Qualquer Outro Mundo.
4 Tem que deixar ir.
Notas iniciais
– O que vocês estão fazendo aqui? – Perguntou Cornélius.
– Bruxos, nos renderam mestre, se não fosse por ela ter desaparatado, nos estaríamos mortos agora.
– Bruxos? – disse Cornélius com expressão de seriedade – Eu deveria ter previsto, não deveríamos ter ficado tão perto da casa. Vamos, Shyo e eu achamos um acampamento de caçadores.
Os dois seguiram Cornélius até uma clareira na floresta onde havia várias barracas, ao fundo amarrados a uma árvore estavam dois homens amordaçados, cinco corpos estavam amontoados dentro de uma das barracas. Mariana estava enojada com aquela cena, ainda mais com a frieza de Cornélius contando a Dragomir, que parecia desconfortado, como ele e Shyo haviam matado os homens com facilidade, Cornélius parecia estar se gabando, como se os corpos fossem troféus. Mais tarde Cornélius decidiu levantar acampamento, levando algumas barracas com eles.
– Vamos indo, que os bruxos provavelmente devem estar nos procurando a essa altura.
Shyo ficou encarregada de levar os dois homens, enquanto Dragomir as três barracas. Depois de algumas horas eles pararam em lugar frio, e húmido, tinha um pouco de neblina, segundo Cornélius seria o lugar perfeito para se esconder. Quando chegou a noite e Cornélius foi para dentro da barraca com Shyo, Mariana podia ver a lua cheia entre as árvores, estava com um brilho intenso, diferente do normal. Cornélius mandou que ela não libertasse os dois homens enquanto ele e Shyo “resolviam assuntos”, pediu para que ela e Dragomir vigiassem caso algum lobisomem aparece.
– Ele nos mandou vigiar, por que é na lua cheia que eles ficam mais fortes, e nós sentimos mais sede, sendo assim, ficamos mais vulneráveis a eles. – disse Dragomir sentando-se ao lado de Mariana. – Ficamos vulneráveis a eles, por que quando estamos com muita sede ficamos desorientados e com os sentidos confusos, pensamos e agimos apenas para conseguir sangue.
Mariana nada disse, apenas voltou os olhos para os caçadores que estavam amarrados um ao outro, jogados no chão, os dois tremiam, devido ao frio e ao medo, ela podia ver o pavor nos olhos deles. Mariana queria liberta-los, mas Cornélius havia ordenado a ela que não os ajudasse, ela queria ajudar, mas não conseguia parecia que existia uma força dentro dela que a impedia sequer de pensar em um jeito de ajudá-los. M ariana levantou-se tirou o casaco de seu tio, que ainda estava usando, e cobriu os dois homens. Mariana pôde ouvir o coração de um deles acelerar quando ela chegou perto, ela pegou um cantil, que tinha com um deles e deu água aos dois, e ao virar para se sentar ao lado de Dragomir novamente ela pôde perceber um leve sorriso no rosto dele.
– A minha família... Meu pai e meu irmão mais novo. – Disse Dragomir sem olhar para Mariana.
– Desculpe? – disse Mariana olhando confusa para Dragomir. – o que?
– O que eu vejo quando durmo... Minha família e eu, conversando, apenas conversando. – Dragomir colocou as mãos na cabeça e deitou-se para ver melhor a lua e as estrelas.
E Mariana deitou-se ao lado dele, e os dois ficaram em silencio, apenas ouvindo seus próprios pensamentos e o barulho da floresta, era um silencio confortante, agora mais do que nunca Mariana tinha a certeza de que Dragomir era uma boa pessoa, ela não sabia o que a tinha levado a ter essa certeza ela apenas sentia isso, e em seus pensamentos, Mariana sentia-se alegre, em sua cabeça ela sabia que se estivesse usando o anel que sua mãe lhe dera ele ficaria na cor verde-vivo de uma esmeralda, e assim no silencio dos dois as horas foram se arrastando. E o silencio, e a alegria, de Mariana acabou quando a voz grave de Cornélius.
– Bonequinha... – ele estava parado na frente da barraca, onde dava para ver Shyo deitada, lançando um olhar de raiva na direção de Mariana. – eu deixei esse aqui especialmente para você! – ele agora estava apontando para um dos homens.
– Eu não quero. – disse Mariana com medo de olhar nos olhos de Cornélius. – prefiro beber o sangue que vocês tiraram dos outros.
– Ah, mas esse aqui vai ser diferente, do que aquele cigano. – disse Cornélius andando em direção aos dois homens.
– Mestre, precisa ser hoje? – perguntou Dragomir para Cornélius como quem pedia piedade.
– Vincent como assim “precisa ser hoje”? – perguntou Mariana para Dragomir. – Do que vocês estão falando.
– Ela vai ter que fazer isso mais cedo ou mais tarde. – disse ele agora desamarrando um dos homens. – Melhor que seja agora. Shyo segure o outro homem, Dragomir segure ela firme.
– Desculpe. – sussurrou Dragomir para Mariana enquanto segurava firme os seus braços para traz.
– Vincent, o que... O que esta acontecendo? – perguntou Mariana sem entender nada.
– Eu não duvido nada que essa pateta seja morta por esse caçador! – disse Shyo com um sorriso assustador.
Cornélius agora estava prendendo o braço do homem para traz. O coração acelerado do homem parecia que ia estourar, Mariana sentia como seu estivesse com os ouvidos colados no peito do homem escutando seu batimento cardíaco.
– Você quer viver, não quer? – dizia Cornélius no ouvido do homem que fazia uma cara de pavor, Cornélius agora pegou um graveto do chão e espetou na mão do homem, o que fez um grande corte profundo, e o homem gritou. – Então vai, corre! – Cornélius soltou o homem.
O homem saiu correndo desesperado para salvar sua vida. Mariana ao sentir o cheiro do sangue tentava a todo custo se soltar, a única coisa que ela queria naquele momento era beber o sangue do caçador, é claro que a luz cheia contribuía para isso, e muito, porem Dragomir a segurava com força. E quando Cornélius achou que o homem já estava a uma boa distancia.
– Solte-a! – disse Cornélius para Dragomir.
Mariana saiu correndo ganhando velocidade cada vez mais e mais, até saltar no homem, que tirou uma lâmina afiada de seu casaco e a apunhalou no pescoço, Mariana tirou o punhal que estava enterrado em seu pescoço como se não sentisse dor, deu um tapa forte no homem o que o fez cair no chão com violência, depois ela o levantou pelos cabelos até ele ficar de pé, o homem implorava por socorro.
– NÃO! – gritou Mariana para si mesma. – eu não quero isso!
Só ela podia imaginar como era grande o esforço que ela estava fazendo para resistir ao sangue do homem, e poder se controlar. “Incrível” pensou Cornélius, já Dragomir não ficou muito surpreso, afinal ele já sabia do potencial de controle dela. Tanto Cornélius como Shyo, nunca tinham visto um vampiro tão novo controlar o desejo por sangue, ainda mais na época de lua cheia. Mariana então largou o homem que tremia de medo, então ele com a mão esquerda afastou Mariana de perto dele, mal ele sabia que esse tinha sido seu maior e ultimo erro. Ao sentir o cheiro do sangue da mão do homem ainda mais perto de seu nariz, Mariana perdeu o controle, ela o trouxe para perto de si, segurou-o firme e mordeu o pescoço do homem, que agora só podia gritar e agonizar de dor e depois de alguns minutos Mariana parou, olhou para o homem o soltou, e o homem caiu morto no chão. Ela sentiu novamente a sensação frustrante que havia sentido quando sugou o sangue do cigano, ela voltou andando em passos rápidos para onde os outros três estavam, falar com ela não era uma boia ideia agora. Mariana no caminho socou uma árvore, o impacto fez o chão onde ela estava tremer e a região do soco ficou enterrada para dentro, ela passou direto pelos três e foi se sentar na raiz de uma árvore que era elevada do solo, e ali ficou durante algumas horas. Dragomir se aproximou dela e sentou ao seu lado, o sol estava começando a nascer.
– Tem que deixa-la ir! – disse Dragomir.
– O que? – perguntou ela.
– Sua humanidade. – disse Dragomir, e rapidamente Mariana olhou direto nos olhos dele. – você não é mais humana... Tem que aceitar isso, se aceitar será mais fácil. Eu sei por que eu também demorei a aceitar, eu mais do que ninguém, sei o que você esta sentindo. – Mariana não disse nada, apenas continuava olhando fixamente para ele. – De qualquer forma, você vai perder ela aos poucos, se tiver sorte nem vai notar. – disse ele agora olhando para o chão com tristeza. – você ainda tem a sorte de ter um cara legal que te diga isso, já eu estava sozinho!
Mariana pensou muito nisso, porém nos dias seguintes ela evitava falar com Dragomir, alias ela não falava com ninguém. Shyo estava cada vez mais insuportável, ela fazia questão de elogiar Mariana quando ficava de frente para ela “muito bom para um bebezinho, nunca vi ninguém matar alguém com tanta fúria” o sorriso de Shyo quase nunca saia do rosto, ao menos não na frente de Mariana, quando saia era por causa de Cornélius que frequentemente comia Mariana com os olhos, o que a deixava visivelmente brava, de vez enquanto Mariana sentia que Shyo a atacaria a qualquer momento. Já Dragomir desistiu de investir em conversar com Mariana, ele agora a tratava igual a Shyo, Mariana sentia que ele queria falar com ela, e ela com ele, mas os dois pareciam ter tanta amizade como duas pessoas distantes uma da outra em uma multidão, nada além disso.
Os quatro não ficavam mais de três dias em um acampamento, em uma dessas viagens eles acamparam perto de feudos, onde muito servos estavam trabalhando, e ao amanhecer Cornélius os atacou, Mariana participou do ataque mesmo contra sua própria vontade, ela parecia estar um pouco mais acostumada a ver pessoas morrerem – por que logico foi um banho de sangue – e isso a incomodava, ela apenas lembrava-se das palavras de Dragomir: “você não é mais humana... Tem que aceitar isso”, “De qualquer forma, você vai perder ela aos poucos, se tiver sorte nem vai notar.” Isso tudo era angustiante, era como esperar algo terrivelmente inevitável. Às vezes Cornélius saía e deixava o acampamento sobre o comando de Dragomir – Cornélius não era burro para deixar Shyo no controle. – E em uma dessas viagens de “negócios” de Cornélius quando ele voltou trouxe um vestido, em um tom amarelo-folha-seca desbotado, inicialmente Mariana não queria usar, porem depois de pensar muito, e concluir que seu vestido do baile estava mais que desconfortável e completamente sujo de sangue, terra e musgo de árvore e até mesmo rasgado em algumas partes, ela decidiu usá-lo, era um vestido um pouco comprido, porem depois das magicas mãos de Mariana ele ficou mais curto, na altura dos joelhos. Era bem mais confortável. Cornélius novamente foi até uma cidade próxima, resolver assuntos com um amigo que tinha um bar famoso entre os vampiros, só que dessa vez ele levou Shyo. Assim que chegaram próximos a cidade Shyo e Cornélius partiram, deixando Mariana e Dragomir para armar as barracas.
– Me alcança esse galho ai. – falou Dragomir para Mariana, enquanto ele montava a barraca.
– Esse? – disse Mariana alcançando o galho.
Dragomir terminou de montar a barraca, e ficou parado em pé em silencio por alguns instantes.
– Está tudo bem com você? – perguntou Dragomir quebrando o silencio.
Mariana suspirou.
– Será que essa barraca esta firme? – Mariana o ignorou completamente. – Eu acho que se vier um vento um pouco mais forte ela cai.
– Então tá, você não quer responder, ótimo! – disse ele se levantando.
– Porque você me deixou ir, na noite do meu aniversário? – Ao ouvir a pergunta, Dragomir virou-se e ficou olhando para ela.
– Eu percebi o jeito que Cornélius te olhava durante a festa, todos perceberam, agente sabia o que ele faria com você se te pegasse. Eu deixei você fugir, na esperança que conseguisse achar um lugar seguro, e depois esperei um tempo para avisar Cornélius, por que... Achei que você já estava longe o suficiente, mas você foi direto para a cabana que estávamos usando de acampamento, e ai, você já sabe o que aconteceu.
– Vincent, isso não responde minha pergunta. – disse Mariana, olhando diretamente nos olhos de Dragomir. – Porque você me deixou ir?
– Era seu aniversário, você viu varias pessoas morrendo, você viu sua mãe morrer. Sua mãe se sacrificou por você, aquilo tinha que ter valido a pena!
Mariana percebeu que havia decepcionado muita gente, primeiro seu pai que passou anos da vida dele ensinando feitiços de defesa, poções e tudo o que se pode ensinar sobre magia a uma jovem, o que nada adiantou quando ela o viu morrer sem fazer absolutamente nada. Falhou depois com sua mãe, que morreu em vão para tentar protegê-la e por fim falhou com Dragomir, que lhe deu uma chance de viver, que ela desperdiçou ao entrar na casa sem checar antes se havia alguém lá. Mariana se aproximou de Dragomir que estava parado na sua frente, andou até ele, o abraçou e o abraço foi retribuído, ela sussurrou no ouvido dele “obrigado, mesmo assim”, Mariana pode sentir ele se arrepiar, então, os dois passaram o resto do dia conversando, e Mariana se sentiu alegre novamente.
– O nome do meu pai também era Vincent, e o do meu irmão Albert, eu nunca conheci minha mãe. – disse Dragomir. – meu pai não gostava de falar dela, então eu não insistia.
– Mas, você nunca sentiu interesse em conhecê-la?
– Meu pai sempre foi um ótimo pai! Isso responde sua pergunta?
Dragomir ainda explicou algumas coisas que Mariana não entendia a respeito dos vampiros, e falou que o único jeito de interromper a ligação de cria/criador é se o vampiro criador quiser.
– Digamos que ele apenas precisa querer, e depois é só dizer algumas palavras e pronto você esta livre.
– Palavras? – perguntou Mariana.
– É, sabe “eu te libero”, “você esta livre” coisas assim. – explicou Dragomir. – Rôsier uma vez me disse que bem antes de eu ser criado, ele tinha uma cria, e que Cornélius ordenou que ele a quebrasse a conexão, porque ela era inútil.
– Rôsier era aquele vampiro que...
– Sim... O que você matou. – disse Dragomir.
– E o que matou minha mãe. – completou Mariana.
Por mais que já fizessem alguns meses desde que Mariana tinha sido transformada e sua família morta, ela ainda ficava muito triste quando lembrava de todo o ocorrido. As horas passaram rápido, e a noite logo chegou, e a lua novamente imponente e brilhante levitava no céu cheio de estrelas, não havia nuvens no céu o que deixava a noite mais clara, e a floresta um pouco menos sombria e tenebrosa, Dragomir decidiu descansar um pouco – ou será que ele queria rever a família? – e dormiu, Mariana o observava, ele parecia estar morto, imóvel e sem vida. Mariana ficou encarregada de fazer a vigia, ela estava encostada em uma árvore, a luz da lua a deixava ainda mais linda, seus cabelos pareciam brilhar, ela estava de olhos fechados, apenas ouvindo o barulho da floresta, dos grilos ao longe, quando algo lhe chamou atenção, um rosnado e logo após um barulho de ossos quebrando. Mariana abriu os olhos imediatamente, ela decidiu não perturbar Dragomir afinal podia ser apenas um lobo solitário que capturou uma presa. Ela estava agora andando em direção à origem do barulho de quebra de ossos, que a cada passo que ela dava ficava mais intenso, de repente Mariana pôde ver ao longe uma criatura monstruosa, de pelos cinza claro, devorando o que parecia ser os restos de uma rena, ela ficou parada tentando identificar o que era aquilo que devorava com voracidade o pobre animal. Orelhas pontudas, um focinho longo e ensanguentado, mãos e garras compridas, um rabo, patas traseiras longas e palmadas como as de um lobo. Sem sombra de duvidas aquilo que estava diante de Mariana era um Lobisomem, ele estava rosnando, parecia estar com muita fome, e iria defender sua presa com unhas e dentes, mas as rosnadas eram apenas um aviso para ficar longe, porem Mariana decidiu tentar chegar um pouco mais perto, ela deu mais dois ou três passos, e o lobisomem parou de comer levantou sua cabeça e olhou para Mariana com cara de poucos amigos, ele rosnou mais uma vez e avançou na direção de Mariana, com uma velocidade quase tão grande quanto a de um vampiro. Mariana andou para traz tropeçou em uma raiz exposta de uma árvore e caiu, o lobisomem que ainda corria em sua direção, agora pulou. Mariana não sabia o que fazer, o lobisomem estava vindo na direção dela e ela caída no chão, então quando a fera estava quase caindo em cima dela, Mariana deu um chute em seu focinho que o fez cair para a esquerda e só parou quando atingiu uma árvore. A fera se levantou balançou a cabeça e novamente foi para cima de Mariana com toda a velocidade, dessa vez Mariana só teve tempo de se levantar e receber o potente soco na barriga, e o lobisomem continuou a empurrando até pararem em uma árvore, que se partiu e caiu, porem ainda estava fixada ao chão por suas raízes e também deixou grandes lascas de madeira, na horizontal como estacas, no lugar onde quebrou. Mariana por sorte conseguiu pular por cima do lobisomem apoiando-se nos ombros do próprio lobisomem, assim evitando ser empalada pelas lascas de madeira, o lobisomem conseguiu parar a tempo de não ter algumas lascas de madeira atravessadas em seu corpo, mas Mariana foi mais rápida, e quando o lobisomem virou-se para tentar atacá-la de novo, ela estava parada na sua frente e apenas o empurrou contra as lascas que atravessaram o peito do lobisomem que a única alternativa que lhe restou foi a morte. Mariana ficou parada em frente ao corpo do lobisomem que agora voltava lentamente a sua forma humana.
– Brilhante! – disse Dragomir ao longe com cara de bobo. – Simplesmente brilhante!
Dragomir se aproximava lentamente enquanto parecia fascinado e ao mesmo tempo bobo.
– Nunca vi um vampiro lutar com um lobisomem em sua ultima forma e sair sem nenhum arranhão.
– Sem nenhum arranhão? – disse Mariana começando a ficar vermelha. – Essa praga me deu um soco que juro, que não sei como não vomitei meu coração! – Dragomir apenas ria. – há quanto tempo você esta ai?
– Vim quando a árvore caiu. – Respondeu ele.
– E PORQUE VOCÊ NÃO ME AJUDOU? – gritou com raiva Mariana.
Mariana saiu brava na frente de Dragomir, em direção ao acampamento, aos poucos Mariana foi se acalmando e percebendo o que havia feito, ela havia matado um lobisomem, sozinha sem a ajuda de ninguém.
– Você não acha que teriam mais? Acha? – perguntou Mariana ao voltar para o acampamento.
– Ele Uivou?
– Não!
– Então não se preocupe, ele devia ser apenas alguém que foi mordido, ou arranhado por um lobisomem, devia morar na cidade aqui ao lado. – disse Dragomir. – Puxa vida derrotar um lobisomem, sozinha em uma noite de lua cheia, quando estão ainda mais fortes, isso não é para qualquer vampiro com menos de dez anos.
Quando Cornélius e Shyo voltaram Dragomir contou o ocorrido, Cornélius parecia ficar cada vez mais impressionado com os poderes de Mariana, porem Shyo estava com ainda mais ciúmes.
– Grande coisa derrotar um lobisomem, em lua cheia, eu faço isso de olhos vendados! – disse Shyo para Dragomir.
– É mais você já fez isso quando tinha apenas sete meses de idade? – disse Dragomir irônico. – acho que não, não é! – Shyo saiu brava de onde os três estavam sentados em direção a sua barraca.
E a vitória de Mariana foi o assunto durante alguns dias, Mariana achava deprimente eles só falarem naquilo, mas mais deprimente ainda eram as tentativas de Shyo de chamar atenção. Suas indiretas, seu comportamento hostil, tudo contribuía para que Mariana odiasse mais e mais a vampira de olhos puxados. Cornélius, é claro, continuou com seu olhar obsessivo para cima de Mariana, porem agora ele estava começando a perceber a amizade, já formada e solida, de Dragomir e Mariana, e isso não o agradava muito.
– Porque anda tão pensativo? –perguntou Shyo a Cornélius, passando a mão nos cabelos dele. – parece estar perdido em seus pensamentos ultimamente.
– Apenas fico tentando entender como ela pôde ficar tão forte... – respondeu Cornélius.
– Ah, essa garota de novo! – disse Shyo com um tom de desgosto. – Mariana isso, Mariana aquilo. “Ah, como Mariana é uma recém-nascida forte” “derrotou um lobisomem com sete meses de vida, e isso que ainda era na lua cheia”, eu já estou farta de tudo isso. Ela é uma bostinha, e eu aposto que qualquer outro vampiro recém-criado com a mesma idade dela acaba com ela um piscar de olhos!
– Ciúmes Shyo? – disse Cornélius.
– E se for?
– Adoro quando você fica com ciúmes!
Os dois entraram para a barraca, e tudo o que se ouvia eram os gemidos se Shyo. Mariana achava que a “discrição”, se é que se podia chamar disso, dos dois era repugnante, ela já estava até se acostumando com os gemidos de Shyo, mas que eram incômodos, eram, e ainda mais para uma vampira que tem sua audição aumentada, era como esta ali, no meio dos dois. Mariana tentava ignorar pensando em outras coisas, mas não conseguia.
– Quer sair caminhar um pouco? – perguntou Mariana a Dragomir que estava deitado dentro de sua barraca. – Não estou querendo ouvir os grunhidos dos porcos hoje.
Os dois foram andando, em direção a um campo aberto que tinha a beira da floresta, o campo tinha capim na altura da cintura, em meio ao capim também se podia ver flores amarelas, tulipas, e abelhas pousando em suas copas.
– Você não se incomoda com isso? – Perguntou Mariana.
– Acho que já aprendi a ignorar. – disse Dragomir. – Será que eles ainda estão te caçando? – se referindo a Gregório.
– Acho que eles não estão mais me procurando pelos lugares, mas ainda acho que há cartazes em lugares frequentados por bruxos com meu nome, e com uma recompensa bem gorda para quem me entregar ao Conselho. – disse Mariana como se fosse a encarnação da indiferença.
– E o que você acha disso?
– Bem... AH – Mariana caiu, e pareceu ter trombado com algo no chão. – O que, que é isso?
Mariana viu que o que havia causado sua queda era na verdade uma lapide, enquanto Dragomir caia na risada.
– “O ultimo inimigo a ser derrotado, é a morte.” – Mariana leu a inscrição, entalhada na pedra enquanto se levantava do chão. – isso aqui é um cemitério?
– Parece que sim. – em meio a risos.
– E você em, nem para perguntar se eu estava bem! – disse Mariana em tom de represália.
– Você é uma vampira não se machucaria com apenas um pequeno tombo. – Dragomir agora parou de rir, pois conseguiu um olhar mortal de Mariana.
– Essa frase está errada! No nosso caso a morte não é o ultimo inimigo. – disse Dragomir.
– Na verdade, se você parar para pensar, nós apenas nos aliamos à morte. – disse Mariana.
Enquanto Mariana limpava seus joelhos que estavam sujos de terra, Uma estátua que parecia ser um carrasco surgiu do meio do capim, e atacou os dois com um machado de carrasco, por sorte Dragomir a puxou para traz evitando o ataque da estátua, os dois pularam metros para traz. Os dois se olharam sem entender nada. E antes que Dragomir avançasse na estatua...
– Não, olha... – Disse Mariana segurando o braço de Dragomir que parecia ir atacar a estátua. – Ele não vai nos atacar, olha ele tá parado em posição de defesa. Parece estar guardando alguma coisa, um túmulo talvez.
– Por quê?
– Para que não violassem.
– Mas nos não violamos nada!
– Eu tropecei em uma lapide, quem quer que estejam enterrados aqui eram pessoas importantes, aposto que a estátua foi enfeitiçada por bruxos. – disse Mariana puxando Dragomir pelo braço para voltarem para o acampamento. – Vamos Vincent, é melhor não perturbar.
Assim que Dragomir deu as costas para o cemitério a estatua sumiu lentamente em meio ao capim, como se estivesse afundando. Dragomir ficou curioso para saber o motivo de tanta proteção, mas Mariana o convenceu a não pensar mais nisso. Mariana pediu a Dragomir para não contar nada aos outro, por que poderiam querer voltar para “fuçar” algo nos túmulos, e segundo ela violar o tumulo de um bruxo é uma coisa asquerosamente desrespeitosa. E os dois voltaram andando lentamente a passos curtos para o acampamento, onde Cornélius os esperava com um olhar de desconfiança.
– Por onde vocês andaram? – Perguntou Cornélius.
– Saímos para andar e conversar. – Respondeu Mariana.
– Conversar... Sei – disse Shyo irônica.
– Sim, por que se você não sabe, agora pouco eu mal conseguia ouvir meus pensamentos. – disse Mariana deixando Shyo vermelha em uma mistura de raiva e vergonha. – Afinal vocês estavam “conversando” muito alto dentro da barraca de vocês. Parecia que alguém estava sendo torturado!
Notas finais
*RECÉM-NASCIDOS: é assim que vampiros mais velhos chamas vampiros que foram criados em menos de cinco anos.
*PIERTOTUM LOCOMOTOR: Da vida a coisas inanimadas, como armaduras ou estátuas para que fiquem em seu comando.
Nota: Mariana sugeriu esse feitiço quando disse: aposto que a estátua foi enfeitiçada por bruxos..
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Vlw!
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