Quais as cores do programa?
1 Prólogo
Notas iniciais
Eu desde pequena sonhei que aos meus 25 anos eu teria um trabalho estável na área de TI, estaria casada com um belo homem –quem sabe, com belos bíceps definidos e 1,80 M de pura sedução-, moraria no centro da cidade perto do meu trabalho e teria o melhor carro do ano.
E já estaria começando a me apaixonar por crianças, estaria imaginando como os nossos filhos seriam, se puxariam os meus olhos ou o meu humor.
Mas cá estou eu aos 25 anos, morando a dez estações mais um quilometro de caminhada do meu trabalho, solteira, e em um apartamento meia boca, tendo apenas uma cadela como companhia.
Permita-me me apresentar. Meu nome é Júlia Cardoso, como já mencionado, tenho 25 anos. Trabalho em uma empresa criadora de jogos para qualquer tipo de plataforma. Sou filha de Marta e Luiz, uma jornalista e o diretor do Metrópole, o jornal mais conhecido do país. Eu tenho mais dois irmãos mais novos, Marcos e Pedro.
Todos nós puxamos os cabelos ondulados da minha mãe, mas apenas eu tenho a mesma tonalidade de castanho. Marcos ficou com o meio termo, com o tom de castanho claro no padrão militar. Já Pedro tem os cabelos compridos raspado apenas nas laterais e pintados de alguma cor aleatória, todo mês ele mudava, se não me engano esse mês ele está com os cabelos roxos.
No meu trabalho, sou uma das pessoas que ajuda em quase tudo, mas não leva nenhum credito, nem um simples obrigado. E o meu chefe, Rodrigo, é um babaca de marca maior, ao ponto de não saber o nome de ninguém que trabalha para ele.
Diariamente eu acordo lá pelas cinco da manhã, tomo café e saio correndo para pegar o trem da cinco e meia, para aturar o trem lotado e mulheres com sacolas enormes, camelos ambulantes e, o pior de tudo, gente fedida.
Depois de chegar na última estação, caminho mais um quilometro até chegar na Tonx, a empresa na qual eu trabalho. Divido o elevador com engravatados do 13º, que até hoje, dois anos após a minha entrada na Tonx, ainda me olham feio pela minha escolha de roupas informais, camisa de alguma série, jeans preto e tênis. Sento no meu cubículo e programo até algum dos meus amigos me chamar para uma pausa do café.
E no final do dia, lá para as oito da noite, faço o trajeto de volta chegando umas dez da noite, e desabo na minha cama com a Lara Croft, a minha cadela, ao lado me lambendo o rosto. E geralmente adormeço ali mesmo, mas quando não estou tão cansada levo Lara para um passeio noturno, quando estou, adio até o final de semana.
Lara Croft é uma cadela que apareceu no meu prédio e por algum motivo misterioso gostou de mim, entre mais de cem inquilinos que cuidavam dela e posteriormente dos filhotes que ela estava esperando. Simplesmente um dia ela decidiu me seguir e se instalar no meu apartamento.
Sabe quando você percebe que está no piloto automático por tempo demais e sabe que a vida vai dar um dar um jeito de te tirar da rotina? Então, hoje foi esse maldito dia que eu percebi isso, e o pior de tudo é que: quando você percebe, é certeza que em 24 horas ou menos você vai sair da rotina.
Como hoje é sábado me permiti dormir até as nove, já que nove horas em ponto alguém começou a socar a minha porta, agitando a Lara que começou a latir e sair correndo pelo apartamento.
–JÁ VAI! MAIS QUE PORRA! LARA, PARA! – Abri a porta e dei de cara com um furacão multicolor.
O ser na minha frente era uma garota ruiva dos cabelos ondulados, com a lateral direita raspada. Seus olhos verdes ganhavam mais destaque com as sardas sob o nariz. O seu nariz continha um piercing no septo.
E por toda extensão das suas roupas e pele exposta, havia respingos e manchas de tinta de múltiplas cores. A garota carregava um quadro embaixo de um dos braços e no outro uma enorme bolsa.
–Júlia? – Perguntou animada.
–Sim... Quem quer saber?
–Luna. – Ela esticou a mão para um comprimento, a qual eu prontamente apertei. – Eu sou a sua noiva.
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