles se viam rodeados por mais ou menos vinte bruxos armados e dispostos a atacar dois vampiros.

– Então foram vocês que mataram minha irmã, vampiros imundos – disso um homem alto e magro e careca.

– Tio Gregório – disse Mariana, tentando ver melhor o rosto do homem que estava no meio de todos os outros.

– Mariana? – disse o homem se pondo à frente de todos para ver melhor Mariana. – solte ela sua aberração imunda – disse Gregório mirando a varinha em Dragomir.

O tio de Mariana trabalhava como Auror para o ministério da magia, Mariana mal o via, e quando isso acontecia, era uma vez ao ano. Mariana não tinha ideia de como contar a ele tudo o que aconteceu.

– Venha para cá querida, esse monstro não pode te fazer mal, se ele fizer alguma coisa ele morre.

Gregório olhava fixamente para Dragomir, sem nem prestar atenção em Mariana, ele se aproximou dos dois e puxou Mariana pelo braço para perto dele.

– Deem um casaco a ela, essa menina esta congelando. – e ao olhar melhor para ela, ele pôde ver que o vestido que ela usava estava com manchas de sangue, e tinha uma cicatriz em seu pescoço. – o que fizeram com você querida? – disse ele aterrorizado tentando imaginar os maus-tratos que ela vinha sofrendo.

– Gregório o que faremos com o outro Vampiro? – perguntou uma mulher baixinha e pálida que estava ao lado dele.

– Mate! – disse ele com voz firme.

– NÃO! – gritou Mariana, ela se soltou dos braços de Gregório e se pôs a frente de Dragomir.

– O que está fazendo Mariana? – perguntou Gregório confuso. – Esse monstro matou sua família.

Mariana ficou calada, ela apenas estava procurando as palavras certas para contar o que havia acontecido, porém não foi preciso.

– O que você fez? – disse Gregório à Mariana com um olhar assustado – Você se aliou a eles? Como você pôde?

– Não tio, eu não...

– Você é uma aberração agora? Assim como ele deve ser exterminada! – Gregório levantou sua varinha em direção à Mariana.

– NÃO...

– Ataquem!

–ABAIXE-SE – gritou Mariana para Dragomir, enquanto varias maldiçoes e feitiços passavam por cima de suas cabeças.

Mariana segurou o braço de Dragomir e os dois desaparataram daquele lugar. Dragomir sentiu como se uma leve descarga elétrica percorresse seu corpo, e com um grande puxão ele se viu no meio da floresta, um pouco mais adentro, mas ainda assim era possível ver a cabana ao longe, e os Aurors se dispersando para procura-los, ele sentiu uma dor muito forte em sua perna esquerda e quando a olhou parecia que sua pele tinha sido arrancada em algumas partes.

– Me desculpa, me desculpa. – disse Mariana pegando ele no colo. – eu ainda não sei Aparatar muito bem!

– É eu percebi, você nos trouxe a poucos metros da cabana. – disse Dragomir – Ahh, minha perna.

– Você estrunchou, desculpa – Mariana agora começava a correr com Dragomir nos braços.

– Que ironia, a donzela salvando o mostro que o cavalheiro teria de enfrentar. – Dragomir disse forçando um sorriso para tentar esconder a dor em sua perna.

Mariana estava correndo muito rápido, as árvores a sua volta pareciam borrões enquanto ela corria, com Dragomir nos braços, quando ela achou que já estava uma distância segura ela parou para ver o ferimento de Dragomir. A perna estava curando-se rápido, não fazia muito tempo que Dragomir havia bebido sangue, por isso estava curando rapidamente.

– Você está bem? – perguntou ela com preocupação.

– Não... Eu, eu acho... Acho que esse é meu fim... – e Dragomir foi lentamente fechando os olhos.

– Vincent! VINCENT! – gritou Marina, chacoalhando o corpo de Dragomir para que ele acordasse, quando de repente Dragomir sorriu.

– Você precisava ver sua cara e... – foi surpreendido com um tapa que Mariana deu em sua cara.

– Idiota! – disse Mariana, e novamente olhando a perna de Dragomir, agora não havia nenhum corte, e a pele se reconstituiu, apenas haviam grandes hematomas na pele. – Consegue andar?

Dragomir ficou em pé, tentou andar mais sua perna ainda estava doendo, ele estava mancando.

– Se apoia em mim. – Mariana envolveu o braço de Dragomir em seu pescoço, e os dois seguiram andando. – Ele pensa que eu ajudei a matar meus pais.

– Você sabe que não é verdade, isso basta. – Disse ele à Mariana e ela sorriu para ele. – Ganhei o dia.

– Só por que conseguiu arrancar um sorriso meu? – disse Mariana com um olhar de tédio.

– Sorrisos não se arrancam, se ganham – Mariana apenas ficou quieta por um tempo.

– Então tá. Mas para onde agente vai?

– Vamos procurar Cornélius e Shyo. – Disse Dragomir. – Imagina se cruzamos por uma Matilha de Lobisomens, e estivermos sozinhos?

– Alcateia

– Que seja, temos que procura-los!

Por mais que Mariana odiasse a ideia de depender de Cornélius, essa era a realidade.

– Mas Vincent como vai acha-los? – perguntou Mariana.

– Pelo cheiro! – respondeu Dragomir – Vamos rastreá-los pelo cheiro. Mas já está escurecendo, é melhor ficarmos por aqui. Vamos ficar aqui.

– Como assim ficar aqui?

– Eu consigo ficar um bom tempo sem beber sangue, mas você... Você eu não sei se consegue ficar algum tempo sem sangue, é diferente de vampiro para vampiro. – disse Dragomir – Vamos ficar nas árvores, tenta dormir, eu te acordo se algo acontecer.

Já estava anoitecendo, Dragomir ficou um galho acima de Mariana em uma grande e alta sequoia, ela não conseguia dormir, não sentia sono.

– Apenas queira, não precisa sentir sono, apenas queira – disse Dragomir percebendo o desconforto de Mariana. – Vai ser como se seu corpo desligasse, você vai parecer morta. Muitos vampiros dormem por séculos apenas para se proteger, outros acham que é perigoso baixar tanto a guarda, e nunca nem experimentam com medo de nunca mais acordar.

Mariana desejou dormir, e adormeceu. Ela se viu em seu quarto, acordando, depois de uma boa noite de sono, Margarite estava parada na porta como de costume... Na sala de jantar ela encontrou seu pai e sua mãe tomando café, ela podia ver pela janela o Sr. Wendell cuidando das flores. De repente tudo aquilo se despedaçou como um espelho quebrado, ela abriu os olhos e estava na floresta novamente, o dia já estava claro.

– Finalmente. – disse Dragomir. – O que você viu quando dormiu?

– Estava na minha casa, viva, e com minha família. – disse Mariana coçando a cabeça – quanto tempo eu dormi?

– A noite toda.

– Mas parece que foram apenas alguns minutos.

– É, é assim mesmo. – disse Dragomir.

– O que você vê quando dorme? – perguntou Mariana.

– Nada, eu fico de olhos fechados. Vamos, se não eles podem estar indo cada vez mais longe

Mariana estava curiosa para saber o que Dragomir via quando dormia, porém decidiu não invadir a privacidade dele.

– Sentiu o cheiro deles? – Perguntou Mariana à Dragomir que estava alguns passos atrás dela.

– Como assim se eu senti? – disse Dragomir confuso. – Pensei que você estivesse os rastreando!

– O que? – disse Mariana ficando vermelha.

– Ué você esta na frente pensei que estivesse rastreando eles!

E Mariana ia ficando cada vez mais e mais vermelha.

– Está bem, está bem – disse Dragomir percebendo que Mariana estava ficando com raiva. – pode deixar comigo.

– Pois comece – disse Mariana em tom ameaçador.

E os dois viraram vultos em meio à floresta. Enquanto corria Mariana pensava como alguém podia imaginar que uma filha podia ajudar a matar seus pais, era repugnante essa ideia, e o pior é que a essa altura ela seria vista como uma bruxa das trevas muito perigosa, e já estariam mandando equipes de Aurors para caçá-la. Depois de alguns minutos correndo Dragomir parou e a puxou pelo braço.

– O que fo... – antes que ela completasse a frase Dragomir tapou sua boca.

Os dois estavam tomando uma direção diferente agora, Dragomir havia pegado ela nos braços e estava tentando fazer o menor barulho possível.

– O que ouve? – sussurrou Mariana no ouvido de Dragomir.

– Senti cheiro de sangue humano, naquela direção, podem ser vampiros. – respondeu baixinho.

– Vamos perguntar, se eles viram estão Shyo e Cornélius. – sussurrou ela novamente. – talvez sejam amigos!

– Não sei o que você sabe sobre vampiros, mas muitos não são sociáveis, vampiros disputam território você sabia?

Ouviu-se um barulho vindo da direção do cheiro do sangue humano. E quando Dragomir virou-se um Vulto apareceu em sua frente.

Notas finais
*CENTAURO: O centauro tem cabeça, tronco e baços humanos ligados a um corpo de cavalo. Inteligente e dotado de fala humana.

*TESTRÁLIO: Aparentemente uma mistura de cavalo com dragão, pela pouca quantidade de carne no corpo que deixa os ossos a mostra, e ao invés de pelagem, a escama negra-reluzente que os cobre. Suas asas parecem as de morcegos, e apesar disso tudo são muito dóceis e tímidos. Alguns bruxos dizem trazer maus presságios pelo fato de que só podem ser vistos por quem já viu a morte.

*LOBISOMENS: geralmente são homens e mulheres que foram arranhados ou mordidos por lobisomens de sangue puro (que já nasceram lobisomens) esses se transformam em lobisomens em noites de lua cheia, porem a raça de sangues puros podem controlar quando e aonde vão se transformar. Um homem nasce lobisomem quando ele é o sétimo filho de um sétimo filho, e assim vai se formando uma família já que os filhos dele também serão lobisomens. Lobisomens quando se transformam ficam semelhantes a um lobo humanoide ou um homem com características de um lobo (focinho, garras, calda etc.), um humano que nasceu lobisomem quando se transforma cria músculos que na forma humana não possui, criam garras que podem chegar a sete sentimentos e são muito afiadas. Lobisomens ficam mais fortes nas noites de lua cheia.

*ESTRUNCHAR: Quando um Bruxo inexperiente Desaparata sem o uso de uma varinha e sem estar concentrado ele corre o risco de Estrunchar, quando um bruxo estruncha uma parte de seu corpo fica presa entre o lugar de onde desapartou (desapareceu) e o lugar pra onde ele aparatou (apareceu).

*AURORS: São bruxos treinados para combater os feiticeiros ligados à magia das trevas, e trabalham para o ministério da magia.
#Nota: Os Aurors só foram investigar o que poderia ser um ato de vingança de Herpo, o sujo, já que há boatos de que ele voltou da morte. Eles acabaram encontrando indícios de que foram vampiros que mataram praticamente todo o vilarejo, e a mando do chefe dos Aurors (Gregório Padma, tio de Mariana).